segunda-feira, 26 de março de 2012

O Céu do Mês de Abril de 2012

http://oceudomes.blogspot.com

Sítio das Estrelas e Janine Milward

Apresentam

O JORNAL DO CAMINHANTE

Para os Simples Amantes dos Céus Estrelados


Ano 10 - Edição de Abril de 2012


Temas Apresentados nesta Edição:

Alguns Eventos Interessantes no Céu

CHUVAS DE METEOROS em tempos de Lua Recém-Nova
 em constelação bem ao norte - a Lyra - e em constelação bem ao Sul - a Popa (do Navio)
e Algumas Palavras sobre estas duas constelações

Momentos Highlights do mês de Abril:

MERCÚRIO, O Mensageiro dos Deuses e dos Homens, nos brindando com sua visão em horizonte leste e na madrugada anunciadora da chegada do Sol, ao longo de todo o mês!  Não perca o encontro da Lua quase Nova com Mercúrio, na madrugada do dia 18.

Todo o mês de Abril será um bom tempo para você fotografar o Senhor dos Anéis - principalmente no miolo do mês quando SATURNO e SOL estarão em oposição.  Boa sorte! 
Ao longo do mês, observe VÊNUS, a Bela da Tarde, a Estrela Vespertina, passeando pelos campos do Touro, começando o mês de Abril encontrando-se com as Irmãs que Choram, as Pleiades, e depois dirigindo-se para sua passagem pelas Hyades e seu encontro com Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri no cair da noite do dia 13 de Abril, visão realmente imperdível nos céus do horizonte oeste. 

 
O Aparente Andamento do SOL  
Incluindo Algumas Palavras sobre as constelações dos Peixes, Andromeda, a Princesa Acorrentada, Cetus, a Baleia, e Áries, o Carneiro - sendo que sobre Andromeda o Leitor encontrará informações sobre seu famoso Mito bem como sobre a famosa galáxia acolhida por esta constelação e trazendo o mesmo nome.


Planetas, os Deuses estão no Céu
 MERCÚRIO (concluindo sua passagem por Aquário e mergulhando nos mares abissais dos Peixes); 
VÊNUS (informações interessantes sobre a constelação do Touro, onde Vênus estará passeando ao cair da noite: sua Estrela Alpha Aldebaran, sobre os aglomerados abertos Pleiades e Hyades e sobre a Nebulosa do Caranguejo);  
 MARTE (ainda transitando junto ao garboso Leão e retomando seu movimento direto no miolo do mês);   
JÚPITER (sendo engolido pelo horizonte oeste e se despedindo de nossos olhares);   SATURNO (minuciosa descrição dos vários mitos voltados para descreverem a constelação da Virgem onde Saturno se encontra bem próximo à Spica, a Estrela Alpha Virgo);  
 Urano e Netuno

LUA, doce e mutável LUA, em seu Aparente Caminho



Caro Amigo das Estrelas, Caminhante do Céu e da Terra:

Eu sou absolutamente apaixonada pela visão do céu estrelado a olho nú e convido você a também me acompanhar nesta viagem estelar.  Moro no Sítio das Estrelas, Latitude 22s52 e Longitude 43w00 e, portanto, meus textos apresentam a visão que tenho do céu a partir desse ponto no Planeta Terra. 
Em minha Página http://oceudomes.blogspot.com , você poderá sempre encontrar meus textos mensais sobre  O Caminho Aparente do SOL, dos Planetas e da LUA.  Nesta Página, você também encontrará meu texto sobre Um Passeio pelo Céu Noturno do Sítio das Estrelas: Breve Roteiro de Viagem Celeste para as Quatro Estações do Ano.

Bons Estudos e Boa Observação!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward


Os textos apresentados neste Jornal do Caminhante são, em sua quase maioria, de autoria de Janine Milward.  Ao final deste Trabalho, são encontradas algumas das demais Referências Bibliográficas em relação aos dados técnicos e mitológicos extraídos de Sites e de Livros.

Você pode imprimir e encadernar seu Jornal e também encaminhá-lo,
desde que sempre na íntegra e apresentando sua autoria e seus créditos. 
Obrigada, Janine



ALGUNS EVENTOS ASTRONOMICOS INTERESSANTES
 AO LONGO DO MÊS DE ABRIL:


Chuva de Meteoros em tempos de Lua Recém Nova
em constelação bem ao norte - a Lyra –
e em constelação bem ao Sul - a Popa (do Navio):

Segundo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, em seu  Atlas Celeste, página 156, podemos ler: 
Chuva de Meteoros.  Fenômenos luminosos produzidos pela entrada na atmosfera terrestre de um conjunto de meteoróides que surgem quase simultaneamente e parecem provir da mesma região do céu dando a impressão de uma chuva de estrelas.  Os meteoróides têm a tendência de girar em torno do Sol em enxames e a Terra passa através de vários enxames todos os anos.  No momento que a Terra atravessa uma dessas correntes de meteoros, ocorrem as denominadas chuvas de estrelas cadentes.  Toda chuva de meteoros parece ter sua origem num ponto particular do céu, denominado de radiante.  Alguns enxames de meteoros estão associados a determinados cometas; corrente de meteoros; enxame de meteoros, chuva de estrelas cadentes; enxames de estrelas cadentes.


Chuva de Meteoros Lirídeas - advindas do Cometa Thatcher, de 1861.
Período de maior intensidade entre 16 de abril a 25 de abril - sendo que o momento mais adequado para observação será no dia 22 de abril:  Ascensão Reta 273o.  Declinação 33o no momento máximo do radiante.  São esperados 18 meteoros por hora.

Por estar acontecendo em momento de Lua recém-Nova (que se esconde no horizonte oeste logo logo depois da noite se instalar) e pelo fato de a Lyra entrar em cena nos céus do horizonte leste já noite bem alta, meio da madrugada, eu diria que você, caro Leitor, pode ir dormir um soninho tranquilo e deixar seu despertador prontinho para acordar você a partir das três horas da matina... e ficar bebericando sua xícara de café quentinho até as cinco, seis da manhãzinha....  

  Ilustração extraída da revista Sky&Telescope, edição de abril de 2001.

             De qualquer forma, nenhum tédio recairá sobre você, acredite, pois que os céus do norte naqueles momentos sempre estarão lhe trazendo maravilhosas estrelas e suas constelações, belíssimos objetos a serem observados seja a olho nú ou seja através bons binóculos ou um simpático telescópio.  Saiba mais sobre estas suas possíveis observações em nossa descrição sobre o Caminho Aparente da Lua, ao final deste Trabalho, bem como aproveite a oportunidade para conhecer mais profundamente a própria constelação da Lyra com a ajuda de minha Página http://sobrelyra.blogspot.com

A Lyra é uma constelação de uma sutileza e uma inefabilidade ímpares, uma verdadeira musicalidade celestial, sem dúvida alguma, e, a meu ver, uma chuva de meteoros advinda desta delicadíssima constelação só pode ainda nos enlear mais e mais e nos parecer estar vendo as cordas musicais sendo tocadas pelos bólides e seus riscos prateados rasgando o céu do norte.

A Lira, juntamente com as constelações do Cisne e da Águia formam o chamado Grande Triangulo do céu do norte e este triangulo acontece a partir das Estrelas Alpha de cada uma dessas constelações, a saber, respectivamente, Vega, Deneb e Altair.


LYRA, A LIRA
Posicionamento:
Ascensão Reta  18h12m / 19h26m     Declinação +25o.6 / +47o.7

A Constelação da Lira ocupa somente 286 graus quadrados do céu e está na posição 52a. em termos de tamanho dentre as 88 constelações.  A Lira foi uma das primeiras constelações a serem descritas.

Mito:
Mercúrio encontrou o casco de uma tartaruga   no Rio Nilo e descobriu que, depois que a carne havia sido consumida, poderia tocar as entranhas do animal e produzir música.  Ele fez uma lira com três cordas e ofertou a Orfeu, o filho de Caliope, que encantava feras, pedras e pássaros com sua música.  Depois que Orfeu foi degolado pelas mulheres da Trácia, Júpiter colocou a lira nos céus, a pedido de Apolo e das Musas.  Esta constelação também foi chamada de Vultur Cadens, pelos antigos.

Fronteiras:
Hercules Vulpecula, Cygnus, Draco


Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes    


É sempre um imenso prazer se observar a constelação da Lyra nos apresentando sua Estrela Alpha, Vega:

Vega.  Alpha Lyrae.  Estrela Dupla
Ascensão Reta 18h 36m55.7  Declinação +38o 46m56s
Magnitude visual 0,14 - Distância 26 anos-luz
Magnitude visual 0,1 e 10,5  Distância entre estrelas 62”,84
Magnitude aparente de Vega: 0,03
Classe de Vega: V   Tipo Espectral de Vega: AO
Uma estrela cor de safira pálido, situada na parte inferior da Lira (do ponto de vista a partir do norte em direção ao sul).  É considerada a quinta estrela mais brilhante do céu, a partir de nossa simples visão desarmada, ou seja, a olho nú (as outras estrelas são, em ordem, Sirius, Canopus, Alpha Centauri e Arcturus - sendo que esta última estrela é  a primeira mais brilhante dos céus do norte, ocupando Vega a segunda posição). 

De Al Waki, Aquela que Cai, e conhecida na antiguidade como o Corvo que Cai, O Abutre Mergulhando, Vultur Cadens.  
A constelação da Lyra é também sempre mencionada por acolher a maravilhosa Nebulosa do Anel, NGC 6720, M57, descoberta em 1772 embora sua forma aparentemente anular tenha sido revelado mais tarde, por William Herschel em suas observações.


M57 - NGC 5720 - A Nebulosa do Anel
Ascensão Reta  18h53m35      Declinação +33o.01 m4
Tipo Nebulosa Planetária   NP      Dimensão  1,2       Magnitude 18
Magnitude da Estrela associada   15         Distância em anos-luz 5,0


Crédito da foto: http://www.atlasoftheuniverse.com

Esta é uma das mais familiares nebulosas planetárias.  Ela pode ser visualizada como se fosse uma bolha de gás.  No centro da nebulosa existe uma estrela pálida que somente pode ser visualizada através grandes telescópios.  É uma estrela azul-anã, muito quente.  A intensa radiação dessa estrela é absorvida pela nebulosa e re-emitida na região visível. 

Segundo alguns alfarrábios, a Nebulosa do Anel é bem pequena, medindo 60” por 70” e parecendo uma estrela de magnitude 9 e fóra de foco...  Inclusive, eu pude observar que alguns autores em seus comentários dizem que é possível encontrar esta Nebulosa através binóculos!   No entanto,  o conselho acerca sua busca é: depois que o finder encontrou a estrela, vá até a principal lente do telescópio usando potência de média a alta e é preciso cerca de abertura 150mm de forma a poder resolver o núcleo central e potência ainda bem maior para que se possa encontrar a estrela de 15a. magnitude, a estrela central.


Se você quiser saber maiores e mais completas informações sobre a constelação da Lyra, acesse meu trabalho em http://sobrelyra.blogspot.com

Chuva de Meteoros Pi-Pupídeas
Período de maior intensidade entre 14 de abril a 27 de abril - sendo que o momento mais adequado para observação será no dia 23 de Abril: Ascensão Reta 110o. Declinação -45o   no momento máximo do radiante.
 A Popa, Puppis, é uma das três constelações que compõem a antiga constelação do Navio Argus.  Eu, pessoalmente, lamento um tanto o fato de o belíssimo Navio ter sido desmembrado.... porque para nós, moradores do hemisfério sul, a visão do Navio sempre nos parece absolutamente inteira, perfeita... um Navio quase costeiro..., enquanto eu penso que, para os moradores do hemisfério norte (incluindo aqueles que efetivamente interferem nestas questões, os astrônomos estudiosos e seus papers), o Navio parece realmente navegar muito distanciado da costa, digamos assim, e, possivelmente, um tanto espraiado, espalhado em seu desenho estelar - da mesma forma que  nós, do hemisfério sul, podemos também ter uma mesma impressão em relação à Ursa Maior, por exemplo, e outras constelações bem ao norte e quase inalcançáveis em nossa visão.

Nestes momentos de chuva de meteoros Pi-Puppideas, as três constelações-membros (Carina, a Quilha, Vela e Popa) que compõem o Navio Argus já se encontram no céu estrelado do sul, bem ao sul, realmente, quando a noite cai.  Em relação à Lua recém-Nova na noite do radiante máximo, Lua de segundo dia pós-Nova, sua distância em relação ao Sol não ultrapassará mais de trinta graus e isso quer dizer que Selene estará se apresentando apenas como um belíssimo fino anel dourado/prateado ao final da tarde começo da noitinha e logo logo estará se escondendo no horizonte oeste, seguida da Bela da Tarde, da Estrela Vespertina, Vênus, que aguarda por seu encontro com a Lua na noite seguinte.

De qualquer forma, haverá uma movimentação de todo o Navio em suas  três constelações em navegação inicialmente, ao cair da noite, se apresentando no alto do céu do sul e então em navegação já voltada para o horizonte oeste, sempre o Navio capitaneado por seu capitão Canopus, a Estrela Alpha Carinae. 

Toda esta parte do céu é realmente maravilhosa pois que o rio leitoso dos céus, a Via Láctea, veio acompanhando nossa visão desde o norte nos apresentando o herói Perseus, ainda antes do Cocheiro, Auriga, com sua belíssima Estrela Alpha Capella, apontando para o campo onde o Touro pasta juntamente com seus Aglomerados Abertos Pleiades e Hyades e sua alaranjada Estrela Alpha gigante Aldebaran, iluminando o corpo, o elmo, a clava e o cinturão e a espada do Gigante Caçador Órion, cumprimentando a mais bela de todas as belas, Sirius, a Estrela Alpha Canis Majoris, e ainda preenchendo de estrelinhas de algodão a Popa - que é vicinal ao Cão Maior -, inundando a Vela e a Quilha onde o Capitão do Navio, Estrela Alpha Canopus, trabalha atrás do seu timão ...., e o rio leitoso segue encaminhando-se em direção ao Cruzeiro do Sul (escondendo os segredos da Caixinha de Jóias e outras riquezas a serem observadas através binóculos ou mesmo a olho nú).... e  também nos apresentando ao Centauro com suas duas estrelas ponteadoras Alpha e Beta Centauri, Rigel Kent  e Agena (muitíssimo comentadas em nossa edição do mês de fevereiro), nos revelando as maravilhas de Omega Centauri, um aglomerado que já nos encanta mesmo através simples binóculos..... 

Poderemos, então, observar o fato de que o Gigante Órion já se escondeu no horizonte oeste e isso significa que o Escorpião está entrando em cena no horizonte leste....  O tempo do Navio se apresentando aos nossos olhos já chegou à sua conclusão mas certamente estivemos contemplando os céus do sul preenchidos pela Via Láctea por cerca de duas, três horas de noite escura e transparente.

PUPPIS, POPA
O Navio, fazia parte do grupo de 48 constelações relacionado por Ptolomeu. 
Porém, La Caille dividiu o Navio em
Carina, Vela e Puppis, Quilha, Vela e Popa
 Posicionamento:
Ascensão Reta 6h2m / 8h26m   Declinação -11o.0 / -50o.8

Fronteiras:
Puppis situa-se entre as constelações Canis Major, Columba, Pictor, Carina, Vela, Pyxix, Hydra, Monoceros

Mito:
Esta constelação representa o navio no qual Jasão trouxe o Velocino de Ouro para Colquita - e dizem que foi o primeiro Navio a ser construído.

A Popa é facilmente identificável a partir da localização de Canopus, estrela-alpha do Navio Argos e situada na parte de Carina, a Quilha, e buscando o padrão de estrelas que ficam ao norte. 
Do ponto de vista de quem está no hemisfério sul, é possível se identificar a Popa já muito próxima a Sirius, a estrela-alpha do Cão Maior, até chegar a Canopus, a estrela-alpha do Navio.

Existem alguns aglomerados abertos nesta constelação sendo que o mais brilhante é M47, visível a olho nu.  M46 e M93 são mais pálidos porém também considerados como objetos interessantes a serem observados.  M46 e M47 situam-se próximos a Sirius (que atua enquanto ponto de referência, é claro).


NGC 2422 - M 47 - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 07h34m  Declinação -14o.27
Magnitude fotográfica global 4,3  Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 9,8
Distância kpc 0,48  Diâmetro 30’  Tipo Espectral B3


NGC 2437 - M 46  - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 07h40m  Declinação -14o.46
Magnitude fotográfica global 6,6  Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 10,8 Distância kpc 1,66   Diâmetro 27’  Tipo Espectral B8

NGC 2447 - M 93 - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 07h43m.6  Declinação -23o.49’
Magnitude Visual integral 6,0



O APARENTE CAMINHO DO SOL
AO LONGO DO MÊS DE ABRIL:
Aparentemente, o SOL vai perfazendo seu caminho ao longo de sua senda, chamada Eclíptica, contra o pano de fundo das estrelinhas que formam as constelações que em seu grupo são denominadas de Zodíaco, ou Roda de Animais (isso porque, em sua grande maioria, essas constelações são nomeadas a partir de sua semelhança com alguns animais – exceção feita para Aquário, Balança e Gêmeos).
É preciso que o Caminhante saiba, no entanto, que esse caminho que o SOL realiza ao longo do ano é apenas aparente: a verdade é que é a nossa Terra que vai girando em torno do SOL e em função de seu movimento de precessão de equinócio, vai traçando esse mesmo caminho. Através das Eras, o caminho da Eclíptica vai sofrendo algumas pequenas mudanças.
O Sol começa o mês de abril ainda se encaminhando para o encontro entre os dois Peixes, tendo Pegasus ao norte e a baleia Cetus, ao sul, um voando e outro nadando.... enquanto também os Peixes nadam nos oceanos dos céus!

Pisces, Os Peixes

Posicionamento:
Ascensão Reta  22h49m / 2h4m  Declinação -6o.6 / +33o.4

Fronteiras:
A constelação de Pisces faz fronteira com Áries, Triangulum, Andrômeda, Pegasus, Aquário e Cetus.

Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes    

Entre os dias 10 e 15, o Sol transita entre as caudas entrecruzadas dos Peixes, ao mesmo tempo que aponta, mais ao norte e ainda ao sul da constelação de Andrômeda, para a cabeça do outro Peixe. Nos dias 20 a 25, o Sol tem bem ao norte, a presença maravilhosa da galáxia nossa irmã mais próxima, Andrômeda:
Vamos conhecer um tantinho mais sobre

ANDROMEDA, a donzela/princesa acorrentada:

Ascensão Reta 22h56m / 2h36m  Declinação +21o 4’ a +52o 9’
Fronteiras:
A constelação de Andrômeda situa-se entre as constelações de Cassiopéia, Lacerta, Pegasus, Peixes, Áries e Perseus.

Esta é uma das mais antigas constelações nomeadas e que faziam parte do Catalogo de Ptolomeu no Século Segundo depois de Cristo. (Século 2 DC).

Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes    

Mito:

Andrômeda era a filha de Cefeus,  rei da Etiópia, e de Cassiopeia.  Por causa dos boatos espalhados por Cassiopéia de que a beleza de Andrômeda superava a das Nereidas, Netuno enviou um mostro marinho, Cetus, a Baleia, para devastar aquele país.  Porém, Netuno fez a promessa de libertar o país dessa devastação caso Andromeda fosse oferecida em sacrifício, sendo acorrentada a uma rocha, para ser devorada pelo monstro marinho.  No entanto, Perseus soube desse caso e salvou Andrômeda de seu tormento matando o monstro e o transformando em pedra ao lhe mostrar a cara da Medusa.  Ambos, Perseus e Andrômeda, alçaram vôo alto, sobre Pegasus, o cavalo alado, e se dirigiram para o altar onde se casaram.
Andromeda é uma constelação muito conhecida - juntamente com as demais constelações que fazem parte de seu Mito - em função de M31, uma galáxia espiral gigante muitíssimo próxima à nossa própria Galáxia, a Via Láctea.  Essas duas  galáxias são consideradas as maiores dentro do chamado Grupo Local que acolhe cerca de 20 membros
M31 é a catalogação para a GALÁXIA DE ANDROMEDA

Em lugares de céus escuros e transparentes, pode ser visualizada a olho nú, com visão enviesada, como também um simples par de binóculos pode alcançar e apreciar esta verdadeira preciosidade dos céus.  É uma galáxia do tipo espiral e, sem dúvida alguma, é a galáxia mais familiar a todos nós, a única de sua espécie no céu do norte.

Eu já tive a felicidade de morar num Sítio vicinal ao Rio Paraíba, na cidadezinha de Sapucaia, divisa do Estado do Rio com as Minas Gerais, onde sempre a constelação de Andromeda atraía imensamente minha atenção à vista desarmada e em olhar enviesado, é claro, pois que os céus do norte naquele lugar era realmente escuro e transparente - diferente do Sítio onde moro agora, o Sítio das Estrelas, onde a cidadezinha de Mar de Hespanha (distante a dois quilômetros apenas) e a cidade de Juiz de Fora (a 65 quilômetros) poluem com suas iluminações urbanas desenfreadas minha visão mais ao norte e ao noroeste, infelizmente.

O que sempre encantava meu olhar e meu coração em minhas observações naquele Sítio em Sapucaia, era o fato de que, por um lado - ao norte - Andromeda, a galáxia, sorria para mim.... e, por outro lado - ao sul -, as duas Nuvens de Magalhães também se apresentavam!

Ah, a observação dos céus estrelados a olho  nú é algo realmente encantador, emocionante e somente aqueles que se dedicam a esse tipo de observação

-          saindo de suas poltronas (the arm-chair astronomer) e das telas maravilhantes de seus computadores -, conseguem compreender o maravilhamento que as estrelas e suas constelações e alguns objetos celestes visíveis à vista desarmada nos proporcionam, gratuitamente e quase eternamente....

       

Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes    


 
Esta Galáxia pode ser encontrada na Ascensão Reta entre 0h e 1h e Declinação +40, em Magnitude visual 5 e distância de cerca de 2.2 X 10 . 6 anos-luz e um diâmetro angular de 160’ X 40 e um diâmetro real de 110 mil anos-luz.  A região central e brilhante de M31, parecida como uma galáxia elíptica, possui 12 mil anos-luz em diâmetro; e no centro dessa região encontra-se o núcleo denso que mede 50 anos-luz em diâmetro e contém mais de 10 milhões de estrelas.  


Ao sul, a cabeça da Baleia com sua estrela Menkar, se projeta para fora das águas celestiais, encerrando assim, o aparente caminho do Sol no mês de abril..... 


Posicionamento:
Ascensão Reta 23h55m / 3h21m     Declinação -25o.2 / +10o.2

Fronteiras:
A constelação Cetus faz fronteira com Eridanus, Taurus, Áries, Pisces, Aquarius, Sculptor e Fornax

Menkar.  Alpha Ceti.
Ascensão Reta 03h01,2 - Declinação +04o 00
Magnitude visual 2,82 - Distância 130 anos-luz

Uma estrela brilhante e alaranjada situada nos dentes da Baleia.  De Al Minhar, o Nariz, O Focinho - nome árabe que indica a posição da estrela mais brilhante do asterismo da Baleia.

Não nos esquecendo, no entanto, que o Sol, a partir do dia 25, tem ao seu norte a constelação de Áries, com sua bela Hamal sendo conjugada ao Sol nos dias 29 e 30.


Áries, o Carneiro

Posicionamento:
Ascensão Reta 1h44m / 3h27m  -  Declinação +10o 2’ / +30o 9’
Mito:

Áries representa o carneiro com a pele dourada, um presente de Mercúrio e que pôde levar Phrixius e sua irmã Helle através os ares, para escaparem de sua madrasta, Ino.  Ao chegar em Colquito, Phrixus sacrificou o carneiro e ofereceu-o a Júpiter e sua pele foi pendurado no Campo de Marte, de onde mais tarde foi apanhada por Jasão.  De acordo com outro mito, era o carneiro que guiou Baco até uma fonte de água, no deserto da Líbia.

Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Foram os babilônios que adotaram Áries para marcar o início do ano, pois em 2500 AC, o equinócio da primavera encontrava-se no meio das três estrelas que formam a cabeça do Carneiro.
Fronteiras:
A constelação de Áries situa-se entre Taurus, Perseus, Triangulum, Pisces e Cetus.

Cartas Celestes, Mario Jaci Monteiro

 
Nas edições de nosso Trabalho para os meses de janeiro, fevereiro e março de  2012, você encontrará outras várias informações sobre a constelação de Áries e suas estrelas.  Confira em http://oceudomes.blogspot.com

PLANETAS, OS DEUSES ESTÃO NO CÉU:
O Aparente Caminho dos Planetas ao longo do mês de Abril:
Olhe para o céu e aproveite para saber um tantinho mais sobre os Mitos e Dados Técnicos de algumas Estrelas e Constelações que iluminam o Céu Estrelado!


Aparentemente, os Planetas vão perfazendo seus caminhos ao longo de suas sendas, ao longo da chamada Eclíptica, contra o pano de fundo de estrelas e constelações que perfazem a Roda do Zodíaco e que são circundados pelos demais cantos, ao norte e ao sul, preenchidos por mais e mais estrelas e constelações, galáxias, etc.
Volta e meia, aparentemente, um Planeta engrena marcha-a-ré, toma uma movimentação para trás.... como se estivesse formando um ‘lacinho’ a partir do ponto de vista do Planeta Terra.  No entanto, é claro que tudo sempre anda para frente, digamos assim, e esse movimento é apenas aparente e acontece a partir do próprio movimento de translação da Terra em torno do SOL e sua inter-relação visual com o Planeta em questão (que também realiza seu andamento em torno ao SOL, certamente).


MERCÚRIO
MERCÚRIO, o Mensageiro dos Deuses e dos Homens,  começa o mês na Ascensão Reta 354O.26’ na Declinação 01S22 e termina o mês na Ascensão Reta 15O.28’  e na Declinação 03N32.  Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.
Ao longo do mês de Março, a distância entre Mercúrio e o Sol foi diminuindo, diminuindo, até que ambos se encontraram no dia 21, a um dedinho adiante do ponto vernal e distante de nossos olhos, naturalmente.

O Mensageiro dos Deuses e dos Homens estará recuperando seu movimento aparente direto nos primeiros dias do mês de Abril e então estará nos brindando com seu surgimento no horizonte leste ainda antes do Sol entrar em cena - sempre um bom momento para ser observado por aqueles que dormem tarde ou que acordam cedo!

A bem da verdade, ao longo de todo o mês de Abril estaremos sendo brindados com a sempre bela e interessante visão do Planeta Mercúrio em horizonte leste juntamente com o cantar do galo madrugador, madrugada sonolenta, ainda antes do nascer do Sol, anunciando a chegada de nossa estrela mór. Na madrugada do dia 18, ainda antes do nascer do sol, por volta das cinco da matina, acorde bem cedinho para poder observar a Lua, concluindo seu tempo de Minguante e já ansiosa por se tornar Lua Nova, encontrando-se com Mercúrio, que vem nos presenteando com sua presença amarelada nos céus do horizonte leste.  Este será um evento muitíssimo interessante, quem sabe você não se anima a fotografá-lo?  Pense nisso, tente, vale a pena tentar.
 No miolo do mês de Abril, Mercúrio estará cruzando as fronteiras entre os graus concluidores e iniciadores da Ascensão Reta e da Declinação.  Ou seja, o Mensageiro dos Deuses estará cruzando o Ponto Vernal, iniciando uma nova jornada ao longo do Caminho da Eclíptica. Segundo o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, em sua 6a. edição do Atlas Celeste, página 163, podemos ler:
Ponto Vernal.  Ponto da esfera celeste, situado na interseção da eclíptica com o equador, na qual o Sol, em seu movimento aparente anual, passa do hemisfério sul para o norte.  O ponto vernal serve de origem para as ascensões retas e as longitudes celestes, intervindo desse modo nas definições de tempo.  O ponto vernal é habitualmente designado como equinócio da primavera, equinócio vernal, primeiro ponto de Áries.

Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes    

Traduzindo estes dados, estaremos encontrando Mercúrio cumprindo, primeiramente, as últimas etapas da constelação do Aguadeiro para então mergulhar nos mares abissais da constelação dos Peixes. 

 
VÊNUS

VÊNUS, a Bela da Tarde, começa o mês Ascensão Reta 54O.31’ concluindo o mês na Ascensão Reta 78O.30’.  Na Declinação, VÊNUS começa o mês a 23N01, terminando o mês a 27N44.  Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.

Traduzindo estes dados, estaremos encontrando Vênus nos campos onde o Touro pasta e primeiramente encontrando-se com as Irmãs que Choram, as Pleiades, logo nos primeiros dias do mês, e depois dirigindo-se para sua passagem pelas Hyades e seu encontro com Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri - esta Conjunção acontecerá no cair da noite do dia 13 de Abril, visão realmente imperdível nos céus do horizonte oeste.  Veja extrato da carta celeste mais adiante.


Pleiades (à esquerda) e Hyades, com Aldebaran apresentando-se como a estrela mais proeminente e avermelhada - foto extraída da Internet sem que eu tivesse transcrito a autoria e o crédito, infelizmente.

Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes   

Aproveite os tempos de Lua Minguante a Nova para bem poder observar M1, a Nebulosa do Caranguejo, belíssima visão a ser apreciada ainda nos campos do Touro, situada entre o chifre sul e o caminho da Eclíptica e ainda a Estrela Beta Tauri, El Nath, ao norte da Eclíptica.   A bem da verdade, Vênus estará se encontrando com a Nebulosa do Caranguejo entre os dias 09 e 16 de maio porém a Bela da Tarde estará entrando em movimento de marcha-a-ré, realizando um novo encontro bem ao finalzinho do mês de julho.  Veja extrato da carta celeste mais adiante.  De qualquer forma, eu penso que seria interessante você, caro Leitor, já ir buscando encontrar M1, a Nebulosa do Caranguejo, através bons binóculos ou simpático telescópio.

A Lua recém Nova e buscando tornar-se Lua Crescente estará encontrando-se com Vênus, a Bela da Tarde, a Estrela Vespertina, ao cair da noite do dia 24.

Taurus, o Touro

Posicionamento:
Ascensão Reta 3h20m / 5h58m    Declinação +0o.1 / +30o.9

Fronteiras:
Taurus situa-se entre as constelações de Gemini, Auriga, Perseus, Áries, Cetus, Eridanus e Orion

Mito:
Júpiter ansiava por encontrar-se com Europa.  Certa vez, disfarçou-se em touro e fez parte de uma manada até encontrar-se com a moça, numa praia.  Europa sentiu-se encorajada com a placidez do touro e montou-o e foi quando Júpiter correu para o mar e levou a moça até a ilha de Creta.  De acordo com outro mito, o touro representa Io a quem Júpiter transformou em vaca, para despistar o ciúme e a vigilância de Juno, sua mulher.
Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação
A mais antiga de todas as constelações e talvez a primeira a ser delimitada pelos babilônios, que a utilizaram para marcar o início do ano, pois o equinócio da primavera, há 4000 AC, localizava-se neste asterismo.  Aliás, o estudo de todos os antigos zodíacos mostram o seu início no Touro: o ano começava com o aparecer matinal das Pleiades na primavera, e o inverno, com o seu aparecimento vespertino no outono.  O aparecimento das Pleiades em novembro era saudado como a festa dos mortos, que comemoramos até hoje. Povos da antiguidade, como os caldeus e hebreus, davam ao mês de novembro o nome de Pleiades.
No mais antigo de todos os zodíacos egípcios - o de Denderah -, a constelação do Touro está associada a Osíris, que era o deus especial do Nilo.

O nascer helíaco das Hyades, principal aglomerado do Touro, era associado à estação da chuva - donde a origem do seu nome, que significava ‘chover’.

Algumas Estrelas e alguns objetos interessantes, em Touro:

Aldebaran.  Alpha Tauri. 
Ascensão Reta 04h34,8m - Declinação +16o 28’
Magnitude visual 1,06 - Distância 68 anos-luz
Uma estrela gigante alaranjada marcando o olho esquerdo e sul do Touro. 
Seu nome advém de Al Dabaran, Aquela que Segue. Aquela que vem antes da Estrela da Água, isto é, das Pleiades. Formava uma das quatro estrelas reais ou guardiãs dos céus entre os persas cerca de 3.000 anos a.C, quando, enquanto Guardiã do leste, marcava o Equinócio Vernal - as outras estrelas eram Regulus, Antares e Fomalhaut.


Aglomerado Aberto Taurus - Hyades
Ascensão Reta 04h19m   Declinação +15o.35
Magnitude fotográfica global 0,8    Distância kpc 0,040
Diâmetro 400’   Tipo Espectral A2

Hyades - Aglomerado em movimento
Grupo de mais de 200 estrelas que circundam Aldebarã e que se deslocam todas para um mesmo ponto do céu, próximo a Betelgeuse, a estrela-alpha de Órion.  Estas estrelas são um aglomerado aberto e seu desenho forma a cabeça do Touro.  Todas as estrelas encontram-se em movimento em conjunto e por esta razão as Hyades são chamadas de Aglomerado em Movimento do Touro.  A estrela Alpha Tauri, Aldebarã, gigante alaranjada, adorna as Hyades como se fosse uma gema brilhante porém não é membro desse aglomerado por se situar cerca da metade do caminho entre o centro das Hyades e nosso Sol.

M 45 - Aglomerado Aberto Taurus- Plêiades

Ascensão Reta 03h45m    Declinação +24o.04
Magnitude fotográfica global 1,6   Distância kpc 0,125
Diâmetro  120’  Tipo Espectral B6
Distância: cerca de 350 anos-luz.
Aglomerado de mais de 400 estrelas em uma área de um grau de diâmetro e facilmente visível a olho nu.
As Pleiades ou Atlântidas eram as sete filhas de Atlas e Pleione, seis das quais podem ser vistas a olho nu e uma invisível ou “perdida”.  Elas eram as companheiras virgens de Diana e foram levadas para o céu para escaparem do Gigante Orion que as importunava.  De acordo com outro mito, foram para o céu por causa de suas tristezas com o destino de seu pai, Atlas, que carregava o mundo nas costas. Seus nomes são: Alcyone, Maia, Electra, Merope, Taygette, Celaeno e Sterope, com a adição dos pais, Atlas e Pleione.

NGC 1952 - M 1 - Taurus  - Nebulosa Nebulosa Resto de Supernova - Caranguejo
Ascensão Reta  05h33m      Declinação +22o.05
Tipo Nebulosa Planetária SN        Dimensão 5,0        Magnitude 19
Magnitude da Estrela associada 16V           Distância em anos-luz 4,0

Por volta do ano 5500 antes de cristo, uma imensa estrela explodiu como Supernova... seis mil e quinhentos anos mais tarde, em 4 de julho de 1054, astrônomos japoneses e chineses puderam observar a aparição de uma 'estrela convidada" no céu na constelação que hoje denominamos de Touro. Essa nova estrela, tão brilhante quanto Vênus, pôde ser vista durante o dia por cerca de 23 dias and durante dois anos pôde ser observada e estudada no céu noturno.
Quando a supernova esmaeceu, passaram-se mais 700 anos até que uma pequena nuvem de gás verde luminoso surgiu no lugar onde ela aparecera anteriormente, um grau ao norte e oeste de Zeta Tauri, já em um dos chifres do Touro quase aos pés dos Gêmeos

Charles Messier (1730-1817) era um caçador de cometas e sempre vasculhava o céu em busca dos mesmos. Em 12 de setembro de 1758 (ou em 28 de Agosto, segundo outro documento - Nota da Tradutora), Messier apontou para esse ponto de luz difusa no céu e o descreveu a nebulosa como contendo nenhuma estrela, esbranquiçada em sua cor e alongada como a chama de uma vela. Mais tarde, Messier veio a saber que tal nebulosa já havia sido avistada por um astrônomo inglês, John Bevis, em 1731.

Messier continuou sua busca por cometas (naquele mesmo houve o retorno, já previsto, do Cometa Halley durante o mês de dezembro) - e passou então, a elaborar uma lista de objetos no céu que não eram cometas. Finalmente, uma versão final dessa lista foi publicada em 1784 contendo 109 ou 110 objetos, sendo que o primeiro objeto mencionado foi a Nebulosa que ora é visitada por Saturno. Essa lista é hoje conhecida como A Lista de Messier e seus objetos são denominados M1, M2, M3.... A Nebulosa do Caranguejo é M1.
No entanto, esse nome, Nebulosa do Caranguejo foi dado por Earl of Rosse, em 1840 que publicou um desenho da mesma com filamentos que sugeriam o formato de um caranguejo. Mais tarde, ele observou a nebulosa já com outra aparelhagem mais potente e rejeitou sua descrição anterior da mesma.... tarde demais: a Nebulosa do Caranguejo já era assim conhecida!

A Nebulosa do Caranguejo não é difícil de ser localizada com um telescópio mais simples e do quintal de sua casa - afinal foi assim que Messier a encontrou! Porém, em céus mais transparentes, longe das luzes da cidade, sua visão se torna bem mais enriquecida e se você tiver um telescópio possante, será fantástico poder observar um estrela que ainda permanece em seu centro, um pulsar que gira cerca de 30 vezes por segundo!


Vênus e Júpiter, a Bela da Tarde e o Deus dos Deuses, vieram atuando situações muitíssimo emocionantes no horizonte oeste ao longo de todo o mês de Março e encontraram-se em união imensamente iluminada, ainda nos campos do Carneiro, no cair da noite do dia 13, em belíssima Conjunção entre as duas luzes mais iluminadas dos Errantes do nosso céu estrelado.

Com o andar da carruagem do mês de Março, Vênus e Júpiter continuaram como os Grandes Deuses Iluminadores do começo das noites de Março, sem dúvida alguma - situação que se mostrou ainda mais encantadora quando a Lua recém Nova começou a galgar do horizonte oeste em direção ao zênite, encontrando-se com Júpiter, na  noite do dia 25 e com Vênus, na noite do dia 26!
Ainda em Abril, teremos a oportunidade de bem apreciarmos Vênus e Júpiter nos céus do horizonte oeste, porém sendo engolidos, vagarosamente, pelo horizonte do cair da tarde, início da noite...., primeiramente Júpiter, aos dias finais de Abril; depois Vênus, aos dias finais de Maio.  Vênus estará, então, se preparando para vivenciar um evento ímpar e que os astrônomos fotógrafos adoram trazer para suas imagens e imortalizarem: a grandiosidade de Vênus e Sol unindo-se de maneira absolutamente literal, ou seja, a passagem de Vênus diante do Sol.  Este momento ímpar estará acontecendo na tardinha do dia 5 de junho e a última vez que tivemos a oportunidade de presenciar esta situação foi no ano de 2004.  Neste ano, infelizmente apenas uma pequena parte da América do Sul, bem a oeste, testemunhará este evento - mesmo que apenas em seu começo pois que o Sol haverá de encontrar seu poente ainda antes do evento terminar.

MARTE
O Deus da Guerra, Planeta Vermelho, começa o mês na Ascensão Reta 157O.51’ e na Declinação 12N50 e termina o mês na Ascensão Reta 157O.46’ e na Declinação 11N35.  Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.
Quando a noite cai, já estaremos encontrando Marte se apresentando alto no horizonte leste, passeando ao longo do corpo estelar da constelação do Leão, ainda em processo de re-conhecimento das luzes desse asterismo por se encontrar em seu movimento de marcha-a-ré, vindo desde Denebola, a cauda do Leão, em janeiro deste ano, até próximo de Regulus, seu pé, onde retomará seu movimento direto a partir do miolo deste mês de Abril, que bom.

No cair da noite do dia 03 de Abril, não perca o encontro entre Lua já bem iluminada e cada vez mais redonda, Lua buscando seu momento de Cheia, e o Deus da Guerra, o Planeta Vermelho, Marte.  Aqui na roça, mesmo com a Lua já tão luminosa, não será difícil de observarmos Regulus, Alpha Leonis, testemunhando este encontro.  No entanto, nas cidades com grande poluição luminosa, penso que essa visão da estrela real não acontecerá.  De qualquer forma, valerá a pena bem conferir a luz intensamente esbranquiçada da Lua quase Cheia junto à luz amarelada/avermelhada de Marte.  Se você não puder observar este encontro ao cair da noite, não fique triste: você ainda terá o resto da noite para bem poder observar Selene e o Deus da Guerra em boa união.
Em nossa edição do mês de março, eu apresentei a você, caro Leitor, uma imensa lista de estrelas a serem visitadas por você, na constelação do Leão.  Penso que ainda nos meses de Abril, Maio e Julho, você terá oportunidades interessantes para bem observar e estudar esta constelação - preferivelmente em momentos de Lua não tão luminosamente presente.

Em Julho, Marte estará, finalmente (pois vem visitando o Leão desde novembro de 2011!), dizendo adeus aos campos onde o Leão impera e dará início à sua ação de andamento aparente junto à Virgem - e, como sempre acontece nesta constelação, começando seu caminho a partir da cabeça virginal.


JÚPITER
O Deus dos Deuses começa o mês na Ascensão Reta 41O.09’ e na Declinação 15N08  e termina o mês na Ascensão Reta 47O.46’na Declinação 16N57.  Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.

Estes lugares determinam a constelação de Áries, o Carneiro, já tendo o Deus dos Deuses deixado para trás as duas estrelas proeminentes desta constelação, Estrelas Alpha e Beta, Hamal e Scheratan, prometendo voltar a visitá-las daqui a doze anos...
Em nossa edição do mês de março, viemos comentando muitíssimo sobre um dos eventos highlights do mês que foi o grandioso show vivenciado pelos dois Planetas mais iluminados de nossos céus estrelados: Vênus e Júpiter encontrando-se no horizonte oeste, ao cair da noite!  Este encontro propriamente dito aconteceu diante de nossos olhos, na noite de 13 de março e mais para o final do mês, tivemos a imensa oportunidade de vivenciar o encontro da Lua recém-Nova primeiramente com o Deus dos Deuses, Júpiter, e depois, com a Bela da Tarde, Vênus.
A bem da verdade, Vênus e Júpiter começaram, então, a afastaram-se um do outro, a Estrela Vespertina ainda galgando seus passos mais alongados em relação à sua distância com o Sol e Júpiter, por outro lado, encurtando sua distância em relação à nossa estrela maior e sendo engolido, noite após noite, um tantinho pelo horizonte oeste.....

Agora no início do mês de Abril,  a distância entre Júpiter e Vênus já toma um palmo de nossa mão e, da mesma forma, a distância entre Júpiter e o horizonte oeste.  Ou seja, para que possa ainda ser bem visualizado por nossos olhos sempre admiradores da luminosidade ímpar do Deus dos Deuses, é preciso que estejamos situados em lugares de horizonte oeste bem plano, realmente. 
Ao longo do mês, Júpiter estará  se deixando ser engolido mais e mais pelo horizonte oeste... porém eu penso que somente em lugares absolutamente planos em relação à linha do horizonte, ao cair da noite do dia 22, ainda poderemos observar o encontro da Lua recém-Novíssima em seu finíssimo e quase invisível anel, com este belíssimo planeta - encontro bem difícil de ser testemunhado, realmente, pelo fato de que a distância entre Selene e o Deus dos Deuses com o Sol não é assim tão expressiva...., porém contando com a presença da Bela da Tarde, Vênus, que ainda se deixa ser observada plenamente, um tantinho mais elevada nos céus. 

Bem me recordo, nos tempos do carnaval de 2011, uma amiga minha visitando o Sítio das Estrelas e, à mesa do jantar em minha varanda aberta para o horizonte oeste, admirou-se com a luz de lâmpada poderosa advinda de Júpiter e me perguntou: - Quem é aquela estrela?
Eu sorri e respondi: - Não é uma estrela, é Júpiter caindo no horizonte oeste, é Júpiter se despedindo de nossos olhares, por algum tempo, até retornar até nós, porém já no horizonte leste e na madrugada anunciadora da chegada do Sol, juntamente com o canto insistente do galo do Sítio!
Caro Leitor, é sempre muito comum que as pessoas leigas em astronomia e em mecânica celeste (e isso acontece em todos os níveis educacionais, desde os iletrados até os pós-pós-pós phd) se refiram a todas as luzes do céu como sendo estrelas.  E é também sempre muito comum que estas pessoas, simples amantes dos céus estrelados, pensem (ou gostariam que assim fosse) que estas ‘estrelas’ - planetas ou mesmo estrelas propriamente ditas - permaneçam eternamente em seus mesmos lugares....  É comum que estas pessoas me indaguem: - Quem era aquela estrela que estava no horizonte oeste no mês passado, no ano passado, em algum dia de minha vida?.....
Eu tento ser o mais possível didática em minha resposta, sempre dentro da simplicidade de minha compreensão destas questões: - Bem, primeiramente, uma boa forma de podermos diferenciar uma estrela de um planeta é que estrela pisca e planeta não pisca; planeta se nos apresenta como se fosse uma lâmpada acesa - e esta lâmpada acesa varia em sua intensidade e em sua cor de luz emitida, digamos assim.  A questão é que uma estrela é um sol, queima seu combustível - daí seu pisca-pisca...., além de as estrelas morarem imensamente distantes de nós....; e um planeta é uma pedra, por assim dizer (podendo ser apenas rochosa (com muito fogo ao interior) ou quase totalmente gasosa e, em alguns casos, acolhendo um tanto de água - assim como acontece com nossa Gaia, nossa Mãe-Terra), sem luz própria e que gira em torno a um sol e recebe a luz desse sol e a apresenta aos nossos olhos e a projeta até nós - daí se parecer como uma lâmpada acesa..., além de os planetas morarem no mesmo quintal onde nós, terráqueos, moramos, ou seja, são nossos vizinhos, estão muitíssimo próximos a nós. 

Eu penso que, uma vez tenhamos identificado os Planetas visíveis a olho nú - de Mercúrio a Saturno -, não é assim tão difícil percebermos o fato de que os planetas se nos parecem bem próximos enquanto as estrelas situam-se efetivamente muito distantes de nós.  Talvez, porém, essa compreensão objetiva e prática nos chegue após alguns bons tempos de observação a olho nú.
No caso de Júpiter e de Vênus, a intensidade e a cor da luz emitidas são bem intensas e bem esbranquiçadas, realmente - e eu tenho tido a oportunidade de vivenciar o singular albedo de ambos os Planetas, - fundamentalmente o de Vênus, sempre escandalosamente refulgindo nos céus estrelados -, sutilmente e etericamente iluminando um tantinho meu quarto-de-dormir, voltado para o leste. 
No caso de Marte, eu diria que a intensidade não é tão veemente quanto vemos acontecendo com Vênus (porém existe, sim, e bastante!) e a cor da luz emitida é de um amarelado bem avermelhado - e é certo que  tudo isso pode variar ao longo dos tempos, dependendo da distância entre Terra e Marte e de ambos em relação ao Sol (existem momentos em que o Planeta Vermelho faz jus à sua nomeação de Deus da Guerra). 
No caso de Saturno, a intensidade de sua luz é de uma maturidade imensa, digamos assim, uma luz concretizadamente amarelada porém bem mais esmaecida do que a luz marciana - é como se fosse uma intensidade e um tom de cor que nos pareçam como algo pertencente à eternidade (não é a toa que o Senhor dos Anéis é nomeado como o Deus do Tempo). 

No caso de Mercúrio, eu penso que sua luz é bem intensa, veemente, fremente, chamativa, pulsante até (pois que é um Planeta extremamente próximo ao Sol) e bastante amarelada... e eu diria que Mercúrio varia entre parecer-se como uma lâmpada acesa e como uma estrela piscante... porque este Planeta não se distancia mais do que vinte e oito graus do sol, um, dois, palmos abertos, no máximo, acima do horizonte, e, portanto, se apresenta sempre contra o pano de fundo de um céu ainda transmutante entre o azul  diurno e o azul noturno, ou seja, um céu ainda amarelado/avermelhado, trazendo um tanto da luminosidade do Sol. 
E é certo que tudo o que acontece nas beiradas do horizonte celeste tocando nossa visão 360 graus da Terra onde estamos situados, fica um tanto transmutado, refratado, arredondado e alongado - questões explicadas pela física/química e que certamente outras pessoas podem explicar bem melhor do que eu (em meus tempos de escolaridade de segundo-grau, as opções eram o Curso Normal (ensino para crianças), o Científico, a Contabilidade e o Clássico (onde se estudavam línguas e literaturas nacional e estrangeiras, comunicação etc., e esta foi a minha escolha, ou seja, não estudei nem física nem química, que pena, e também não estudei matemática avançada, que bom).

A bem da verdade, se existe um Planeta que sempre me surpreende em sua visão de quase estrela piscando no horizonte oeste ou no horizonte leste - quando sou ‘pega’ de surpresa  - é Mercúrio....  Quando me surpreendo olhando uma luz diferenciada no horizonte, me pergunto:  - Quem será?  Corro para meus alfarrábios ou recorro à minha memória e então me vem a resposta: - É Mercúrio!
Mercúrio sempre me encanta em suas observações, noite após noite, madrugada após madrugada: é que este Planeta faz jus ao seu nome de Mensageiro dos Deuses e dos Homens, de um ser lépido, rápido.... pois que realmente parece andar muito lepidamente e muito rapidamente contra o pano de fundo da constelação que visita, nos surpreendendo a cada dia que o observamos, sem dúvida alguma!  É sempre um imenso prazer acompanhar o andamento aparente de Mercúrio nos céus estrelados.  E não duvide, caro Leitor, não se pode deixar para daqui a pouco, para depois do jantar..., para o dia seguinte, para a semana seguinte, jamais para o mês seguinte, esta visão mercuriana...: Mercúrio movimenta-se tão rapidamente que, sem que  às vezes nos demos conta, o Planeta esconde-se de nós!
Voltando à nossa conversa sobre Júpiter: é tempo de realmente nos despedirmos da visita gloriosa desse Planeta tão maravilhoso de ser por nós observado, seja a olho nu, seja através bons pares de binóculos ou seja através simpáticos telescópios....  Não podemos nos esquecer que Galileu Galilei,  em janeiro de 1610, se não me engano, ao apontar seu ainda rudimentar telescópio para o gigante planeta e lá deparar-se com quatro Luas, pôde nos revelar e nos confirmar aquilo que Shakespeare também sempre nos relembra, ou seja, que existe mais entre a terra e o céu do que nossa vã mente consegue sequer supor....

Outro comentário de pessoas leigas que tento também sempre explicar de forma didaticamente simples, é o pensamento de que tudo permanece um tanto que estático ... - embora as pessoas bem saibam (mesmo que se ‘esqueçam’) que tudo no universo e no pluriverso encontra-se em movimento e em plenitude de transmutação - ou seja, de alguma maneira e em algum tempo e em algum espaço, tudo se movimenta e tudo retorna.
Sendo assim, é bom que saibamos que, nesse mês de Abril, Júpiter estará se despedindo de nossos olhos admiradores de sua beleza, sim, no horizonte oeste...., porém prometendo retornar aos nossos olhos sonolentos .... e saudosos de seus encantos, sim, no horizonte leste na madrugada anunciadora da chegada de nossa estrela maior, no miolo do mês de junho, após ter se encontrado com o Sol no miolo do mês de maio.  

Aliás, esse retorno jupiteriano será muitíssimo interessante pois que será acompanhado pelo também retorno de Vênus!





SATURNO

O Senhor dos Anéis começa o mês na Ascensão Reta 206O.19’ e na Declinação 07S55  e termina o mês na Ascensão Reta 204O.16e na Declinação 07S08. Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.

 Este lugar faz parte da imensa constelação da Virgem, um tantinho após a belíssima Estrela Alpha Virginis, Spica.

A bem da verdade, Saturno recentemente engrenou seu movimento de marcha-a-ré e vem novamente ansioso em seu encontro com Spica - encontro esse que estará acontecendo ao longo dos próximos meses, até que em miolo do mês de Agosto, o Senhor dos Anéis retome seu movimento direto.  Toda esta movimentação, porém, estará acontecendo bem próxima à Estrela Alpha Virginis, realmente.
A noite do dia 15 de Abril será um momento ímpar para você, caro Leitor, fazer uma belíssima fotografia deste Planeta sempre tão emocionante: será o momento exato da oposição entre Saturno e Sol, momento em que o Senhor do Anéis estará exibindo toda sua exuberância, toda sua luz acolhedora de nossa estrela maior.
Saturno estará já no céu do horizonte leste quando a noite cair, porém eu penso que talvez fosse interessante você aguardar até o Senhor dos Anéis galgar os céus e encontrar seu lugar no zênite - por volta da meia-noite, e ainda bem antes de a Lua de Minguante a Nova entrar em cena (questão que acontecerá naquela madrugada, após as três da matina somente).

A bem da verdade, todo o mês de Abril será um bom tempo para você fotografar o Senhor dos Anéis.  De qualquer forma, eu penso que os tempos ou de Lua recém-Nova (que se esconde cedo no horizonte oeste) ou de Minguante até Nova (que entra em cena tarde no horizonte leste) são momentos mais interessantes para se fazer uma boa foto.  Boa sorte!  (Certa vez, um Leitor meu me agradeceu por esta informação pois fez a foto e ganhou o primeiro lugar num concurso!).
O dia 07 de Abril nos trará o encontro entre Lua ainda Cheia e Saturno.  No entanto, como esse encontro acontecerá por volta das dez horas da manhã - 10:16 horário gmt -, não teremos no Brasil a oportunidade de observar o Senhor dos Anéis sendo intensamente iluminado pela presença de Selene ainda plenamente Cheia!  Se aguardarmos até por volta das dezenove horas e tanto, poderemos presenciar o clarão da Lua iluminando o horizonte leste e certamente, mais meia hora, uma hora e tanto, seremos brindados com a Lua ainda Cheiíssima sendo seguida de perto por Saturno.
Em Abril, Saturno entra em cena no horizonte leste por volta das dezenove horas, na região onde moro, ao sudeste do Brasil, e passa a noite inteirinha nos proporcionando a possibilidade de estudarmos mais aprofundadamente não somente sobre este Planeta tão interessante como também sobre a constelação da Virgem que não exatamente se mostra extremamente estrelada (com exceções, é claro: Porrima e Spica e ainda outras estrelas menos proeminentes) porém esconde segredos e mais segredos e mais segredos quando tomamos de um bom par de binóculos e mais ainda, quanto temos à mão um simpático e potente telescópio ou quando desbravamos o mundo do céu profundo para conhecermos mais e mais sobre as tantas e tantas galáxias acolhidas pela singela Virgem e entrarmos em contato com o Superaglomerado Virgo, um enxame de pontinhos distantes porém reais e nos fazendo movimentar do aqui-e-agora para o passado distante.
Saiba mais um tanto sobre a constelação da Virgem e seu Mito sendo contado através variadas formas:

A constelação da Virgem representa Erigone, filha de Icarius, que se enforcou por causa da grande dor causada pela morte de seu pai.  Outros dizem que é Astraea, filha de um dos Titans, e que lutou com alguns deuses contra seu próprio pai.
Em outra versão, esta constelação representa Perséfone, filha da irmã de Júpiter, Ceres, (Demeter).  Ceres é a deusa da agricultura e aquela que ensinou aos homens plantarem o trigo, colherem e fazerem o pão que os alimenta. (A Estrela-Alpha Virgo representa a espiga de trigo, é Spica). 
Um belo dia, Perséfone estava colhendo flores no campo e foi avistada por Plutão, o deus dos mundos ínferos, que por ela se apaixonou perdidamente e com ela quis se casar e de tal forma que a raptou e a levou para os mundos ínferos, onde habitava.

Quando Ceres descobriu que Plutão havia raptado sua filha, foi até os mundos ínferos para busca-la e traze-la de volta à Terra, porém em vão.
Ceres ficou tão entristecida que não mais quis tomar conta da agricultura da Terra e nada cresceu no solo naquele tempo e os homens ficaram famintos, à beira da morte.

Júpiter, então, teve que intervir nesta situação e anunciou à Ceres que sua filha poderia retornar ao seu lado - desde que não comesse absolutamente nada enquanto ainda estivesse nos mundos ínferos.  No entanto, Plutão ofereceu alguns grãos de romã à Perséfone e que os comesse de maneira que levasse uma boa memória de seu marido e de sua vida nos mundos ínferos. 
Quando Ceres soube do ocorrido, Perséfone já havia sido trazida dos mundos ínferos por Mercúrio e encontrado-se com sua mãe.  Neste caso, Ceres foi informada que estaria sendo acompanhada por sua filha durante 8 meses no ano - Primavera, Verão e Outono - e os demais 4 meses, sofreria a ausência de Perséfone que estaria retornando aos mundos ínferos e ao encontro de seu marido Plutão: é o Inverno.
De qualquer forma, Ceres ficou feliz e trouxe a vida da alimentação novamente à Terra e aos homens.

Richard H. Allen nos conta tantas outras histórias sobre Virgo!

No vale do Eufrates, onde foram criadas as constelações, a Virgem simbolizava a deusa Istar, filha do céu e rainha das estrelas.  Representada com uma espiga na mão, constituía o símbolo da fertilidade. 
Erastosthenes identificou a Virgem com  Isis, a deusa de mil-nomes, com a espiga de trigo em sua mão e que foi mais tarde deixada cair de maneira a formar a Via Láctea, ou segurando em seus braços seu filho Horus, o deus do sol, o último dos reis divinos. 
Este simbolismo antigo reapareceu na Idade Média como a Virgem Maria com seu filho Jesus e através as palavras eternas de Shakespeare: Good Boy in Virgo’s lap (O Bom Menino no Colo da Virgem).

Na Índia, Virgo era Kanya, a mãe do grande Krishna, e representada como deusa sentada diante do fogo. 
No Zodíaco Cingalês, era a Mulher no Navio e segurando um ramo de trigo em sua mão.  Possivelmente, o navio era nomeado a partir das estrelas Beta, Eta, Gamma, Delta e Epsilon, representando a quilha do navio.

Na Pérsia, Virgo era Khosha, o ramo de trigo, bem como nomeada como a Virgem inteiramente Pura.

Os turcomanos conheciam esta constelação como a Pura Virgem, Dufhiza Pakhiza.  Os chineses a conheciam como She Sang Neu, a Donzela Frígida.

No pais dos Judeus, a Virgem era Bethulah e  sempre associada com a idéia de abundância na colheita.

Virgem tem sempre sido a figura dos céus mais nomeada e mais simbolizada!
Virgem representa a mais antiga e puramente alegórica representação de inocência e de virtude.

Se você quiser estudar a Carta Celeste da constelação de Virgo, acesse http://sobrevirgo.blogspot.com bem como para saber outras tantas informações sobre esta constelação.



URANO foi descoberto em 1781 por W. Herschel, um organista alemão que morava em Bath, na Inglaterra.
Urano é um planeta gigante sua rotação de Urano é bem diferente: seu eixo rotacional acontece praticamente unto com seu plano orbital.  O tempo da rotação dura aproximadamente 17 horas.  Mais extraordinário ainda é a posição do eixo magnético do Planeta, que se inclina em 55 graus em relação ao eixo rotacional.  Urano possui um campo magnético bem poderoso. O planeta e seu sistema inteiro de satélites gira sobre seu lado. Numa distância de 1.784 milhões de milhas do sol, Urano desenvolve uma órbita de 84 anos terrestres em torno do sol.  Urano deve ter sofrido uma grande colisão com um imenso objeto: ele é inclinado em seus lados, comparado aos outros planetas. O equador em Urano corre perpendicularmente à sua órbita ao redor do sol. Os eixos rotacionais e orbitais são praticamente alinhados; dessa forma, nós podemos ver Urano virado mostrando seu pólo a cada 42 anos. 

Em 11 de dezembro de 2011, URANO, o Deus dos Céus Estrelados, retomou seu movimento direto nas proximidades da fronteira da constelação dos Peixes, onde vem mergulhando abissalmente desde o ano passado e por onde ainda continuará abissalmente mergulhado por cerca de mais sete anos à frente....  O Planeta Verde estará nadando cerca de um palmo nos mares dos Peixes até finalmente engendrar seu movimento de marcha-a-ré no miolo do mês de Julho, recuando aparentemente cerca de meio palmo até que, no miolo do mês de dezembro de 2012, estará novamente retomando seu movimento direto. 
Certamente, se acaso você tiver um bom telescópio em casa, poderá tentar encontrar o Planeta Verde-Azulado nadando entre as estrelinhas bem pouco iluminadas da constelação dos Peixes, não custa tentar! 
Em Abril, Urano já começa a apresentar um pequeno andamento.  A Ascensão Reta para URANO fica entre 04O.48’ e 06O.14’ e a Declinação fica entre 01N19 e 01N56.  Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.

Ao final do mês de Setembro, aproveite a boa oportunidade do tempo de Oposição entre SOL e URANO e use sua aparelhagem de astronomia buscando bem focalizar o Planeta Verde, URANO...


NETUNO

O astrônomo inglês Adams e o astrônomo francês Leverrier, independentemente entre si, calcularam a posição do oitavo Planeta - que tinha indicado sua existência a partir dos efeitos gravitacionais provenientes de Urano.  No entanto, foi em 23 de setembro de 1846 que dois astrônomos berlinenses, Galle e D’Arrest, encontraram o Planeta Netuno, não mais do que um grau de sua calculada posição.
NETUNO, o deus dos sonhos e dos mares, encontra-se na fronteira entre as constelações do Capricórnio e do Aquário - onde esteve ao longo do ano de 2011 e por onde ainda pretende estar ao longo do ano de 2012, em função de seu andamento bem lento, realmente.  

NETUNO é um Planeta bem longínquo e exige aparelhagem consistente para ser observado em telescópios bem simpáticos. 

Em Abril, a Ascensão Reta para NETUNO fica entre 334O.16’ e 334O.58’  e a Declinação fica entre 11S15 e 11S00.  Esses dados são para a região sudeste do Brasil (+ 3 horas em relação a Greenwich), onde moro.

Por volta do dia 24 de Agosto, aproveite a boa oportunidade do tempo de Oposição entre SOL e NETUNO e use sua aparelhagem de astronomia buscando bem focalizar o Planeta Azul, NETUNO.....





O APARENTE CAMINHO DA LUA
AO LONGO DO MÊS DE ABRIL DE 2012
Olhe para o céu e aproveite para saber um tantinho mais sobre os Mitos e Dados Técnicos de algumas Estrelas e Constelações que iluminam o Céu Estrelado!


Highlights da LUA ao longo do mês de Abril:

Ao cair da noite do dia 06 e em horizonte oeste, estaremos diante de uma visão realmente bela: LUA já plenamente Cheia buscando encontrar-se com Spica, a Estrela Alpha Virgo, e esta já sendo muitíssimo aproximada por SATURNO, o Senhor dos Anéis! 
Todo o mês de Abril será um bom tempo para você fotografar o Senhor dos Anéis - principalmente no miolo do mês quando SATURNO e SOL estarão em oposição.  Boa sorte! 

Ao longo do mês, observe VÊNUS, a Bela da Tarde, a Estrela Vespertina, passeando pelos campos do Touro, começando o mês de Abril encontrando-se com as Irmãs que Choram, as Pleiades, e depois dirigindo-se para sua passagem pelas Hyades e seu encontro com Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri no cair da noite do dia 13 de Abril, visão realmente imperdível nos céus do horizonte oeste.  A LUA recém-Nova encontrando-se com VÊNUS, no dia 24, estará trazendo ainda maior emoção a todo este cenário.

Ao longo de todo o mês de Abril estaremos sendo brindados com a sempre bela e interessante visão do Planeta MERCÚRIO em horizonte leste juntamente com o cantar do galo madrugador, madrugada sonolenta, ainda antes do nascer do SOL, anunciando a chegada de nossa estrela mór.
Na madrugada do dia 18, ainda antes do nascer do SOL, por volta das cinco da matina, acorde bem cedinho para poder observar a LUA, concluindo seu tempo de Minguante e já ansiosa por se tornar LUA Nova, encontrando-se com MERCÚRIO, que vem nos presenteando com sua presença amarelada nos céus do horizonte leste.


No dia 22, LUA recém-Novíssima encontrando-se com JÚPITER, ambos em horizonte extremamente baixo e plano, realmente , ao cair da noite - e possivelmente quase impossível de serem observados devido à pequena distância de Selene, em finissimo anel,  e o Deus dos Deuses em relação ao SOL e à linha do horizonte oeste. A bem da verdade, penso que o céu ainda apresentará alguma claridade, realmente, mas, quem sabe poderemos ser bem-sucedidos nesta empreitada se acaso fizermos uso de um bom par de binóculos e se estivermos em lugar de horizonte oeste efetivamente baixo -  não custa tentar.


Apogeu e Perigeu da LUA - Fases da LUA

Perigeu da LUA – dia 07 de abril – mínima distância entre Terra e LUA (360 mil kms.
Apogeu da LUA – dia 22 de abril – máxima distância entre Terra e LUA (400 mil kms.)

LUA Cheia - dia 06 de abril às 19:20 gmt (Greenwich mean time)
LUA Minguante - dia 13 às 10:51 (Greenwich mean time)
LUA Nova - dia 21 às 07:20 (Greenwich mean time
LUA Crescente - dia 29 às 09:59 (Greenwich mean time)

Perigeu e Apogeu da LUA são dados calculados pelos astrônomos da NASA Fred Espenak e Sumit Dutta (NASA GSFC).



O APARENTE CAMINHO DA LUA
Ao longo do mês de Abril:


DIA 31 de Março - O mês de Março termina com a LUA conversando animadamente com Castor e Pollux, os gêmeos, um terreno e outro celeste, todos bem alto, no zênite.  Em lugares de horizonte oeste baixo, bem baixo, podemos ainda observar a beleza estonteante de JÚPITER e, um tantinho mais acima, a pureza maravilhosa de VÊNUS.  MARTE, nos campos do Leão, anseia por galgar o zênite e depois descer até o horizonte oeste, encerrando a noite; e a mesma situação acontece a SATURNO, muito próximo à Estrela Alpha Virginis, Spica, e já surgindo no horizonte leste ao cair da noite, em lugares planos e baixos.  Quase como num balanço, JÚPITER e VÊNUS caem no horizonte oeste enquanto SATURNO, acompanhado por MARTE que o antecede, saltam do horizonte leste em busca do zênite.


DIA 01 de Abril - A LUA Crescente aconteceu no dia 30 de março e a LUA Cheia acontecerá no dia 06 de Abril.  Sendo assim, quando anoitece, podemos ver a LUA já tendo ultrapassado o zênite e já se dirigindo para ocupar seu lugar no horizonte leste quando for o tempo do plenilúnio bem como podemos, a cada noite, observar o fato de que a LUA vai engordando mais e mais e iluminando mais e mais, certamente. 
Os três primeiros dias de Abril nos revela a presença de VÊNUS, a Bela da Tarde, passeando ao lado das Pleiades, as Irmãs que Choram.  Infelizmente, pelo fato de a LUA estar imensamente luminosa, não acredito que possamos observar a olho nú estas estrelinhas que formam este aglomerado aberto, mais parecendo um tercinho delicado.  No entanto, é bem possível que através binóculos possamos realizar esta observação - não sei não, porque a luminosidade advinda de VÊNUS também é imensa...  
Caso estejamos observando o horizonte oeste logo após o cair do SOL, é bom que comecemos a nos despedir de JÚPITER porque logo logo, em menos de uma hora, este planeta estará se escondendo de nossos olhos.

 
DIA 02 -  A LUA sempre mais gorda e iluminada, vem passeando junto ao Caranguejo, constelação realmente bela e acolhendo em seu ventre M44, o Presépio, uma LUA cheia de estrelinhas-bebês..., porém a presença de Selene tão luminosa neste momento não estará nos revelando essas belezas. 
VÊNUS, a Bela da Tarde, a Estrela Vespertina, vem encontrando-se com as Plêiades, as Irmãs Chorosas, pedacinho mais lindo do céu estrelado, parecendo com um tercinho, uma verdadeira delicadeza!  Não perca a visão do encontro de VÊNUS com as Plêiades ao longo desses primeiros dias do mês de Abril.


DIA 03 -  No cair da noite do dia 03 de Abril, não perca o encontro entre a LUA já bem iluminada e cada vez mais redonda, LUA buscando seu momento de Cheia, e o Deus da Guerra, o Planeta Vermelho, MARTE.  Aqui na roça do Sítio das Estrelas, mesmo com a LUA já tão luminosa, não será difícil de observarmos Regulus, Alpha Leonis, testemunhando este encontro.  No entanto, nas cidades com grande poluição luminosa, penso que essa visão da estrela real não acontecerá.  De qualquer forma, valerá a pena bem conferir a luz intensamente esbranquiçada da LUA quase Cheia junto à luz amarelada/avermelhada de MARTE.  Se você não puder observar este encontro ao cair da noite, não fique triste: você ainda terá o resto da noite para bem poder observar Selene e o Deus da Guerra em boa união.


DIA 04 -  Se a tarde estiver bonita, SOL amarelado contra o pano de fundo de céu cor de anil profundo..., aproveite para dar uma boa olhada na LUA que não somente pode ser vista no céu como também nos proporciona momentos simpáticos para ser bem observada e estudada mais de perto por um par de bons  binóculos ou mesmo através telescópio. 
A LUA vem se aproximando mais e mais do horizonte leste, quando a noite chega, e encobre com sua luminosidade intensa as estrelas que fazem parte da constelação do Leão, inclusive Denebola, Estrela Beta Leonis, desaparece.  Ou seja, podemos observar as presenças de Regulus, Estrela Alpha Leonis, e MARTE mas não nos é possível observar as demais estrelas do garboso rei dos animais do céu.


DIA 05 - Quando anoitece, a LUA quase Cheia e bem próxima ao horizonte leste já se apresenta adentrando a cabeça da Virgem e se mostra ansiosa por seu momento de plenilúnio seguido de seu encontro com SATURNO. 


DIA 06 -  LUA Cheia - às 19:20 gmt (Greenwich mean time).  Ao cair da noite, estaremos diante de uma visão realmente bela: LUA já plenamente Cheia buscando encontrar-se com Spica, a Estrela Alpha Virgo, e esta já sendo muitíssimo aproximada por SATURNO, o Senhor dos Anéis!  Com o andar da carruagem da noite intensamente iluminada pela LUA Cheia, poderemos ir acompanhando o sutil andamento da LUA cada vez mais próxima à Estrela Spica e a SATURNO.  Meia-noite e veremos LUA Cheia, Spica e SATURNO no zênite, maravilhosa visão.  Por volta das três horas da madrugada, esse trio já estará descendo os céus em direção ao horizonte oeste porém já apresentando a LUA bem grudada à Spica - embora visualmente, haverá um dedinho de separação entre Selene e o Feixe de Trigo que a Virgem carrega em sua mão voltada para o sul.

Existe uma estrela que sempre atrai imensamente nossa atenção e que entra em cena nos céus em continuidade à Spica, porém um tantinho mais ao norte e atuando enquanto Estrela Alpha Bootes, na constelação do Boieiro: Arcturus.  Arcturus sempre se apresenta através um brilho realmente incrível, chamativo de nossa atenção e de um amarelado esbranquiçado, uma estrela realmente formidável, maravilhosa, compondo magnificamente um quase dueto com Spica, Alpha Virgo, talvez um tantinho mais tímida diante da exuberância luminosa de Arcturus.
DIA 07 - O dia 07 de Abril nos trará o encontro entre LUA ainda Cheia e SATURNO.  No entanto, como esse encontro acontecerá por volta das dez horas da manhã - 10:16 horário gmt -, não teremos no Brasil a oportunidade de observar o Senhor dos Anéis sendo intensamente iluminado pela presença de Selene ainda plenamente Cheia!  Se aguardarmos até por volta das dezenove horas e tanto, poderemos presenciar o clarão da LUA iluminando o horizonte leste e certamente, mais meia hora, uma hora e tanto, seremos brindados com a LUA ainda Cheiíssima sendo seguida de perto por SATURNO.

Eu pessoalmente gosto muito do dia seguinte ao plenilúnio propriamente dito.  Digo isso porque demora um tantinho de tempo para o clarão da LUA anunciar sua chegada no horizonte leste.  Esse tantinho de tempo é bem importante - se estivermos em um lugar de céus escuros e transparentes, distantes da poluição luminosa das cidades.  Se bem observarmos os ares bem acima de nossa cabeça, notaremos um certo rasgo de luminosidade, uma rajada de luminosidade perpassando o céu escuro e transparente.  Eu descobri que é bem assim que podemos ter uma boa idéia sobre o albedo da LUA.  Alguns poucos momentos depois, nos parece que essa rajada de luminosidade passa a se espraiar inteiramente, deixando o escuro da noite para trás e já se aproximando do alto das montanhas, dos morros, da copa das árvores mais altas.... , até que, finalmente, aquilo que era quase plenitude de escuridão começa a desenhar-se em seus delineamentos, toda a natureza apronta-se para mostrar-se através algo que podemos denominar de ‘noite americana’, um truque cinematográfico, ou seja, o cenário de toda a natureza ilumina-se em tom prateado, as sombras se revelam cada vez mais ensombreadas e o tom prateado revela-se cada vez mais nítido, mais esbranquiçado.  Quando a LUA finalmente surge no horizonte leste, LUA ainda Cheia e confiante de sua beleza e de sua luminosidade, toda o cenário do palco da natureza já estava pronto à sua espera.  Se bem quisermos, podemos ler um livro à luz da LUA ou passear pelos gramados do Sítio das Estrelas ou mesmo pelas estradinhas vicinais.  Outros, gostam de namorar. 
 Dia 08 - A LUA começa a surgir um tantinho mais tarde, a cada noite, e também um tantinho mais emagrecida.  LUA já na constelação da Balança porém eu penso que ainda não exatamente revelando suas Estrelas Alpha e Beta, Zubenelgenubi e Zubenelschemalli, em função de sua luminosidade ainda bem grande.

VÊNUS, a Bela da Tarde, já desde alguns dias despediu-se das Pleiades, prometendo retornar no próximo ano, e já se encontra realizando sua proximidade com as Hyades e seu encontro com Aldebaran, no dia 13.
    Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes


Touro é uma constelação do Zodíaco já voltado para o norte, com a Linha do Equador passando exatamente na fronteira entre Taurus e o Rio Eridanus e cortando o Gigante Órion.  O caminho da Eclíptica parece dividir quase ao meio esta imensa constelação em duas partes e assim, estaremos encontrando as Pleiades morando mais ao norte e as Hyades juntamente com Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri, morando mais ao sul.  Na continuidade, encontraremos a Linha da Eclíptica deixando M1, a Nebulosa do Caranguejo, mais ao sul e El Nath, a Estrela Beta Tauri, mais ao norte, nas proximidades da divisa com Auriga, o Cocheiro. 

(Em nossa edição do mês de Março, você, caro Leitor, poderá encontrar o Tema As Eras bem como o Tema Precessão dos Equinócios sendo estudados e verá que cerca de 2.700 AC, Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri, se posicionava exatamente na Linha da Eclíptica, juntamente com Regulus, Alpha Leonis, e também Antares, Alpha Scorpii (esta última não tão exatamente).  A outra chamada Estrela Real era Fomalhaut, Alpha Piscis Austrinus. Confira em http://oceudomes.blogspot.com)
Portanto, podemos compreender que, se VÊNUS encontrou-se com as Pleiades nos três primeiros dias do mês de Abril e irá se encontrar com Aldebaran no dia 13, é um bom percurso que VÊNUS deverá realizar entre esses objetos, realmente - principalmente pelo fato de que nossa visão da constelação do Touro não estará acontecendo com este asterismo no zênite e sim mais voltado para o horizonte oeste, o que estará lhe conferindo um maior alongamento visual, digamos assim.



 
Ilustração extraída da revista Sky&Telescope, edição de abril de 2001.


Nesses dias em que a LUA vem perdendo sua luminosidade noite após noite e chegando no horizonte leste cada vez mais tardia, serão bons momentos para aproveitarmos para aprofundar nossos estudos sobre esta bela constelação do Zodíaco, o Touro. 
De qualquer forma, tranqüilize-se, caro Leitor, porque você haverá de ter ainda boas oportunidades no ano de 2012 de observar esta constelação taurina tão prolixa a partir do fato de que JÚPITER estará guiando você nesta empreitada!   Ou seja, quando JÚPITER estiver se encontrando com as Pleiades, não poderemos acompanhar esta visita pois que o SOL não nos permitirá.  No entanto, ao final de julho e com JÚPITER já bem altaneiro no horizonte leste madrugador, o Deus dos Deuses estará se encontrando com Aldebaran e um novo encontro acontecerá em final de dezembro. A bem da verdade, JÚPITER estará recuperando seu movimento direto bem próximo à Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri, e terá esta belíssima gigante alaranjada/avermelhada como companhia próxima ainda ao longo de janeiro e fevereiro de 2013.  No miolo do mês de Junho de  2013, JÚPITER estará visitando a Nebulosa do Caranguejo.  
Eu sempre recomendo aos meus Leitores a observarem JÚPITER a olho nu em seu aparente caminho, não tão vagaroso quanto o andamento de SATURNO e nem tão menos vagaroso que o andamento de MARTE.  Mesmo assim, é sempre um grande prazer irmos acompanhando o andamento jupiteriano nos céus estrelados, a olho nú.


DIA 09 -  LUA cumprindo seu trajeto através a Balança, constelação outrora conhecida como as Garras do Escorpião - o que faz sentido, a meu ver.  À noite, já por volta das vinte e uma horas, poderemos observar a chegada da LUA já insinuando-se através as estrelinhas que compõem a Cabeça do Escorpião.  Por volta das vinte e duas horas, já podemos ver a LUA murchenta inteiramente adentrada no animal rastejante e querendo encontrar-se com seu Coração, a Estrela Alpha Antares. 
Existe uma outra questão que me encanta quando estamos em tempos de LUA de Cheia a Minguante: ainda a podemos observar freqüentando o céu cor de azul do começo da manhã!
DIA 10 -  Quando a noite cai,  ainda teremos bons momentos de escuridão para bem observarmos JÚPITER, o Deus dos Deuses, sempre sendo mais e mais engolido pelos céus do horizonte oeste....  Porém, ainda VÊNUS, a Bela da Tarde, se mantém altaneira e brilhante como sempre, passeando próxima às Hyades e já desejosa de realizar seu encontro com Aldebaran, mais dois dias à frente.  MARTE também se faz presente nos campos do Leão, quando a noite cai, sendo seguido por SATURNO, o Senhor dos Anéis, sempre intencionando se aproximar mais e mais de Spica, Estrela Alpha Virgo.


Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes    

A LUA passeia através o Ophiucus, o Serpentário, aquele que Segura a Serpente

Posicionamento:

Ascensão Reta 15h58m / 18h42m      Declinação +14o.3 / -30o.1

Mito:

Hercules, quando criança, estrangulou duas serpentes enviadas por Juno para mata-lo enquanto dormia em seu berço.  Esta constelação também foi chamada de Esculapius, o pai da medicina.


Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Quando o Zodíaco foi originalmente nomeado, a Eclíptica não passava pelo Ofiúco, de forma que esta constelação não foi incluída.  Hoje em dia, sim, em função da precessão,  Ofiúco recebe a passagem da linha da Eclíptica e o SOL passa um bom tempo aqui depois de ter adentrado a Cabeça do Escorpião e passado ao largo de sua estrela Alpha, Antares.


Fronteiras:
Ophiucus situa-se entre as constelações Serpens Cauda e Serpens Caput (e todas três acabam formando um conjunto imenso de situações entrelaçadas), e também Scorpius, Sagittarius, Scutum, Aquila, Hercules Corona Borealis, Libra.
Existe um Asterismo interessante denominado de O Touro de Poniatowkski, composto pelas estrelas 66, 67, 68 e 70 Ophiuchi

Rasalhague.  Alpha Ophiuchi. 
Magnitude 2.09  Distância 58 anos-luz
Uma estrela safira situada na cabeça do Ofiúco.  De Rãs Al Hawwa, a Cabeça daquele que Segura a Serpente, a Cabeça do Serpentário. 

Esta estrela se situa ao norte do equador celestial e já quase na fronteira de Ofiúco com a constelação de Hercules.

Cebalrai ou Cheleb - Beta Ophiuci
Magnitude 2.77  Distância 124 anos-luz
Cão do Pastor, vocábulo oriundo da expressão árabe Kalb al Rai.

 
DIA 11 – LUA despedindo-se do Serpentário e aceitando o convite da constelação do Sagitário para tomar chá – digo isso porque parte desta constelação se parece com o desenho de um bule.

Extraído de www.zazzle.com.br


DIA 12 – LUA chegando sempre mais e mais tardia e se apresentando mais e mais murcheta no horizonte leste praticamente quando MARTE já está se despedindo no horizonte leste, seguido de não tão perto, por SATURNO.
Ao longo de todo o mês de Abril estaremos sendo brindados com a sempre bela e interessante visão do Planeta MERCÚRIO em horizonte leste juntamente com o cantar do galo madrugador, madrugada sonolenta, ainda antes do nascer do SOL, anunciando a chegada de nossa estrela mór.


DIA 13 -  LUA Minguante - às 10:51 (Greenwich mean time).

Ao cair da noite e no horizonte oeste, não perca a belíssima visão de VÊNUS, a Bela da Tarde, encontrando-se com Aldebaran, a Estrela Alpha Tauri.  Certamente, esta será uma bela visão, porque VÊNUS brilha resplandecentemente branca enquanto Aldebaran é uma estrela alaranjada, quase avermelhada, gigante estelar, realmente... será que ainda existe?  Possivelmente, não.


Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes

 
Aldebaran.  Alpha Tauri. 
Ascensão Reta 04h34,8m - Declinação +16o 28’
Magnitude visual 1,06 - Distância 68 anos-luz

Uma estrela gigante alaranjada marcando o olho esquerdo e sul do Touro. 
Seu nome advém de Al Dabaran, Aquela que Segue. Aquela que vem antes da Estrela da Água, isto é, das Pleiades. Formava uma das quatro estrelas reais ou guardiãs dos céus entre os persas cerca de 3.000 anos a.C, quando, enquanto Guardiã do leste, marcava o Equinócio Vernal - as outras estrelas eram Regulus, Antares e Fomalhaut.
    
DIA 14 -  A LUA deixou a constelação de Sagitário prometendo retornar mês que vem, para uma nova reunião do chá das cinco... Ao entrar na constelação do Capricórnio, a LUA, já bem murchenta, boêmia, tardia, nos deixa entrever o pequeno triângulo de estrelas que se situa exatamente na Linha da Eclíptica e que atua enquanto portal de entrada, digamos assim, dessa constelação nada visível em cidades grandes e plenas de luminosidade artificial porém simpaticamente e discretamente visível em lugares de céus mais escuros e transparentes, nos oferecendo a singular visão de um grande triângulo sendo introduzido por um pequeno triângulo.


Prepare-se!

A noite do dia 15 de Abril será um momento ímpar para você, caro Leitor, fazer uma belíssima fotografia do Senhor do Tempo, sempre tão emocionante: será o momento exato da oposição entre SATURNO e SOL, momento em que o Senhor do Anéis estará exibindo toda sua exuberância, toda sua luz acolhedora de nossa estrela maior.

SATURNO estará já no céu do horizonte leste quando a noite cair, porém eu penso que talvez fosse interessante você aguardar até o Senhor dos Anéis galgar os céus e encontrar seu lugar no zênite - por volta da meia-noite, e ainda bem antes de a LUA de Minguante a Nova entrar em cena (questão que acontecerá naquela madrugada, após as três da matina somente).

A bem da verdade, todo o mês de Abril será um bom tempo para você fotografar o Senhor dos Anéis.  De qualquer forma, eu penso que os tempos ou de LUA recém-Nova (que se esconde cedo no horizonte oeste) ou de Minguante até Nova (que entra em cena tarde no horizonte leste) são momentos mais interessantes para se fazer uma boa foto.  Boa sorte!  (Certa vez, um Leitor meu me agradeceu por esta informação pois fez a foto e ganhou o primeiro lugar num concurso!).



DIA 15 -  LUA passeando pela constelação do Capricórnio, nos trazendo a bela visão, um tantinho ao norte, da constelação da Aquila, a Águia, com suas três estrelas – Altair, Alpha Aquilae, situa-se ao centro, tendo Alshain, Beta Aquilae, de um lado e Tarazed, Gamma Aquilae, de outro lado - todas três perfazendo as estrelas mais proeminentes da Águia e atuando em vôo conjunto, facilmente identificável nos céus, mesmo que contra o pano de fundo da Via Láctea - sempre caminhando juntas e um tanto que parecendo-se com as três estrelas que formam o Cinturão do Gigante Órion - Mintaka, Alnitak e Alnilan.  O povo gosta de nomear sempre três estrelas que caminham juntinhas como As Três Marias!

DIA 16 -   MERCÚRIO vem agora cruzando o Ponto Vernal, deixando para trás sua viagem através as constelações mais ao norte e buscando encetar seus passos ágeis através as constelações mais ao sul.  Sempre vale a pena levantarmos bem cedinho, ainda noite escura, é claro, para vermos o Mensageiro dos Deuses e dos Homens nos céus estrelados do horizonte Leste.   MERCÚRIO, no lugar onde moro, região sudeste do Brasil, começa a surgir por detrás do morro depois de 04:30 da matina, com a LUA aparecendo cerca de uma mão aberta mais ao alto e se mostrando mais e mais murchenta e boêmia se apresentando como um fino anel, em busca de seu momento de LUA Nova.  
Mais dois dias à frente, MERCÚRIO será bem sucedido em seu encontro com a LUA, belo espetáculo para nossa visão ainda sonolenta, mas feliz. 
DIA 17 -  A LUA já está adentrada na constelação do Aquário e suas estrelinhas marolantes, em ziguezague.  Selene cada vez mais fininha, em quase final de ciclo, está inteiramente decidida a encontrar-se com MERCÚRIO, também visível no horizonte Leste. 

Se você olhar mais para o sul, haverá de encontrar a Estrela Alpha Piscis Austrinus, Fomalhaut.

Fomalhaut chama a atenção numa região do céu do sul que é bem menos preenchida por estrelas brilhantes - inclusive dentro dessa mesma constelação, onde os demais membros vão além magnitude 3.


Fomalhaut.  Alpha Piscis Australis. 
Ascensão Reta 22h 56,5m - Declinação -29o 44’
Magnitude visual 1,29 - Distância 22 anos-luz

Uma estrela avermelhada na boca do Peixe ao Sul. De Fum al Hut, a Boca do Peixe.  Foi uma das quatro estrelas reais da Pérsia, por volta de  3.000 anos a.um, atuando como a Guardiã do Sul e marcando o SOLstício de inverno.

DIA 18 -  Na madrugada do dia 18, ainda antes do nascer do SOL, por volta das cinco da matina, acorde bem cedinho para poder observar a LUA, concluindo seu tempo de Minguante e já ansiosa por tornar-se LUA Nova, encontrando-se com MERCÚRIO, que vem nos presenteando com sua presença amarelada nos céus do horizonte leste. 

É interessante notarmos que esse encontro acontece realmente nas proximidades do Ponto Vernal, ou seja, o ponto de encontro entre as Linhas da Eclíptica e do Equador, formando o Equinócio de Março (da Primavera para o hemisfério norte e do Outono, para o hemisfério sul).:


As Cartas Celestes – Mario Jaci Monteiro


Existe um Asterismo nomeado de Circlet, Pequeno Círculo, composto pelas estrelas Gamma, Beta, Teta, Iota, 19, Lambda e Kappa Piscium
Este Pequeno Círculo - um dos dois Peixes - marca a proximidade do Ponto Vernal, o cruzamento entre as Linhas do Equador celestial e da Eclíptica.  Em lugares de céus escuros e transparentes, podemos sempre bem visualizar este Pequeno Círculo.  Um tantinho ao norte, encontraremos o Grande Quadrado formado pela constelação do Cavalo Pegasus.

DIA 19Aproveite estes tempos de céus escuros e transparentes ao longo de toda a noite e, logo após o cair no horizonte oeste de VÊNUS, proponha-se a conhecer mais minuciosamente uma constelação muitíssimo interessante: Hydra, a Hidra Fêmea.  Faz-se necessário, no entanto, que você esteja em lugar distante das luzes poluentes das cidades porque, caso contrário, dificilmente poderá acompanhar o doce rastejar marcados por estrelinhas tímidas – com exceção da Estrela Alpha Hydrae, Alphard, amarelada e quase marcante, bem aos pés do Caranguejo, ao sul.
É interessante notarmos que a Linha da Eclíptica passa exatamente pelo ventre do Caranguejo – lugar privilegiado, certamente, que acolhe o Presépio, o Enxame/a Colmeia de Abelhas, também conhecido pelos chineses pelo nome de Tseih, She Ke, Exalação dos Corpos Empilhados – um aglomerado situado na cabeça do Caranguejo, contendo mais de 300 estrelas fusionadas e entre Magnitude visual 6 e 12 – verdadeira maravilha de poder ser observada, como se fosse uma LUA cheia de estrelinhas tímidas., a LUA cheia de estrelinhas-bebês, a Mangedoura, M44. 

O Presépio situa-se entre duas estrelinhas da constelação do Caranguejo, os dois Jumentos que guardam o Presépio
 Aselli.  Gama e Delta Cancri.
 Gama é chamada de Asellus Borealis e Delta, de Asellus Australis.

Asellus Australis situa-se exatamente na linha da Eclíptica enquanto Asellus Borealis fica um tantinho mais ao norte, porém ambas na mesma Ascensão Reta, quase 9h.

Aselli representam os anos (jumentos, mulas) escondidos por Baco e Vulcano durante a guerra entre os Deuses e os Titãs.  O berro desses animais assustou de tal forma os Titãs que estes fugiram e os Deuses, em gratidão, carregaram ambos os jumentos e sua manjedoura (O Presépio, M44) para os céus.
(Maiores informações sobre a constelação do Caranguejo em Cartas Celestes, acesse a edição do mês de Março do seu Jornal do Caminhante, em http://oceudomes.blogspot.com).


É interessante notarmos que a Estrela Alpha Hydrae, Alphard, se posiciona bem na Linha do Equador e numa das tantas e tantas curvas formadas pelo desenho formado pelas estrelas sinuosamente insinuando o corpo sinuoso da Hydra.
As estrelinhas que formam o Asterismo da Cabeça da Hydra parecem tomar conta do Caranguejo, observando-o de perto, porém discretamente.

O corpo sinuoso da Hydra vai se enredilhando em estrelinhas tímidas, emoldurando, digamos assim, pequenas e simples constelações imediatamente ao norte – algumas que fazem parte de seu próprio Mito, como (o Sextante), a Taça e o Corvo – e indo terminar bem próximo aos pés da Virgem (e em algumas Cartas Celestes, aos pés da Balança.  Ainda um tantinho mais ao norte, encontraremos o garboso Leão sendo seguido pela cândida Virgem.



Ilustração (imagem invertida em suas cores originais) extraída do programa Stellarium 0.11.1 e configurada para o ponto-de-vista de um observador no hemisfério sul - Latitude 22s52 e Longitude 43w00


Neste momento, tanto o Leão quanto a Virgem são constelações que nos atraem imensamente a atenção em função do fato de que MARTE, o Guerreiro Vermelho (em período de brilho intenso, realmente, verdadeira dádiva de sua luz que nos alcança e nos faz até estremecer!...), encontra-se passeando nos campos do rei dos animais dos céus estrelados; e também do fato de que SATURNO, o Senhor do Tempo, vem demorando-se em sua despedida do corpo da Virgem, ainda retornando um tantinho em seu trajeto a fim de saudar, uma vez mais, a belíssima Estrela Alpha Virgo, Spica.


(Maiores informações sobre as constelações do Leão e da Virgem, em descrição de Mitos, Estrelas, Objetos Celestes e em Cartas Celestes, acesse a edição do mês de Março do seu Jornal do Caminhante, em http://oceudomes.blogspot.com).

HYDRA, A HIDRA FÊMEA

Posicionamento:
Ascensão Reta  8h8m / 14h58m    Declinação +6o.8 / -35o.3


Mito:
Esta constelação representa a serpente marinha encontrada pelo Corvo e usada como desculpa para que não tenha podido trazer a água na Taça na missão SOLicitada por Apollo.


Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:
Hydra é a mais longa constelação no céu e também a maior em termos de área ocupada.

Fronteiras:
 A cabeça da Hydra surge acima do equador em direção à constelação de Câncer, o Caranguejo, e seu corpo de cobra vai serpenteando através o céu do sul, começando em Câncer e tendo o Leão ao norte, depois o Sextante e então a Taça e o Corvo e ainda Virgem até terminar sua cauda fina em Libra, a Balança. Ao sul, a Hydra faz seus encontros com o Cão Menor, o Monoceros, a Popa do Navio, o Peixe Austral, Antlia e o Centauro.
Estrelas e objetos interessantes, em Hydra:
A Cabeça da Hydra é considerada como um Asterismo formado pelas estrelas Epsilon, Delta, Zeta, Ro, Eta, Sigma e suas magnitudes vão desde quase 4, passando por 5 e por 6 e 12 e ainda além.

Alphard.  Alpha Hidrae
Ascensão Reta 09h 26,6m - Declinação - 08o 35’
Magnitude visual 2,16 - distância 94 anos-luz

Uma estrela laranja no pescoço da Hidra.  De Al Fard al Shuja,  A Estrela SOLitária na Serpente.  Freqüentemente chama de O Coração da Hidra.
U Hydrae - Estrela Variável Irregular
Ascensão Reta 10h35m    Declinação -13o.07
Magnitudes: Max 4,8  Min 5,9  
Tipo IRR    Espectro N2
R Hydrae - Estrela Variável
Ascensão Reta  13h26m       Declinação -23o.01
Magnitudes:  Max 3,5     Min  10,9      Período 387,0
Tipo PLG     Espectro M7e

W Hydrae - Estrela Variável
Ascensão Reta 13h46m           Declinação -28o.07
Magnitudes:  Max 6,5    Min   8,0       Período 380,0
Tipo   PLG       Espectro M4e

NGC 4590 - M 68 - Aglomerado Globular Hydra
Ascensão Reta  12h38m      Declinação -26o.38
Magnitude fotográfica global 9,1       Diâmetro aparente 9’8          Tipo Espectral A6
Distância kpc 11,5     Velocidade Radial (km/s)   -111

Situado a 3o. ao sul, cerca de 1o. a leste de Beta Corvii e próximo de uma estrela de magnitude 5. Com magnitude visual de 7,5 e um diametro de 3’, torna-se um objeto interessante para ser visto com um telescópio de 5cm de abertura.





M 48 NGC 2548 Aglomerado Aberto
Um aglomerado aberto bem pálido porém grande e que pode ser resolvido através um par de binóculos.



NGC 5236 - M 83 - Galáxia Hydra
Ascensão Reta  13h36      Declinação - 29o.46
Tipo   S - Galáxia Espiral     Magnitude fotográfica aparente  7,00
Dimensões Angulares  13 X 12       Distância (milhões de anos-luz) 8,0

Galáxia Espiral Barrada
Uma das mais brilhantes e mais belas galáxias do céu do sul.   Seus braços em espiral elegantemente curvados criam a impressão de um movimento dinâmico e giratório em nuvens de estrelas que circundam o centro dessa ilha no universo.

A coloração alaranjada da barra e da região central indicam a predominância de estrelas antigas, esfriadas e ainda estrelas avermelhadas.  Em seus braços espiralados, a cor predominante é o azul das estrelas jovens, quentes e muito massivas que foram formadas recentemente e que estão realizando uma evolução rápida.  Nuvens imensas de hidrogenio interestelar ionizado brilham do vermelho ao rosa. Existem berços de novas estrelas que nascem aqui em grande número.





NGC 3242 - Nebulosa Planetária
Uma nebulosa planetária cujo anel alongado interior parece um olho.


Aglomerados de Galáxias
Abell 3565 - parte do Superaglomerado Hydra-Centaurus
Abell 3574 - parte do Superaglomerado Hydra-Centaurus
Abell 3581 - parte do Superaglomerado Hydra-Centaurus
Abell S636 - o Aglomerado Antlia, parte do Superaglomerado Hydra-Centaurus

DIA 20 -  A LUA, tendo se encontrado com MERCÚRIO, o deixa solitário no horizonte Leste, e desaparece de nossa visão – devido ao fato de que está realmente muitíssimo próxima do SOL com quem se encontrará amanhã bem cedinho, perfazendo uma LUA Nova.

Eu diria que ainda é bem possível sempre podermos observar os céus estrelados – seja ao cair da noite, dizendo adeus a JÚPITER que cada vez mais se alonga no horizonte Oeste, como se estivesse sendo ‘atraído’ pelo SOL, ‘puxado’ pelo SOL....  E ainda podendo nos deixar embevecer com a presença sempre extremamente iluminada de VÊNUS, a Bela da Tarde...
E, se estivermos desejos de observarmos os céus estrelados noite adentro, noite afora, MARTE em Leão e SATURNO em Virgem continuam nos brindando com suas presenças impolutas – MARTE cada vez mais próximo de Regulus, Estrela Alpha Leonis, e SATURNO, cada vez mais próximo de Spica, Estrela Alpha Virginis!  Certamente, as constelações do Leão e da Virgem vêm sendo contempladas por presenças planetárias de real importância e é sempre em momentos de LUA sumida que podemos estudar essas luzes planetárias e essas constelações, sem dúvida alguma!

Extraído do Programa Stellarium 0.11.1


DIA 21 -  LUA Nova -  às 07:20 (Greenwich mean time).  SOL e LUA encontram-se numa espécie de conjunção entre as constelações dos Peixes, de Cetus, a Baleia e de Áries, o Carneiro.  JÚPITER já vem deixando o Carneiro e se dirigindo para os campos onde o Touro Pasta.  VÊNUS vem se aproximando da Estrela Beta Tauri, Al Nath, bem na pontinha de um dos chifres do Touro.  MERCÚRIO vem ainda bem próximo ao Ponto Vernal e deixando-se mergulhar nas águas onde a Baleia, Cetus, impera.  No oeste, MARTE ainda impera, muitíssimo próximo a Regulus, Alpha Leonis.


DIA 22 - Máximo da Chuva de Meteoros Lirídeas  (Leia maiores informações logo ao começo desse Trabalho).  LUA recém-Novíssima encontrando-se com JÚPITER, ambos em horizonte extremamente plano, realmente , ao cair da noite - e possivelmente quase impossível de serem observados devido à pequena distância de Selene, em finissimo anel,  e o Deus dos Deuses em relação ao SOL e à linha do horizonte oeste. A bem da verdade, penso que o céu ainda apresentará alguma claridade, realmente, mas, quem sabe poderemos ser bem-sucedidos nesta empreitada se acaso fizermos uso de um bom par de binóculos e se estivermos em lugar de horizonte oeste efetivamente baixo -  não custa tentar. No entanto, VÊNUS continua atuando enquanto a Bela da Tarde, a Bela do Cair da Noite e aguarda pela visita, em breve, duas noites à frente, da LUA já mais encorpadinha e mais alta nos céus do oeste.


DIA 23 -  Máximo da Chuva de Meteoros Pi-Pupídeas (Leia maiores informações logo ao começo desse Trabalho). Nestes momentos de chuva de meteoros Pi-Puppideas, as três constelações-membros (Carina, a Quilha, Vela e Popa) que compõem o Navio Argus já se encontram no céu estrelado do sul, bem ao sul, realmente, quando a noite cai.  Em relação à LUA recém-Nova na noite do radiante máximo, LUA de segundo dia pós-Nova, sua distância em relação ao SOL não ultrapassará mais de trinta graus e isso quer dizer que Selene estará se apresentando apenas como um belíssimo fino anel dourado/prateado ao final da tarde começo da noitinha e logo logo estará se escondendo no horizonte oeste, seguida da Bela da Tarde, da Estrela Vespertina, VÊNUS, que aguarda por seu encontro com a LUA na noite seguinte.

Toda esta parte do céu é realmente maravilhosa pois que o rio leitoso dos céus, a Via Láctea, veio acompanhando nossa visão desde o norte desde  o herói Perseus, ainda antes do Cocheiro, Auriga, e passando pelo Gigante Caçador Órion como todo seu corpo, elmo, clava, cinturão iluminado por estrelas mil, cumprimentando a mais bela de todas as belas, Sirius, a Estrela Alpha Canis Majoris, e ainda preenchendo de estrelinhas de algodão a Popa - que é vicinal ao Cão Maior -, inundando a Vela e a Quilha acolhendo Canopus, o Capitão do Navio, e depois encaminhando-se em direção ao Cruzeiro do Sul (escondendo os segredos da Caixinha de Jóias e outras riquezas a serem observadas através binóculos ou mesmo a olho nú).... e  também nos apresentando ao Centauro com suas duas estrelas ponteadoras Alpha e Beta Centauri, Rigel Kent  e Agena (muitíssimo comentadas em nossa edição do mês de fevereiro), nos revelando as maravilhas de Omega Centauri, um aglomerado que já nos encanta mesmo através simples binóculos.....  A noite continua se revelando através as estrelas que galgam o horizonte leste, e poderemos, então, observar o fato de que o Gigante Órion já se escondeu no horizonte oeste e isso significa que o Escorpião vem entrando em cena no horizonte leste....  Desde o cair da noite, houve uma movimentação de todo o Navio em suas  três constelações em navegação desde o zênite e então voltada para o horizonte oeste, sempre o Navio capitaneado por seu capitão Canopus, a Estrela Alpha Carinae. O tempo do Navio se apresentando aos nossos olhos já chegou à sua conclusão mas certamente estivemos contemplando os céus do sul preenchidos pela Via Láctea por cerca de duas, três, quatro horas de noite escura e transparente.


DIA 24 -  LUA EM CONJUNÇÃO A VÊNUS.  Logo ao cair da noite, não deixe de observar a maravilhosa cena que a LUA ainda em fino anel estará nos proporcionando em sua Conjunção extremamente próxima a VÊNUS!  Sempre, sempre o momento da CONJUNÇÃO ENTRE LUA E VÊNUS, é um momento ímpar, é uma visão encantadora, realmente. 

Como eu sempre gosto de dizer e de relembrar, Carl Gustav Jung nos disse que povos mais primitivos cuspiam nas pontas dos dedos da mão e apontavam para esta LUA, com as mãos abertas espalmadas contra a abóboda celeste, fazendo seus pedidos para mais esse ciclo lunar de vida.
 
DIA 25  Quando a LUA ainda não está tão iluminada ainda e se escondendo relativamente cedo no horizonte oeste, é sempre um bom momento para podermos dar continuidade aos nossos estudos de  estrelas e constelações.



Extraído do Programa Stellarium 0.11.1


Por que não voltarmos nosso olhar extasiado acompanhando o rio leitoso dos céus composto de estrelinhas de algodão, a Via Láctea?

Se bem percebermos, Já desde Perseus, passando pelo Cocheiro, caminhando entre o Touro e os pés dos Gêmeos e inundando o Cão Maior com seu brilho esfumaçado, realçando Sírius e navegando o Navio capitaneado por Canopus adentro (o Navio foi desmembrado em Popa, Vela, Carina)... e mergulhando no Cruzeiro do Sul (que volta a nos encantar com sua presença no céu do outono), enfim, marcando sua presença inefavelmente e inegavelmente, eis que vemos a Via Láctea com sua mancha esbranquiçada, algodão divino, leite derramado por tantas e tantas estrelas.... Em céus escuros como aqui no Sítio das Estrelas, bem podemos divisar o Saco de Carvão e outras manchas escuras na via esbranquiçada ao longo do Cruzeiro e redondezas e também enxames de algodão brilhante - como a Caixinha de Jóias, por exemplo. 




Extraído do Programa Stellarium 0.11.1 – em imagem invertida das cores originais


E, ajudados por um bom par de binóculos, podemos nos deixar  deslumbrar com a visão de Omega Centauri, um chumaço de estrelas conjugadas e formando um brilhante grande círculo!  Falando em Centauro, por que não apreciarmos suas estrelas ponteadoras de  seus pés, Alfa e Beta Centauri - sendo que a primeira nos apresenta o lugar onde se encontra Próxima Centauri, assim nomeada por ser a estrela mais próxima de nós, terráqueos, de nosso sistema SOLar.  A bem da verdade, Alfa Centauri - também conhecida como Bungula ou Rigelkent - é um sistema triplo acolhendo a estrela mais perto de nós..

Também outros belíssimos tesouros podem ser vistos entre o Cão Maior e o Cruzeiro do Sul (muitos deles na Popa do Navio), chumaços de estrelas formando belíssimos aglomerados que podem ser divisados a olho nú em lugares de céu bem escuros e transparentes.

Bem ao sul, o Cruzeiro chega mais cedo a cada noite, sendo devidamente anunciado pelas duas estrelas que formam os pés do Centauro. A estrela alpha do Centauro, Rigel Kent, é um conjunto de três estrelas sendo que uma delas é a chamada Próxima Centauro... e por que? Porque é a estrela mais próxima de nós, de nosso Sistema Solar!


DIA 26  LUA caminhando através as pernas dos Gêmeos Castor e Pollux.

Aproveite o andamento da noite com a LUA já desaparecida para melhor observar as estrelas do sul ainda mais ao sul do que o Cruzeiro.

A Mosca é perfeitamente divisada assim como o Triângulo Austral. Por que não procurarmos pelo ponto do sul verdadeiro, o pólo sul? Não é difícil de chegarmos ao polo sul quando estamos sob um céu escuro e transparente porque as constelações que o rodeiam, mesmo que compostas de tímidas estrelas, podem ser bem delineadas.

É realmente interessante observarmos o fato de que todo o céu mais ao sul tende a ir se concentrando, concentrando, como se estivesse passando por um funil.... Assim, as constelações e suas estrelas mais ao sul parecem deslizar ao longo da abóbada celeste como se fizessem uma elipse alongada, começando no sudeste, passando pelo zênite voltado para o sul e finalizando no sudoeste.  Constelações como o Escorpião e o Corvo, por exemplo, apresentam seu rastejar e seu vôo, respectivamente, inteiramente contidos dentro dessa elipse alongada.  O Navio também parece navegar nos mares celestes realizando esse trajeto, porém de maneira bem mais aproximada ao pólo sul, realmente. Podemos pensar, como num exemplo, o sul como uma vasilha em seu ponto de encontro com a mesa, em sua base, e a abertura da vasilha, seu vazio, como representativo do norte (será que me expliquei bem?)

 Ah, eu gostaria de poder um dia ir a algum ponto bem ao sul do Planeta para poder observar o Cruzeiro do Sul e o Navio, por exemplo, durante toda a noite, assim como se dançassem uma roda de cantigas celestes!  Ah, eu gostaria de um dia poder ir a algum ponto bem ao norte do Planeta para poder observar o Navio navegando alhures, distante, e espraiando-se pelo oceano sem fim!

Tenho sempre um imenso prazer quando o Corvo começa a fazer seu vôo pelos céus, cruzando o leste mais o sul, fazendo quase uma meia-girada simbolizando um real vôo, até desaparecer no horizonte oeste, ao longo de sua passagem de alguns meses no ano.... Já desde final de março, início de abril, que podemos ver este pássaro nos céus, radioso, voando, voando, deslizando com seu vôo suave pela abóbada dos céus do sul.


DIA 27Quando a noite cai, podemos observar a LUA sempre avolumando-se mais e mais, vagarosamente, e com toda a intenção de conversar com os Gêmeos Castor e Pollux, em suas duas estrelas mais proeminentes.

Dando continuidade ao nosso tour celeste, não podemos nos esquecer que o Leão também já vem rugindo desde há bastante tempo nos céus... Visto do sul, o Leão está de cabeça para baixo porém sempre nos deixando entrever sua juba, seu pé Régulus, seu corpo iluminado por estrelas simpáticas e finalmente, sua cauda vibrante, Denébola.  O Caminho da Eclíptica passa por Regulus e então é muito comum que possamos observar esta estrela sendo conjugada com a LUA ou com algum Planeta!
A presença de MARTE, o Guerreiro Vermelho, é tão marcante no Leão que certamente não podemos deixar de observarmos mais a fundo esta constelação e este Planeta!
A noite vai andando, vai seguindo seu rumo e o céu também vai andando, como num carrossel iluminado.

Mais ao norte do Leão, podemos ver o Leão Menor e umas poucas estrelinhas dos pés da Ursa Maior.... Mais ao sul, o chumaço de algodão, o leite derramado das estrelas da Via Láctea, continua invadindo o sul, sempre brilhante, enquanto que ao norte, vai desaparecendo sua luz tímida como um sonho desvanecedor... Noite adentrada, essa Via Láctea e luminosa nos traz o Escorpião, surgindo vagarosamente no leste mais ao sul, trazendo em sua cauda o revirão da Galáxia, o ponto de mutação, onde a cobra morde a cauda....

A Virgem chega radiosa com sua alfa, a estrela Spica. O Caminho da Eclíptica passa por Spica e é bem comum podermos observar a LUA ou algum Planeta conjugando-se à esta estrela.  SATURNO, o Senhor do Tempo, vem achegando-se à Spica  e assim estará se nos apresentando ao longo de quase todo o ano de 2012...

Virgem traz consigo a Balança, com suas duas estrelas perfazendo os dois pratos: Zubenelgenubi e Zubenelschamalli (que antigamente eram consideradas as Garras do animalzinho rastejante dos céus e, sem dúvida alguma, isso faz o maior sentido).   O Caminho da Eclíptica passa pelas estrelas ponteadoras da Balança e, da mesma forma, passa bem próxima à Antares, a estrela alfa do Escorpião.  Depois de passar próxima  à Antares, o Caminho da Eclíptica adentra a 13a. constelação do Zodíaco, Ophiúco, aquele que segura a Serpente que pode ser delineada em sua cauda e também em sua cabeça (esta última terminando aos pés da Coroa Boreal, como se quisesse guardá-la.

Se acaso você quiser aguardar pela chegada de MERCÚRIO no horizonte leste ainda enegrecido ..., por que não?  Em noite de sexta-feira para sábado, quase tudo é possível!


DIA 28 – A LUA deixa os Gêmeos, prometendo sempre voltar no mês seguinte, em mais um ciclo lunar...  e agora faz sua passagem pela pequena porém maravilhosamente discreta constelação do Caranguejo.  A iluminação lunar já se faz sentir, escondendo as riquezas do Presépio e afastando as intenções possivelmente nefastas da Hydra, deixando-nos apenas entrever Alphard, Alpha Hydra.
 Olhando mais ao norte, podemos nos deliciar com a presença de Arcturus, no Boieiro. Em locais de céu escuro – assim como no Sítio das Estrelas -, podemos divisar as tímidas estrelinhas que formam as mechas da Cabeleira de Berenice, constelação quase apagada, entre o Leão e o Boieiro. Ver a olho nú as mechas dos cabelos da bela egípcia é um real privilégio.

A noite continua andando e já temos a figura maravilhante do Escorpião toda desenhada entre o algodão doce da Via Láctea... Como já dissemos, o Escorpião é antecedido por suas duas garras, as estrelas alpha e beta da Balança.

A cabeça deste animalzinho rastejante sobre a Via Láctea é realmente incrível, levando até seu coração batendo avermelhadamente, Antares, a rival de Ars, MARTE.
É realmente belo o desenho que as estrelas do Escorpião vão nos mostrando... várias estrelas duplas que disputam a acuracidade de nossa visão... (me lembro de meu primeiro namorado me dizendo que éramos tão próximos um do outro quanto aquelas duas estrelas que formam uma das curvas do Escorpião.... palavras ao vento.... não o vejo há mais de 45 anos...). A cauda do Escorpião é realmente assustadora com a presença fulminante de Schaula... finalizando com alguns objetos maravilhosos, M-7, M-8, M-6, chumaços de algodão, bom de olhar a olho nú, melhor ainda de binóculos e telescópio.

Nesta região do céu entre o Escorpião e o Sagitário, naquela direção e além daquela poeira de estrelas, encontra-se o chamado Centro de nossa Galáxia, a Via Láctea. E como tudo no universo realiza um movimento de rotação em torno de si mesmo e em torno de algum outro objeto magnetizador, também nossa Via-Láctea realiza esse movimento.

Não podemos deixar de mencionar a imperdível visão da Coroa Austral sendo enlaçada pelo Sagitário!  A Coroa Austral é de uma delicadeza ímpar, realmente.  Se mantivermos quase a mesma direção do céu, estaremos encontrando, bem mais ao norte, a Coroa Boreal, tão bela quanto a outra Coroa e encontrando-se bem situada entre estrelas de primeiríssima grandeza como Arcturus, a alfa do Boieiro, e Vega, a alfa da Lira e próxima ao herói Hercules.

Com o andar da noite e das estrelas, outras constelações vão se aprontando, por assim dizer, para entrarem no palco da vida...

Não será tempo de irmos dormir?! Ah, eu diria para você passar uma noite em claro apenas para observar a girada da Via Láctea enquanto o céu vai caminhando todo de leste para oeste, carregando suas estrelas, planetas, constelações.... A visão do girar da Via Láctea é algo que nos deixa sem palavras....

Se você tiver a oportunidade de estar num lugar onde o céu seja escuro e transparente, poderá observar a imensa pavimentação de algodão de estrelas - a Via-Láctea - aparentemente centralizando-se no Escorpião e cobrindo o céu estrelado em direção ao norte, passando por Sagitário, pela Águia até alcançar o Cisne..., e em direção ao sul encontrando-se com nosso Cruzeiro do Sul, com o Navio, com o Cão Maior seguido do Gigante Órion e aparentemente concluindo-se no Cocheiro....  Deste ponto bem ao sul e se você estiver em Latitude bem mais ao norte do Planeta, poderá ainda comungar com a pavimentação de algodão de estrelas fazendo parte do Mito de Andromeda, a donzela acorrentada, enredilhando Perseus, seu herói salvador,  Cassiopéia, sua malvada madrasta, e seu pai, o Rei Cepheus - todas constelações bem ao norte - e, finalmente a Via Lactea realiza seu  encontro com o Cisne.
DIA 29 -  LUA Crescente -  às 09:59 (Greenwich mean time).  Quanto é tempo de LUA Crescente, a noite cai e eis que Selene encontra-se no Zênite! 

A LUA em sua metade iluminada e metade ensombreada, dirige-se para seu encontro com MARTE, o Guerreiro, que a aguarda bem próximo à Estrela Alpha Leonis, Regulus.


DIA 30 -  LUA já apresentando-se bem mais iluminada e volumosa, realiza seu encontro com o Planeta Vermelho, encontro testemunhado pelo Leão garboso em seu campo.


Assim o mês de Abril termina, com JÚPITER já desaparecido de nossos olhos; com VÊNUS também já ensaiando sua saída de cena para o mês seguinte, Maio; com MERCÚRIO sempre nos brindando com sua presença em madrugadas sonolentas...


Algumas das Referências Bibliográficas:

- "A Nebulosa do Caranguejo" é uma re-leitura, síntese e tradução de Janine de artigo extraído da Revista Astronomy em sua edição de novembro na seção "Southern Sky Show" - "The Starry Sky".

- Existe um texto interessante escrito por mim, Janine, sobre um encontro entre SATURNO e a Nebulosa do Caranguejo e este texto está publicado em http://oceudomes.blogspot.com

-  http://www.atlasoftheuniverse.com

- Ilustração extraída da revista Sky&Telescope, edição de abril de 2001.

- Hawaiian Astronomical Society - O Site

- pt.wikipedia.org
- Richard Hinckley Allen, Star Names, Their Lore and Meaning, Dover Publications, Inc, New York, USA

- Ilustrações extraídas do programa Stellarium 0.11.1 e configurada para o ponto-de-vista de um observador no hemisfério sul - Latitude 22s52 e Longitude 43w00
- Os Textos que aparecem em fonte verde escuro são extraídos de meu Trabalho Da Terra ao Céu e ao Infinito, as 88 constelações do céu estrelado - ainda não publicado por completo porém sendo publicado em extratos, ou seja, uma constelação por vez.  - Alguns Textos extraídos dos meus trabalhos sobre as constelações da Virgem e da Lira: http://sobrevirgo.blogospot.com e http://sobrelyra.blogspot.com

- Apogeu e Perigeu da LUA e Perihélio são Datas calculadas pelos astrônomos da NASA Fred Espenak e Sumit Dutta (NASA GSFC).




-  V. E. Robson  - Stars and Constellations and Their Mythology – Samuel Weiser Inc., York Beach, Maine, USA

- Ronaldo Rogério de Freitas Mourão  - Atlas Celeste - 6a. Edição - Editora Vozes, Petrópolis, 1986

-    Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes -
Apoio: CARJ/MEC/CAPES/PADCT-SPEC 


COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
JANINE MILWARD

Sítio das Estrelas 
Parada de um caminho a Caminho do Céu
janine@powermail.com.br