terça-feira, 31 de julho de 2012

O Céu do Mês de Agosto de 2012

http://oceudomes.blogspot.com

Sítio das Estrelas e Janine Milward

Apresentam

O JORNAL DO CAMINHANTE
Para os Simples Amantes dos Céus Estrelados


Ano 10 - Edição de Agosto de 2012

Temas Apresentados nesta Edição:

Fantástica Chuva de Meteoros
– As Perseidas –

culminando de 11 para 12 de Agosto, na madrugada sonolenta:
são esperados cerca de 100 meteoros por hora! Aproveite a oportunidade para estudar um tantinho sobre a constelação de Perseus.

Oposição de Netuno ao Sol em 24 de agosto
– excelente momento para fotografar o Planeta Azul!

Duas Luas Cheias em Agosto – nos dias 01 e 31:
a segunda Lua Cheia de um mês é chamada de LUA AZUL, BLUE MOON: dia 31 de Agosto!

Bons Momentos para Observação dos Céus Estrelados
quando em Tempos de Ausência de Lua:

O Céu do Cair da Noite:

Marte e Saturno e a estrela-alpha Virginis, Spica, dando o Show da Temporada!

ESCORPIÃO NO MEIO DO CÉU: O REVIRÃO DA VIA LACTEA!

O Céu da Madrugada:
Júpiter em Touro e Vênus em Gêmeos e Mercúrio em Câncer brilhando no horizonte leste, ainda antes da chegada do Sol!


Sol
trilhando através o ventre do Caranguejo e então, cumprimentando o garboso Leão

Madrugadas Maravilhosas
Mercúrio
 insinuando-se em vai-e-vem entre as estrelinhas tímidas do Caranguejo!
Vênus
conversando com os Gemeos Castor e Pollux
Jupiter
beijando Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro

Saturno e Marte
despedindo-se da Estrela Alpha Virginis, Spica Marte atuando como o Tema do Mês em função da visita de Curiosity em suas terras...

Urano
mergulhando abissalmente nos mares dos Peixes

Netuno
entre as ondinhas marolantes do Aquário, realizando seu momento de Oposição ao Sol

Plutão,
 mesmo destronado, permanece em sua majestade

Lua, doce e mutável Lua
Em seus Encontros com Constelações, Estrelas e Planetas!

Caro Amigo das Estrelas, Caminhante do Céu e da Terra:

Eu sou absolutamente apaixonada pela visão do céu estrelado a olho nú e convido você a também me acompanhar nesta viagem estelar. Moro no Sítio das Estrelas, Latitude 22s52 e Longitude 43w00 e, portanto, meus textos apresentam a visão que tenho do céu a partir desse ponto no Planeta Terra.

Os Textos que traduzo e apresento e/ou que escrevo tendem a poder atender aos Caminhantes leigos como também aos Caminhantes que já vêm caminhando um tantinho no Caminho da compreensão de alguns temas básicos e mesmo bem simples sobre a Astronomia e a Mecânica Celeste.

Em minha Página http://oceudomes.blogspot.com , você poderá sempre encontrar meus textos mensais sobre O Caminho Aparente do SOL, dos Planetas e da LUA. Nesta Página, você também encontrará meu texto sobre Um Passeio pelo Céu Noturno do Sítio das Estrelas: Breve Roteiro de Viagem Celeste para as Quatro Estações do Ano.

Bons Estudos e Boa Observação!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

Os textos apresentados neste Jornal do Caminhante são, em sua quase maioria, de autoria de Janine Milward. Ao final deste Trabalho, são encontradas algumas das demais Referências Bibliográficas em relação aos dados técnicos e mitológicos extraídos de Sites e de Livros.
Você pode imprimir e encadernar seu Jornal e também encaminhá-lo,
desde que sempre na íntegra e apresentando sua autoria e seus créditos.
Obrigada, Janine




ALGUNS EVENTOS ASTRONÔMICOS INTERESSANTES
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO


Fantástica Chuva de Meteoros culminando em 12 de Agosto:
são esperados cerca de 60/80/100 meteoros por hora! – em tempo de Lua já Minguando...


Talvez seja interessante começar a observação já a partir da uma hora da madrugada... para ser abençoado/a com cerca de 100 meteoros podendo ser observados por hora... – mesmo que a constelação de Perseus ainda não esteja inteiramente apresentada em nossos céus mais ao sul... porque a Lua já Minguando deverá entrar em cena por volta das duas da madrugada, conjunta a Jupiter e formando bela visão... porém também trazendo sua iluminação encantadora aos céus estrelados e deixando muitos meteoros se esconderem...



Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertidas em suas cores originais através o Programa Photo-Paint X3 e configuradas para o ponto-de-vista de um observador no hemisfério sul - Latitude 22s52 e Longitude 43w00 – e invertida em suas cores originais para melhor visualização do Leitor.


Será um momento muito interessante, madrugada do dia 12, por volta das cinco da matina e ainda antes da chegada dos primeiros clarões dos raios do sol!...., com a Lua já buscando seu final de ciclo, encontrando-se com Jupiter, ambos situados nos chifres do Touro enquanto Venus conversa animadamente com os Gemeos Castor e Pollux!

Ao norte do Touro, encontramos Perseus, o Campeão, sempre trazendo consigo a cabeça da Medusa expressada através a estrela Algol!

Ao norte, em horizonte bem baixo, Cassiopéia nos deixa ver algumas de suas estrelinhas. Andrômeda e o cavalo alado Pégasus surgem imponentes no meio do céu. Por que não procurarmos por Andromeda, a Galáxia? Mesmo com um simples par de binóculos, esta visão se faz encantadora: é uma emoção imensa, realmente, observarmos nossa querida irmã... porque mais dia menos dia possivelmente nos uniremos a ela de maneira a nos tornamos irmãs siamesas... No horizonte leste, mais ao norte, entra Áries, o Carneiro, ao lado do Triângulo.

A noite vai seguindo seu curso e novamente podemos nos deixar encantar pela via leitosa, a Via Láctea, fazendo parte dos céus do norte, vindo de Perseus e ladeando as Pleiades (que bom, assim essa preciosidade da constelação do Touro não fica comprometida pelo chumaço de algodão) bem como a cabeça do Touro sempre nos mostrando seu Olho Iluminado, Aldebarã. A Via Láctea abençoa o Cocheiro e sua bela estrela-alfa, Capella, e então segue rumando mais ao sul, encostando no Gigante Órion, sempre garboso e pronto para caçar o Escorpião (que mora do outro lado do céu exatamente para não ser caçado!) e enchendo de luz esfumaçada, esbranquiçada, o Cão Maior que nos brinda com a majestosa presença da mais bela da noite, Sirius, a mais brilhante dos céus e também tão próxima a nós (somente 8 anos-luz de distância).

Achernar começa a carregar o sinuoso Rio Erídano consigo, caindo no horizonte oeste, enquanto Canopus vai capitaneando o Navio que vai surgindo cada vez mais belo, mais imponente, silenciosamente singrando as águas celestes. Também o Navio acaba sendo encontrado pela Via Láctea que busca encantar nossa visão acendendo o Cruzeiro do Sul, o Centauro, todos ao sul...


Vamos estudar um tantinho sobre a Constelação de Perseus?
PERSEUS, O CAMPEÃO

Posicionamento:
Ascensão Reta 1h26m / 4h46m Declinação +30o.9 / +58o.9

Mito:
Perseus, era filho de Júpiter e Danae, portanto, um semideus a quem Mercúrio deu de presente espada, capa e asas nos pés e também o escudo pertencente à Minerva. O herói matou a Medusa ao cortar sua cabeça e mais tarde, salvou Andrômeda, com quem se casou e teve alguns filhos. Quando retornava para sua casa, ele matou acidentalmente seu próprio avô
e endoideceu de tanta dor, mas Júpiter apiedou-se dele e o colocou entre as estrelas.

O Mito de Perseus e sua amada, Andromeda:
Andrômeda era a filha de Cefeus, rei da Etiópia, e de Cassiopeia. Por causa dos boatos espalhados por Cassiopéia de que a beleza de Andrômeda superava a das Nereidas, Netuno enviou um mostro marinho, Cetus, a Baleia, para devastar aquele país. Porém, Netuno fez a promessa de libertar o país dessa devastação caso Andromeda fosse oferecida em sacrifício, sendo acorrentada a uma rocha, para ser devorada pelo monstro marinho. No entanto, Perseus soube desse caso e salvou Andrômeda de seu tormento matando o monstro e o transformando em pedra ao lhe mostrar a cara da Medusa. Ambos, Perseus e Andrômeda, alçaram vôo alto, sobre Pegasus, o cavalo alado, e se dirigiram para o altar onde se casaram.


Mario Jaci Monteiro – Cartas Celestes

Fronteiras:
A constelação Perseus faz fronteira com Auriga, Camelopardalis, Cassiopéia, Andromeda, Triangulum, Áries e Taurus


Algumas Estrelas e alguns objetos interessantes, em Perseus:

Mirfak ou Algenib - Alpha Persei
Ascensão Reta 03h22,9m - Declinação +49o 47’
Magnitude visual 1,90 (variável) - Distância 570 anos-luz
O Sino. O Badalo, nome árabe que indica uma das partes da constelação quando esta é representada como um sino.

Algol. Beta Persei. Estrela Dupla e Eclipsante
Ascensão Reta 03h06,6m - Declinação +40o 52’
Magnitude visual 2,60 (variável) - Distância 105 anos-luz
É uma estrela binária e branca e variável, marcando a cabeça da Medusa segura pelas mãos de Perseus. Algol nos chama a atenção por ser uma estrela binária e eclipsando juntamente com sua companheira - do mesmo tamanho e que não se situa muito distante -, em um período de não mais do que três dias! Existe, no entanto, uma terceira estrela, muito menor, e que órbita esse sistema binário em 23 meses. A companheira mais pálida e mais fria, regularmente acaba eclipsando a mais brilhante, mais quente companheira. A magnitude de Algol varia entre 2.1 e 3.4 num período de 2 dias, 20 horas, 48 minutos e 56 segundos!

Algol é uma palavra que advém de Ra’s al Ghul, a Cabeça do Demônio.

Algol representa a cabeça da Górgona Medusa que foi degolada por Perseus. Medusa, que era a única mortal entre as três irmãs Gorgónas, era originalmente uma jovem bela porém seu cabelo foi mudando e acrescendo serpentes - feito realizado por Pallas Athenas por causa do fato de que a Medusa ter se encontrado com Mercúrio e ter dado a luz a Chrysaor e Pegasus, seus filhos, em um dos templos da deusa. A aparência da Medusa tornou-se tão medonha que qualquer pessoa que olhasse para ela, transformava-se em pedra.

Atik - Omiicron Persei
A Praia, vocábulo grego relacionado com akte, praia. Em outra acepção, o velho.

Menkhib - Zeta Persei
O Focinho, nome de origem árabe

Miram - Eta Persei
Misam - Kappa Persei

Rho Persei - Estrela Variável com período de variação luminosa irregular
Ascensão Reta 03h02m Declinação +38o.39
Magnitudes: Max 3,2 Min 4,1 Período 91000,0
Tipo IRR Espectro Mb

Beta Persei - Estrela Variável análoga à Algol
Ascensão Reta 03h06m Declinação +40o.52
Magnitudes: Max 2,3 Min 3,5 Período 2,9
Tipo ALG Espectro B8


Capulus. Aglomerados Abertos. A Espada de Perseu

NGC 869 - Aglomerado Aberto Eta Persei
Ascensão Reta 02h17m Declinação +57o.04
Magnitude fotográfica global 4,3 Distância kpc 2,15
Diâmetro 30’ Tipo Espectral B1


NGC 884 - Aglomerado Aberto Xi Persei
Ascensão Reta 02h21m Declinação +57o.02
Magnitude fotográfica global 4,4 Distância kpc 2,48
Diâmetro 30’ Tipo Espectral B0
Um aglomerado duplo situado na mão da espada de Perseus, também conhecido como A Espada de Perseus. Visível a olho nú, com mais de 700 estrelas de 7a. e 12a. Magnitude visuals. Espetáculo belíssimo, também podendo ser observado por um par de binóculos simples. Perseus é o herói que voa no cavalo Pegasus, o cavalo branco e alado, para salvar Andrômeda, acorrentada numa pedra, numa ilha solitária. Perseus salva Andrômeda e com ela se casa.

Aglomerado de Estrelas em Perseus
Um aglomerado que se movimenta e que contém mais de 100 estrelas em torno a Perseus A (NGC 1275). Um objeto maravilhoso para ser observado por bons pares de binóculos ou por telescópios simples. Distante 570 anos-luz.

NGC 650/1 - M 76 - Nebulosa Planetária
Ascensão Reta 01h40m Declinação +51o.28
Tipo Nebulosa Planetária NP Dimensão 1,5 Magnitude 20 Magnitude da Estrela associada 17 Distância em anos-luz 15,0

NGC 1348 - Perseus - Nebulosa de Reflexão
Ascensão Reta 03h43m Declinação +32o.07
Tipo Nebulosa Planetária NR Dimensão 3,0 Magnitude 21
Magnitude da Estrela associada 8 Distância em anos-luz 0,5

NGC 1275 - Perseus A - Galáxia
Uma galáxia bem pouco usual que é uma intensa fonte de emissão de radio e de radiação de Raio-X. A matéria vem sendo ejetada da galáxia numa velocidade de mais de 2.400 km por segundo. A magnitude é de 13.0 e dista cerca de 300 milhões de anos-luz.

NGC 1039 = M34 - Aglomerado Aberto
Um aglomerado aberto e contendo cerca de 80 estrelas.

NGC 650 - M76 - Nebulosa Planetária
Uma nebulosa planetária pálida e denominada The Little Dumbbell.

NGC 1499 - Nebulosa Califórnia
Uma nebulosa difusa e difícil de ser observada visualmente.

NGC 884 E 869 - Qui e H Persei - Aglomerado Duplo
Um clássico exemplo de aglomerado aberto e visível para os olhos nus como uma pequena e inefável nuvem. Um objeto lindíssimo a ser observado com um telescópio de grande abertura e de baixa magnificação. Cada um dos aglomerados tem um diâmetro aparente de 30’ e um diâmetro real de cerca de 70 anos-luz.

M34 - Aglomerado aberto
Aglomerado Aberto - Perseus
Ascensão Reta 03h21m Declinação +48o.32
Magnitude fotográfica global 2,3 Distância kpc 0,17
Diâmetro 240’ Tipo Espectral B1


Aglomerado de Galáxias
Abell 426 - O Aglomerado Perseus

O Superaglomerado Perseus-Pisces foi um dos primeiros superaglomerados a serem descobertos. Certamente este superaglomerado vem atuando de forma importante para o estudo das amplas escalas estruturais do universo e, por causa de tantos estudos, é um dos superaglomerados mais bem conhecidos. Hoje sabemos que o universo consiste de imensos superaglomerados de galáxias rodeando imensos vazios.

O superaglomerado Perseus - Pisces é o mais óbvio do céu. No entanto, como todos os demais de sua espécie, é muito pálido para ser visto a olho nú. Este superaglomerado é uma longa e densa muralha de galáxias numa extensão de quase 300 milhões de anos-luz. Ao final do supercluster existe o massivo Perseus aglomerado (A426) um dos mais massivos aglomerados de galáxias em 500 milhões de anos-luz.

O aglomerado Perseus A426 é o segundo mais próximo dos reais ricos aglomerados de galáxias que contêm milhares de galáxias. O mais próximo - A3627 - situa-se quase que escondido pelo plano de nossa galáxia e não é fácil de ser observado.



Veja abaixo uma lista dos maiores aglomerados constantes em Perseus-Pisces superaglomerado, assim como foram listados no catálogo Abell. A426 é o mais importante destes aglomerados e ganhou a classe de riqueza 2 - o que significa um aglomerado de galáxias efetivamente muito rico. A262 também é bastante rico mesmo que tenha recebido a classificação 0.

Abell Cordenadas Redshift Distância Riqueza/
Número Equatoriais z Milhões anos-luz Brilho
RA Dec H=70km/s/Mpc

OA262 01 52.8 +36 09 .0151 210 0
A347 02 25.8 +41 52 .0172 240 0
A426 03 18.6 +41 31 .0167 230 2 Perseus cluster

Não somente o superaglomerado Perseus-Pisces é o mais óbvio de sua espécie no céu como também situa-se próximo ao mais obvio Vazio no céu. O Vazio Taurus - Taurus Void - é um imenso Vazio circular cercado de muralhas de galáxias em cada um de seus lados. O Vazio possui um diâmetro de cerca de 100 milhões de anos-luz. Muitas das galáxias encontradas na área do Vazio pertencem ao plano de fundo, são galáxias situadas por detrás do Vazio.




Bons Momentos para Observação dos Céus Estrelados
quando em Tempos de Ausência de Lua:

Para o Céu do Cair da Noite:
Marte e Saturno e a estrela-alpha Virginis, Spica, dando o Show da Temporada!

ESCORPIÃO NO MEIO DO CÉU:
O REVIRÃO DA VIA LACTEA!

Para o Céu da Madrugada:
Júpiter em Touro e Vênus em Gêmeos e Mercúrio em Câncer brilhando no horizonte leste, ainda antes da chegada do Sol!


Bons Momentos para Observação dos Céus Estrelados:

Para o Céu do Cair da Noite:
Marte e Saturno e a estrela-alpha Virginis, Spica, dando o Show da Temporada!

A partir do dia 06, a Lua começará a chegar mais e mais tarde..., até que no dia 10 alcançará seu momento de Lua Minguante, chegando no horizonte leste por volta da meia-noite e então, sua luminosidade estará minguando mais e mais... até que encontre seu momento de Lua Nova, no dia 16, retornando ao céu do horizonte leste, como um fino anel dourado, já a partir do dia 18.

As principais constelações que se apresentam para nossas observações e nossos estudos, ao cair da noite (a ilustração acima é realizada para a região sudeste do Brasil, onde moro, Latitude 22s53 e Longitude 43w00), são: Virgo, Bootes, Corvo, Centauro, Cruzeiro do Sul, Balança, Escorpião, Ophiuco, o Serpentário, Corona Boreal, Sagitário, Corona Austral, Hercules, Capricórnio, Grou, Aquarius, Pisces Austrinus, Aquila, Lyra, Cignus... E é sempre interessante se poder observar o que realmente se esconde atrás das estrelinhas de algodão, todas juntinhas, formando o braço da Via Láctea, desde os céus do sul até os céus do norte!




Escorpião no Meio do Céu: O Revirão da Via Láctea

NESSES TEMPOS DE AGOSTO QUANDO LOGO AO CAIR DA NOITE PODEMOS OBSERVAR A PRESENÇA DO ESCORPIÃO BUSCANDO SEU LUGAR NO ZÊNITE, NO MEIO DOS CÉUS ESTRELADOS, eu gostaria de chamar sua atenção, caro Leitor, Caminhante do Céu e da Terra, no sentido de acompanharmos o andamento não somente da constelação do Escorpião, realizando seu semi-círculos advindo do horizonte Leste mais ao Sul e indo em direção ao horizonte Oeste mais ao Sul... – sempre em tempos de céus escuros e transparentes e com a boa ausência da Lua, certamente – vamos prestar boa atenção nos braços que se estendem a partir do corpo central do Escorpião, ou melhor, de sua cauda já voltada para fronteirizar com a constelação do Sagitário (lugar que podemos traduzir como o direcionamento para a região central de nossa Galáxia):

Ou seja, quando o Escorpião surge no horizonte Leste mais voltado para o Sul e quando a noite vai fazendo seu andar, podemos presenciar os braços da Via Láctea que se estendem mais ao Sul e mais ao Norte, abraçando várias constelações mais ao Sul e mais ao Norte...

Quando o Escorpião alcança seu momento de Zênite, no meio do céu, agora em Agosto, bem ao cair da noite, vemos que existe a Via Láctea também praticamente cortando os céus diametralmente desde o sul até o norte, em meio do céu...

Quando o Escorpião começa a realizar sua descida em direção ao horizonte oeste mais voltado para o Sul, vemos que o braço da Via Láctea mais ao Sul também desaparece um tanto de nossos olhares curiosos e observadores – pois retornará nos céus da madrugada, quando o Escorpião tiver realizado seu semi-círculo distante de nossos olhos! -, e vemos que o braço da Via Láctea voltado para o Norte, parece varrer as constelações e as estrelas e carregá-las todas para também irem desaparecendo gradualmente em seus lugares próprios no horizonte oeste: quer dizer, a partir do ponto da linha do Equador Celestial, aqueles objetos mais ao sul, fazem a linha semi-circular direcionada mais ao sul; aqueles objetos mais ao norte, fazem a linha semi-circular mais ao norte (e, no caso de nós moradores do hemisfério sul, o norte fica bem mais ampliado, mais espraiado).

NOS TEMPOS DE AGOSTO, EM ALTA MADRUGADA, PODEMOS ENTÃO OBSERVAR O OUTRO BRAÇO DA VIA LÁCTEA, O BRAÇO MAIS AO SUL, DIGAMOS ASSIM – mesmo que corte os céus estrelados desde o Sul até o Norte, certamente -, deixando acontecer o Gigante Órion, por exemplo, que sabemos sempre estar posicionado nos céus estrelados em oposição ao Escorpião, como reza o Mito. O Escorpião, portanto, não estará presente objetivamente porém sua subjetiva presença poderá ser detectada através o braço da Via Láctea que vai acontecendo desde ainda antes do Navio e que vai atravessando o Cão Maior, os Gêmeos, o Boieiro, Perseus... e se escondendo mais ao Norte... Este braço da Via Láctea é sempre bem observável nos céus do cair da noite quando dos tempos de Janeiro, Fevereiro, Março....


Milky way by moonlight
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Copyright: Emilio Rivero Padilla


Stargazing
http://asterisk.apod.com/viewtopic.php?f=29&t=28772&start=125#p178592
Copyright: Rafael Defavari


O Revirão da Via Láctea é um espetáculo imperdível e inesquecível e que nos traz uma realidade da mecânica celeste que vai além à realidade que vemos do caminhar das constelações e suas estrelas, todas advindas do horizonte leste, galgando as alturas dos céus e concluindo seu passear no horizonte oeste - com as constelações e estrelas mais ao sul realizando seu caminhar em elipse do sudeste ao sudoeste e com as constelações e estrelas mais ao norte realizando seu caminhar de maneira mais espraiada, digamos assim. A realidade do Revirão da Via Láctea parece varrer os céus, como se essa varrição viesse do sul em direção ao norte ou vice-versa..., como se fosse uma hélice, algo assim, cobrindo todas as direções, ao longo da noite e ao longo do caminhar do Escorpião, fundamentalmente. A realidade do Revirão da Via Láctea, quando o percebemos realmente - em lugares de céus escuros e transparentes e que nos apresentem o chumaço de algodão do caminho desta Via iluminada em bom estilo! -, nos faz tremer não somente de emoção como também em nosso labirinto interior, é quase como se perdêssemos o chão, ficamos zonzos, tontos, quase caímos, quase perdemos o equilíbrio.

Os braços da Via Láctea, centralizados no corpo do Escorpião, vão varrendo o céu vindo do sudeste, caminhando para o leste, passando pelo noroeste, pelo norte, pelo noroeste, pelo oeste... e ainda pelo sudoeste, pelo sul, novamente pelo sudeste, noite após noite.


Para o Céu da Madrugada:
 Júpiter em Touro e Vênus em Gêmeos e Mercúrio em Câncer brilhando no horizonte leste, ainda antes da chegada do Sol!

A partir do dia 16, com a Lua já inteiramente voltada para cumprir com a conclusão de seu ciclo e realizar-se enquanto Lua Nova no dia 17, os céus da madrugada voltam a se apresentar escuros e transparentes para nos proporcionar a observação mais acurada das constelações, estrelas, galáxias, nebulosas, dos planetas, dos aglomerados.... Já no dia 24, a Lua encontra seu momento de Crescente – o que também significa que se esconderá no horizonte oeste por volta da meia-noite e ainda sobrando um longo tempo para nossas observações. No entanto, ao avançar entre Crescente e Cheia, a Lua vai dominando os céus da madrugada com sua luminosidade... ... E é sempre interessante se poder observar o que realmente se esconde atrás das estrelinhas de algodão, todas juntinhas, formando o braço da Via Láctea, desde os céus do sul até os céus do norte!


A noite vai caminhando e levando consigo os Planetas Marte e Saturno adjuntados à estrela-alpha Virginis, Spica, e as demais constelações e estrelas que fazem parte dos momentos dos céus estrelados do cair da noite.

O Triângulo do Norte já também foi se deitando, vagarosamente, no horizonte Oeste, com Áquila acolhendo sua belíssima estrela-alpha Altair e com Lyra acolhendo sua também belíssima estrela-alpha Vega..., e estas duas constelações tão belas e tão bem apresentadas através suas estrelas-alpha são seguidas pelo Cisne acolhendo sua não menos belíssima estrela-alpha Deneb....

Entram em cena, então, as constelações que fazem parte do Mito de Perseus e Andrômeda – Cepheus e Cássiopea bem ao norte, o imenso Cavalo Pegasus guardando a bela donzela e princesa acorrentada, Andrômeda, e ainda o Herói Perseus trazendo consigo a cabeça da Medusa e seu olhar feroz através Algol, estrela-beta Persei... E, certamente, as duas Cabeças que fazem parte entrelaçadas da constelação dos Peixes – uma Cabeça ao sul do Grande Quadrado formado pelo Cavalo Pegasus e a outra, ao sul da constelação de Andromeda – e o Monstro Marinho, Cetus, a Baleia!

Certamente, o Aguadeiro ainda estará presente e apresentando ao sul a estrela-alpha Piscis Austrinus, Fomalhaut, e também deixando-nos entrever a chegada, bem ao sul do sul, da maravilhosa estrela-alpha Eridani, Achernar, sendo seguida pela não menos maravilhosa estrela-alpha Argus ou alpha Carinae, Canopus, nos brindando com o Navio que navega pelas águas do sul sempre tão prenhas de aves tropicais e objetos utilizados em navegação, etc., nomeados mais recentemente através os tempos das grandes navegações exploradoras dos mares do hemisfério sul e, consequentemente, também seus céus estrelados e até então, desconhecidos pela cultura vigente no hemisfério norte...

E nos colocamos diante da beleza ímpar da Via Láctea que passa a acontecer a partir de nossa visão do Navio, enlaçando o Cão Maior acolhendo sua estrela-alpha Sirius, a mais bela de todas as belas, lutando com o Gigante Órion, conversando com os Gêmeos Castor e Pollux, aproveitando a presença do Auriga, o Cocheiro, sempre nos encantando a visão com sua estrela-alpha bem ao norte, Capella, e esfumaçando-se e desaparecendo, como se retornando, em Perseus, o Herói...

Não podemos nos esquecer que durante o mes de Agosto e bem envoltos pelo braço da Via Lactea, vamos encontrar Júpiter passeando pelos campos onde o Touro pasta; Vênus, com seu andar bem mais apressado do que o de Jupiter, estará se afastando do Deus dos Deuses, avançando através os corpos dos Gemeos Castor e Pollux e beijando suas estrelas alpha e beta ao final de Agosto e começo de setembro... ; Mercúrio, ainda antes do dia 10 de Agosto, estará engatando seu movimento direto enquanto o Sol já terá dele se distanciado o suficiente para que possamos nos deliciar com a presença do Mensageiro dos Deuses nos céus estrelados do horizonte leste, ainda um tantinho antes do amanhecer e da chegada do Sol – ao miolo do mes...






O APARENTE CAMINHO DO SOL
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO:




Ao final do mês de Julho, o Sol encontra-se bem no ventre do Caranguejo, onde este acolhe o Presépio, M44, um ninho de estrelinhas-bebês que viajam juntas e que são verdadeiramente maravilhosas de serem observadas em lugares escuros e transparentes e em noites sem Lua.

CÂNCER, O CARANGUEJO

Posicionamento:

Ascensão Reta 7h53m / 9h19m Declinação +6o.8 / +33o.3

Mito:

Esta constelação representa o caranguejo que mordeu a canela de Hercules durante sua luta com a Hidra de Lerna e por isso, foi colocado nos céus por Juno, em gratidão ao caranguejo - porque Juno era inimiga de Hercules.



Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Câncer é uma antiga constelação e uma dentre as doze que fazem parte do Zodíaco. Há muito tempo atrás, essa constelação atuava enquanto pano de fundo para o Sol quando este atingia o solstício do verão, sua elevação máxima sobre o equador celestial - na latitude 23.5 Norte e este lugar foi conhecido como o Trópico de Câncer. O movimento de Precessão deslocou este ponto para agora situar-se na fronteira entre Gêmeos e Touro.

A origem desta constelação é duvidosa. Alguns autores associam-na à semelhança do movimento do Sol, no solstício de verão, com o modo de andar do caranguejo (porque, neste momento, existe a parada aparente do andamento do Sol, em sua extremidade máxima de andamento para o nordeste/noroeste, e seu retorno de andamento aparente até alcançar o solstício do inverno, em sua extremidade máxima de andamento para o sudeste/sudoeste.
Os caldeus já a conheciam. Os egípcios representavam-na no zodíaco de Denderah como um caranguejo redondo.

Fronteiras:

A constelação Câncer faz fronteira com Leo, Lynx, Gemini, Canes Minor
Hydra

Estrelas e objetos interessantes, em Câncer:

Acubens. Alpha Cancri.
Próxima à Ascensão Reta 9h e Declinação cerca de 12o.
Uma estrela dupla com componentes brancos e vermelhos, situada na garra sul do Caranguejo. De Al Zubanah, as Garras.

Al Tarf - Beta Cancri
Próxima à Ascensão Reta 8h e Declinação cerca de 9o.
O Fim, designação árabe para indicar a extremidade do pé mais ao sul.

Aselli. Gama e Delta Cancri.
Gama é chamada de Asellus Borealis e Delta, de Asellus Australis.
Asellus Australis situa-se exatamente na linha da Eclíptica enquanto Asellus Borealis fica um tantinho mais ao norte, porém ambas na mesma Ascensão Reta, quase 9h.
Aselli representam os anos (jumentos, mulas) escondidos por Baco e Vulcano durante a guerra entre os Deuses e os Titãs. O berro desses animais assustou de tal forma os Titãs que estes fugiram e os Deuses, em gratidão, carregaram ambos os jumentos e sua manjedoura (O Presépio, M44) para os céus.
As estrelas cor de palha conhecidas como a Mula do Norte (Delta) e a Mula do Sul (Gama), na língua latina asellus, situadas no corpo do Caranguejo.
NGC 2632 - M 44 - Aglomerado Aberto
Ascensão Reta 08h39m Declinação +20o.4
Magnitude fotográfica global 3,9 Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 7,5
Distância kpc 0,158 Diâmetro 90’ Tipo Espectral A0

Praesaepe, em Câncer.
Situado entre as Mulas do Sul e do Norte, contendo mais de 300 estrelas fusionadas e entre Magnitude visual 6 e 12 - verdadeira maravilha de poder ser observada, como se fosse uma lua cheia de estrelinhas tímidas.
Um aglomerado situado na cabeça do Caranguejo, popularmente chamado de Colméia de Abelhas e conhecido pelos chineses pelo nome de Tseih, She Ke, Exalação dos Corpos Empilhados.
O Presépio representa a mangedoura onde Baco e Vulcano esconderam os dois jumentos - veja Aselli, mais acima.


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Câncer é uma constelação bem pequena porém existe um bom tempo e um bom espaço de hiato entre a pequena constelação do Caranguejo e a grande constelação do Leão!

Sendo assim, o Sol levará um bom tempo, praticamente toda uma quinzena, para concluir sua passagem pela constelação de Câncer e alcançará a constelação do Leão, ou seja, estará encontrando-se com Regulus, estrela-alpha Leonis, mais para o dia 20 de agosto em diante.


LEO, O LEÃO

Posicionamento:
Ascensão Reta 9h18m / 11h56m Declinação -6o.4 / +33o.3

Mito:
Esta constelação do Zodíaco representa o Leão de Neméia que se originava da Lua e que foi degolado por Hércules.

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Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Constelação das primeiras conhecidas dos babilônios que, como todos os povos da antiguidade, associavam o Leão ao Sol. O Leão é, realmente, a mais notável de todas as constelações zodiacais, já que o Sol encontrava-se neste asterismo no solstício do verão, na época em que esse asterismo foi instituído. Realmente, esta antiga constelação era reconhecida por muitas civilizações antigas, incluindo aquelas na Babilônia, no Egito e na Grécia.
Para os egípcios, a entrada do Sol no asterismo do Leão correspondia às inundações do Nilo e servia, portanto, como importante referência à atividade agrícola, pois a inundação trazia a fertilidade das margens do Nilo.

Fronteiras:
Leo situa-se entre as constelações Virgo, Coma Berenices, Ursa Major, Leo Minor, Câncer, Hydra, Sextans, Crater

Algumas Estrelas e alguns objetos interessantes, em Leão:

Existe o Asterismo nomeado de Sickle, Foice, composto pelas estrelas Zeta, Eta, Sigma, Mu Leonis (e ainda Lambda e Alpha Leonis)

Regulus, Alpha Leonis
Ascensão Reta 10h07,3m - Declinação +12o.4
Magnitude visual 1,34 - Distância 84 anos-luz
Regulus é o pé do Leão (também conhecida como o coração do Leão).
O Pequeno Rei.
É uma estrela voltada para o mito de um rei da Pérsia, Feridum que era próspero mas que perdeu tudo em função de ter se envolvido com questões de vingança.
Regulus era uma estrela real e guardiã do norte - juntamente com Fomalhaut, Aldebaran e Antares, consideradas todas estrelas reais do céu dos persas. Em virtude de um engano de Ptolomeu, que a nomeou de Pequeno Rei, hoje conhecemos esta estrela como Regulus. Por se situar extremamente próxima à linha da Eclíptica, podemos sempre apreciar a Lua e os Planetas visíveis passando bem grudados à Regulus.

Denebola. Beta Leonis.
Ascensão Reta 11h 48,0m - Declinação + 14o 41’
Magnitude visual 2,23 - Distância 43 anos-luz
Uma estrela azulada na cauda do Leão. De Al Dhanab al Asad, a Cauda do Leão.





Madrugadas Maravilhosas
apresentando os céus do horizonte leste acolhendo três Planetas:


Jupiter beijando Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro

Vênus conversando com os Gemeos Castor e Pollux enquanto ascende através seus corpos iluminados de estrelas simpáticas

e ainda Mercúrio insinuando-se entre as estrelinhas tímidas do Caranguejo!

Júpiter estará passeando pelos campos onde o Touro pasta ainda por um bom tempo pois ali chegou bem recentemente, em final de maio, e por lá ficará em seu vai-e-vem – que o levará novamente a encontrar-se com Aldebaran, a belíssima gigante alaranjada, em Dezembro – até Junho de 2013!

Vênus, com seu andar bem mais apressado do que o de Jupiter, estará se afastando do Deus dos Deuses, avançando através os corpos dos Gemeos Castor e Pollux e beijando suas estrelas alpha e beta ao final de Agosto e começo de setembro... para então adentrar a pequena porém aconchegante constelação do Caranguejo e lá passear ao longo de Setembro e buscar seu encontro com o garboso Leão já nos primeiros dias de outubro....

Mercúrio encontrou-se com o Sol mais para os dias finalizantes do mes de Julho e, ainda antes do dia 10 de Agosto, estará engatando seu movimento direto enquanto o Sol já terá dele se distanciado o suficiente para que possamos nos deliciar com a presença do Mensageiro dos Deuses nos céus estrelados do horizonte leste, ainda um tantinho antes do amanhecer e da chegada do Sol – ao miolo do mes... até que novamente o passo de Mercúrio comece a entrar em ação mais vagarosa e diminuindo sua separação do Sol, fazendo-o desaparecer de nossa visão.

Na madrugada do dia 11 de agosto, a Lua, minguante e boêmia, estará encontrando-se com Júpiter , em Touro.... e então, no dia 13, já mais magrinha, a Lua estará encontrando-se com Vênus..., já aos pés dos Gêmeos Castor e Pollux. Na madrugada do dia 16, a Lua já terá se encontrado com Mercúrio, em Câncer, Lua já bem voltada para seu encontro com o Sol, para a conclusão de seu ciclo, para tornar-se Lua Nova, no dia seguinte, 17 de Agosto.



Ilustração extraída da edição virtual da revista Astronomy, em Agosto


Bem, já que nos levantamos bem cedinho, ainda madrugada e escutando o canto do galo, com uma xícara de café quente nas mãos enregeladas pelo frio do inverno..., podemos não somente observar a cena belíssima que o horizonte leste vem a nos oferecer mas também por que não percorrermos o olhar para cantos do céu que nos atraem a atenção em função de belezas ímpares que encontramos?


O Aguadeiro busca deitar-se no horizonte oeste, seguindo o Capricórnio... e é em Aquarius que podemos encontrar Netuno, o Deus dos Sonhos, perfazendo seu momento anual de Oposição ao Sol! – vide o Tema Netuno, mais adiante.

Se quisermos dar continuidade à nossa observação de Planetas não visíveis a olho nu, podemos buscar encontrar Urano na proximidade da Cabeça do Segundo Peixes e um tanto abaixo do Grande Quadrado formado pelo Cavalo Pegasus. – vide o Tema Urano, mais adiante.

Aos pés do Aguadeiro, encontramos Pisces Austrinus acolhendo sua belíssima estrela-alpha Fomalhaut, uma das quatro estrelas reais dos Persas antigos (Regulus, Antares, Fomalhaut e Aldebaran). Ainda olhando para o sul, sempre sorrimos ao observar o Grou, voando como se fosse um quarteirão de estrelas – suas asas bem abertas - sendo balizadas por Al Nair, estrela-alpha Gruis.

Existe uma estrela que sempre muitíssimo me chama atenção quando chega bem ao sul do sul, vagarosamente, iluminando a vida e anunciando a chegada de outras estrelas e outras constelações maravilhosas: é Achernar, a Foz do Rio Eridanus.

Em tempos de céus escuros e transparentes e de Lua desaparecida, Achernar faz acontecer as linhas sinuosas realizadas por estrelinhas bem tímidas, que vão correndo em suas águas enredilhando outras estrelas e outras constelações desde o sul do sul até desaguarem aos pés do Gigante Órion!

Achernar é seguida pela entrada em cena do Capitão do Navio, Canopus, estrela-alpha Argus ou estrela-alpha Carinae (pois o Navio Argus foi desmembrado em Quilha, Popa e Vela, que pena!).

Achernar e Canopus anunciam a chegada de Sirius, a mais bela de todas as belas, tão linda e tão próxima a nós!

Ainda para além de Canopus, podemos começar a entrever as estrelas alpha e beta Centauri, que parecem querer entrar em cena! E o que é muito importante, é que podemos perceber que o Caminho de Leite, a Via Láctea, surge maravilhosa diante de nossos olhos que somente podem percebê-la como nuvens acumuladas ou como algodões preenchendo alguns vazios do céu estrelado... mas que, no entanto, esconde maravilhas mil... que vão desenrolando-se diante de nossos olhos extasiados, atravessando o Navio acolhendo Canopus, o Cão Maior acolhendo Sirius, o Gigante Órion acolhendo Betelgeuse e Rigel, estrelas alpha e beta Orionis, o Cinturão formado por tres estrelinhas popularmente chamadas de As Três Marias e que são nomeadas por Alnilan, Alnitak e Mintak, a Espada de Órion que ostenta mundos além da imaginação e que nos fazem sonhar acordados diante da beleza das fotos que se nos são apresentadas!

A Via Láctea continua sua jornada encontrando os Gêmeos Castor e Pollux e então acompanhando Auriga acolhendo sua belíssima estrela-alpha Capella, até alcançar Perseus, já bem ao norte, carregando na mão a cabeça da Medusa nos olhando temerosamente através sua estrela Algol, estrela-beta Persei.

Ah..., viemos observar as maravilhosas Plêiades, que mais parecem um tercinho delicado onde rezamos para a terra e para o céu e para cada um de nós que estamos todos enredilhados entre terra-e-céu..., viemos observar Júpiter próximo a Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro, viemos observar Vênus entranhando-se por entre as pernas dos Gêmeos Castor e Pollux..., viemos comungar juntamente com a Lua e Mercúrio em encontro em horizonte leste bem baixo, Lua em finalzinho de ciclo, Mercúrio brincando distante do Sol...

Como você vê, caro Leitor, acordar bem cedinho, ainda antes do nascer do Sol, tem suas imensas vantagens!





O APARENTE CAMINHO
DE MERCÚRIO
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO:



Mercúrio encontrou-se com o Sol ao final do mês de Julho e começa o mês de Agosto ainda passeando ao longo do ventre do Caranguejo, a constelação de Câncer, andando em marcha-a-ré até o dia 08, quando volta a engrenar seu movimento direto e em busca do seu encontro com o Presépio, M44, belíssimo objeto, aglomerado aberto que acolhe estrelinhas-bebês, sempre disponíveis para nossa visão curiosa e encantada em tempos de céus escuros e transparentes e com Lua ausente.

Já para os primeiros dias de Agosto, em lugares de horizonte leste bem plano, podemos buscar e encontrar o Mensageiro dos Deuses e dos Homens ressurgindo nos céus estrelados, sempre antecedendo a chegada do Sol.

No dia 16 de Agosto, Mercúrio fará acontecer sua elongação máxima em relação ao Sol – neste momento, a 19º. – e também estará nos oferecendo a belíssima visão de seu encontro com a Lua já bem minguada e boêmia, ansiando por seu encontro com o sol, por seu momento de lua nova, no dia seguinte.

Se você quiser ver Mercúrio bem de perto, saiba de seu posicionamento em 15/08: Ascensão Reta 8h23.4m e Declinação 17º.54’. Sua magnitude será de 0,2.

Mercúrio, então passará a andar de maneira mais compassada e achegando-se mais ao encontro com nossa Estrela Maior...., de tal forma que mais para o final do mês de Agosto, não mais teremos o grande prazer de observar este Planeta no céu da madrugada.



NGC 2632 - M 44 - Aglomerado Aberto
Ascensão Reta 08h39m Declinação +20o.4
Magnitude fotográfica global 3,9 Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 7,5
Distância kpc 0,158 Diâmetro 90’ Tipo Espectral A0
Praesaepe, em Câncer.


O Presépio, M44: Situado entre as Mulas do Sul e do Norte, contendo mais de 300 estrelas fusionadas e entre Magnitude visual 6 e 12 - verdadeira maravilha de poder ser observada, como se fosse uma lua cheia de estrelinhas tímidas.
Um aglomerado situado na cabeça do Caranguejo, popularmente chamado de Colméia de Abelhas e conhecido pelos chineses pelo nome de Tseih, She Ke, Exalação dos Corpos Empilhados.
O Presépio representa a mangedoura onde Baco e Vulcano esconderam os dois jumentos.
Aselli. Gama e Delta Cancri.
Gama é chamada de Asellus Borealis e Delta, de Asellus Australis.
Asellus Australis situa-se exatamente na linha da Eclíptica enquanto Asellus Borealis fica um tantinho mais ao norte, porém ambas na mesma Ascensão Reta, quase 9h.
Aselli representam os anos (jumentos, mulas) escondidos por Baco e Vulcano durante a guerra entre os Deuses e os Titãs. O berro desses animais assustou de tal forma os Titãs que estes fugiram e os Deuses, em gratidão, carregaram ambos os jumentos e sua manjedoura (O Presépio, M44) para os céus.
As estrelas cor de palha conhecidas como a Mula do Norte (Delta) e a Mula do Sul (Gama), na língua latina asellus, situadas no corpo do Caranguejo.






O APARENTE CAMINHO
DE VÊNUS
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO:




Vênus, Estrela Matutina e Vespertina, veio alegrando e iluminando nossa vida nos primeiros meses do ano de 2012, no céu próximo ao horizonte oeste, ao cair da noite, buscando encontrar-se com Júpiter. Ambos, então, apresentaram-se bem juntos um ao outro em Fevereiro, Março e Abril... até que Vênus mergulhou no horizonte oeste, desaparecendo... e sendo seguida por Jupiter, um tantinho depois.

Nos dias 5/6 de Junho, tivemos a oportunidade ímpar de presenciarmos o Trânsito de Vênus sobre o Sol! Este é um evento que acontece em pares (o primeiro momento aconteceu em 8 de junho de 2004) e que pôde ser observado durante seis horas ! – infelizmente não para nós no Brasil – e somente acontecerá de novo em 10/11 de dezembro de 2117.



Credit: NASA/SDO, HMI
http://www.facebook.com/Milkyway.Nasa
http://www.flickr.com/photos/gsfc/7158852717/in/pool-1906599@N24/


Já no miolo do mês de Junho, essas duas luzes maravilhosas, Vênus e Júpiter, reapareceram nos céus estrelados, porém no horizonte leste, nas madrugadas anunciadoras do inverno.

Ao longo do mês de Julho, tivemos a bela oportunidade de termos uma boa razão para abandonarmos os cobertores que nos acolhem nas noites frias do inverno..., para observarmos a belíssima constelação do Touro acolhendo Júpiter primeiramente visitando as Irmãs que Choram, as Plêiades, enquanto Vênus o aguardava bem próxima a Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro, sua estrela-alpha Tauri, gigante alaranjada, maravilha de se ver nos céus estrelados da sonolenta madrugada!


Linda Menzies
big Island of Hawaii - em 10 de julho


Agora, em começo do mês de Agosto, Vênus já começa a dizer adeus ao Touro e a Júpiter, prometendo retornar no próximo ano...

Então, Vênus estará se encontrando com os Gêmeos Castor e Pollux, e galgando através seus pés, suas pernas, seus troncos... até encontrar-se com as estrelas-alpha e beta Geminorum mais ao final do mês de Agosto, começo do mês de Setembro!

Não perca o belíssimo evento que a Lua, minguando e boêmia, estará nos oferecendo na madrugada do dia 13, ao encontrar-se com Vênus, já nos pés dos Gêmeos.

No dia 15, Vênus estará alcançando sua maior elongação em relação ao Sol (46º.). Se você quiser observar Vênus bem de perto, seu posicionamento será de Ascensão Reta 6h28.4m e Declinação 19º.59. Magnitude -4.4, distante da Terra 0.705 AU.

GEMINI, OS GÊMEOS

Esta constelação representa Castor e Pollux, os filhos gêmeos de Leda e Júpiter.

A origem deste asterismo prende-se à coincidência de estar o sol nesta região do céu no período posterior às inundações do Nilo, precedendo a época da germinação e anunciando a fecundidade. Inscrições existentes no túmulo de Ramsés VI, do século XIIII AC, mostram dois brotos de plantas no lugar dos Gêmeos: e à semelhança desta representação, no Atlas Celeste de Bayer, Pollux é encontrado armado de uma foice.
Na antiguidade, a constelação dos Gêmeos foi freqüentemente representada pela figura de duas estrelas sobre um navio, pois Castor e Pollux são considerados divindades protetoras dos marinheiros e viajantes.


Vimos, em nossa edição do Jornal do Caminhante para o mês de Junho, que o ponto do Solstício acontece bem aos pés dos Gêmeos Castor e Pollux – onde Vênus estará presenciando por volta de 8 de agosto:

NGC 2168 - M 35 - Aglomerado Aberto
Ascensão Reta 06h07m Declinação +24o.21
Magnitude fotográfica global 5,6 Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 9,0
Distância kpc 0,87 Diâmetro 29’ Tipo Espectral B5
Esplêndido aglomerado aberto, visível a olho nu, a dois graus a noroeste de Eta Geminorum, o Pé Estirado. Formado por mais de 600 estrelas, está situado à distância de 1.500 anos-luz. Com um bom par de binóculos, são percebidas algumas estrelas e com um bom telescópio, cerca de 300!

Tejat Posterior- Delta Geminorum
Tejat Prior - Nu Geminorum
Ambas estas estrelas situam-se bem próximas à Eclíptica e vicinais à M35, belíssimo aglomerado aberto posicionado exatamente no caminho da Eclíptica.
Pé, nome proveniente do árabe Al Tahayi, usado para designar as partes superior e inferior do pé de um dos Gêmeos.
Propus - Eta Geminorum
O Pé Estirado, nome grego que procura indicar o fato de esta estrela estar situada no pé estirado de Castor.


Com o andamento do mês de Agosto, estaremos vendo Venus começando realmente a galgar as pernas dos Gêmeos Castor e Pollux:


Dirah. Nu Geminorum.
Uma estrela dupla, amarela e azul, no pé esquerdo do Gêmeo ao norte. De Al Dirah, a Semente ou o Galho.
Alhena. Gama Geminorum.
Magnitude visual 1.93 - Distância 105 anos-luz.
Uma estrela branca e brilhante no pé esquerdo do Gêmeos ao Sul. De Al Han’ah, uma Marca Queimada. A Marca de Ferro - denominação árabe formada, na realidade, pelas estrelas Gama e Xi dos Gêmeos, que indica o estigma feito no pescoço dos camelos.

Mebsuta - Epsilon Geminorum
Magnitude visual 3 - Distância mais de 1.000 anos-luz do Sol.
A Estirada, vocábulo que, na uranografia árabe, refere-se à para estirada do Leão.
Mekbuda - Zeta Geminorum
A Pata Encolhida, referindo-se à pata encolhida do Leão que os árabes imaginavam na atual constelação dos Gêmeos.


Vasat. Delta Geminorum.
Uma estrela dupla, branco pálido e vermelho, situada no braço direito do Gêmeo ao Norte. De Al Wasat, o Meio - o meio da constelação.


Venus passa bem próximo à uma Nebulosa Planetária muito interessante, a Cara de Palhaço:

NGC 2392 - Nebulosa Planetária
Uma nebulosa planetária denominada Esquimó ou Palhaço. Em volta da estrela central de magnitude 10.0 existe um anel interior e brilhante separado por um buraco negro de um anel exterior.

http://en.wikipedia.org/wiki/Eskimo_Nebula

NGC 2392 - Gemini - Nebulosa Planetária - Cara de Palhaço
Ascensão Reta 07h28m Declinação +20o.57
Tipo Nebulosa Planetária NP Dimensão 0,3 Magnitude 18
Magnitude da Estrela associada 10 Distância em anos-luz 10,0

NGC 1443 - Gemini - Nebulosa Resto de Supernova
Ascensão Reta 06h16m Declinação +22o.36
Tipo Nebulosa Planetária SN Dimensão 40,0 Distância em anos-luz 2,0


Ao final do mês de Agosto, Vênus encontra-se muito próximo às estrelas Beta e Alpha Gemini, Pollux e Castor, os Gêmeos!

Castor. Alpha Geminorum. Estrela Dupla
Ascensão Reta 07h 33,3m - Declinação + 31o 56’
Magnitude visual 1,99 e 2,9 - Distância 45 anos-luz
Distância entre estrelas 2”,47
Uma estrela binária, branco brilhante e branco pálido, situada na cabeça do Gêmeo ao norte. Representa Castor, o mortal entre os dois Gêmeos, famoso por suas habilidades em domar e tratar cavalos. Leda, esposa de Tindarus, rei de Esparta, é a mãe de Castor e Pollux.

Pollux - Beta Geminorum
Ascensão Reta 07h44,1m - Declinação +28o.05
Magnitude visual 1,21 - Distância 35 anos-luz
Uma estrela alaranjada situada na cabeça do Gêmeo ao Sul. Representa Pollux, filho de Júpiter e Leda, e é o imortal entre os gêmeos, famoso por sua habilidade no boxe. Muitas vezes chamado de Hercules e simbolicamente nomeado como um Juiz sem Coração.






O APARENTE CAMINHO
DE JÚPITER
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO:





Júpiter e Venus nos brindaram com maravilhosos espetáculos quando se encontraram, nos meses de Fevereiro, Março e ainda um tantinho de Abril, deixando os campos do Carneiro para entrarem nos campos do Touro, em horizonte oeste e mensalmente acolhendo a Lua recém Nova, fino anel de noivado.

Júpiter e Venus retornaram ao cenário dos céus estrelados no miolo do mes de Junho, ambos já em Touro, Jupiter conversando com as Irmas que Choram, as Pleiades, e Venus visitando Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro.


Vênus continuará seu caminho através os Gêmeos, em Agosto, enquanto Júpiter ainda estará nas vizinhanças, sempre galgando mais e mais alto nos céus estrelados da madrugada... até alcançar altura e distância com o Sol que o permita voltar a aparecer no horizonte leste ao começo da noite... com o andar da carruagem do tempo e do espaço...

Júpiter estará passeando pelos campos onde o Touro pasta ainda por um bom tempo pois ali chegou bem recentemente, em final de maio, e por lá ficará em seu vai-e-vem – que o levará novamente a encontrar-se com Aldebaran, a belíssima gigante alaranjada, em Dezembro – até Junho de 2013!



Morning Lineup: Pleiades, Jupiter, Venus and Aldebaran
http://asterisk.apod.com/viewtopic.php?f=29&t=28998&start=25#p179059
Copyright: Yuri Beletsky



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Taurus, o Touro
Posicionamento:

Ascensão Reta 3h20m / 5h58m Declinação +0o.1 / +30o.9

Fronteiras:
Taurus situa-se entre as constelações de Gemini, Auriga, Perseus, Áries, Cetus, Eridanus e Orion

Mito:
Júpiter ansiava por encontrar-se com Europa. Certa vez, disfarçou-se em touro e fez parte de uma manada até encontrar-se com a moça, numa praia. Europa sentiu-se encorajada com a placidez do touro e montou-o e foi quando Júpiter correu para o mar e levou a moça até a ilha de Creta. De acordo com outro mito, o touro representa Io a quem Júpiter transformou em vaca, para despistar o ciúme e a vigilância de Juno, sua mulher.
Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

A mais antiga de todas as constelações e talvez a primeira a ser delimitada pelos babilônios, que a utilizaram para marcar o início do ano, pois o equinócio da primavera, há 4000 AC, localizava-se neste asterismo. Aliás, o estudo de todos os antigos zodíacos mostram o seu início no Touro: o ano começava com o aparecer matinal das Pleiades na primavera, e o inverno, com o seu aparecimento vespertino no outono. O aparecimento das Pleiades em novembro era saudado como a festa dos mortos, que comemoramos até hoje. Povos da antiguidade, como os caldeus e hebreus, davam ao mês de novembro o nome de Pleiades.
No mais antigo de todos os zodíacos egípcios - o de Denderah -, a constelação do Touro está associada a Osíris, que era o deus especial do Nilo.
O nascer helíaco das Hyades, principal aglomerado do Touro, era associado à estação da chuva - donde a origem do seu nome, que significava ‘chover’.


Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes


Algumas Estrelas e alguns objetos interessantes, em Touro:

Aldebaran. Alpha Tauri.
Ascensão Reta 04h34,8m - Declinação +16o 28’
Magnitude visual 1,06 - Distância 68 anos-luz
Uma estrela gigante alaranjada marcando o olho esquerdo e sul do Touro.
Seu nome advém de Al Dabaran, Aquela que Segue. Aquela que vem antes da Estrela da Água, isto é, das Pleiades. Formava uma das quatro estrelas reais ou guardiãs dos céus entre os persas cerca de 3.000 anos a.C, quando, enquanto Guardiã do leste, marcava o Equinócio Vernal - as outras estrelas eram Regulus, Antares e Fomalhaut.
Aglomerado Aberto Taurus - Hyades
Ascensão Reta 04h19m Declinação +15o.35
Magnitude fotográfica global 0,8 Distância kpc 0,040
Diâmetro 400’ Tipo Espectral A2
Hyades - Aglomerado em movimento
Grupo de mais de 200 estrelas que circundam Aldebarã e que se deslocam todas para um mesmo ponto do céu, próximo a Betelgeuse, a estrela-alpha de Órion. Estas estrelas são um aglomerado aberto e seu desenho forma a cabeça do Touro. Todas as estrelas encontram-se em movimento em conjunto e por esta razão as Hyades são chamadas de Aglomerado em Movimento do Touro. A estrela Alpha Tauri, Aldebarã, gigante alaranjada, adorna as Hyades como se fosse uma gema brilhante porém não é membro desse aglomerado por se situar cerca da metade do caminho entre o centro das Hyades e nosso Sol.


M 45 - Aglomerado Aberto Taurus- Plêiades
Ascensão Reta 03h45m Declinação +24o.04
Magnitude fotográfica global 1,6 Distância kpc 0,125
Diâmetro 120’ Tipo Espectral B6
Distância: cerca de 350 anos-luz.
Aglomerado de mais de 400 estrelas em uma área de um grau de diâmetro e facilmente visível a olho nu.
As Pleiades ou Atlântidas eram as sete filhas de Atlas e Pleione, seis das quais podem ser vistas a olho nu e uma invisível ou “perdida”. Elas eram as companheiras virgens de Diana e foram levadas para o céu para escaparem do Gigante Orion que as importunava. De acordo com outro mito, foram para o céu por causa de suas tristezas com o destino de seu pai, Atlas, que carregava o mundo nas costas. Seus nomes são: Alcyone, Maia, Electra, Merope, Taygette, Celaeno e Sterope,
com a adição dos pais, Atlas e Pleione.





O APARENTE CAMINHO
DE MARTE E DE SATURNO
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO
E VISITANDO AMBOS A CONSTELAÇÃO DA VIRGEM
– bem ao lado de Spica, a estrela-alpha Virginis:








Saturno e Marte despedindo-se da Estrela Alpha Virginis, Spica, prometendo retornar... Saturno em mais 30 anos à frente e Marte em mais dois anos e tanto à frente...


Mario Jaci Monteiro – Cartas Celestes


Saturno, o Senhor dos Anéis, depois de passar meses e meses ladeando a belíssima estrela-alpha Virginis, Spica, a Espiga de Trigo, vai finalmente seguir seu caminho adiante, prometendo despedir-se da constelação da Virgem após dois anos e tanto de visita... e adentrar a constelação da Balança mais para os meses do final do ano de 2012.

Marte, o Planeta Vermelho, nos brindou durante meses a fio com sua visão de passear junto ao garboso Leão, desde Regulus, estrela-alpha Leonis, até Denebola, estrela-beta Leonis, ou seja, desde seu pé até a ponta de sua cauda... e então seu retorno até quase novamente se avizinhar a Regulus... e novamente, então, pegar força combustora para saudar o Leão e ao mesmo tempo despedir-se do mesmo... até bem recentemente, ao final do mês de Junho, adentrar a famosa Virgem, sempre através seus cabelos, seu rosto, descendo pelo seu braço e até encontrar sua mão que acolhe a estrela-alpha Virginis, Spica, a Espiga de Trigo, onde também Marte estará encontrando-se com Saturno, o Senhor dos Anéis!

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Em nossas edições passadas, desde que Saturno veio visitando a Virgem e beijando Spica..., viemos comentando muitíssimo sobre esta constelação virginal, descrevendo seus vários Mitos, suas Estrelas, muitas de suas Galáxias... Convido, então, meu caro Leitor e buscar edições anteriores do Jornal do Caminhante, certamente.

A visita de Marte à constelação da Virgem e seu belíssimo encontro com sua estrela-alpha Spica ao mesmo tempo em que estará realizando seu encontro com Saturno, será um evento que estará enchendo nossos olhos de deslumbramento... porquanto a proximidade desse Encontro Triplo – Marte, Spica, Saturno – fará acontecer (e já vem acontecendo desde os dias finais do mês de Julho) alguns Triângulos muito interessantes e pude trazer a você, caro Leitor, ilustrações dos mesmos para os dias 07 e 17 de Agosto, com Marte ainda ansiando encontrar-se com Spica e Saturno e com o Planeta Vermelho já tendo realizado este seu desejo e já se pondo a caminho para seus novos rumos...

A bem da verdade, os dias 12, 13 e 14 de Agosto nos deixarão observar Marte, Spica e Saturno formando uma quase linha reta. Na noite do dia 12, veremos Marte passando ao norte de Spica, 1.9º.



Marte ansiando encontrar-se com Saturno e Spica, dia 7.


Marte já tendo realizado seu desejo, dia 17.




Enquanto estes Triângulos formados por Saturno e Spica e Marte vão acontecendo, a Lua estará mais escondida, de Lua Minguante a Lua Nova... Quando a Lua novamente aparecer no horizonte oeste, fininha como um anel de ouro de casamento ou de noivado, estará prometendo encontrar-se com a Virgem acolhedora da bela estrela e dos Planetas Vermelho e Senhor dos Anéis, já na noite do dia 21 de Agosto.

Não somente Marte e Saturno estarão encetando seus rumos e despedindo-se ambos da Virgem, cada qual a seu tempo e espaço... também nós estaremos começando a nos despedir da belíssima cena do duo Saturno/Spica durante meses e meses e mais recentemente, da entrada em cena e a formação do trio através Marte... Ou seja, a constelação da Virgem e suas estrelas e os Planetas que ali estiverem passeando estarão todos em breve – mais para o final de setembro - sendo engolidos pelo horizonte oeste... para retornarem aos nossos olhos saudosos, um mês e tanto mais tarde, em novembro, já com Marte concluindo sua visita à constelação da Balança e intencionando adentrar o Escorpião e com Saturno efetivamente despedindo-se da Virgem e cumprimentando a Balança – onde estará passeando pelos próximos dois anos e tanto.


Ilustração extraída da Revista Astronomy, edição virtual de Agosto



URANO, NETUNO E PLUTÃO

Urano mergulhando abissalmente nos mares dos Peixes

Netuno entre as ondinhas marolantes do Aquário, realizando seu momento de Oposição ao Sol

Plutão, mesmo destronado, permanece em sua majestade


URANO
os Céus Estrelados



Posicionamento de Urano a 15 de Agosto:
0h30.4 – Ascensão Reta
2º.28’ – Declinação


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Urano foi descoberto em 1781 por W. Herschel, um organista alemão que morava em Bath, na Inglaterra.

Urano é um planeta gigante sua rotação de Urano é bem diferente: seu eixo rotacional acontece praticamente unto com seu plano orbital. O tempo da rotação dura aproximadamente 17 horas. Mais extraordinário ainda é a posição do eixo magnético do Planeta, que se inclina em 55 graus em relação ao eixo rotacional. Urano possui um campo magnético bem poderoso. O planeta e seu sistema inteiro de satélites gira sobre seu lado. Numa distância de 1.784 milhões de milhas do sol, Urano desenvolve uma órbita de 84 anos terrestres em torno do sol. Urano deve ter sofrido uma grande colisão com um imenso objeto: ele é inclinado em seus lados, comparado aos outros planetas.

O equador em Urano corre perpendicularmente à sua órbita ao redor do sol. Os eixos rotacionais e orbitais são praticamente alinhados; dessa forma, nós podemos ver Urano virado mostrando seu pólo a cada 42 anos.

Em 11 de dezembro de 2011, URANO, o Deus dos Céus Estrelados, retomou seu movimento direto nas proximidades da fronteira da constelação dos Peixes, onde vem mergulhando abissalmente desde o ano passado e por onde ainda continuará abissalmente mergulhado por cerca de mais sete anos à frente....

O Planeta Verde estará nadando cerca de um palmo nos mares dos Peixes até finalmente engendrar seu movimento de marcha-a-ré no miolo do mês de Agosto, recuando aparentemente cerca de meio palmo até que, no miolo do mês de dezembro de 2012, estará novamente retomando seu movimento direto.

Certamente, se acaso você tiver um bom telescópio em casa, poderá tentar encontrar o Planeta Verde nadando entre as estrelinhas bem pouco iluminadas da constelação dos Peixes, não custa tentar!

Ao final do mês de Setembro, aproveite a boa oportunidade do tempo de Oposição entre SOL e URANO e use sua aparelhagem de astronomia buscando bem focalizar o Planeta Verde, URANO...





NETUNO:
Oposição de Netuno ao Sol em 24 de agosto
– excelente momento para fotografar o Planeta Azul!



Posicionamento de Netuno a 15 de Agosto:
22h16.2 – Ascensão Reta
- 11º.24 – Declinação

O astrônomo inglês Adams e o astrônomo francês Leverrier, independentemente entre si, calcularam a posição do oitavo Planeta - que tinha indicado sua existência a partir dos efeitos gravitacionais provenientes de Urano. No entanto, foi em 23 de setembro de 1846 que dois astrônomos berlinenses, Galle e D’Arrest, encontraram o Planeta Netuno, não mais do que um grau de sua calculada posição.

NETUNO, o deus dos sonhos e dos mares, encontra-se na fronteira entre as constelações do Capricórnio e do Aquário - onde esteve ao longo do ano de 2011 e por onde ainda pretende estar ao longo do ano de 2012, em função de seu andamento bem lento, realmente.

NETUNO é um Planeta bem longínquo e exige aparelhagem consistente para ser observado em telescópios bem simpáticos.


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Por volta do dia 24 de Agosto, aproveite a boa oportunidade do tempo de Oposição entre SOL e NETUNO e use sua aparelhagem de astronomia buscando bem focalizar o Planeta Azul, NETUNO.....





PLUTÃO:
Quem foi Rei, nunca perde a Majestade


Posicionamento de Plutão a 15 de Agosto:

18h29.9 – Ascensão Reta
- 19º.31’ – Declinação


Página 41 da edição virtual de Astronomy, Kalmach Publishing Co., Agosto de 2012


Pobre Plutão, sempre motivo de concórdias e de discórdias: ora o tratam como Planeta, ora o tratam como Planetóide ou Planeta Anão. No entanto, sabemos que quem é Rei nunca perde sua Majestade!

Plutão esteve em Oposição ao Sol ao final do mês de Junho e portanto, ainda pode ser bem observado e fotografado ao começo do mês de Agosto, sem dúvida alguma.

Este Planeta caminha extremamente devagar – sua volta ao Sol dura 248 anos! -, e vem encontrando-se um tantinho abaixo de Scutum, o Escudo, ao norte fronteiriço entre o Escorpião e o Sagitário.

Plutão foi descoberto por Clyde Tombaugh no ano de 1930. Até o ano de 2006, Plutão foi considerado Planeta, sendo destronado deste posto a partir de então, infelizmente.

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A órbita de Plutão é altamente inclinada em relação à eclíptica (mais de 17°) e excêntrica. Devido a essa excentricidade, uma pequena parte da órbita de Plutão está mais próxima do Sol do que a de Netuno. A última vez que Plutão ficou mais próximo do Sol do que Netuno foi entre 7 de fevereiro de 1979 e 11 de fevereiro de 1999.






O APARENTE CAMINHO DA LUA
AO LONGO DO MÊS DE AGOSTO DE 2012





Olhe para o céu e aproveite para saber um tantinho mais sobre os Mitos e Dados Técnicos de algumas Estrelas e Constelações que iluminam o Céu Estrelado!

Duas Luas Cheias em Agosto – nos dias 01 e 31:
a segunda Lua Cheia de um mês é chamada de Lua Azul, Blue Moon



Ilustração extraída da Revista virtual Astronomy – edição de Agosto


DIA 01 DE AGOSTO – LUA CHEIA.
A Lua Cheia estará acontecendo com a Lua adentrando a constelação do Capricórnio. Veja que a grande maioria das estrelas simplesmente desaparecem em tempos de tanta luminosidade! Podemos ver Marte e Saturno e Spica, estrela-alpha Viginis, certamente, bem como Arcturus, estrela-alpha Bootis, podemos ver Altair, estrela-alpha Aquilae, e Vega, estrela-alpha Lyrae, e completando o Triângulo do Norte, Deneb, estrela-alpha Cygnus. Também Antares, estrela-alpha Scorpii é vista assim como as estrelas alpha e beta Centauri, Rigel e Hadar. O Cruzeiro do Sul se apresenta diante de nossos olhos sulistas e aguardamos a entrada em cena de Achernar, estrela-alpha Eridani. E penso que a estrela-alpha Piscis Austrinus, Fomalhaut, também nos brinda com sua presença...




DIA 02 - A Lua passeia todo o dia ao longo do Capricórnio, sempre escondendo suas estrelas tímidas formadoras da figura triangular deste asterismo. No entanto, quando a noite desce, a Lua ainda Cheia se apresenta na fronteira bem pouco visível entre as constelações do Capricórnio e do Aquário.



DIA 03 – Lua nadando nas ondinhas ziguezagueantes do Aguadeiro..., através suas estrelinhas muitíssimo tímidas e que somente se mostram em noites sem Lua...
No lugar onde moro, Sitio das Estrelas, a noite vem caindo após as dezoito horas somente... mas, mesmo assim, ainda teremos cerca de uma hora de céus escuros e transparentes até vermos os rojões iluminados e embranquiçados advindos do horizonte leste, anunciando a chegada da Lua, por volta de 19:30 e já mostrando um ladinho mais escurecido, mais murchento, digamos assim.



DIA 04 - A Lua, chegando somente por volta das 20:30 e bem mais murchinha, vem mergulhando no Aquário... enquanto vemos que Marte, Saturno e Spica, estrela-alpha Virginis, já estão voltados para esconderem-se no horizonte oeste.



DIA 05 – A Lua, chegando somente por volta de 21:40 e mais e mais murchinha, já apresenta-se inteiramente mergulhada nos mares dos Peixes e bem abaixo do Grande Quadrado de estrelas que formam o Cavalo Alado Pegasus.

Já que podemos usufruir de cerca de três horas e tanto de céus escuros e transparentes, por que não observarmos em bom estilo o Grande Triângulo formado pelas estrelas Altair, alpha Aquilae, Vega, alpha Lyrae e Deneb, alpha Cygnus?
Antes de a Lua chegar no horizonte leste, podemos nos deixar encantar pelo braço da Via Láctea que atua por entre estas estrelas... e estudar mais um tantinho sobre as mesmas, seus Mitos... por que não?
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Trecho extraído do meu trabalho Sobre a Constelação da Lyra, em http://sobrelyra.blogspot.com:

Para os chineses, coreanos e japoneses, Vega, a estrela Alpha Lyrae, formava um dos pontos concluidores da Ponte da Via Lactea - sendo que o outro ponto concluidor situava-se na estrela Altair, Alpha Aquilae, e ainda esta Ponte poderia acolher Deneb, Alpha Cygnus. Se olharmos uma Carta Celeste com boa acuidade ao representar o leito de estrelas esfumaçadas da Via Láctea, poderemos constatar que na altura das constelações Cauda da Serpente, Escudo, Hercules, passa a acontecer um hiato, um vazio, uma ausência, uma brecha, uma fissura, um caminho escurecido e sem a visão do leito de algodão.

Este caminho de vazio é como se fosse um Rio entremeado por duas margens da Via Láctea, e vai seguindo, passando pela constelação Aquila e finalizando na constelação Cygnus - embora as cartas celestes bem acuradas nos mostram que existem duas lagoas ainda antes de entrar em cena a estrela Deneb, a Cauda do Cisne.

Pelo fato da constelação Lyra não ser tocada pela parte da Via Láctea que atua enquanto uma das margens desse Rio e pelo fato de a estrela Alpha Cygnus, Deneb, já estar plenamente situada no reencontro das duas margens desse Rio do Vazio (denominação minha) ..., cabe à estrela Altair, Alpha Aquilae, atuar enquanto um dos lados da Ponte que Cruza o Rio do Vazio entre as Duas Margens compostas pela Via Láctea..., e cabe à estrela Vega, Alpha Lyrae, atuar enquanto o outro lado dessa mesma Ponte que Cruza o Rio do Vazio. Todas estas questões somente podem ser bem visualizadas ou em bons alfarrábios de cartas celestes que apontem este Tema ou através a visualização a olho nú desse Tema, estando o observador situado em lugares de céus escuros e transparentes, é claro.


Extraído da Revista Astronomy, edição de setembro de 1998, página 86.
A inserção dos nomes das estrelas Altair, Vega e Deneb (estrelas Alpha das constelações Aquila, Lyra e Cygnus, respectivamente) são minhas, Janine, bem como a inversão do mapa, para melhor visualização virtual.


Possivelmente, esta Ponte sugerida pelos povos antigos tinha por razão o bom direcionamento para alcançar Vega, aquela que é a mais brilhante das estrelas a atuarem enquanto Estrela Polar, aquela cujo lugar onde se encontra é denominado de o Apex do Sol (a direção para onde nosso Sol se encaminha), aquela que foi denominada pelos babilônios como A Mensageira da Luz. Não podemos nos esquecer a questão do Equador Galáctico que vai se insinuando através o delineamento irregular da Via Láctea mas que, no caso do Rio do Vazio traz bom sentido à Ponte imaginária entre as estrelas Altair e Vega - assim como podemos observar em alguns alfarrábios que traçam esta Linha passando bem próxima à Deneb porém afirmando o posicionamento de Altair e Vega em margens opostas.

E também o fato de a estrela Vega ocupar trono cativo a cada quase 26 anos em termos de estrela apontadora para o Pólo Norte Celestial, rendeu-lhe designação dos arcádios como A Vida do Céu e pelo assírios como Juiz do Céu. Os hindús incluíam o Tema do Pequeno Triângulo como 20o nakshatva, Abhijt, O Vitorioso, bem distante do caminho da Lua através a Eclíptica porém não podendo deixar de ser mencionado devido ao seu encantamento, ao seu esplendor e por ser traduzido em trazer bons augúrios.

O povo Chumash, nativo norte-americano, narrava em seus mitos sobre a constelação da Lira (bem como sobre a constelação do Cisne) um país dos mortos. Para este povo, as constelações envolvidas pela Via Láctea ou em seus arredores representavam desafios que somente as boas almas poderiam trazer a bom têrmo, serem bem-sucedidas, antes de adentrarem o país dos mortos - e a grande fissura na Via Láctea seria a indicadora desta passagem.


Existe uma lenda taoísta, chinesa, nos contando sobre uma tecelã - representada pela Estrela Alpha Lyrae, Vega - que um belo dia apaixonou-se por um jovem pastor - representado pela Estrela Alpha Aquila, Altair. No entanto, este amor era impossível de ser vivenciado em plenitude de união entre os amantes pois que, entre ambos, existia uma imensa fronteira, o leito da Via Lactea. Porém, dizem os antigos chineses taoístas que marido e mulher encontravam-se uma noite única no ano: a sétima hora do sétimo dia do sétimo mes. O Jovem Pastor, Altair, vinha encontrar-se com sua amada Tecelã, Vega, trazendo consigo as duas filhas do casal - que são as duas estrelinhas que sempre estão acompanhando a Estrela Alpha Aquila.

Eu penso que esta versão taoísta chinesa sobre Vega e a constelação da Lyra e sua comunhão constante, porém sempre também distanciada, com Altair e suas duas companheiras e a constelação da Águia, é uma história belíssima e faz jus aos desenhos de ambas as constelações. Ou seja, a constelação da Lyra se apresenta aos nossos olhos como um delicado tear, sim, sendo trabalhado em suas linhas delineadas por suas estrelinhas contidas em sua moldura através sua Tecelã, Vega, sua Estrela Alpha!

Sobre o encontro dos dois amantes e suas duas filhas na sétima hora do sétimo dia do sétimo mes do ano, eu sinceramente ainda não entendi o porquê dessa escolha desse exato momento - o que parece significar a noite alta do dia 7 de julho, quando existe um festival comemorando esse doce encontro.


Felizes eram os povos antigos que podiam deixar que seus corações alçassem vôo juntamente com as estrelas Alpha representativas dos Pássaros que compõem o Grande Triângulo - Altair, Vega e Deneb - e deixar suas imaginações ir ainda bem mais distante do que a visão a olho nú dessas constelações e suas estrelas, muito mais além, certamente, e trazer à tona de seus inconscientes mitos tão interessantes sobre a vida e a morte, sobre o ser Vitorioso por enfrentar os desafios da vida diante da sempre presente morte, por orientar-se pela Mensageira da Luz, por ousar cruzar a Ponte sobre o Rio do Vazio de maneira a alcançar a Vida do Céu e então enfrentar, com dignidade de seus atos bem realizados, o Juiz do Céu.

Felizes eram os povos antigos que podiam se deixar encobrir pelo manto de estrelas contando seus mitos, pelo manto das estrelinhas de algodão da Via Láctea, pelo manto do vazio do céu noturno escondendo seus segredos, segredos de vida e de morte.

Aliás, sabemos que jamais morreremos porque ‘somos todos poeira de estrelas’, ou seja, a vida no universo é sempre existente em sua constante transmutação de estados - Tema exposto através a exposição da mente dos povos antigos acerca a Ponte sobre o Rio do Vazio (denominação minha dada à fissura na Via Láctea que coloca em margens opostas as constelações da Lira e da Águia).

A Ponte entre a Vida e a Morte já havia sido cruzada por Eurídice (que não conseguiu realizar seu retorno, por inteiro) e por seu amado Orpheu que desceu aos mundos ínferos para buscar sua amada esposa e retornou ao mundos dos vivos para viver uma vida de tristeza... ( A dúvida sobre o retorno da morte em relação à vida é que lhe trouxe a tristeza para seu retorno à vida).

A Ponte entre a Vida e a Morte foi cantada elegendo a constelação da Lyra e sua estrela Alpha Vega como A Mensageira da Luz, como A Luz do Céu, O Vitorioso, O Juiz do Céu...

O mito sempre é estruturado em uma verdade; verdade essa contada a partir da formalização de um mito e essa formalização não pertence singularmente a um ser somente, bem ao contrário, faz parte da mente de muitos seres que comungam de uma mesma compreensão sobre uma mesma verdade e que, ao comunicarem entre si sobre estas questões, fazem acontecer o mito, trazem o mito de seus inconscientes para se tornar um mito consciente.




DIA 06 - A Lua chega por volta das 22:30 e ainda mergulhada nos mares dos Peixes, tendo a constelação de Andrômeda ao norte e a constelação de Cetus, a Baleia, ao sul.



DIA 07 – Lua chega por volta de 23:30 e vem concluindo seu mergulho nos mares abissais dos Peixes.


DIA 08 - Finalmente, a Lua deixa os mares e pisa em terra firme, nos campos onde o Carneiro pasta, e encontra-se a Lua com as estrelas alpha e beta Arietis, Hamal e Scheratan.


DIA 09 – Lua boêmia, agora bem madrugadora, concluindo sua passagem pelos campos do Carneiro e intencionando adentrar os campos do Touro.


DIA 10 – LUA MINGUANTE. Lua no Apogeu (252.110 milhas da Terra)
Lua chegando bem ao começo da madrugada, deixando a todos nós com tempo e espaço suficientes para bem observarmos o Céu Estrelado do Cair da Noite, fundamentalmente nos despedindo do triângulo famoso do momento, Saturno, Marte e estrela-alpha Virginis, Spica, bem como nos brindando com nossos estudos mais aprofundados sobre os objetos que podem ser encontrados ao longo do braço da Via Lactea lançado pelo Escorpião – assim como já comentamos no Tema Revirão da Via Lactea, neste Trabalho.

Lua nos campos do Touro, cumprimentando as Irmãs que Choram, as Plêiades, e prometendo se encontrar com Júpiter, no dia seguinte.


DIA 11 – LUA BEIJANDO JÚPITER (0.1º. sul) e também encontrando-se com Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro.

Desde o momento em que a Lua se tornou Lua Minguante e boêmia, chegando na madrugada e iluminando cada vez menos o céu e a terra, viemos tendo a possibilidade de bem observarmos o Céu Estrelado da Madrugada Sonolenta ainda antes da Chegada do Sol... e, certamente, viemos tendo a oportunidade de ansiar imensamente pela chegada da Lua na constelação do Touro e seu encontro com as Plêiades e então com Júpiter e Aldebaran... e seu desejo de encontrar-se, mais adiante, com Vênus aos pés dos Gemeos e ainda com Mercúrio em quase fronteira de Caranguejo!


Fantástica Chuva de Meteoros culminando em 12 de Agosto:
são esperados cerca de 60/80/100 meteoros por hora! – em tempo de Lua já Minguando...


Talvez seja interessante começar a observação já a partir da uma hora da madrugada... para ser abençoado/a com cerca de 100 meteoros podendo ser observados por hora... – mesmo que a constelação de Perseus ainda não esteja inteiramente apresentada em nossos céus mais ao sul... porque a Lua já Minguando deverá entrar em cena por volta das duas da madrugada, conjunta a Jupiter e formando bela visão... porém também trazendo sua iluminação encantadora aos céus estrelados e deixando muitos meteoros se esconderem...



DIA 12 – Marte beijando Spica, estrela-alpha Virginis (1.9º. norte) e ambos sendo testemunhados por Saturno.
Lua, sempre chegando mais e mais em alta madrugada e cada vez mais murchenta e pouco iluminada, conclui sua passagem pelos campos do Touro.


DIA 13 – Lua beijando Vênus (0.6º. norte), aos pés dos Gêmeos Castor e Pollux.


DIA 14 – Lua galgando pelas pernas dos Gemeos Castor e Pollux, achegando-se mais e mais ao horizonte Leste, em busca de seu momento de conclusão do ciclo atual e de começo de um novo ciclo...


DIA 15 – Vênus em sua elongação máxima ao leste (46º.)
Lua conversando com Castor e Pollux, Lua de final de ciclo, pedacinho de Lua somente...





DIA 16 – Lua beijando Mercúrio (4º. sul) em Câncer.
Mercúrio em sua maior elongação ao leste (19º.)





DIA 17 – Marte beijando Saturno (3º. Sul), sendo testemunhados por Spica, estrela-alpha Virginis.

LUA NOVA. Um novo ciclo de Lua tem seu início. Lua deixando o Caranguejo e adentrando os campos onde o garboso Leão pasta, encontrando-se com Regulus, estrela-alpha Leonis, longe ambos de nossos olhos.

Por que não aproveitarmos esses tempos de Lua Nova, Recém Nova até seus momentos de Lua Crescente para bem podermos observar Os Céus Estrelados da Madrugada...., que ainda acolhem Júpiter e Vênus e, quem sabe, um tantinho de sorte, Mercúrio antes da chegada do Sol?


DIA 18 - Lua Recém Nova, ainda passeando ao longo do garboso Leão e aprontando-se para retornar à cena diante de nossos olhos, porém em horizonte oeste, ao cair da noite.


DIA 19 – Lua buscando seu encontro com a estrela-beta Leonis, Denebola, a cauda do Leão, e já ousando se apresentar através seu finíssimo anel dourado de noivado em horizonte oeste bem baixo.

Agora que a Lua retornou aos céus estrelados do cair da noite, já podemos nos deixar embevecer pela visão da Lua galgando os céus em direção ao seu Encontro com Marte e Saturno e Spica, estrela-alpha Virgnis, os três dando o maior show da temporada?


DIA 20 – Lua deixando o Leão e adentrando os cabelos e o rosto da Virgem, ansiando por fazer parte do trio iluminado que vem nos encantando a mente e o coração!



DIA 21 – Lua recém Nova beija Spica, estrela-alpha Virginis (1.0o. sul). Lua Recém Nova beija Saturno (5º. Sul). Marte testemunhando e fazendo parte desta maravilhosa cena!




DIA 22 – Lua recém Nova beijando Marte (2º. Sul), evento sendo testemunhando por Saturno e pela estrela-alpha Virginis, Spica.


DIA 23 – Lua no Perigeu (229.739 milhas da Terra).
Lua entrando na constelação da Balança e cumprimentando suas estrelas alpha e beta, Zubenelgenubi e Zubenelschemalli.


DIA 24 – LUA CRESCENTE.
Oposição de Netuno ao Sol – momento extremamente favorável para fotografarmos o Planeta Azul, Deus dos Sonhos e dos Oceanos.

A Lua Crescente estará desaparecendo no horizonte oeste por volta da meia-noite e com isso, é certo que então poderemos encontrar céus mais escuros e transparentes, fundamentalmente em torno à constelação do Aguadeiro, onde Netuno vem mergulhando em suas águas ziguezagueantes formadas por suas estrelinhas bem tímidas...

Vemos que o Aguadeiro vai estar posicionado bem no zênite, no meio do céu, quando a Lua estiver se escondendo: Netuno que nos aguarde!






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DIA 25 – Lua deixando a Balança e adentrando a Cabeça do Escorpião e descendo por sua garganta até encontrar-se com seu Coração, a estrela-alpha Scorpii, Antares, a rival de Ars, Marte.


DIA 26 – Após encontrar-se com Antares, a Lua escolhe o rumo que passa através o Serpentário, Ophiucus, a décima-terceira constelação do Zodíaco. É pena que a Lua já está tão iluminada que não dá para observarmos asterismos maravilhosos como a Cabeça da Serpente, Serpens Caput, tomando conta da Corona Boreal...


DIA 27 – Lua sempre voltada para seu passeio pelos lugares que tomam direção rumo ao centro da Galáxia... e prometendo ir tomar o chá das cinco com o Bule de Chá em Sagitário!


DIA 28 – Lua em Sagitário porém já ansiando por adentrar os pedregulhos em montanhas altas onde a Cabra do Capricórnio gosta de morar.


DIA 29 - Lua em Capricórnio, chegando no céu cor de anil da tarde preguiçosa de final do mês de Agosto, tarde ainda hibernal, linda, imensa, querendo ser olhada de perto, Lua já ansiando por seu momento ímpar de tornar-se uma LUA AZUL, BLUE MOON!


DIA 30 – Lua concluindo sua passagem pela constelação do Capricórnio e já intencionando mergulhar nas águas ziguezagueantes da constelação do Aguadeiro.... mas é interessante observarmos que existe um entrelaçamento imenso entre essas duas constelações.


DIA 31 – LUA CHEIA, LUA AZUL, A SEGUNDA LUA CHEIA DO MÊS!
A LUA AZUL, BLUE MOON, pode se referir à terceira Lua Cheia em uma Estação do Ano com quatro Luas Cheias. A maioria dos anos possui doze Luas Cheias que ocorrem aproximadamente a cada mês. Em adição a estes doze ciclos completos ciclos lunares, cada ano solar contém normalmente onze dias mais do que o ano lunar de 12 lunações. Os dias extras vão acumulando e, dessa forma, a cada dois ou três anos, existe uma Lua Cheia extra.

Trecho extraído de Blue moon - From Wikipedia, the free encyclopedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Blue_moon e traduzido literalmente por Janine


Blue Moon
Richard Rodgers / Lorenz Hart


Blue moon,
you saw me standing alone
without a dream in my heart
without a love on my own
Blue moon,
you knew just what I was there for
you heard me saying a prayer for
somebody I realy could care for

And then there suddenly appeared before me,
the only one my arms will ever hold
I heard somebody whisper, "Please adore me"
and when I looked,
the moon had turned to gold

Blue moon,
now I'm lo longer alone
without a dream in my heart
without a love of my own
http://lyricskeeper.com.br/pt/billie-holiday/blue-moon.html



É sempre um momento muitíssimo emocionante quando a Lua Cheia anuncia sua vinda e efetivamente surge no horizonte Leste ainda colorido pelo entardecer, pelo final do dia, pelo começo do cair da noite... enquanto o horizonte Oeste ainda possui um tanto de colorido de adeus ao Sol...

Saturno, o Senhor dos Anéis, já vem começando a nos mostrar seu distanciamento de Spica, estrela-alpha Virginis – mesmo que ainda quase imperceptível -, enquanto Marte, sempre guerreiro e avermelhado e Tema do Mês em função da visita de Curiosity em suas terras..., vem mostrando seu real distanciamento de Saturno e de Spica... já rumando em direção à Balança.





Algumas das Referências Bibliográficas:

Morning Lineup: Pleiades, Jupiter, Venus and Aldebaran
http://asterisk.apod.com/viewtopic.php?f=29&t=28998&start=25#p179059
Copyright: Yuri Beletsky
Stargazing

Linda Menzies
big Island of Hawaii - em 10 de julho

Milky way by moonlight
http://asterisk.apod.com/viewtopic.php?f=29&t=28772#p177063
Copyright: Emilio Rivero Padilla

http://asterisk.apod.com/viewtopic.php?f=29&t=28772&start=125#p178592
Copyright: Rafael Defavari
Credit: NASA/SDO, HMI

Trecho extraído de Blue moon - From Wikipedia, the free encyclopedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Blue_moon e traduzido literalmente por Janine

http://www.facebook.com/Milkyway.Nasa
http://www.flickr.com/photos/gsfc/7158852717/in/pool-1906599@N24/
http://en.wikipedia.org/wiki/Eskimo_Nebula
www.heavens-above.com
www.astronomy.com – edição virtual de Agosto de 2012

http://lyricskeeper.com.br/pt/billie-holiday/blue-moon.html

- Richard Hinckley Allen, Star Names, Their Lore and Meaning, Dover Publications, Inc, New York, USA

- Ilustrações extraídas do programa Stellarium 0.11.1 e invertidas em suas cores originais através o Programa Photo-Paint X3 e configuradas para o ponto-de-vista de um observador no hemisfério sul - Latitude 22s52 e Longitude 43w00; com exceção da Ilustração para o lugar do eclipse anular do Sol, no dia 20.

- Os Textos que aparecem em fonte verde escuro são extraídos de meu Trabalho Da Terra ao Céu e ao Infinito, as 88 constelações do céu estrelado - ainda não publicado por completo porém sendo publicado em extratos, ou seja, uma constelação por vez. - Alguns Textos extraídos dos meus trabalhos sobre as constelações da Virgem e da Lira: http://sobrevirgo.blogospot.com e http://sobrelyra.blogspot.com

- V. E. Robson - Stars and Constellations and Their Mythology – Samuel Weiser Inc., York Beach, Maine, USA

- Ronaldo Rogério de Freitas Mourão - Atlas Celeste - 6a. Edição - Editora Vozes, Petrópolis, 1986

- Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes -
Apoio: CARJ/MEC/CAPES/PADCT-SPEC



COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
JANINE MILWARD

Sítio das Estrelas
Parada de um caminho a Caminho do Céu

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