terça-feira, 28 de agosto de 2012

setembro de 2012 - Jornal do Caminhante

Urânia – Mural na escadaria do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, RJ
 
 
Sítio das Estrelas e Janine Milward
Apresentam

O JORNAL DO CAMINHANTE

Para os Simples Amantes dos Céus Estrelados

 
Ano 10 - Edição de Setembro de 2012

 
Temas Apresentados nesta Edição:

Equinócio
 Primavera para o hemisfério sul e Outono para o hemisfério norte, dia 22 de Setembro

 
Sol
 acompanhando o Leão e então adentrando pelos cabelos da Virgem e acariciando seu braço.

 
Mercúrio
acompanhando o Sol junto ao Leão, depois junto à Virgem  e então finalizando o mês
conjugando-se à Spica, estrela-alpha Virginis   

 
Vênus
despedindo-se de Castor e Pollux e passeando pelo Caranguejo, visitando o Presépio e finalmente pondo-se aos pés do Leão   

 
Júpiter
buscando pelos chifres do Touro  

 
Saturno
despedindo-se da Estrela Alpha Virginis, Spica,
ao mesmo tempo que buscando esconder-se no horizonte oeste  

 
Marte
rumando através os Pratos da Balança

 
Urano
realizando seu momento máximo do ano em sua Oposição ao Sol, dia 29

Netuno
entre as ondinhas marolantes do Aquário

Plutão
mesmo destronado, permanece em sua majestade    

 
Lua, doce e mutável Lua   
 Em seus Encontros com Constelações, Estrelas e Planetas!

 

 Caro Amigo das Estrelas, Caminhante do Céu e da Terra:

Eu sou absolutamente apaixonada pela visão do céu estrelado a olho nú e convido você a também me acompanhar nesta viagem estelar.  Moro no Sítio das Estrelas, Latitude 22s52 e Longitude 43w00 e, portanto, meus textos apresentam a visão que tenho do céu a partir desse ponto no Planeta Terra. 

Em minha Página http://oceudomes.blogspot.com , você poderá sempre encontrar meus textos mensais sobre  O Caminho Aparente do SOL, dos Planetas e da LUA.  Nesta Página, você também encontrará meu texto sobre Um Passeio pelo Céu Noturno do Sítio das Estrelas: Breve Roteiro de Viagem Celeste para as Quatro Estações do Ano.

Bons Estudos e Boa Observação!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

 
Os textos apresentados neste Jornal do Caminhante são, em sua quase maioria, de autoria de Janine Milward.   Ao final deste Trabalho, são encontradas algumas das demais Referências Bibliográficas em relação aos dados técnicos e mitológicos extraídos de Sites e de Livros.

Você pode imprimir e encadernar seu Jornal e também encaminhá-lo,
desde que sempre na íntegra e apresentando sua autoria e seus créditos. 

Obrigada, Janine

 

 

 

 

 

O APARENTE CAMINHO DO SOL
E DO PLANETA MERCÚRIO
AO LONGO DO MÊS DE SETEMBRO:

 

 

 

 

(Todas as Ilustrações para Sol e Mercúrio – ainda mostrando Vênus e Saturno e Marte e a Lua! – foram feitas para o horário de 13:00 e para a latitude e a longitude do Sítio das Estrelas, 22s52 e 43w00)

 

Mercúrio, o Mensageiro dos deuses e dos homens, encontra-se distante de nossos olhos e muitíssimo próximo ao Sol, ambos começando o mês de Setembro passeando junto ao garboso Leão!

 
Veja a Ilustração para o dia 01 de Setembro:


 

Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais através o Programa Photo-Paint X3  e configuradas para o ponto-de-vista de um observador no hemisfério sul - Latitude 22s52 e Longitude 43w00 – e invertida em suas cores originais para melhor visualização do Leitor.

 
Mercúrio inicia o mês de Setembro recém encontrando-se com a estrela-alpha Leonis, Regulus, enquanto o Sol continua seu passeio ao longo do corpo do Leão porém já tendo como meta encontrar-se com a estrela-beta Leonis, Denebola.
 
No entanto, quando o Sol encontra-se com Denebola, na verdade já está adentrando a constelação da Virgem - assim como veremos a seguir, na Ilustração do caminho do Sol e de Mercúrio já para o dia 15 de Setembro:

A bem da verdade, Mercúrio avançou mais rapidamente do que o Sol e encontrou-se com nossa Estrela Maior no dia 10, em conjunção superior, e então, já no dia 15, como podemos ver mais acima, o Mensageiro dos deuses e dos homens encontra-se na altura do ombro da Virgem, próximo à estrela Zaniah, Eta Virginis..., enquanto o Sol vem penteando seu cabelo, ao mesmo tempo que despede-se da constelação do Leão, bem abaixo de Denebola.  

 
 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 
 
Ainda na ilustração acima, para o dia 15 de Setembro, podemos observar a presença da Lua ansiando seu encontro com o Sol para formar uma Lua Nova, um novo ciclo de vida lunar, neste mesmo dia, um tantinho mais tarde!  No dia seguinte, 16 de Setembro, a Lua encontrou-se com Mercúrio.

 É interessante também observarmos o fato de que, numa mesma Ilustração, num mesmo escopo de visão, vamos encontrar as presenças de Vênus, de um lado, e de Saturno e Marte, de outro lado, com o Sol e Mercúrio entre estes Planetas – que estão no céu diurno, sim, acompanhando de perto, de certa forma, o Sol: Vênus já bem próxima de esconder-se no horizonte oeste e Saturno e Marte mais para o zênite e em direção ao horizonte leste.  Entre Vênus em Câncer e o Sol adentrando Virgem, existe a constelação do Leão.  E a entrada do Sol na imensa constelação de Virgem já faz acontecer o ‘engolimento’ de Saturno, certamente, enquanto Marte ainda se apresenta não tão próximo, porém na constelação seguinte, em Balança.  Vênus vem acontecendo no horizonte leste, na madrugada sonolenta, ainda antes do nascer do Sol, e Saturno vem se despedindo de nossos olhares, no horizonte oeste ao cair da noite, seguido de Marte.

 

DOIS DEDOS DE PROSA SOBRE A CONSTELAÇÃO DA VIRGEM
E SUAS ESTRELAS
E O PONTO DO EQUINÓCIO

– Outono para o hemisfério norte e Primavera para o hemisfério sul:

 
Virgem é a maior constelação dentre as 13 que fazem parte do Zodíaco, a Roda dos Animais: o Sol caminha pela Virgem do dia 14 de setembro ao dia 29 de outubro.

 Esta constelação é imensa e cortada pelas Linhas da Eclíptica e pela do Equador Celestial.  Existe o entrelaçamento destas duas Linhas - o que podemos traduzir como o Ponto do Equinócio de Outono, que acontece bem próximo à estrela Beta Virginis, Zavijava, situada na cabeça da Virgem. (É interessante conhecermos o fato de que o eclipse solar de 21 de setembro de 1922, aconteceu próximo a esta estrela e que foi por Einstein usada para confirmar sua teoria).

Em termos da Linha da Eclíptica e advindos da constelação do Leão, realizam seus caminhos aparentes o Sol e a Lua e os Planetas, adentrando todos pela Cabeça da Virgem, bem próximos à estrela Beta, Zavijava, e então passando pelo ombro e pelo peito, encontrando Zaniah, e, já na altura da Cintura, situa-se a belíssima Porrima.  Todas essas situações são testemunhadas pelas constelações da Taça e do Corvo, na fronteira ao sul.  Spica, o ramo de trigo na mão da Virgem, é praticamente o último momento em que a linha da Eclíptica toca realmente o corpo virginal, seguindo em direção à constelação da Balança e tendo a Hydra como fronteira ao sul. 

 
Mario Jaci Monteiro – As Constelações, Cartas Celestes

 
Em termos da Linha do Equador, é interessante observarmos o fato de que esta corta praticamente ao meio a figura delineada da Virgem, desde sua cabeça, seus cabelos, passando por seu rosto, por seu pescoço e ombros e entre seus peitos e avançando até encontrar a cintura e ainda descendo por uma de suas pernas até situar-se no entrecruzamento de suas panturrilhas e deixando a Virgem depois de tocar em um de seus pés.

O ponto de entrecruzamento das Linhas da Eclíptica e do Equador perfaz o Equinócio do Outono para o hemisfério norte e da Primavera para o hemisfério sul... e isso acontece no lugar que aponta bem proximamente entre o cabelo e o rosto da Virgem.

Para que bem possamos compreender a figura delineada da Virgem, algumas estrelas poderão nos servir como referência:  Spica, Alpha Virginis, apresenta o ramo de trigo carregado pela mão já ao sul da linha da Eclíptica, com a Hidra como testemunha;  Zavijava, Beta Virginis, aponta para o alto de sua cabeça, possivelmente já na altura da testa, com o Leão como testemunha; Zaniah  situa-se em um de seus peitos e Porrima, em sua cintura.   Caphir situa-se no cotovelo do braço esquerdo da Virgem e Vindemiatrix no ponto onde a mão esquerda segura seus longos cabelos, com a Cabeleira de Berenice como testemunha.  Heze situa-se na coxa da perna esquerda e Syrma, entre o joelho e a panturilha da perna direita.  Finalmente, Shambaliah situa-se ao pé da Virgem.  O Boeiro e a Cabeça da Serpente testemunham a perna esquerda e os pés da Virgem, respectivamente.

Existe também a interpretação de um Canil, formado pelas estrelas Beta, Eta, Gamma, Alpha, Zeta, Epsilon e Delta Virginis.  Eu diria que esta figura formada também pode ser compreendida como uma pandorga, papagaio, pipa soltada ao vento e ganhando os céus...

 
DIA 22 DE SETEMBRO: EQUINÓCIO

Primavera para nós, do hemisfério sul e Outono, para o hemisfério norte:

 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 

O Sol encontra-se no ombro da Virgem, testemunhado por Zavijava, estrela-beta Virginis, e Mercúrio já na altura do tornozelo do braço da Virgem,  em Porrima, estrela-gamma Virginis, ansiando por encontrar com sua mão que segura o feixe de trigo nomeado como estrela-alpha Spica.  Saturno já vem dizendo adeus à bela estrela azulada enquanto Marte já está inteiramente adentrado na Balança.  Naquele momento, também a Lua estará presente no céu do início da tarde, no momento do Equinócio, Lua perfazendo seu  ciclo de Crescente e ansiando apresentar-se bem ao zênite no cair da noite do dia 22 de Setembro!

 
Zavijava.  Beta Virginis. 
Magnitude 3.8
Uma estrela amarelo pálido situada na cabeça da Virgem. 

De Al Zawiah, o Ângulo, o Canil, o Recanto dos dois Vigias (possivelmente pelo fato de se encontrar bem próxima ao ponto do Equinócio do Outono) - porém também nomeada como A Gloriosa, A Bela. 

Os árabes chamavam esta estrela como Mashaha e os chineses, de Yew Chi Fa, a Mão Direita do Mantenedor da Lei.

Esta foi a estrela usada por Einstein para confirmar sua teoria, durante o eclipse solar de 21 de setembro de 1922, que aconteceu próximo a esta estrela. 

 

Veja a Ilustração para o dia 30 de Setembro:

 

 Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais

 
O Sol conclui o mês de Setembro bem próximo à estrela Porrima, estrela-gamma Virginis, enquanto Mercúrio satisfaz seu desejo de encontrar-se com Spica, estrela-alpha Virginis, e também o Mensageiro dos Deuses encontra-se tão próximo a Saturno (a esta altura, já praticamente sendo engolido pelo horizonte oeste...), encontro que acontecerá no dia 05 de outubro e certamente, distante de nossos olhos, que pena!

 
Spica.  Alpha Virginis. 
Ascensão Reta 13h 24,1m  Declinação -11o 03’
Magnitude visual 1,21 - Distância 220 anos-luz

Uma estrela binária branco brilhante no ramo de trigo  que a Virgem carrega em sua mão voltada para o sul. 
Freqüentemente chamada de Arista (nome também usado para designar esta constelação) e também conhecida como Azimech.

 Os hindus a conheciam como Citrã, a 12a. Nakshatra, como se fosse uma Lâmpada ou uma Pérola.  Na Babilônia e representando toda a constelação, era personifica como a Esposa de Bel ou a Guirlanda da Virgem.  Para os chineses, Spica significava a grande favorita, Kió, a estrela da primavera.  Era conhecida no Egito como Repã, o Senhor, e em tempos 3200 AC, um templo em Tebas foi erigido orientada através o poente de Spica.  Da mesma forma, já em 2000 AC, assim aconteceu para o templo do Sol.  Também assim aconteceu para dois templos na Grécia construídos quase tocando um ao outro, erigidos em 1092 e 747 AC.  Outros templos na Grécia antiga apresentaram a mesma orientação.

Foi através da observação desta estrela bem como de Regulus em cerca de 300 AC, anotada pelo alexandrino Timochares, que, após comparação com seus próprios apontamentos 150 anos mais tarde, Hiparchos trouxe para si o crédito de sua grande descoberta acerca a precessão dos equinócios - mesmo que os apontamentos da Babilônia e as orientações de construção dos templos no Egito e na Grécia, indicaram um conhecimento prático sobre esta questão.

 
Porrima  - Gamma Virginis - Estrela Dupla
AR 12h39m  Dec. - 01o.11
magnitude visual 2,7 e 3,6  Distância entre estrelas 3”,90

Nome latino da deusa da Profecia.
Os Latinos a chamavam também de Antevorta ou mesmo algumas vezes Postvorta, nomes de duas antigas deusas da profecia, irmãs e assistentes de Carmentis, venerado e invocado por suas mulheres.

Esta estrela Gamma foi especialmente mencionada como sendo Zaviat al Awwã, o Ângulo ou Esquina - Gamma situando-se a meio caminho entre Spica e Denebola, os lados do Canil estendendo-se ao norte e ao oeste e sendo marcado pelas estrelas Eta e Beta, Delta e Epsilone.

 

 
 

 

 

O APARENTE CAMINHO
DE JÚPITER E DE VÊNUS
AO LONGO DO MÊS DE SETEMBRO

 





 


(Todas as Ilustrações para Vênus e Júpiter foram feitas para o horário de 04:30 da madrugada
e para a latitude e a longitude do Sítio das Estrelas, 22s52 e 43w00)

 

Veja a Ilustração para o dia 01 de Setembro:

 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 

Desde o miolo do mês de Junho, Júpiter e Vênus vêm fazendo a festa em nossos céus da madrugada, primeiramente ambos posicionados na constelação de Touro e então, Vênus avançando seus passos em direção à constelação dos Gêmeos Castor e Pollux, de tal forma que agora, bem ao comecinho do mês de Setembro, Vênus encontra-se despedindo-se de suas conversas com os Gêmeos e já com toda a intenção de adentrar a constelação do Caranguejo enquanto Júpiter ainda conserva-se em andar manso, devagar quase parando... (porque estará realizando seu engate de movimento de marcha-a-ré já nos primeiros dias do mês de Outubro), orientando os chifres do Touro.

No dia 08 de Setembro, a metade de Lua, LUA MINGUANTE, estará se encontrando com Júpiter.  Em tempos de Lua Minguante, esta surge no horizonte oeste por volta da meia-noite.  Sendo assim, será também tempo de Júpiter nos brindar com sua encantadora presença!

 No dia 12, a Lua em final de feira, Lua murchenta e já desejosa de tornar-se lua nova (fato que acontecerá no dia 15), encontra-se com a bela estrela-matutina, Vênus, ambas avizinhando o belíssima aglomerado denominado de Presépio, M44 (que é como uma quase lua cheia prenha de mil estrelinhas tímidas que viajam todas juntinhas!).

O Presépio é um objeto realmente não muito fácil de ser visualizado a olho nu... isso acontece somente em lugares de céus escuros e transparentes e em noites sem lua.... Mesmo com a Lua já bem murchenta e iluminando um quase nada, eu diria que talvez não seja mesmo possível visualizarmos o Presépio – mesmo porque também Vênus espalha sua própria iluminação, disso não podemos duvidar!  Porém, se nos munirmos com um simples par de binóculos, teremos a satisfação inenarrável de presenciarmos esse belo momento nos céus estrelados da madrugada antecipadora da vinda do Sol.

 
Veja a Ilustração para o encontro entre Lua e Vênus na madrugada do dia 12 de Setembro:


 Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais

 

NGC 2632 - M 44 - Aglomerado Aberto
Ascensão Reta  08h39m     Declinação +20o.4
Magnitude fotográfica global  3,9   Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 7,5
Distância kpc 0,158      Diâmetro 90’      Tipo Espectral A0

Praesaepe, em Câncer.
Situado entre as Mulas do Sul e do Norte, contendo mais de 300 estrelas fusionadas e entre Magnitude visual 6 e 12 - verdadeira maravilha de poder ser observada, como se fosse uma lua cheia de estrelinhas tímidas.

Um aglomerado situado na cabeça do Caranguejo, popularmente chamado de Colméia de Abelhas e conhecido pelos chineses pelo nome de Tseih, She Ke, Exalação dos Corpos Empilhados.

O Presépio representa a mangedoura onde Baco e Vulcano esconderam os dois jumentos.

 

Mario Jaci Monteiro – As Constelações, Cartas Celestes
 
 
 
 
 

 

Veja a Ilustração para o dia 15 de Setembro:


 Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais

 
Vênus continua seu andamento ao longo da pequena e simpática e muitíssimo tímida em suas estrelas, constelação do Caranguejo. 

No dia 15, Vênus encontra-se exatamente num ponto desta constelação que é muitíssimo interessante pois nos revela duas estrelas denominadas de Aselli, as duas mulas, os dois jumentos, Gamma e Delta Cancri:

Aselli.  Gama e Delta Cancri. 
Gama é chamada de Asellus Borealis e Delta, de Asellus Australis.
Asellus Australis situa-se exatamente na linha da Eclíptica enquanto Asellus Borealis fica um tantinho mais ao norte, porém ambas na mesma Ascensão Reta, quase 9h.

Aselli representam os anos (jumentos, mulas) escondidos por Baco e Vulcano durante a guerra entre os Deuses e os Titãs.  O berro desses animais assustou de tal forma os Titãs que estes fugiram e os Deuses, em gratidão, carregaram ambos os jumentos e sua manjedoura (O Presépio, M44) para os céus.

As estrelas cor de palha conhecidas como a Mula do Norte (Delta) e a Mula do Sul (Gama), na língua latina asellus, situadas no corpo do Caranguejo.

 
Mario Jaci Monteiro – As Constelações, Cartas Celestes
 
 
 
Veja a Ilustração para o dia 30 de Setembro:


 Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais

 

Quando o mês de Setembro termina, Vênus já ultrapassou a fronteira entre as constelações do Caranguejo e do Leão e agora encontra-se aos pés deste último, querendo beijar sua estrela-alpha Leonis, Regulus.

Quanto a Júpiter, o imenso Planeta gasoso vem enfeitando nossa vida boêmia nos céus estrelados após a meia-noite e ao longo de toda a madrugada e sempre testemunhando a presença de Vênus como antecipadora da chegada do Sol.

Eu aconselharia o caro Leitor a tomar boa nota dos tempos em que a nossa Lua estará vivenciando seus ciclos entre Nova e Crescente (entre os dias 15 e 22 de Setembro) para bem observar as Luas jupiterianas/jovianas mais exaltadas aos nossos olhos curiosos atrás das lentes de um poderoso par de binóculos ou melhor ainda, de um simpático telescópio, simples telescópio!

 
 
 
 
Ilustrações extraídas da Revista virtual Astronomy – edição de Setembro


Em 1610, Galileo Galilei foi a primeira pessoa a compreender que as quatro pequenas “estrelas” que passavam alternadamente em frente e de um lado ao outro do Planeta, eram satélites de Júpiter.  É por isso que são chamados de Luas Galileicas: Io, Europa, Ganimede e Calisto.  Essas Luas podem ser observadas mesmo através um pequeno telescópio ou binóculos a partir de aproximação de 12 vezes, e seus movimentos mudam a cada dia - assim com Galileo pôde observar.

 

 

 

 

 

O APARENTE CAMINHO
 DE MARTE E DE SATURNO
AO LONGO DO MÊS DE SETEMBRO:

 

 

 

 

 

(Todas as Ilustrações para Saturno e Marte foram feitas para o horário por volta de  20:00
e para a latitude e a longitude do Sítio das Estrelas, 22s52 e 43w00)

 

Saturno, o Senhor dos Anéis, depois de passar meses e meses ladeando a belíssima estrela-alpha Virginis, Spica, a Espiga de Trigo, vai finalmente seguir seu caminho adiante, despedindo-se da constelação da Virgem após dois anos e tanto de visita... e adentrar a constelação da Balança mais para os meses do final do ano de 2012.  Este é o último mês do ano de 2012 em que podemos observar Saturno no horizonte oeste.... Quando Saturno retornar aos nossos olhos, será na madrugada sonolenta do horizonte leste, anunciando a chegada do Sol, já nos mês de novembro.

Marte, o Planeta Vermelho, nos brindou durante meses a fio com sua visão de passear junto ao garboso Leão, desde Regulus, estrela-alpha Leonis, até Denebola, estrela-beta Leonis, ou seja, desde seu pé até a ponta de sua cauda... e então seu retorno até quase novamente se avizinhar a Regulus... e novamente, então, pegar força combustora para saudar o Leão e ao mesmo tempo despedir-se do mesmo... até bem recentemente, ao final do mês de Junho, adentrar a famosa Virgem, sempre através seus cabelos, seu rosto, descendo pelo seu braço e até encontrar sua mão que acolhe a estrela-alpha Virginis, Spica, a Espiga de Trigo, onde também Marte esteve encontrando-se com Saturno, o Senhor dos Anéis!

A bem da verdade, Marte e Saturno e Spica deram um verdadeiro show de visão dos céus estrelados ao longo do mês de Agosto, formando várias formas triangulares e encantando nossa mente e nosso coração!

Em lugares de céus escuros e transparentes, realmente foi uma emoção poder bem visualizar a diferença entre as cores recepcionadas por nossos olhos: Spica, azulada; Saturno, amarelado e Marte, alaranjado!

Conjunction Colours
Image Credit &
Copyright: Phil Hart

Explanation: During the past week, nightfall on planet Earth has featured Mars, Saturn, and Spica in a lovely conjunction near the western horizon. Still forming the corners of a distinctive celestial triangle after sunset and recently joined by a crescent Moon, they are all about the same brightness but can exhibit different colors to the discerning eye. This ingenious star trail image was recorded as the trio set on August 12 with a telephoto lens from the shores of Lake Eppalock, in central Victoria, Australia. Focused on foreground eucalyptus trees, the image slightly blurs the trails to show more saturated colors. Can you guess which trail is which? Of course the reddest trail is Mars, with Saturn on the right a paler echo of the Red Planet's hue. Left is hot and luminous Spica, bluish alpha star of the constellation Virgo.
Authors & editors: Robert Nemiroff (MTU) & Jerry Bonnell (UMCP)
NASA Official: Phillip Newman
Specific rights apply.
NASA Web Privacy Policy and Important Notices
A service of:
ASD at NASA / GSFC
&
Michigan Tech. U.

 
http://apod.nasa.gov/apod/ap120823.html

 

Tem sido realmente muito interessante podermos observar o bom andamento de Marte a cada noite movimentando-se mais e mais adiante, despedindo-se da estrela-alpha Virginis, Spica, e de seu vizinho Saturno...., diante do andamento bem mais vagaroso do Senhor dos Anéis, quase impossível de ser detectado visualmente a cada noite, apenas a cada dez dias, digamos assim.

Outra questão também importante a ser mencionada, é o fato de que a constelação de Virgem e Saturno e ainda Marte, todos vêm sendo engolidos pelo horizonte oeste, a cada noite um tantinho, quatro minutinhos que vão fazendo diferença no acúmulo de dias e de noites ao longo do mês.  Existe a exceção, no entanto, do Planeta Marte que estará podendo ser observado em seu caminhar intenso e sempre próximo ao horizonte oeste, nos próximos meses, cumprindo uma constelação atrás a outra...

Ao começo do mês de Setembro, ainda teremos a bênção de acompanhar o vagaroso caminhar de Saturno despedindo-se de Spica, estrela-alpha Virginis, e do afastamento de Marte buscando cruzar a fronteira entre a Virgem e a Balança e ainda isso acontecendo no miolo do mês...  Porém, já ao final do mês, praticamente não mais estaremos podendo nos encantar com a bela visão de Spica e de seu vizinho que se despede, Saturno, que pena, ambos tendo realizado os grandes momentos de highlights ao longo do ano de 2012, até agora!

 
Veja a Ilustração para o dia 01 de Setembro:

O horizonte oeste vem sendo abençoado pela presença da estrela-alpha Virginis, Spica, ainda sendo avizinhada pelo Senhor dos Anéis, Saturno, enquanto Marte já realiza a transposição da fronteira entre esta imensa constelação da Virgem com a simples constelação da Balança – que, antigamente, era conhecida como As Garras do Escorpião, em virtude de suas duas estrelas alpha e beta, Zubenelgenubi e Zubenelschemalli.


 Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais

 

Ao começo do mês de Setembro, a Lua recém Cheia e após uma famosa Lua Cheia Azul..., já estará se anunciando no horizonte leste um tantinho mais tarde e, nos dias e nas noites seguintes, mais e mais tarde, certamente.  Com isso, teremos ainda um bom tempo de observação desse trio – Spica, Saturno e Marte – que veio encantando nossa vida ao longo do mês de Agosto.

Tempos de Céus mais escuros e transparentes para bem observarmos o céu estrelado do cair da noite:  Entre os dias 08 e 19, mais ou menos, a Lua estará vivenciando seus ciclos de Minguante e Nova e Recém Nova.

Ilustração extraída da Revista virtual Astronomy – edição de Setembro
 
 

 
 
PEQUENO PASSEIO PELO CÉU NOTURNO
 
Janine Milward
 
 
Aqui no Sítio das Estrelas, na Zona da Mata das Minas Gerais, o inverno traz tempo frio, chás, cafés, casacos, gorros, meias, cobertores.... e muita vontade de olhar as estrelas porque ainda o céu está seco (antes das queimadas se aventurarem a maltratar as matas, normalmente a partir do final de julho e cobrindo os meses de agosto e setembro... até que as benditas chuvas retornem, mais para o outubro).
 
Certamente, é ainda o Escorpião e o ponto que leva à centralidade da Via Láctea que nos chama a atenção.... Portanto, eu aconselharia você, Caminhante dos Céus, a retornar o ponto anterior onde eu tentei descrever o Revirão da Via Láctea.
 
Porém, com o contínuo andamento do céu (a cada noite, tudo chega mais cedo 4 minutos), podemos agora ver bem o Sagitário, quando a noite cai. É sempre interessante observarmos o fato de que esta constelação também é denominada de Bule de Chá..., porque se parece mesmo com um!
 
No ponto entre o Escorpião e o Sagitário, em lugares de céu escuro como o Sítio das Estrelas e em noites secas e transparentes, podemos ver que a Via Láctea vai recebendo vários buracos imensos de puro negrume.... verdadeiras belezas de luz e vazio para serem fotografadas!
 
A Via de Chumaço de Algodão, a Via Láctea, encontra a Águia que voa sempre orientada por sua estrela alfa, Altair, e este pássaro acaba sendo avizinhado por constelações pequenas e muitíssimo simpáticas, Sagitta, a Flecha, e o Delfim, por exemplo, que também são enredilhadas pelo caminho leitoso. Ainda em direção mais ao norte, a Via Láctea parece, a meus olhos, encontrar o Cisne que traz sua cauda a estrela alfa, Deneb, e ali se esfumaçar mais e mais, rumo norte mais aprofundado e distanciado de meus olhos. A Via Láctea estará iluminando os caminhos de constelação bem ao norte, como Cepheus, Cassiopéia, Perseus (e passando próxima à Andromeda e ao Cavalo Pegasus) e novamente retornando aos nossos olhos do sul através o Cocheiro, com sua belíssima estrela-alfa Capella, e então retomando a conversa com os Gêmeos Castor e Pollux, acompanhando o Gigante Òrion conduzindo seus dois Cães e já nos enleando a visão com a bela Sirius acompanhada da tímida Procium... até que o clarão dos raios avermelhados do Sol começam a inundar o horizonte leste....
 
A Via Láctea pode bem ser vista até Deneb, aqui no Sítio das Estrelas... Quando a noite cai, o revirão dessa Via parece ter chegado à sua conclusão.... porém ainda podemos acompanhá-lo varrendo a noite, quase com puxando as estrelas que chegam no leste e empurrando as estrelas do meio do céu para caírem no horizonte oeste.... Os braços da Via Láctea, centralizados no corpo do Escorpião, vão varrendo o céu vindo do sudeste, caminhando para o leste, passando pelo noroeste, pelo norte, pelo noroeste, pelo oeste... e ainda pelo sudoeste, pelo sul, novamente pelo sudeste, noite após noite. É um girar intenso, como se fosse um dançarino sufi, girando e girando e girando e nos trazendo o êxtase.
 
O Cruzeiro do Sul aparece bem alto, o mais alto que consegue chegar, acompanhando a caída do Navio no horizonte oeste e trazendo maior brilho às presenças do Escorpião, do Sagitário.... e certamente, da Via Láctea que continua fazendo seu revirão noite a dentro. Não se esqueça, Caminhante, de bem observar os Sacos de Carvão e dos conjuntos brilhantes de estrelas juntinhas que vão se formando após o Cruzeiro e indo em direção ao Navio que navega bem mais distanciado, em mares longínquos, buscando por outras paragens e retornando apenas na madrugada anunciadora das estrelas e suas constelações que vão surgir no leste.
 
Arcturus também continua encantando nossa visão.... e para aqueles que possuem um norte escuro e de horizonte baixo, a Ursa Maior se insinua querendo também trazer consigo o Dragão (desaparecido nesta latitude).
 
Porém, os céus do norte estão felizes com a presença da Coroa Boreal, que parece um colar que todas as mulheres gostariam de usar! Porém, cautela! Esse valoroso colar é guardado por Hércules que ainda mal se articula em sua figura engraçada surgindo no horizonte leste mais ao norte... E também guardado pela cabeça da cobra que o Ofiúco segura.
 
Quando agosto entra trazendo suas queimadas e já uma certa poluição tirando a escuridão plena e a transparência cristalina dos céus da roça, com sorte, ainda podemos nos deliciar com as travessuras do desajeitado Hércules, agora mais alto no céu do norte, acompanhado, em lugares de horizonte bem baixo, pelo Dragão que guarda as estrelas que rodeiam o polo norte, longe de nossa visão.
 
Digo que o Hércules é todo desajeitado porque é assim que o vejo. Lembro-me bem da primeira vez que o delineei, eu até ri, mesmo!
 
Cada vez mais o Cruzeiro do Sul cai em direção ao horizonte oeste mais ao sul ao mesmo tempo que também o Escorpião vai alcançando o meio do céu seguido do Sagitário, com seu Bule de Chá, que dá lugar ao Capricórnio que começa a querer se levantar no horizonte leste, ainda ao sul.
 
Nesse tempo do inverno já bem andado, eu adoro ver minha estrela preferida, Vega, tocando sua Lyra e surgindo atrás dos morros do leste mais ao norte.... Sempre que eu me vejo diante da Lyra segurada por Vega,sua alfa, eu me flagro suspirando, inteiramente enleada, como se pudesse escutar o doce som das cordas desta constelação!
 
A bem da verdade, o céu do inverno nos presenteia com um triângulo de estrelas muito interessantes: Altair, alfa da Águia, Vega, alfa da Lyra, e Deneb, alfa do Cisne. São estrelas belíssimas que fazem parte de belíssimas constelações!
 
O Cisne é de uma perfeição incrível em seu vôo, parece estar sempre alçando vôo, abrindo suas asas imensas, buscando as alturas, sempre.
 
A Águia sempre surge apresentando três estrelas - uma delas, Altair, sua alfa - que caminham sempre juntas e que podem ser vistas após a conclusão de todo o corpo do Capricórnio, com seu aspecto de fraldinha tecida por estrelas suaves que delineiam a figura desta constelação.
 
É bom também observarmos, ainda entre o Sagitário e seu Bule de Chá e o Capricórnio, um pequeno grupo de estrelas que sugere uma pequena cruz, um tímido diamante, algo assim, verdadeira maravilha para ser visto em lugares de céus bem escuros e transparentes.
 
Eu aconselharia o Caminhante dos Céus aguardar a chegada do Capricórnio e da Águia para então olhar mais ao norte e se encantar com a Lira... e um tantinho mais tarde ainda, suspirar com o Cisne voando amplamente nos céus estrelados. E, olhando mais ao sul, observarmos o vôo do Grou balizado por sua estrela-alfa, Al Nair.
 
A partir de então, podemos olhar para os lados do sul e observarmos a chegada do Peixe Austral com sua estrela-alfa, Fomalhaut. Estamos bem já sendo colhidos pelas ondas marolantes e em verdadeiro zigue-zague formadas pelo Aguadeiro, Aquário! A meu ver, esta constelação é um dos eventos mais interessantes a ser observado nos céus estrelados e isso somente pode acontecer em lugares de céus realmente escuros e transparentes!
 
Bem ao sul, podemos observar pássaros voando, Fênix e Tucano. No entanto, a estrela que realmente nos chama a atenção é Achernar, a alfa do Rio Erídano, sua Foz, e este Rio vai correndo sinuosamente e através suas tímidas estrelas até encontrar os pés do Gigante Órion, em Rigel, sua estrela-beta, já em terra firme. É interessante repararmos o fato de que o Rio Erídano caminha em direção ao leste e neste momento de inverno, podemos acompanhar seu desaguar junto ao Gigante caçador do Escorpião porque a constelação de Órion ainda pode ser vista em todo seu esplendor de estrelas ao final da noite, quando o galo desentrelaça suas asas e começa a cantar anunciando um novo dia que não tarda a chegar! (Aqui no Sítio das Estrelas meu simpático galo nos acorda com seu canto por volta das quatro horas da matina!).
 
Nos céus do norte, é interessante observarmos que as estrelinhas marolantes do Aguadeiro parecem querer se entrelaçar com as estrelas também tímidas dos Peixes. Nesse momento estamos diante de um mito realmente encantador que apresenta no céu estrelado do norte todos os componentes de sua estória, começando pelo Cavalo Pegasus em seu grande quadrado sendo seguido por Andromeda, a donzela acorrentada numa ilha por sua madrasta Cassiopéia esposa de Cepheus. Andromeda será salva pelo herói Perseus. A Via Láctea ilumina com seu leite as constelações do pai, da madrasta e do herói salvador, todas bem ao norte e não muito facilmente identificáveis aqui, no Sítio das Estrelas (porque para estes lados fica a cidadezinha de Mar de Hespanha e sua iluminação pouco generosa com o céu estrelado).
 
... ‘Stamos em pleno mar... - como diria o poeta português, Camões. Ao sul dos Peixes nos deparamos com a imensidade da constelação de Cetus, a Baleia que quer devorar a bela donzela acorrentada, Andromeda. Este é um mar interessante pois que também apresenta a Foz do Rio Erídano e todo seu correr sinuoso, desde o sul até o sudeste, para encontrar os pés do Gigante Órion, já em terra firme. No entanto, este mar interessante nos apresenta, bem ao fundo (do ponto de vista de quem está bem ao norte, certamente) a estrela maravihosa e alfa do Navio, seu capitão Canopus! Sempre que virmos Canopus podemos ter a certeza de que Sirius chegará logo depois! E Sirius faz parte da comitiva do Gigante Órion, com seus Cães Maior e Menor, todos já em terra firme.
 
Não podemos deixar de divisar os dois círculos formados pelas cabeças dos dois Peixes. Um destes circulo encontra-se logo ao norte do grande quadrado do Cavalo Pegasus e é bem ali que podemos encontrar o chamado Ponto Vernal, o lugar onde a Eclíptica encontra-se com o Equador Celeste.
 
Olhando para o sul, poderemos ver a Pequena Nuvem seguida pela Grande Nuvem de Magalhães. Aqui na roça, um antigo caseiro meu, as chamava de as Mulas do Presépio de Jesus! Fernão de Magalhães que nos perdoe!
 
Os mares terminam deixando entrar em cena as duas estrelas ponteadoras de Áries, o Carneiro, e depois, surge o campo onde o Touro pasta, sempre antecedido pelas estrelas que choram, as Pleiades, um tercinho de estrelas, verdadeira maravilha sempre a ser visitada por nossos olhos...
 
Já estamos na madrugada sonolenta quando entra em cena o Gigante Órion acompanhado do Cão Maior e este embelezando os céus com a presença de Sirius, a bela das belas. A Via Láctea já retorna à nossa visão, o Navio vai se mostrando por inteiro, os Gêmeos já se mostram conversantes, como sempre...
 
Com um abraço estrelado,
Janine Milward
 
Extraído do meu texto Um Passeio pelo Céu Noturno do Sítio das Estrelas, encontrado em http://oceudomes.blogspot.com
 
 

 

Veja a Ilustração para o dia 15 de Setembro:

 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 

A Lua Nova estará acontecendo no dia 15 e então, já  no dia 17 de Setembro, a Lua Recém Nova, um fininho anel no horizonte oeste, estará nos brindando com seu beijo a Spica, estrela-alpha Virginis e a Saturno, o Senhor dos Anéis.  Mas fique bem atento, Caminhante dos Céus e da Terra, caro Leitor: este espetáculo estará acontecendo bem ao cair da noite realmente.  Se você deixar para um tantinho mais tarde, perderá este evento, que já terão esses objetos se escondido no horizonte oeste.

No dia 19, a Lua já um tantinho mais cheiinha porém ainda hesitante entre Nova e Crescente, estará se encontrando com o Planeta Vermelho, Marte.

No miolo do mês de Setembro, Spica, estrela-alpha Virginis, e Saturno, o Senhor dos Anéis, já estarão a começar a se despedirem de nós..., prometendo ambos retornarem mais um tempinho à frente, em novembro, e já no horizonte leste madrugador.... com Saturno, porém, já efetivamente deixando Virgem e se dirigindo para adentrar a Balança.

A Ilustração para o dia 15 nos mostra Marte já bem adentrado na constelação da Libra e ainda freqüentando os céus do horizonte mais voltado para o oeste .

A bem da verdade, Marte estará beijando Zubenelgenubi, estrela-alpha Librae, que se posiciona bem na Linha da Eclíptica.

Saiba um tantinho sobre Libra, a Balança e suas estrelas alpha e beta:

 Mario Jaci Monteiro – As Constelações, Cartas Celestes
 

Posicionamento:
Ascensão Reta  14h18m / 15h59m    Declinação -0o.3 / -29o.9


Mito:
A constelação representa a balança onde Astreia pesou os feitos dos homens
e apresentou-os a Júpiter.

 
Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Antigamente, Libra não era considerada uma constelação em separado e sim parte do Escorpião, suas Garras. 
 
O sacerdote egipcio Manethon, que viveu no seculo III aC, registrou que as garras do escorpião, que iam até os pés da Virgem, foram transformadas nos pratos da balança.

Durante o equinócio do outono, o Sol se encontra em Libra.  Ora, como no equinócio os dias e as noites são de igual duração, levantou-se a hipótese de ter sido essa a origem do nome desta constelação.


Fronteiras:
Libra situa-se entre as constelações Scorpius, Serpens, Virgo, Hydra, Lupus

 
Zubenelgenubi, (O Prato) dA Balança do Sul.  Alpha Librae. Estrela Dupla
Ascensão Reta 14h49,8. - Declinação -15o 54’
Magnitude visual 2,90 - Distância 66 anos-luz

Uma estrela dupla, amarelo pálido e cinza claro, situada no prato ao sul da Balança.  Seu nome é Zubenelgenubi, de Al Zuban al Janubiyyah, a Garra do Sul - uma referência para quando Libra fazia parte do Escorpião.

Em outra versão, Kiffa Australis, o Cesto austral, nome árabe que designa o cesto ou prato austral da constelação da Balança.

Esta Estrela situa-se exatamente na linha da Eclíptica.  Dessa forma, sempre poderemos observar a Lua e os Planetas passando por entre as duas principais estrelas da Balança.

 

(O Prato) dA Balança do Norte.  Beta Librae. 
Magnitude 2.61  Distância 140 anos-luz

Uma estrela  esmeralda pálido situado no prato norte da Balança.  Seu nome é Zubenelschamali, de Al Zuban al Shamaliyyah, a Garra do Norte - uma referencia para quando Libra fazia parte do Escorpião.  Em outra versão, Kiffa Borealis, o Cesto boreal, nome árabe para o cesto ou prato boreal da constelação da Balança.

 


Veja a Ilustração para o dia 30 de Setembro:


Quando o final do mês de Setembro chegar, já bem dificilmente estaremos podendo observar Saturno – que nos encantou tanto e por tanto tempo ao longo dos meses anteriores – por se encontrar já em horizonte oeste bem baixo, realmente! 

E também estaremos observando o fato de que Marte estará vivenciando a proximidade do horizonte oeste ainda por um bom par de meses à frente, sempre mantendo uma simpática distância entre si e o Sol.

 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 

 

 
 

 

 

URANO

 os Céus Estrelados

 
Posicionamento de Urano a 15 de Setembro:

0h26.7 – Ascensão Reta
2º.04’ – Declinação

OPOSIÇÃO DE URANO AO SOL, NO DIA 29 DE SETEMBRO

Excelente momento para fotografar Urano!

 

 



Urano foi descoberto em 1781 por W. Herschel, um organista alemão que morava em Bath, na Inglaterra.

Urano é um planeta gigante. A rotação de Urano é bem diferente: seu eixo rotacional acontece praticamente junto com seu plano orbital.  O tempo da rotação dura aproximadamente 17 horas.  Mais extraordinário ainda é a posição do eixo magnético do Planeta, que se inclina em 55 graus em relação ao eixo rotacional.  Urano possui um campo magnético bem poderoso. O planeta e seu sistema inteiro de satélites gira sobre seu lado. Numa distância de 1.784 milhões de milhas do sol, Urano desenvolve uma órbita de 84 anos terrestres em torno do sol.  Urano deve ter sofrido uma grande colisão com um imenso objeto: ele é inclinado em seus lados, comparado aos outros planetas.

O equador em Urano corre perpendicularmente à sua órbita ao redor do sol. Os eixos rotacionais e orbitais são praticamente alinhados; dessa forma, nós podemos ver Urano virado mostrando seu pólo a cada 42 anos. 

  
Ilustração extraída da Revista virtual Astronomy – edição de Setembro

 

 
 

 


NETUNO,
Deus dos Sonhos e dos Mares

 
 

Posicionamento de Netuno a 15 de Setembro:

22h13.0 – Ascensão Reta  
  - 11º42’ – Declinação

 

O astrônomo inglês Adams e o astrônomo francês Leverrier, independentemente entre si, calcularam a posição do oitavo Planeta - que tinha indicado sua existência a partir dos efeitos gravitacionais provenientes de Urano.  No entanto, foi em 23 de setembro de 1846 que dois astrônomos berlinenses, Galle e D’Arrest, encontraram o Planeta Netuno, não mais do que um grau de sua calculada posição.

Netuno, o deus dos sonhos e dos mares, encontra-se na fronteira entre as constelações do Capricórnio e do Aquário - onde esteve ao longo do ano de 2011 e por onde ainda pretende estar ao longo do ano de 2012, em função de seu andamento bem lento, realmente.  

Netuno é um Planeta bem longínquo e exige aparelhagem consistente para ser observado em telescópios bem simpáticos. 

 

 

www.heavens-above.com



Netuno realizou sua Oposição ao Sol no último dia 24 de agosto.

 

 


 

 

 

PLUTÃO
Deus dos Mundos Ínferos

 


 

 
Posicionamento de Plutão a 15 de Setembro:

18h28.7 – Ascensão Reta
- 19º.38’ – Declinação

 
Quem foi Rei, nunca perde a Majestade

Pobre Plutão, sempre motivo de concórdias e de discórdias: ora o tratam como Planeta, ora o tratam como Planetóide ou Planeta Anão.  No entanto, sabemos que quem é Rei nunca perde sua Majestade!

Plutão esteve em Oposição ao Sol ao final do mês de Junho .

Este Planeta caminha extremamente devagar – sua volta ao Sol dura 248 anos! -, e vem encontrando-se um tantinho abaixo de Scutum, o Escudo, ao norte fronteiriço entre o Escorpião e o Sagitário. 

Plutão foi descoberto por Clyde Tombaugh no ano de 1930.  Até o ano de 2006, Plutão foi considerado Planeta, sendo destronado deste posto a partir de então, infelizmente.

 
 
www.heavens-above.com

 

A órbita de Plutão é altamente inclinada em relação à eclíptica (mais de 17°) e excêntrica.  

Devido a essa excentricidade, uma pequena parte da órbita de Plutão está mais próxima do Sol do que a de Netuno.

A última vez que Plutão ficou mais próximo do Sol do que Netuno foi entre 7 de fevereiro de 1979 e 11 de fevereiro de 1999.

 
 
 

 

 

 

O APARENTE CAMINHO DA LUA
AO LONGO DO MÊS DE SETEMBRO DE 2012

 

 

 
Olhe para o céu e aproveite para saber um tantinho mais sobre os Mitos e Dados Técnicos de algumas Estrelas e Constelações que iluminam o Céu Estrelado!

 
 

Ilustração extraída da Revista virtual Astronomy – edição de Setembro

 

DIA 31 DE AGOSTO – LUA CHEIA, LUA AZUL, A SEGUNDA LUA CHEIA DO MÊS!

A LUA AZUL, BLUE MOON, pode se referir à terceira Lua Cheia em uma Estação do Ano com quatro Luas Cheias.   A maioria dos anos possui doze Luas Cheias que ocorrem aproximadamente a cada mês.  Em adição a estes doze ciclos completos ciclos lunares, cada ano solar contém normalmente onze dias mais do que o ano lunar de 12 lunações.  Os dias extras vão acumulando e, dessa forma, a cada dois ou três anos, existe uma Lua Cheia extra.

 

DIA 01 DE SETEMBRO –  A Lua, ainda bem cheia e profundamente comovida por ter atuado enquanto Lua Azul no dia anterior..., surge no horizonte leste um tantinho mais tarde, um tantinho após a caída da noite trazendo céu escuro e transparente... e já apontando para nossa visão um tanto de seus raios invadindo os ares... até que surge, linda e feliz, diante de nossos olhos sempre ansiosos.  Lua mergulhando nos mares abissais dos Peixes, tendo o Grande Quadrado do Cavalo Pegasus ao norte e Cetus, a Baleia, ao sul, já todos fazendo parte do Mito de Andrômeda, a Princesa Acorrentada que é salva pelo Herói Perseus.

Mercúrio inicia o mês de Setembro recém encontrando-se com a estrela-alpha Leonis, Regulus, enquanto o Sol continua seu passeio ao longo do corpo do Leão porém já tendo como meta encontrar-se com a estrela-beta Leonis, Denebola – ambos distante de nossos olhos, certamente.

Vênus encontra-se com Pollux, estrela-beta Gemini, praticamente concluindo sua visita aos Gêmeos Castor e Pollux.  Júpiter, ainda visitando o Touro por um bom tempo, vagarosamente caminha em direção aos Chifres do animal.  Estas duas luzes maravilhosas continuam fazendo a festa nos céus da madrugada, com Júpiter chegando cada vez mais cedo dentro da noite alta e com Vênus chegando por volta de 04:30 da madrugada antecipadora da chegada do Sol.

O horizonte oeste vem sendo abençoado pela presença da estrela-alpha Virginis, Spica, ainda sendo avizinhada pelo Senhor dos Anéis, Saturno, enquanto Marte já realiza a transposição da fronteira entre esta imensa constelação da Virgem com a simples constelação da Balança – que, antigamente, era conhecida como As Garras do Escorpião, em virtude de suas duas estrelas alpha e beta, Zubenelgenubi e Zubenelschemalli.

 

DIA 02 -  A Lua ainda continua mergulhada nos mares abissais dos Peixes e chegando um tanto mais tarde, surgindo no horizonte leste por volta da 21:00, com Saturno e Marte já se despedindo de nós!

 

DIA 03 Lua despedindo-se dos mares dos Peixes, visitando a Donzela Acorrentada, a Princesa Andrômeda, ao norte, e ainda sendo acompanhada pelo imenso monstro, a Baleia Cetus, ao sul.  Lua entrando em cena já por volta das 22:00, cada noite mostrando-se um tantinho mais murcha, com sua iluminação diminuindo visivelmente.

 
DIA 04 -  Lua já adentrando em terra firme e visitando Áries, o Carneiro, através suas duas estrelinhas simpáticas, Hamam e Scheratan, estrelas alpha e beta Arietis.  Lua chegando no horizonte leste por volta das 22:30 e já antecipando a entrada em cena de Júpiter, nos Chifres do Touro, que se mostrará após a meia-noite.


DIA 05Lua ainda visitando os campos onde o Carneiro pasta e já ansiando por adentrar a constelação do Touro e beijar Júpiter...

 

DIA 06 -  Lua em Touro e nos trazendo a bela visão de seu beijo ansioso para as Irmãs que Choram, as Plêiades, M45:

Pleiades - M45. 
Distância: cerca de 350 anos-luz.

Aglomerado de mais de 400 estrelas em uma área de um grau de diâmetro e facilmente visível a olho nu.

As Pleiades ou Atlântidas eram as sete filhas de Atlas e Pleione, seis das quais podem ser vistas a olho nu e uma invisível ou “perdida”.  Elas eram as companheiras virgens de Diana e foram levadas para o céu para escaparem do Gigante Orion que as importunava.  De acordo com outro mito, foram para o céu por causa de suas tristezas com o destino de seu pai, Atlas, que carregava o mundo nas costas.

Seus nomes são:
Alcyone, Maia, Electra, Merope, Taygette, Celaeno e Sterope,
com a adição dos pais, Atlas e Pleione.

A Plêiade que se perdeu parece ser Merope, que casou-se com um mortal, Sisyplus, e por isso escondeu-se por ser a única filha que não foi casada com um Deus.  Outro mito diz que foi Electra quem desapareceu em função de sua dor pela destruição de Ilium, que foi fundada por seu filho Dardanos.

As Pleiades formam um aglomerado, com Alcyone como estrela principal, situado no ombro do Touro.

  

DIA 07  Lua no Apogeu (251.217 milhas da Terra).  Lua, sempre mais murchenta e boêmia, beijando Aldebaran, o Olho Iluminado do Touro, estrela-alpha Tauri, verdadeira maravilha de se observar por sua cor alaranjada.

Aldebaran.  Alpha Tauri. 
Ascensão Reta 04h34,8m - Declinação +16o 28’
Magnitude visual 1,06 - Distância 68 anos-luz

Uma estrela gigante alaranjada marcando o olho esquerdo e sul do Touro. 

Seu nome advém de Al Dabaran, Aquela que Segue. Aquela que vem antes da Estrela da Água, isto é, das Pleiades. Formava uma das quatro estrelas reais ou guardiãs dos céus entre os persas cerca de 3.000 anos a.C, quando, enquanto Guardiã do leste, marcava o Equinócio Vernal - as outras estrelas eram Regulus, Antares e Fomalhaut.

 

DIA 08 -  LUA MINGUANTE. No dia 08 de Setembro, a metade de Lua, LUA MINGUANTE, estará se encontrando com Júpiter.  Em tempos de Lua Minguante, esta surge no horizonte oeste por volta da meia-noite.  Sendo assim, será também tempo de Júpiter nos brindar com sua encantadora presença!

 

DIA 09Lua despedindo-se do Touro e de Júpiter e adentrando os pés dos Gêmeos Castor e Pollux. A Lua, de agora em diante, estará freqüentando a alta madrugada, Lua sonolenta, murchenta e sempre boêmia!  Aproveite estes tempos de Lua com iluminação bem mais enfraquecida para observar os céus estrelados maravilhosos que a madrugada vem nos proporcionar, do sul ao norte, sempre surpresas emocionantes, luzes encantadoras, a Via Láctea ressurgindo diante de nossos olhos ansiosos!

 

DIA 10 –  Lua ainda conversando com os Gêmeos Castor e Pollux... Lua saudosa de seu encontro com Júpiter porém já ansiosa por seu encontro com Vênus, um tantinho mais adiante, já na constelação do Caranguejo.  Mercúrio em conjunção superior (conjunção ao Sol).

 

DIA 11 – Lua encontrando-se com Castor e Pollux, despedindo-se, assim, da constelação dos Gêmeos, e então adentrando o brejo onde o Caranguejo mora, acolhendo Vênus, a bela estrela-matutina!

 

DIA 12 – Lua em final de feira, Lua murchenta e já desejosa de tornar-se lua nova (fato que acontecerá no dia 15), encontra-se com a bela estrela-matutina, Vênus, ambas avizinhando o belíssima aglomerado denominado de Presépio, M44, no ventre do Caranguejo (que é como uma quase lua cheia prenha de mil estrelinhas tímidas que viajam todas juntinhas!).

 

DIA 13 – Lua concluindo sua breve porém maravilhosa visita ao Caranguejo e ainda aparecendo nos céus do horizonte leste bem baixo, Lua querendo se tornar Lua Nova em breve, Lua buscando seu encontro com o Sol.

 

DIA 14 – Lua já bem sumida de nossos olhos ávidos e beijando os pés do Leão, a estrela-alpha Leonis, Regulus.

 

DIA 15 –  LUA NOVA.

Lua caminhando junto ao Leão e querendo encontrar-se, mais ao norte, com a estrela-beta Leonis, Denebola, lugar próximo onde o Sol se encontra, já adentrando a Cabeça da Virgem e buscando seu ponto de Equinócio, no dia 22.

 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 

Vênus encontra-se exatamente num ponto da constelação do Caranguejo que é muitíssimo interessante pois nos revela duas estrelas denominadas de Aselli, as duas mulas, os dois jumentos, Gamma e Delta Cancri, os Jumentos, as Mulas, aquelas que guardam O Presépio, M44.  Júpiter permanece caminhando muitíssimo vagarosamente através os Chifres do Touro.

No miolo do mês de Setembro, Spica, estrela-alpha Virginis, e Saturno, o Senhor dos Anéis, já estarão a começar a se despedirem de nós..., prometendo ambos retornarem mais um tempinho à frente, em novembro, e já no horizonte leste madrugador.... com Saturno, porém, já efetivamente deixando Virgem e se dirigindo para adentrar a Balança.

Marte estará beijando Zubenelgenubi, estrela-alpha Librae, que se posiciona bem na Linha da Eclíptica.

 

DIA 16 – Lua se refazendo de seu encontro com o Sol porém ainda desaparecida de nossos olhos observadores e prometendo retornar ao cenário dos céus estrelados, porém já no horizonte oeste e ansiosa por se mostrar em seu fino anel de noivado contra o pano de fundo da abóbada celeste ao cair da noite, buscando seu encontro com a estrela-alpha Virginis, Spica, e seu vizinho importante, o Senhor dos Anéis, Saturno.

 

DIA 17 –  A Lua Nova estará acontecendo no dia 15 e então, já  no dia 17 de Setembro, a Lua Recém Nova, um fininho anel no horizonte oeste, estará nos brindando com seu beijo a Spica, estrela-alpha Virginis e a Saturno, o Senhor dos Anéis.  Mas fique bem atento, Caminhante dos Céus e da Terra, caro Leitor: este espetáculo estará acontecendo bem ao cair da noite realmente.  Se você deixar para um tantinho mais tarde, perderá este evento, que já terão esses objetos se escondido no horizonte oeste.

Lua no Perigeu (227.268 milhas da Terra).

 

DIA 18 -  Lua despedindo-se, já inteiramente saudosa e emocionada, da dupla que encantou nossos olhos embevecidos ao longo dos meses de 2012 até agora – a estrela-alpha Virginis, Spica, e Saturno, o Senhor dos Anéis – e já querendo adentrar a constelação da Balança onde pretende se encontrar com Marte, o Planeta Vermelho, tão popular ultimamente por acolher a Curiosity que vem nos enviando interessantes imagens deste lugar que viemos conhecendo apenas um tantinho nestes anos mais recentes.

 

DIA 19  Lua já um tantinho mais cheiinha porém ainda hesitante entre Nova e Crescente, estará se encontrando com o Planeta Vermelho, Marte, ambos na constelação da Balança.

 

DIA 20Lua adentrando a Cabeça do Escorpião e podendo ser vista já ansiosa por beijar o Coração do Escorpião, Antares, sua estrela-alpha.  É pena que a luminosidade da Lua vem crescendo a cada noite e assim as estrelas mais tímidas começam a desaparecer do céu assim como a Via Láctea que encontra seu Revirão exatamente entre o Escorpião e o Sagitário.

 

DIA 21 – Lua, tendo cumprimentado Antares, o Coração do Escorpião, sua estrela-alpha, adentra a décima-terceira constelação do Zodíaco, Ophiucus, o Serpentário, e é sempre uma boa ocasião para bem verificarmos sobre o passo da Lua que acontece quando deixa o Escorpião e quando entra o Sagitário!

OPHIUCUS, OFIÚCO
ou Serpentarius, aquele que Segura a Serpente

Posicionamento:
Ascensão Reta 15h58m / 18h42m      Declinação +14o.3 / -30o.1

Mito:
Hercules, quando criança, estrangulou duas serpentes enviadas por Juno para mata-lo enquanto dormia em seu berço.  Esta constelação também foi chamada de Esculapius, o pai da medicina.

Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Quando o Zodíaco foi originalmente nomeado, a Eclíptica não passava pelo Ofiúco, de forma que esta constelação não foi incluída.  Hoje em dia, sim, em função da precessão,  Ofiúco recebe a passagem da linha da Eclíptica e o Sol passa um bom tempo aqui depois de ter adentrado a Cabeça do Escorpião e passado ao largo de sua estrela Alpha, Antares.

Fronteiras:
Ophiucus situa-se entre as constelações Serpens Cauda e Serpens Caput (e todas três acabam formando um conjunto imenso de situações entrelaçadas), e também Scorpius, Sagittarius, Scutum, Aquila, Hercules Corona Borealis, Libra

 
Ilustração extraída do programa Stellarium 0.11.1 e invertida em suas cores originais
 

 

DIA 22 –  LUA CRESCENTE.  EQUINÓCIO - Primavera para nós, do hemisfério sul e Outono, para o hemisfério norte.

O Sol encontra-se no ombro da Virgem, testemunhado por Zavijava, estrela-beta Virginis, e Mercúrio já na altura do tornozelo do braço da Virgem,  em Porrima, estrela-gamma Virginis, ansiando por encontrar com sua mão que segura o feixe de trigo nomeado como estrela-alpha Spica.  Saturno já vem dizendo adeus à bela estrela azulada enquanto Marte já está inteiramente adentrado na Balança.  Naquele momento, também a Lua estará presente no céu do início da tarde, no momento do Equinócio, Lua perfazendo seu  ciclo de Crescente e ansiando apresentar-se bem ao zênite no cair da noite do dia 22 de Setembro!

 

DIA 23 –  Lua deixando o Ophiucus e adentrando o Sagitário, tendo ao norte o Escudo, Scutum, e apontando para o posicionamento de Plutão entre Scutum e Sagitarius, um ponto bem interessante que nos leva a um caminho rumo ao centro de nossa Galáxia.

 

DIA 24 – Lua, após tomar chá com o Sagitário – porque o desenho de suas estrelas parecem formar um bule de chá... -, pensa em rumar em direção ao Capricórnio. 

  

DIA 25 Lua passeando nos campos e montanhas escarpadas do Capricórnio e então prometendo adentrar a constelação do Aguadeiro.

 

DIA 26  Lua cada vez mais gorda, rechonchuda, arredondada, buscando seu momento de Lua Cheia em breve e sempre já se mostrando caminhando em direção ao horizonte leste, podendo ser vista na tarde ensolarada contra o pano de fundo do céu cor de anil.  Lua passeando junto ao Aguadeiro que não nos revela suas estrelinhas tímidas e em zigue-zague a não ser em tempos sem-lua e em lugares de céus escuros e transparentes.  Aliás, essa parte do céu estrelado é realmente bela porém, em virtude da crescente luminosidade da Lua entre Crescente e Cheia, apenas as estrelonas podem ser visualizadas.  Mesmo assim, é sempre um imperdível espetáculo observarmos Fomalhaut, estrela-alpha Piscis Austrinus, ao sul do Aguadeiro, e também nos deleitarmos com o Grande Triângulo do Norte (chamado de Triângulo do Verão para os moradores do hemisfério norte) composto por Altair, estrela-alpha Aquilae, Vega, estrela-alpha Lyrae e Deneb, estrela-alpha Cignus.

 

DIA 27   Lua concluindo sua passagem pelo Aguadeiro e agora todo seu desejo é poder mergulhar nos mares abissais dos Peixes.  A grande luminosidade da Lua nos impede de ver a cabeça de um dos Peixes porém eu penso que as estrelas que formam o Grande Quadrado da constelação do cavalo Pegasus podem ser divisadas, sim.

 

DIA 28  Lua visitando a cabeça do Peixes que se encontra próxima ao Ponto Vernal, o Equinócio da Primavera para o hemisfério norte e do Outono para o hemisfério sul.

 

DIA 29 -  LUA CHEIA.  Lua alcançando seu ponto de maior luminosidade e chegando no horizonte leste, imensamente gorda, quando o Sol se esconde no horizonte oeste.  Esta Lua Cheia vem acontecendo sendo testemunhada pelo Cavalo Pegasus e por Andrômeda, mais ao norte, e pelo monstro-marinho, Cetus, a Baleia, ao sul, todos perfazendo o belo Mito da Donzela Acorrentada e salva pelo herói Perseus.

Urano em seu momento mais importante do ano, em Oposição ao Sol. Excelente momento para fotografar Urano!

 
DIA 30  Lua ainda mergulhada nos mares abissais dos Peixes, Lua recém Cheia.

O Sol conclui o mês de Setembro bem próximo à estrela Porrima, estrela-gamma Virginis, enquanto Mercúrio satisfaz seu desejo de encontrar-se com Spica, estrela-alpha Virginis, e também o Mensageiro dos Deuses encontra-se tão próximo a Saturno (a esta altura, já praticamente sendo engolido pelo horizonte oeste...), encontro que acontecerá no dia 05 de outubro e certamente, distante de nossos olhos, que pena!

Quando o mês de Setembro termina, Vênus já ultrapassou a fronteira entre as constelações do Caranguejo e do Leão e agora encontra-se aos pés deste último, querendo beijar sua estrela-alpha Leonis, Regulus.  Quanto a Júpiter, o imenso Planeta gasoso vem enfeitando nossa vida boêmia nos céus estrelados após a meia-noite e ao longo de toda a madrugada e sempre testemunhando a presença de Vênus como antecipadora da chegada do Sol.

Quando o final do mês de Setembro chegar, já bem dificilmente estaremos podendo observar Saturno – que nos encantou tanto e por tanto tempo ao longo dos meses anteriores – por se encontrar já em horizonte oeste bem baixo, realmente! 

E também estaremos observando o fato de que Marte estará vivenciando a proximidade do horizonte oeste ainda por um bom par de meses à frente, sempre mantendo uma simpática distância entre si e o Sol.

 

 

 

 

Algumas das Referências Bibliográficas:

 
http://apod.nasa.gov/apod/ap120823.html

Conjunction Colours
Image Credit &
Copyright: Phil Hart
Explanation: During the past week, nightfall on planet Earth has featured Mars, Saturn, and Spica in a lovely conjunction near the western horizon. Still forming the corners of a distinctive celestial triangle after sunset and recently joined by a crescent Moon, they are all about the same brightness but can exhibit different colors to the discerning eye. This ingenious star trail image was recorded as the trio set on August 12 with a telephoto lens from the shores of Lake Eppalock, in central Victoria, Australia. Focused on foreground eucalyptus trees, the image slightly blurs the trails to show more saturated colors. Can you guess which trail is which? Of course the reddest trail is Mars, with Saturn on the right a paler echo of the Red Planet's hue. Left is hot and luminous Spica, bluish alpha star of the constellation Virgo.
Authors & editors: Robert Nemiroff (MTU) & Jerry Bonnell (UMCP)
NASA Official: Phillip Newman
Specific rights apply.
NASA Web Privacy Policy and Important Notices
A service of:
ASD at NASA / GSFC
&
Michigan Tech. U.

 
www.heavens-above.com

www.astronomy.com  – edição virtual de Setembro de 2012


Urânia – Mural na escadaria do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, RJ – extraído do Site do Museu.

 
- Richard Hinckley Allen, Star Names, Their Lore and Meaning, Dover Publications, Inc, New York, USA

 
- Ilustrações extraídas do programa Stellarium 0.11.1 e invertidas em suas cores originais através o Programa Photo-Paint X3  e configuradas para o ponto-de-vista de um observador no hemisfério sul - Latitude 22s52 e Longitude 43w00; com exceção da Ilustração para o lugar do eclipse anular do Sol, no dia 20.

- Os Textos que aparecem em fonte verde escuro são extraídos de meu Trabalho Da Terra ao Céu e ao Infinito, as 88 constelações do céu estrelado - ainda não publicado por completo porém sendo publicado em extratos, ou seja, uma constelação por vez.  - Alguns Textos extraídos dos meus trabalhos sobre as constelações da Virgem e da Lira: http://sobrevirgo.blogospot.com e http://sobrelyra.blogspot.com

-  O Texto sobre Um Passeio no Céu Noturno do Sítio das Estrelas foi extraído de http://oceudomes.blogspot.com

-  V. E. Robson  - Stars and Constellations and Their Mythology – Samuel Weiser Inc., York Beach, Maine, USA

- Ronaldo Rogério de Freitas Mourão  - Atlas Celeste - 6a. Edição - Editora Vozes, Petrópolis, 1986

-    Mario Jaci Monteiro , As Constelações, Cartas Celestes -
Apoio: CARJ/MEC/CAPES/PADCT-SPEC 

 

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
JANINE MILWARD
Sítio das Estrelas 
Parada de um caminho a Caminho do Céu

 
CONHEÇA MINHA PÁGINA NO FACEBOOK:
TEMAS SOBRE COSMOLOGIA, ASTRONOMIA, MECÂNICA CELESTE E AFINS:
 
https://www.facebook.com/#!/pages/Temas-sobre-Cosmologia-Astronomia-Mec%C3%A2nica-Celeste-e-Afins/286580011439780