segunda-feira, 16 de março de 2015

O suave Voo do Corvo



Olá!

Sou muitíssimo apaixonada pela visão do céu estrelado a olho nu
- à vista desarmada -
e uma das constelações que sempre me atrai a atenção
 é o Corvo!

É certo que penso que o Corvo não pode ser apreciado em seu desenho óbvio
de pássaro voando com asas abertas através as estrelas....,
bem como  em seu voo elipsal, de sudeste ao zênite e ao sudoeste
- a não ser que estejamos em lugares de céus escuros e transparentes
e, de preferência, em noites sem a presença luminosa da Lua.

Ao cair da noite, observe a presença do Corvo nos céus estrelados
- sempre a estrela-alpha Virginis é uma boa indicadora!

O Corvo estará culminando nos céus estrelados
bem por volta da meia-noite!

E, quando o galo já estiver cantando e anunciando a proximidade da luz
de um novo dia,
o Corvo já estará se retirando de cena,
mergulhando em direção ao horizonte do sudoeste.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward





Minhas Impressões Pessoais
 acerca O Corvo:

Certa vez, no miolo da década dos anos 90 e ainda no século passado,
eu estava no Observatório do Capricórnio em Campinas, SP,
 olhando para as estrelas junto a um amigo das estrelas...., 
quando perguntei: 
- " Aquele grupo de estrelas se parece com um pássaro... 
parece um pássaro realmente voando!".....

O amigo das estrelas riu-se e respondeu: - "É o Corvo".

..........................................

A partir de então, eu venho observando o vôo do Corvo através dos céus....
 quando entra a noite e ele ainda está surgindo no sudeste, 
eu penso: "Lá vem o Corvo!". 

O tempo vai passando, os dias passam, as semanas passam.... 
e o Corvo continua realizando seu vôo nos céus, subindo cada vez mais alto, mais alto, endireitando seu vôo, 
quase chegando no meio do céu.... 
e passam-se mais e mais dias e o Corvo vai deslizando céu abaixo, 
vai caindo e ao mesmo tempo vai começando a fechar seu vôo, 
pouco a pouco, se dirigindo para o sudoeste, sempre antecedendo Spica, a estrela rainha da constelação de Virgem.

O vôo do Corvo é realmente belo, ele voa como um pássaro voa, 
realizando sua elipse alongada enquanto perfaz seu caminho.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward



ACOMPANHE O VOO DO CORVO:

Programa Stellarium


O Corvo vem surgindo do horizonte sudeste.
É interessante acompanharmos o voo do Corvo, vendo-o surgir vagarosamente, sempre acompanhando o rastejar da Hydrabem como sempre fazendo parte da trilogia que a Hydra sustenta - Sextante, Taça e Corvo.
É também sempre uma alegria ao vermos o Corvo surgindo no horizonte sudeste em seu voo sereno... porque isso significa que a Virgem estará sendo desvendada.





O CORVO CULMINANDO!


Programa Stellarium


O Corvo vem voando no zênite, porém já inteiramente decidido a buscar seu lugar no horizonte oeste.
Este é um momento de beleza ímpar nos céus estrelados do sul pois que podemos observar a inteireza do Navio desmembrado em Popa, Vela e Quilha; o andar célere do Centauro sempre acolhendo nosso Cruzeiro do Sul entre suas patas dianteiras e traseiras; e a triunfal entrada em cena do Escorpião com sua estrela-alpha Antares, seu Coração batendo através uma gigante vermelha maravilhosa!

Em noites sem Lua, é sempre interessante observarmos a Virgem e suas estrelas piscantes (inclusive a belíssima estrela-alpha Virginis, Spica - sempre anunciada pelo Corvo, é claro!).

Quando o Corvo alcança o zênite, os Gêmeos Castor e Pollux já estão se despedindo; o Caranguejo guarda seus segredos em seu ventre Messier 44, o Presépio, o Enxame de Abelhas, e sempre nos levando a olhar para buscarmos Alphard, estrela-alpha Hydrae, um dedinho ao sul; o garboso Leão ruge e caminha através o céu estrelado apresentando sua bela Regulus, estrela-alpha Leonis, e Denebola, a cauda que conclui o rei dos animais celestes, estrela-beta Leonis.

Ainda enquanto o Corvo voa buscando o zênite, a mancha de estrelinhas de algodão que perfazem a Via Lactea nesta parte do céu, começa a se despedir de nós, prometendo fazer sua continuidade através a ligação entre Navio, Centauro e Escorpião... que tem a companhia, a seguir, do Sagitário e o ponto que nos leva ao centro de nossa cidade celeste, nossa Galáxia .




O voo do Corvo deixa o zênite e já está voltado para buscar seu lugar primeiramente orientado para o oeste e então, orientado para seu mergulhar honroso no horizonte sudoeste.



Programa Stellarium
Quando o Corvo se despede de nós, é certo que nos deixa saudosos - mesmo porque também a Virgem estará nos dizendo "até amanhã!.

Porém, os céus estrelados continuam a nos oferecer constelações muito interessantes:
Libra é acompanhada pelo Escorpião que nos traz o Revirão da Via Lactea...;
Ofiúco e a Serpente nos levam a observar a Coroa Boreal (guardada sempre tanto por Hércules quanto pela Cabeça da Serpente);
Sagitário surge sempre através seu Bule de Chá e nos levando a saudar o Capricórnio com suas estrelinhas tímidas formando uma 'fraldinha' e sendo acompanhado por mais estrelinhas tímidas - e ziguezagueantes - do Aguadeiro!

Também podemos nos deixar embevecer pela presença do Triângulo do Norte formado pelos Pássaros Águia, Lira e Cisne!

 Com um abraço estrelado,
Janine Milward





Shibata Zeshin, White Heron and Raven Flying, circa 1880.  Vertical scroll, colored lacker paintings (urushi-e), white pigment and gold leaf on paper, 41,9 × 60,6 cm. Collection Catherine and Thomas Edson, San Antonio Museum of Art © San Antonio Museum of Art / Photo Peggy Tenison 
Queue
GARÇA-REAL BRANCA E CORVO VOANDO
Shibata Zeshin, White Heron and Raven Flying, circa 1880.  Vertical scroll, colored lacker paintings (urushi-e), white pigment and gold leaf on paper, 41,9 × 60,6 cm. Collection Catherine and Thomas Edson, San Antonio Museum of Art © San Antonio Museum of Art / Photo Peggy Tenison 




Os desenhos formados pelas estrelas - As Constelações - são como janelas que se abrem para a infinitude do universo e que possibilitam nossa mente a ir percebendo que existe mais, bem mais, entre o céu e a terra bem como percebendo que o caos, vagarosamente, vai se tornando Cosmos e sendo por nossa mente conscientizado.
Quer dizer, nossa mente é tão infinita quanto infinito é o Cosmos.

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
Janine Milward