sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um Passeio pelo Céu Estrelado durante o Tempo de Lua totalmente Eclipsada e Avermelhada

Olá!

Bem, se eu morasse na Australia
- possivelmente nas vizinhanças de Sydney -,
certamente estaríamos meus amigos e eu buscando por um lugar de céus escuros e transparentes
e distanciado das luzes urbanas, um céu rural,
para bem acamparmos e nos instalarmos confortavelmente
para bem nos colocarmos sob os céus estrelados
e para bem observarmos o maravilhoso evento
que a Lua estará nos proporcionando
e nos presenteando na Páscoa: o Eclipse Total Lunar!

Será um Eclipse bem rápido
- o mais rápido do século! -,
apresentando uma totalidade de apenas 5 minutinhos...,
preciosos minutos!
  
Nesta Postagem, Caro Leitor,
trazemos a você 
Um Passeio pelo Céu Estrelado
durante o tempo de Lua totalmente Eclipsada e Avermelhada....
....... - se acaso estívéssemos todos sob os céus da costa leste da Australia!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

Programa Stellarium

Programa Stellarium



Programa Stellarium


Programa Stellarium


Eclipse times in Universal Time.
Partial umbral eclipse begins: 10:16 Universal Time (UT)
Total eclipse begins: 11:58 UT
Greatest eclipse: 12:00 UT
Total eclipse ends: 12:03 UT
Partial umbral eclipse ends: 13:45 UT




View larger. Need help with the above map, courtesy of EclipseWise.com? Everyplace in white sees the whole eclipse from start to finish, whereas everyplace in black misses out entirely. Let EclipseWise.com by the eclipse master Fred Espenak walk you through the Key to Lunar Eclipse Figures.  See less complicated map below.
View larger. Need help with the above map, courtesy of EclipseWise.com? Everyplace in white sees the whole eclipse from start to finish, whereas everyplace in black misses out entirely. Let EclipseWise.com by the eclipse master Fred Espenak walk you through the Key to Lunar Eclipse Figures. See less complicated map below.
Day and night sides of Earth at greatest total eclipse
Day and night sides of Earth at greatest eclipse (12:00 UT). The shadow line at left, running through North America, depicts sunrise (moonset). The shadow line at right, running through Asia, depicts sunset (moonrise). Image credit: Earth View
Day and night sides of Earth at greatest eclipse (12:00 UT). The shadow line at left, running through North America, depicts sunrise (moonset). The shadow line at right, running through Asia, depicts sunset (moonrise). Image credit: Earth View





Um Passeio pelo Céu Estrelado
durante o tempo de Lua totalmente Eclipsada e Avermelhada....
....... - se acaso estívessemos todos sob os céus da costa leste da Australia!





Programa Stellarium

Programa Stellarium



Eu penso que uma das maiores emoções - além da emoção da totalidade do Eclipse em si, é claro! - durante todo o tempo em que a sombra da Terra começa a inundar o corpo da Lua.... e depois, a deixar Selene..., é o fato de que tudo pode sempre acontecer bem demoradamente, nos trazendo tempo e espaço para irmos usufruindo, primeiramente, da visão das poucas estrelas que se apresentam na abóbada celeste, quando a luminosidade da Lua ainda é plena, ou seja, quando todo o processo do Eclipse ainda não teve seu começo.

Esses momentos de espera da culminânica do evento e de observação da sombra da Terra inundando o corpo da Lua, serve para bem nos mostrar algumas das estrelas que estarão se apresentando todo o tempo nos céus.

No Sítio das Estrelas, onde moro e situado em zona rural, sob céu rural, digamos assim, mesmo em tempo de plenitude de Lua, de Lua bem Cheia, e se acaso Selene estiver mais distanciada da constelação do Gigante Orion, por exemplo, eu posso ver claramente as estrelas formadoras dos ombros e das pernas desse Asterismo bem como as estrelas formadoras de seu Cinturão e mais: posso também ver ou entrever as estrelas que perfazem sua Espada!

Sendo assim, eu penso que a constelação do Gigante Orion poderá vir a ser muitíssimo bem observada enquanto os Caminhantes vivenciam o longo processo do Eclipse Lunar Total - que acontecerá na direção da constelação da Virgem.  

E também existem outras constelações próximas a Orion que também apresentam muitas de suas estrelas durante a Lua Cheia, como o Touro sempre fazendo brilhar seu Olho Iluminado em Aldebaran, a estrela-alpha Tauri; como o Navio sempre ostentando sua Vela!

E certamente, a constelação Scorpius também se faz presente, tendo sempre a notável estrela alarajada/avermelhada Antares, estrela-alpha Scorpii, chegando primeiro, é claro, porém também apresentando as demais estrelinhas que compõem o corpo sinuoso do animal rastejante dos céus estrelados na altura da eclíptica.

A bem da verdade, Orion já estará se dirigindo para esconder-se atrás do horizonte oeste. E quando isso acontece, podemos olhar para o horizonte leste e então notar que a constelação Scorpius começa a entrar em cena!

Richard Hinckley Allen, em seu famoso e importantíssimo livro
Star Names — Their Lore and Meaning -,
nos fala bem sobre 
ESCORPIÃO E ÓRION:


... Aratos said:
When the Scorpion comes
Orion flies to utmost end of earth.

Quando o Escorpião chega,
Orion desaparece no final da terra.

Diz a lenda que Órion era um gigante caçador, amado por Ártemis, com quem quase se casou. O irmão de Artemis, Apolo, por sua vez, se aborrecia com tal aproximação entre os dois, chegando a censurar diversas vezes sem nunca obter resultado. Certo dia Apolo teve a oportunidade de se ver livre de seus aborrecimentos, percebendo que Órion vadeava pelo mar apenas com a cabeça fora d’água desafiou sua irmã, outra exímia caçadora, a acertar o alvo que distante se movia.
Impecável em sua pontaria ela atingiu em cheio seu amado, que fugia de um escorpião que Apolo havia enviado para matá-lo. O corpo, já moribundo, de Órion foi conduzido à praia pelas ondas do mar. Percebendo o engano que havia cometido, Artemis, em meio às lágrimas, pediu para Zeus colocar Órion e o escorpião entre as estrelas: o gigante trajado com um cinto, uma pele de leão, armado de uma espada e de sua clava, acompanhado por Sírius, seu cão, fugindo de seu inimigo escorpião.(Sírius ou Sírio é a estrela mais brilhante do céu e encontra-se na constelação Cão Maior, perto da constelação de Órion ou Orionte).
Outra versão é a de que Órion tentou violentar a deusa Ártemis. A fim de castigá-lo, Ártemis mandou um escorpião gigantesco morder-lhe o calcanhar, matando-o. Pelo serviço prestado à deusa, o escorpião foi transformado em constelação, simbolizando a raiva de Artemis por ter sido ameaçada de estupro ou, segundo algumas versões, por ter tido sua oferta afetiva e sexual rejeitada. .


Quando o Escorpião se levanta no horizonte sudeste, podemos sempre nos deixar surpreender pela presença de Saturno, o Senhor dos Aneis, fazendo parte de suas Garras (ou Cabeça) como se ali pertencesse....!

É certo que Antares, estrela-alpha Scorpii, o Coração do Escorpião, é uma estrela que não teme a luminosidade da Lua Cheia e sempre se apresenta em seu esplendor alaranjado/avermelhado, a chamada Rival de Marte!

Sem dúvida alguma, existe uma luz que teima em nos atrair a atenção: é Júpiter, o deus dos deuses, cumprimentando a constelação Cancer porém já despedindo-se destas estrelinhas tímidas que acolhem O Presépio no próximo dia 08, encetando seu movimento direto para novamente ser recebido nos campos onde o Leão reina!  E a estrela-alpha Leonis, Regulus, já está ansiosa por este encontro e não teme a luminosidade da Lua Cheia, mostrando-se radiosa, como sempre, e estruturando a chamada Foice, asterismo envolvendo pé do rei dos animais dos céus estrelados até sua cabeça e sua juba!

Duas estrelas sempre nos atraem a atenção: Castor e Pollux, os irmãos gêmeos.

Sírius, a estrela-alpha Canis Majoris, é a rainha das estrelas, a mais bela dentre todas as belas, e nunca nega sua piscante e esbranquiçada luz intensa aos nossos olhos sempre embevecidos e felizes por sua proximidade de nós.  A acompanhante de Sírius, Procyum, a estrela-alpha Canis Minoris, também se faz presente.

Volvendo nossos olhos mais e mais ao sul, vamos encontrar a belíssima estrela-alpha Carinae ou estrela-alpha Argo Navis, Canopus, o Capitão do Navio singrando os sete mares celestes!

Os céus do sul são sempre muito privilegiados por nos apresentarem de maneira absolutamente notável e explícita a constelação Centaurus acolhendo suas duas estrelas ponteadoras, Alpha e Beta Centauri, Rigel Kent e Hadar, respectivamente - sendo que a primeira é um sistema triplo que acolhe a estrela mais próxima de nós, de nosso quintal, de nosso sistema solar próprio!

Ah, o Cruzeiro do Sul, a constelação Crux, está sempre presente no coração e na mente e nos olhos de nós, moradores do hemisfério sul!  Eu penso que a temos como nossa protetora, digamos assim, a constelação que nos protege, que nos guia, que nos orienta, que nos traz de volta para casa.

Ainda mais ao sul, vamos encontrar a estrela-alpha Eridanii, Achernar, a Foz do Rio dos Céus Estrelados - estrela que me parece estar sempre se apresentando quando vista a partir de Latitudes bem ao sul, assim como acontece para Sydney, Australia, fazendo com que esta estrela nunca desapareça, assim eu penso.

Finalmente, volvemos nosso olhar para a Lua visitando a constelação Virgo e cumprimentando a maravilhosa estrela-alpha Virginis, Spica - estrela que estará testemunhando bem de perto esse Eclipse Total Lunar!

Ah, mesmo com a intensa luminosidade de uma Lua Cheia, existe uma estrela ao norte que encontra-se ansiosa em ser comentada: Arcturus, estrela-alpha Bootes, a mais brilhante dos céus ao norte.
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Com o passar do tempo, vamos percebendo algo incrível!  Quer dizer, ao mesmo tempo em que a sombra da Terra vai inundando o corpo da Lua - uma sombra acinzentada e vagarosa -, algumas estrelas vão surgindo, vão saindo de suas coxias e vão entrando em cena, pisando o palco da abóba celeste, vão iluminando-se, vão atraindo nossa atenção, vão buscando suas outras estrelas-irmãs e vão formando suas constelações!

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O tempo vai passando, as pessoas estão felizes e ansiosas.... até que finalmente, toda a luminosidade da Lua se apaga, se esconde atrás de uma escuridão avermelhada, estranha porém nada amendrotadora: é o Eclipse Total Luar que atinge seu auge!



http://www.space.com/19195-night-sky-planets-asteroids-webcasts.html?cmpid=NL_SP_weekly_2015-04-03

http://www.space.com/19195-night-sky-planets-asteroids-webcasts.html?cmpid=NL_SP_weekly_2015-04-03

http://www.space.com/19195-night-sky-planets-asteroids-webcasts.html?cmpid=NL_SP_weekly_2015-04-03


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De repente, o céu estrelado ressurge! 


Permanecem as estrelas grandes e entram em cena as estrelas pequenas, as constelações sorriem, os planetas mostram sua luz de lanterna acesa, as galáxias e aglomerados desafiam-nos a buscá-los, seja a olho nú, seja com a ajuda de binóculos ou mesmo de telescópios simpáticos!

Porém, Caro Amigo das Estrelas, não podemos nos esquecer que este será o Eclipse Total da Lua mais rápido de todo nosso século vinte e um!  Serão apenas cinco minutinhos, cinco preciosos minutos e que não poderão ser desperdiçados!  Quer dizer, ao mesmo tempo em que estaremos nos deixando inundar pela escuridão da Lua, estaremos também nos deixando embevecer com o ressurgimento das estrelas e das constelações!
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Anteriormente e sob céus rurais, mais escuros e transparentes e mesmo com a intensa luminosidade da Lua Cheia, podíamos visualizar somente a constelação Orion por inteiro...

No entanto, com o passar do tempo e com o ressurgimento das estrelas compondo as constelações, fomos nos surpreendendo com um delicioso jogo de passa-tempo: quem adivinha a constelação que agora agorinha acabou de se formar?.....

E, enquanto a Lua estiver sendo inteiramente escurecida pela sombra de nós, Terráqueos, pela nossa Terra, nossa amada Mãe-Gaia, também poderemos nos deixar mergulhar no encantamento do céu estrelado que se mostra por inteiro!

Se antes podíamos apenas visualizar Saturno e Antares, agora poderemos visualizar as estrelas que compõem suas Garras (ou Cabeça), seu corpo sinuoso e sua Cauda!

Se antes podíamos apenas visualizar Júpiter e Regulus, agora poderemos visualizar o asterismo da Foice, em Leão, e, com a boa ajuda de um par de binóculos, o Presépio, em Cancer!

Se antes podíamos apenas visualizar Canopus, o Motorneiro do Navio, agora poderemos visualizar o Navio como um todo... e ainda, com boa sorte e talvez com a boa ajuda de um simpática par de binóculos, o encontro entre aquilo que poderia ser a Proa do Navio e a parte Traseira do Centauro!


Nâo podemos nos esquecer que o tempo está passando e o espaço vem acontecendo e fazendo com que a sombra da Terra já esteja atrevendo-se a começar a deixar a Lua...

Penso, no entanto, que não podemos deixar de ainda observar a constelação da Virgem e seus arredores.... porque, afinal, é bem nesse canto do céu estrelado que o espetáculo do Eclipse Total da Lua está acontecendo!

Virgem é uma constelação imensa.  A olho nú e em lugares de céus escuros e transparentes, podemos observar a presença de muitas estrelinhas pouco luminosas espraiadas ao longo de uma imensa região do céu ocupada por esta constelação - com a exceção de suas estrelas Alpha, Beta e Gamma - Spica, Zavijavah e Porrima -,respectivamente, todas três situadas bem próximas à Linha da Eclíptica e, dessa forma, sendo visitadas com freqüência pela Luabem como pelo Sol uma vez ao ano e pelos Planetas em suas trajetórias ao longo do Zodíaco.  

Spica é uma estrela que sempre chama atenção por seu brilho e sua altivez.  Um tantinho ao norte, outra estrela acompanha  e rivaliza com Spica: é Arcturus, a estrela Alpha do Boieiro.  

Ainda antes da chegada de Spica, o Corvo, em seu vôo elipsal voltado para o sul, vem anunciando a Virgem.  

Em termos das constelações do Zodíaco, o garboso Leão antecede a Virgem e realmente seu desenho de estrelas é bem impressionante e bem marcado pela estrela Alpha Regulus, o pé do rei dos animais, e pela estrela Beta Denebola, sua cauda. 

Entre o Leão e o Boeiro, encontraremos um pedaço do céu que é verdadeiramente maravilhoso: a Cabeleira de Berenice, com suas tímidas estrelinhas formando suas sedosas mechas - espetáculo que pode ser visualizado somente em lugares de céus escuros e transparentes, com toda a certeza.  

E a Virgem é seguida pela Balança, constelação que se evidencia por suas duas estrelas ponteadoras dos pratos a serem bem equilibrados, Zubenelzenubi e Zubenelschemalli. 

A Balança marca a presença do Escorpião de tal forma que, antigamente, as estrelas Alpha e Beta Librae eram consideradas como as Garras do Escorpião. 

É sempre muito interessante se poder acompanhar o enredilhado rastejador das tímidas estrelinhas da Hydra, com sua cabeça apontando para a também tímida constelação de Câncer acolhendo seu maravilhoso Presépio, berço de estrelas-bebês que viajam juntas, e com seu coração batendo intensamente através sua estrela Alpha, Alphard, e seu corpo seguindo enredilhando e rastejando apresentando o sul para o Leão, para a Taça, para o Corvo, para a Virgem...,indo terminar na Balança.  

Alguns mapas celestes nos mostram um dos pés da Virgem já adentrando a constelação da Balança e é interessantíssimo se notar o fato de que neste lado do céu surge a figura estranha da Cabeça da Serpente, belíssimo asterismo a ser observado apenas em lugares de céus escuros e transparentes.  

A Cabeça da Serpente parece estar guardando tanto os pés da Virgem quanto, e fundamentalmente, a Coroa Boreal, espetáculo de retirar o fôlego, pequeno arco de estrelas situado entre o Boeiro e o Herói Sentado, Hercules.


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E a Lua, será que nos esquecemos de olhar a Lua? ...................................................................................................................... 



http://www.space.com/19195-night-sky-planets-asteroids-webcasts.html?cmpid=NL_SP_weekly_2015-04-03



De repente, não mais do que de repente, uma vaga luminosidade começa a adentrar nossa Lua: terminou o tempo do eclipse total................ Diferente do Sol – que termina seu eclipse com um espetacular Anel de Diamante – nada acontece, apenas que, de mansinho, essa luz tímida vai ganhando mais força através da vermelhidão escurecida da Lua.

O clarão esbranquiçado volta a correr atrás das estrelas que, tímidas, se escondem, apenas algumas restam, aquelas de sempre que podem ser vistas mesmo em centros urbanos cheios de poluição atmosférica ou de luz artificial....

A luz da Lua volta a iluminar as terras. Continuamos nossa jornada celeste ainda deitados sobre a grama e sob o céu que vai perdendo, uma a uma, suas estrelinhas....  É sempre um prazer poder acompanhar o final do espetáculo do eclipse da Lua. 

Depois de um tempo, certamente, resolveremos caminhar pelas redondezas intensamente iluminadas pelo allbedo lunar, formando sombras esquisitas nas árvores e no chão de terra e em nossas figuras projetadas. Os cachorros uivam para o luar, os namorados se retiram para namorar.

Terá sido mais uma noite de espetáculo no céu.

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
Janine Milward