domingo, 25 de outubro de 2015

Vênus e Júpiter e Marte iluminando o horizonte leste, na madrugada sonolenta

Olá!

Nas madrugadas sonolentas do domingo, segunda e terça,
Caro Leitor,
e em horizonte leste bem baixo,
não perca o belíssimo e iluminado encontro
entre Vênus e Júpiter e ainda Marte
concluindo suas visitas à belíssima constelação do Leão.

Júpiter, mais vagarosamente, poderá também ser visto
enfronhando-se nos cabelos da Virgem ainda durante o mês de dezembro.
No entanto, estará retomando seu aparente andamento
sobre o rei dos animais dos céus estrelados
a partir dos primeiros dias de janeiro de 2016
(quando engendrará seu movimento retrógrado),
novamente visitando o ponto onde ora se encontra
em março e em junho do próximo ano
e somente adentrando o corpo virginal por volta de julho
e já próximo ao horizonte oeste e ao cair da noite.

Vênus, a estrela matutina, estará enfronhando-se nos cabelos da Virgem
já nos primeiros dias do mês de novembro
enquanto Marte estará seguindo este caminho no miolo desse mesmo mês.

À medida que a Virgem começar a surgir mais e mais cedo no horizonte leste,
estaremos podendo continuar observando o andamento de Vênus e Marte
através o corpo virginal...  Ao final do mês de novembro, ainda poderemos
observar Vênus em horizonte leste bem baixo, realmente,
e cumprimentando a estrela-alpha Virginis, Spica,
enquanto Marte, um tantinho mais alto no horizonte leste,
estará cumprimentando a estrela-gamma Virginis, Porrima.

Ao final do mês de dezembro, será a vez de Marte cumprimentar 
a estrela-alpha Virgnis, Spica,
enquanto Vênus já estará pesando-se na Balança, Libra,
e sempre em horizonte leste bem baixo, realmente,
já buscando esconder-se de nossa visão.

Nesta Postagem, Caro Leitor,
encontre algumas palavras acerca 
os Mitos voltados para Júpiter, o deus dos deuses,
e para os amantes olímpicos, Marte e Vênus.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward



Stellarium

Stellarium

Stellarium






Algumas Palavras acerca os
Mitos sobre Júpiter, Marte e Vênus




Júpiter,
o deus dos deuses








Júpiter é filho de Cronos e Rea, Saturno e Cibele.  Saturno sabia que seria destronado por um dos seus filhos.  E passou a engolir um a um, logo após seus nascimentos.  Entretanto, sua mulher traçou um plano junto a Gaia, a Mãe-Terra: quando estava prestes a dar luz ao próximo rebento, ocultou-se em uma caverna e lá Júpiter veio ao mundo.  Gaia recolheu o menino em seus braços e Cibele retornou ao lar e lá apanhou uma pedra, envolveu em panos e entregou a Saturno que, imediatamente, a devorou.

Cibele salvara seu filhos mas havia, ao mesmo tempo, selado a profecia: em dia próximo, o último filho de Cronos tomaria das armas para encerrar o sombrio reinado de sangue.  E para sempre se instalaria no trono do mundo.

Ao crescer, Júpiter se aliou aos irmãos e aos monstros, destronou Saturno e venceu os Titãs e os Gigantes.  Com a tríplice vitória, firmou-se como senhor absoluto do mundo e encerrou o ciclo de divindades tenebrosas, das forças desordenadas, que, como Cronos, o Tempo, a tudo corrompem e destroem.  Sua vitória pode ser compreendida como a vitória da Ordem e da Razão sobre os instintos e as emoções desenfreadas.  É Júpiter quem abre aos homens o caminho da razão e ensina-lhes que o verdadeiro conhecimento só é obtido a partir da dor.  Mas não assiste impassível aos sofrimentos humanos, ao contrário, compadece-se... apenas não se deixa levar pelas emoções, pis é a imagem da justiça e da razão.  Sabe que não pode intervir nas descobertas pessoais: cada qual  tem de viver sozinho sua própria experiência.  Limita-se a premiar os esforços honestos e a punir as impiedades.

Por todos esses atributos, Homero chamou-o de ‘pai dos deuses e dos homens’.    Como rei, Júpiter comanda o Olimpo e os homens.  Como rei e pai, Júpiter alcançou regiões imensas pois teve vários filhos e com várias mulheres e todos estes filhos espalharam-se mundo afora, tanto na terra, quanto nos mares e até nos mundos ínferos (como é o caso de Perséfone, filha que teve com Ceres e que foi raptada por Plutão, para ser sua esposa).  As Graças, as Musas, as Horas, as Moiras, Apolo e Diana, Perseu, Hércules, Baco, Helena e Pólux... todos são seus filhos e alguns outros mais. 









Marte, Deus da Guerra
e apaixonado por Vênus

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mars_Valles_Marineris.jpeg


Source
Author
NASA / USGS (see PIA04304 catalog page)




http://pt.wikipedia.org/wiki/Marte_%28mitologia%29#mediaviewer/File:Venus_and_Mars.jpg


Marte e Venus, por Sandro Botticelli


A figura de um deus da guerra é comum a todos os povos antigos, porque a guerra era constante entre eles.  Assim, também para os gregos - embora estivessem mais voltados para o comércio, para as artes, para a reflexão filosófica.  Contavam com duas divindades guerreiras: Pallas Athenas (Minerva) e Ares (Marte), ambos filhos de Zeus (Júpiter), mas não venerados com igual devoção e mesma intenção.

Athenas era cultuada e invocada em todas as batalhas para inspirar atos heróicos, encorajar a defesa de ideais nobres e conduzir à vitória da inteligência sobre a força bruta.  Marte, Ares, era um deus cruel, instintivo, companheiro constante do medo, do terror e da discórdia (personificados, respectivamente, por seus filhos com Vênus, Fobos e Deimos e também por Eris)

Homero, em sua Ilíada que narra a guerra de Tróia, coloca em cena, defrontando-se diretamente, os dois deuses.

Os romanos, no entanto, tinha Mars ou Marte como o pai de Rômulo e Remo, fundadores de Roma.

Inicialmente era considerado deus das tempestades e se constituía em divindade agrícola.  Mais tarde, esta força incrível da natureza passou a ser considerada como deus da guerra, um deus guerreiro, protetor de suas lutas e de suas conquistas.  E esta evolução coincide com a própria  evolução da história romana.  Assim, na época das conquistas, os romanos colocaram o deus da guerra à frente de todas as ouras divindades.

Impetuoso nas batalhas como no amor, Marte, deus da guerra, filho de Júpiter e de Juno, uniu-se a várias mulheres, e nelas gerou numerosos filhos.

De sua aventura com a bela Vênus, nasceram Cupido, personificação do desejo amoroso, e Harmonia, esposa de Cadmo; Deimos, o terror, e Fobos, o medo, que acompanhavam o pai nos combates. 












Vênus (Afrodite)
nascida da espuma do mar,
Deusa do Amor
e apaixonada por Marte

Venus - Computer Simulated Global View Centered at 180 Degrees East Longitude
Image Credit:
NASA/JPL
http://photojournal.jpl.nasa.gov/catalog/PIA00104

http://pt.wikipedia.org/wiki/Afrodite#mediaviewer/File:Sandro_Botticelli_-_La_nascita_di_Venere_-_Google_Art_Project_-_edited.jpg






Urano, o céu estrelado, uniu-se à Terra e nela fecundou os Titãs, Ciclopes e Gigantes.  Saturno, o mais jovem dos Titãs, foi o escolhido por sua mãe para livrar-se de Urano e durante a noite, quando seu pai desceu para cobrir a Terra, Gaia, aproximou-se e, com um golpe único e violento, cortou os testículos do pai e atirou-os ao mar.

O sangue de Urano jorrou sobre a Terra e novamente a fecundou: nasceram as Eríneas, terríveis deusas da vingança.  Distante, no mar, aos poucos foi se formando uma espuma, nascida dos órgãos arrancados de Urano.  E desta espuma brotou Afrodite, Vênus, a mais bela dentre as deusas, emergindo das águas, amparada numa grande concha de madrepérola.  Vênus é conduzida ao Olimpo e todos clamam sua beleza.

Inicialmente, Vênus era considerada a deusa do instinto da fecundidade.  Sua ação era ilimitada, abrangendo toda a natureza com seus componentes humanos, animais e vegetais. 

Acreditava-se que ela espalhava o elemento úmido, causa fundamental de todo princípio gerador e de toda a fecundidade na natureza.

Somente mais tarde é que Afrodite/Vênus passou a ser a deusa do amor - no início protetora das formas mais nobres e puras desse sentimento.  Com o tempo, passou a personificar o amor em seus inúmeros aspectos, recebendo outros nomes e cultos diversos: Afrodite Urânia (celeste) que simboliza o amor puro e ideal; Afrodite Pandemos era deusa do amor sensual e venal.

Segundo Homero, somente três das divindades olímpicas não se deixavam seduzir por Vênus: Pallas Athenas (Minerva), Ártemis (Diana) e Héstia (Vesta).  Recusando-se a obedecer às suas leis, de Vênus, estas deusas têm as atribuições que os gregos consideravam mais importantes, por constituírem a nobreza e a beleza da vida: a arte, o lar e a honra.

O amor de Vênus e Marte aconteceu a partir do momento em que Marte abandonou as atitudes brutais e aproximou-se da deusa do amor oferecendo-lhe seu corpo perfeito, dizendo-lhe palavras de afeto.  Cumulou-a de ricos presentes.  Apaixonaram-se e fizeram planos para se unirem no amor.  Encontravam-se à noite enquanto Vulcano, esposo de Vênus, trabalhava em sua forjaria.  Marte sempre levava consigo o jovem Alectrião, seu confidente, para lhe avisar quando chegasse o Sol.  Uma noite, porém, Alectrião adormeceu e o Sol surpreendeu os amantes que dormiam abraçados.  O Sol, indignado, foi avisar Vulcano que, pacientemente, teceu uma rede e aguardou o momento adequado para flagrar o amor ilícito entre Vênus e Marte.  E assim aconteceu.  Alectrião foi transformado por Marte em um galo, condenado a advertir eternamente os homens do despertar do sol.

Vênus teve quatro filhos com Marte, seu amante ideal: Cupido, Harmonia, Deimos e Fobos - os dois primeiros representando os elementos positivos contidos no mito venusiano e os dois últimos, o aspecto negativo sintetizado na figura de Marte, violento deus da guerra.

Com Mercúrio, Vênus teve Hermafrodito, figura dupla de homem e de mulher.  Com Baco, Vênus gerou Príapo, protetor dos bosques, jardins e vinhas.  Com Anquises, um mortal, Vênus deu a luz a Enéias, famoso herói troiano.  Com Vulcano, seu esposo, não teve filhos.


Os textos acima são sintetizados por Janine e extraídos de alguns Fascículos da antiga coleção Mitologia, publicada pela Abril Cultural, ainda na década de 1960.




http://www.raremaps.com/gallery/detail/36626/The_April_May_and_June_Sky_Virgo_Leo_Libra_Leo_Minor_Ursa_Major/Burritt.html

Title: The April, May & June Sky   Map Maker: Elijah J. Burritt


Os desenhos formados pelas estrelas 
são como janelas que se abrem para a infinitude do universo 
e que possibilitam nossa mente 
a ir percebendo que existe mais, bem mais, 
entre o céu e a terra...; 
bem como percebendo que o caos,
 vagarosamente, 
vai se tornando Cosmos 
e sendo por nossa mente conscientizado.  

Quer dizer, 
nossa mente é tão infinita quanto infinito é o Cosmos.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward