terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Argo Navis, o Navio, e sua Popa (não Proa e sim Popa!)



Olá!

Argo Navis, o (antigo) Navio
 - hoje desmembrado em Popa, Quilha e Vela - 
é uma constelação que sempre nos traz muitas surpresas.

Uma dica bem interessante é começarmos nossa viagem
a partir do Gigante Caçador, Orion 
(não tem quem não conheça e reconheça esta constelação, 
sempre nos apresentando suas três estrelinhas 
chamadas popularmente de As Três Marias!)
 e então sermos "chamados" pelo brilho intenso 
da estrela-alpha Canis Majoris, Sirius.

É sempre muito fácil nos sentirmos atraídos
pelo chamado do brilho intenso e do piscar
da estrela-alpha Canis Majoris, Sirius, a bela.

Olhando um tantinho ao sul,
Canopus, estrela-alpha Carinae, 
o comandante de Argo Navis, o Navio,
também nos atrai a atenção!

Se bem observarmos
- e sempre em lugares de céus escuros e transparentes
e em noites de ausência de Lua -,
encontraremos entre essas duas maravilhosas estrelas
- Sírius e Canopus -
uma espécie de paredão, uma muralha de estrelinhas tímidas...:
é a Pôpa do Navio, Puppis!


Stellarium


Programa Stellarium



Esse paredão, essa muralha de estrelinhas tímidas
não se apresenta em linha reta, não,
bem ao contrário, é como se este paredão de estrelas
 figurasse madeiras encaixadas,
madeiras e madeiras formando quase um desencaixe,
um ziguezague de estrelas emparedadas...

Sendo assim,
podemos compreender muitíssimo bem
o porquê, a razão das ilustrações antigas mostrarem
essa madeira de estrelas figurando a Pôpa de um Navio.



Em tempo: 
na conclusão das estrelas formadoras da Pôpa 
propriamente dita,
vamos encontrar a belíssima e delicada constelação
a Pomba de Nóe, Columba
(sobre a qual estaremos conversando em outra oportunidade).


E penso ser interessante enfatizarmos o fato
de que estamos diante da Pôpa do Navio, realmente,
e não daquilo que poderíamos pensar como a Proa.
Não, é a Pôpa.  

Argo Navis é o Navio, 
sempre coroado de estrelinhas esfumaçadas
 pois que carrega consigo um pedacinho da Via Lactea!


Aliás, exatamente pelo fato de a Via Lactea
fazer parte tão importante no Navio,
é que estaremos comentando, 
 - ousadamento (eu confesso) -,
sobre algumas questões voltadas para o fato de que
o Navio consiste de Pôpa, Quilha e Vela 
e sempre foi assim - mesmo antes de ser desmembrado
em três constelações, mais recentemente
(em 1756, pelo astrônomo Abbe La Caille, 
quando morando e trabalhando na África do Sul 
e observando os céus estrelados do hemisfério austral).


Stellarium

Stellarium


Stellarium



E as belíssimas Ilustrações antigas
bem como o próprio Mito sobre Argo Navis, nos relatam:

Quando Argo Navis passou através o Estreito de Bósforo 
e rochas desmoronaram,  

o Navio foi virado e naufragou....; 

e subiu aos céus 

porém sem estrelas apresentando desde a Proa até o mastro.

... mas todo o resto é brilhante!

(Assim R. H. Allen comenta 

sobre os dizeres de Aratos acerca esta circunstância).

Ao final desta Postagem, Caro Leitor,
após termos apresentando algumas informações
sobre estrelas e objetos celestes interessantes 
encontrados em Puppis, Popa,
estaremos trazendo meus comentários pessoais
sobre a ausência da Proa em Argo Navis, o Navio.






Nossa Viagem em Argo Navis, o Navio, constará de quatro Postagens:

- dia 28 de dezembro - Conhecendo Carina, a Quilha, e os fantásticos tesouros que ali se escondem

- dia 29 - Vela ao vento: Argo Navis, o Navio, vem navegando nos mares estrelados mais ao sul.

- dia 30 - Argo Navis, o Navio, e sua Popa, Puppis (não Proa e sim Popa!)
(Nossa Postagem de hoje, Caro Leitor!)

- E, finalmente, no dia 31, bem na virada do ano velho para o ano novo:
 Réveillon no Navio, Argo Navis, 
sob a Lua Minguante iluminando Júpiter e Marte 
e Vênus e Saturno surgindo ao longo da madrugada festiva!


Com um abraço estrelado,
Janine Milward



The image for the "Historical Essay" is taken from Andreas Cellarius, Harmonia macrocosmica, 1661.



Julius Schiller, Coelum stellatum Christianum, 1627




PUPPIS, A PÔPA DO NAVIO


Mario Jaci Monteiro - As Constelações, Cartas Celestes

Mario Jaci Monteiro - As 88 Constelações, Cartas Celestes








PUPPIS, POPA



 Posicionamento:
Ascensão Reta 6h2m / 8h26m   Declinação -11o.0 / -50o.8



Mito
Esta constelação representa o navio no qual Jasão trouxe o Velocino de Ouro para Colquita - e dizem que foi o primeiro Navio a ser construído.



Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

Esta constelação, o Navio, fazia parte do grupo de 48 constelações relacionado por Ptolomeu.  Porém, La Caille dividiu o Navio em
Carina, Vela e Puppis, Quilha, Vela e Popa

A Popa é facilmente identificável a partir da localização de Canopus, estrela-alpha do Navio Argos e situada na parte de Carina, a Quilha, e buscando o padrão de estrelas que ficam ao norte.  (Do ponto de vista de quem está no hemisfério sul, é possível se identificar a Popa já muito próxima a Sirius, a estrela-alpha do Cão Maior, até chegar a Canopus, a estrela-alpha do Navio.
Existem alguns aglomerados abertos nesta constelação sendo que o mais brilhante é M47, visível a olho nu.  M46 e M93 são mais pálidos porém também considerados como objetos interessantes a serem observados.  M46 e M47 situam-se próximos a Sirius (que atua enquanto ponto de referência, é claro).



Fronteiras:
Puppis situa-se entre as constelações Canis Major, Columba, Pictor, Carina, Vela, Pyxix, Hydra, Monoceros



- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986






Algumas Estrelas 
e alguns objetos interessantes, 
em Popa:





Kappa Puppis - Estrela Dupla
AR 07h36m  Dec - 26o.41
M 4,5 e 4,6  Distância entre estrelas 9”,95


Suhail Hadar ou Naos - Zeta Puppis
Ascensão Reta 8h - Declinação - 40o.
Magnitude visual 2.23 - Distância 2.300 anos-luz
O Navio, vocábulo grego que designa a estrela situada na popa do Navio, antiga constelação austral.




Programa Stellarium trabalhado no Programa Corel




Sigma Puppis - Estrela Dupla
Ascensão Reta 07h27m  Declinação - 43o.12
Magnitude 3,3 e 8,5  Distância entre estrelas 22”,36


L Puppis - Estrela Variável
Ascensão Reta  07h12m    Declinação -44o.34
Magnitudes: Max 3,1  Min  6,3  Período 140,7
Tipo PLG   Espectro M5e




V Puppis - Estrela Variável do  tipo B Lyrae
Ascensão Reta 07h56m      Declinação -49o.06
Magnitudes: Max 4,1  Min 4,8   Período 1,5
Tipo LIR   Espectro B1





- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986


Programa Stellarium trabalhado em Programa Corel




OS OBJETOS MESSIER ACOLHIDOS POR PUPPIS, A PÔPA
Caro Leitor,
Observe as Ilustrações abaixo
- em ambas sendo apontado o Objeto Messier 46
(que, por sua vez, fica bem próximo ao Objeto Messier 47) -,
e perceba primeiramente que todo o Navio vem envolvido
pelo braço da Via Lactea que corre de norte a sul;
e também perceba que
os Objetos M46 e M47 encontram-se bem próximos
à constelação Monoceros, o Unicórnio
(embora a estrela mais próxima a nos guiar será Sírius!),
enquanto sabemos que M93 encontra-se bem próximo
à constelação Canis Major, o Cão Maior!

Quer dizer,
esses três Objetos Messier em Puppis
encontram-se já bem ao norte de toda a constelação do Navio
- ou seja, em situações ainda praticamente bem visíveis
para os observadores/moradores do hemisfério norte.


http://www.stellarium.org/pt/
http://www.stellarium.org/pt/





M 46 - Aglomerado Aberto, em Puppis

e
M 47 - Aglomerado Aberto, em Puppis
Estes dois Aglomerados podem ser vistos a olho nu e bem esfumaçadamente,
 próximos ao Cão Maior e sua estrela-Alpha, Sirius.

NGC 2437 - M 46  - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 07h40m  Declinação -14o.46
Magnitude fotográfica global 6,6  Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 10,8 Distância kpc 1,66   Diâmetro 27’  Tipo Espectral B8


- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986




http://www.stellarium.org/pt/











Programa Stellarium




M 93 - Aglomerado Aberto, em Puppis


NGC 2422 - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 07h34m  Declinação -14o.27
Magnitude fotográfica global 4,3  Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 9,8
Distância kpc 0,48  Diâmetro 30’  Tipo Espectral B3



- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986
M 93, NGC 2447, open cluster in Puppis (center)
visible with binoculars

http://www.allthesky.com/constellations/puppis/dsos.html

© all photographs taken by Till Credner and Sven Kohle




Messier 93 (also known as M93 or NGC 2447) is an open cluster in the constellation Puppis. It was discovered by Charles Messier in 1782.
M93 is at a distance of about 3,600 light years from Earth and has a spatial radius of some 10 to 12 light years. Its age is estimated at some 100 million years.
Walter Scott Houston described its appearance as follows:[1]
Some observers mention the cluster as having the shape of a starfish. With a fair-sized telescope, this is its appearance on a dull night, but [a four-inch refractor] shows it as a typical star-studded galactic cluster.
http://en.wikipedia.org/wiki/Messier_93






SAIBA MAIS SOBRE OS OBJETOS MESSIER 
ACOLHIDOS POR PUPPIS, A PÔPA,
acessando
http://oceudomes.blogspot.com.br/2014/10/m46-m47-m93-os-objetos-messier-em.html

NGC 2477 - Aglomerado, em Puppis
O mais rico dos muitos aglomerados existentes na Popa do Navio.



NGC 2477 é um aglomerado aberto na direção da constelação de Puppis. O objeto foi descoberto pelo astrônomo Nicolas Lacaille em 1751, usando um telescópio refrator com abertura de 0,5 polegadas. Devido a sua moderada magnitude aparente (+5,8), é fracamente visível a olho nu, mesmo em regiões distantes de cidades.

http://pt.wikipedia.org/wiki/NGC_2477

NGC 2451 - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 07h44m   Declinação -37o.55
Magnitude fotográfica global 3,7 Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 6,0 
Distância kpc 0,30  Diâmetro 37’Tipo Espectral B5

- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986



NGC 2451 é um aglomerado aberto na direção da constelação de Puppis. O objeto foi descoberto pelo astrônomo John Herschel em 1835, usando um telescópio refletor com abertura de 18,6 polegadas. Devido a sua moderada magnitude aparente (+2,8), é visível apenas com telescópiosamadores ou com equipamentos superiores.



Ficheiro:NGC 2451 a.jpg

Detalhe de uma das estrelas de NGC 2451

Autor: Toraman


ngc2451.jpg
NGC 2451, open cluster in Puppis (center)
visible by naked eye

NGC 2546 - Aglomerado Aberto Puppis
Ascensão Reta 08h11m  Declinação -37o.35
Magnitude fotográfica global  5,0  Magnitude fotográfica da mais brilhante estrela 7,0
 Distância kpc 0,84     Diâmetro 45’    Tipo Espectral B0



- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986



NGC 2546 é um aglomerado aberto na direção da constelação de Puppis. O objeto foi descoberto pelo astrônomo Nicolas Lacaille em 1751, usando um telescópio refrator com abertura de 0,5 polegadas. Devido a sua moderada magnitude aparente (+6,3), é visível apenas com telescópiosamadores ou com equipamentos superiores.


ngc2546.jpg
NGC 2546, open cluster in Puppis (center)
visible with binoculars






Cometary Globule CG4


The Hand of God
Image Credit: T.A. Rector/University of Alaska Anchorage, T. Abbott and NOAO/AURA/NSF
CG4 (also known as The Hand of God) is a cometary globule that lies about 1,300 light-years away from Earth in the southern constellation of Puppis (the Stern). Its “head” is some 1.5 light-years across, and its “tail” is about eight light-years long. This dusty, star-forming region contains enough gas and dust to form several stars about the size of the Sun.






Haffner 18, an open star cluster in Puppis

Haffner 18, an open star cluster in Puppis
Image Credit: ESO

Haffner 18 is an open star cluster that lies in the center of the emission nebula NGC 2467, some 19,200 light-years away from Earth in the southern constellation of Puppis (the Stern). Its age is somewhat controversial, some considering it to be as young as only 1 million years.





Puppis A, a middle-aged supernova remnant
Puppis A, a middle-aged supernova remnant
Image Credit: NASA/JPL-Caltech/UCLA/WISE Team
Puppis A is a middle-aged supernova remnant of about 10 light-years in diameter, located some 7,000 light-years away in our Milky Way, in the constellation of Puppis. The supernova explosion took place — and would have been seen on Earth as a new bright star in the sky — approximately 3700 years ago, but was eventually forgotten until modern astronomers found it again in October 1971.




Rotten Egg Nebula JPEG converted from [http://www.jpl.nasa.gov/images/wfpc0824.tif TIF] @ JPL, NASA {{PD-USGov-NASA}
The Calabash Nebula, also known as the Rotten Egg Nebula or by its technical name OH 231.84 +4.22, is a protoplanetary nebula (PPN) 1.4 light years (13 Pm) long and located some 5,000 light years (47 Em) from Earth in the constellation Puppis.
Violent gas collisions that produced supersonic shock fronts in a dying star are seen in a new, detailed image from NASA's Hubble Space Telescope.
Calabash Nebula
Observation data (Epoch J2000)
Right ascension07h 42m 16.83s [1]
Declination−14° 42′ 52.1″[1]
Distance4.2 kly (1.3 kpc[2]
Apparent magnitude (V)9.47[1]
Apparent dimensions (V)1′[citation needed]
ConstellationPuppis
Physical characteristics
Radius0.7 ly[a]
Absolute magnitude (V)-1.4[b]
Notable features-
Other designationsOH 231.84 +4.22,[1]
Rotten Eggs Nebula[1]










See Explanation.  Clicking on the picture will download
 the highest resolution version available.
http://apod.nasa.gov/apod/ap130909.html
Nearby Cepheid Variable RS Pup 
Image Credit: Hubble Legacy ArchiveNASAESA - Processing: Stephen Byrne
Authors & editors: Robert Nemiroff (MTU) & Jerry Bonnell (UMCP)
NASA Official: Phillip Newman Specific rights apply.
NASA Web Privacy Policy and Important Notices
A service of: ASD at NASA / GSFC
& Michigan Tech. U.






http://www.raremaps.com/gallery/detail/35290/Hemisphaerium_Coeli_Australe_in_quo_Fixarum_loca_secundum_Eclipticae_ductum/Doppelmayr.html

Hemisphaerium Coeli Australe in quo Fixarum loca secundum Eclipticae ductum ad anum 1730 . .





 Argo Navis é
o Navio sempre coroado de estrelinhas esfumaçadas
 pois que carrega consigo um pedacinho da Via Lactea!
Aliás, exatamente pelo fato de a Via Lactea
fazer parte tão importante no Navio,
é que viemos comentando, 
 - ousadamento (eu confesso) -,
sobre algumas questões voltadas para o fato de que
o Navio consiste de Pôpa, Quilha e Vela 
e sempre foi assim - mesmo antes de ser desmembrado
em três constelações, mais recentemente
(em 1756, pelo astrônomo Abbe La Caille, 
quando morando e trabalhando na África do Sul 
e observando os céus estrelados do hemisfério austral).




Stellarium

Stellarium



E a Proa, onde está a Proa, por que não existe Proa 
em Argo Navis, o Navio Argus?









O Mito sobre Jasão e os 50 Argonautas,
sobre a construção do Argo Navis
e sobre sua Viagem
nos diz que

Quando Argo Navis passou através o Estreito de Bósforo e rochas desmoronaram,  
o Navio foi virado e naufragou....; 
e subiu aos céus 
porém sem estrelas apresentando desde a Proa até o mastro.
... mas todo o resto é brilhante!

Assim R. H. Allen comenta 
sobre os dizeres de Aratos acerca esta circunstância.
(Leia mais ao final desta Postagem, 
minha (Janine) tradução simples e literal e sintetizada
do texto de Allen sobre os Mitos relacionados ao Navio)


Aparentemente, as rochas desmoronaram exatamente sobre a Proa 
- daí uma explicação mítica sobre seu desaparecimento....
 quando o Navio foi levado aos céus, segundo o Mito.
Convido você, então, Caro Leitor,
a buscarmos por algum tipo de explicação não-mítica
que nos sacie em nossos questionamentos
do porquê Argo Navis, o Navio, 
não se apresentou nunca nos céus estrelados 
com sua Proa 
e sim somente com sua Pôpa, sua Quilha e sua Vela!

Vamos então conhecer um tantinho a mais sobre esta imensa constelação
 do passado e que foi, infelizmente, 
recentemente desmembrada em três constelações?

Argo Navis fazia parte das 48 constelações catalogadas por Ptolomeu. 
 La Caille desmembrou esta constelação em Quilha, Pôpa e Vela, em 1756
 - ano em que introduziu mais 14 constelações ao catálogo oficial, todas ao sul.



http://mexicanskies.com/constellations/argo-navis-johannes-hevelius.jpg



Se partirmos nossa busca pelo Navio 
a partir da belíssima estrela-alpha Canis Majoris, Sirius,
desviaremos o olhar um tantinho a oeste e ao sul.... e
 encontraremos quase um paredão de estrelas! 

 Isso se constitui no começo da Pôpa do Navio, Puppis,
 e é absolutamente surpreendente em sua visão 
- sempre em momentos sem-lua 
e em lugares de céus escuros e transparentes.





Programa Stellarium



Podemos perceber, 
ao estudarmos um tantinho a mais sobre as constelações 
ao sul dos céus estrelados, 
que estas parecem se confundir com um verdadeiro paraíso, não é verdade?.....  




http://www.artworkoriginals.com/EB5TB6UA.htm

Fritz Wegner 
Austrian 1924 



Talvez tenha sido como um paraíso que as mentes do passado 
e habitando o hemisfério norte 
poderiam considerar as terras mais ao sul e, 
como um espelho celeste,
 os céus estrelados do hemisfério sul..., 
onde seus olhos não conseguiam enxergar 
mas conseguiam imaginar, sem dúvida alguma!



É bem possível que as mentes do passado tenham mitificado 
a constelação do Navio sem uma Proa...
 pelo simples fato de que suas visões dos céus estrelados do sul 
não lhes permitiam delinear essa figuração estelar,
 lhes barrando os olhares sobre Argo Navis...,
 quase como o Navio estivesse desaparecendo no horizonte longínquo,
afastando-se, rumando em frente
 e em direção à curvatura do oceano dos céus estrelados...
navegando para ainda além do horizonte....,
nos deixando entrever apenas sua Pôpa, sua Vela e parte de sua Quilha.



Nesta Ilustração, veja O Navio visualizado na Grécia:


Programa Stellarium





Podemos pensar, no entanto,
 em outras questões 
que possam nos fazer melhor compreender 
sobre a ausência da Proa do Navio....



Segundo Richard H. Allen, em seu livro 
Star Names, Their Lore and Meaning 
– fantástico livro e já em domínio público 
e publicado na Internet
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Gazetteer/Topics/astronomy/_Texts/secondary/ALLSTA/Argo_Navis*.html – 
e traduzindo literalmente o texto abaixo, 
de forma simples e sintética, por  mim, Janine:


O Navio parece não ter Proa ....................
Segundo Aratos, a perda da Proa parece haver ocorrido

when Argo pass'd
Through Bosporus betwixt the justling rocks —
All Argo stands aloft in sky

Part moves dim and starless from the prow
Up to the mast, but all the rest is bright;


Quando Argo Navis passou através o Estreito de Bósforo e rochas desmoronaram,  o Navio foi virado e naufragou....; 
e subiu aos céus porém sem estrelas 
apresentando desde a Proa até o mastro.... 
mas todo o resto é brilhante!





Programa Stellarium




A bem da verdade, 
quando as constelações e estrelas e objetos mais ao sul
 foram sendo observados por astrônomos advindos de países do hemisfério norte
 e nomeados e ordenados, 
no cado do Navio
ao invés de a Proa ser inserida, 
bem ao contrário, o Navio foi desmembrado 
em Quilha (Carina), Vela e Pôpa (Puppis).  

E por que a Proa não pôde ser inserida?

Podemos perceber que existe a vizinhança
 composta pela imensa constelação do Centauro 
e exatamente no lugar onde a Proa do Navio poderia ter sido inserida
 podemos ver uma das patas do Centauro 
escudando nosso Cruzeiro do Sul!





http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Argo_Navis_-_Mercator.jpeg
The Mercator Globes at Harvard Map Collection

Constelación Argo Navis, G. Mercator, año, 1.551


Buscando compreender melhor sobre a questão da ausência de Proa
 (já manifestada através o Mito) do Navio, 
pude constatar que  Carinae Nebula acontece exatamente no lugar 
onde a Proa poderia se situar!  
(Veja em 
http://oceudomes.blogspot.com.br/2014/05/a-grande-nebulosa-em-carina.html)


Da mesma forma, 
constatamos que as chamadas Pleiades do Sul ou Austrais
acontecem exatamente no lugar
onde a Quilha poderia ter seu término!
(Veja em
http://oceudomes.blogspot.com.br/2014/05/pleiades-em-touro-e-pleiades-em-carina.html)




Mario Jaci Monteiro - As Constelações, Cartas Celestes



Ou seja, quando as Ilustrações do passado 
mostrando um tanto de fumaça/poeira
 de pedras desmoronadas por sobre a Proa..., 
não seria esta 'fumaça', esta poeira,
a visão aguçada sobre  a Grande Nebulosa Carina
e ratificada sobre as Pleiades do Sul?  


Será?


http://media.skysurvey.org/interactive360/index.html
Programa Sky Survey anotado e marcado por mim no lugar de Eta Carinae Nebula



http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Keyhole_Nebula_by_2MASS.jpg



Sourcehttp://www.ipac.caltech.edu/2mass/gallery/showcase/keyhole/index.html
Author2MASS/G. Kopan

Leia mais, muito mais, sobre a Grande Nebulosa Carina, acessando
http://en.wikipedia.org/wiki/Eta_Carinae_Nebula





No lugar onde deveria se situar a Proa do Navio Argo, 
além da Grande Nebulosa Carina (NGC 3372), 
estaremos encontrando as famosas Plêiades do Sul,
 IC 2602.






http://en.wikipedia.org/wiki/File:IC_2602.jpg
English: The open cluster IC 2602 in the constellation Carina. Computer image created with the astronomy software Perseus.
Italiano: L'ammasso aperto IC 2602 (Pleiadi del Sud) nella costellazione Carena.
  • Fonte: opera propria (sono l'autore)
  • Data: 02 luglio 2007
  • Autore: Roberto Mura
  • Licenza: pubblico dominio.
  • Tratto dal software di simulazione astronomica Perseus, il cui file licenza riporta la seguente dicitura: "I diritti d'autore sulle immagini o i documenti stampati generati con il software appartengono all'utente che li ha realizzati."
  • Detentore copyright: Roberto Mura
http://en.wikipedia.org/wiki/IC_2602





A bem da verdade,
mesmo que volvamos nossa olhar
- enquanto moradores do hemisfério sul -
para os céus estrados austrais,
não estaremos encontrando a Proa do Navio!

Quer dizer,
A Proa do Navio Argus existiu quando de sua construção mítica, sim,
mas nunca existiu em sua representação estelar.




O Mito sobre Jasão e os 50 Argonautas,
sobre a construção do Argo Navis
e sobre sua Viagem
nos diz que


Quando Argo Navis passou através o Estreito de Bósforo e rochas desmoronaram,  
o Navio foi virado e naufragou....; 
e subiu aos céus 
porém sem estrelas apresentando desde a Proa até o mastro.
... mas todo o resto é brilhante!

Assim R. H. Allen comenta 
sobre os dizeres de Aratos acerca esta circunstância.
(Leia mais ao final desta Postagem, 
minha (Janine) tradução simples e literal e sintetizada
do texto de Allen sobre os Mitos relacionados ao Navio)


Aparentemente, as rochas desmoronaram exatamente sobre a Proa 
- daí uma explicação mítica sobre seu desaparecimento....
 quando o Navio foi levado aos céus, segundo o Mito.



http://apod.nasa.gov/apod/ap100514.html


Iguaçu Starry Night 
Image Credit & CopyrightBabak Tafreshi (TWAN)
Explanation: The arc of the southern Milky Way shone brightly on this starry night. Captured on May 4, in the foreground of this gorgeous skyview is the rainforest near the spectacular Iguaçu Falls and national park at the border of Brazil and Argentina. Looking skyward along the Milky Way's arc from the left areAlpha and Beta Centauri, the Coalsack, the Southern Cross, and the Carina Nebula. Sirius, brightest star in planet Earth's night sky is at the far right. Brilliant Canopus, second brightest star in the night, and our neighboring galaxies the Large and Small Magellanic clouds, are also included in the scene. For help finding them, just slide your cursor over the image. Much closer to home, lights near the center along the horizon are from Argentina's Iguazú Falls International Airport.
http://apod.nasa.gov/apod/ap100514.html

A bem da verdade,
 podemos perceber, na Carta Celeste abaixo, 
que a Via Lactea parece esbranquiçar mais e mais 
exatamente no lugar onde a Quilha se conclui 
e onde a Proa do Navio Argo deveria se situar 
- então o Mito compôs essa situação 
como pedras desmoronadas e roladas 
por sobre a Proa
e que  teriam simplesmente
 devastado-a, esmagado-a, destruído-a, ausentes de nossa visão.






Argo Navis constellation map, author: Torsten Bronger
http://www.constellation-guide.com/constellation-list/carina-constellation/





Podemos também pensar na questão que a visão do hemisfério norte 
para os céus estrelados do sul 
acaba trazendo um tom de ampliação lenticular, digamos assim, 
desse horizonte
 e trazendo a impressão de que o Navio
 estaria navegando rumo ao horizonte, 
desaparecendo por entre a fumaça de estrelinhas
 que compõem a Via Lactea naquele lugar....




http://www.raremaps.com/gallery/detail/35290/Hemisphaerium_Coeli_Australe_in_quo_Fixarum_loca_secundum_Eclipticae_ductum/Doppelmayr.html

Hemisphaerium Coeli Australe in quo Fixarum loca secundum Eclipticae ductum ad anum 1730 . .











Julius Schiller, Coelum stellatum Christianum, 1627








  
Os desenhos formados pelas estrelas
 – As Constelações - 
são como janelas que se abrem para a infinitude do universo 
e que possibilitam nossa mente a ir percebendo
 que existe mais, bem mais, entre o céu e a terra ...;
bem como percebendo que o caos, 
vagarosamente,
 vai se tornando Cosmos 
e sendo por nossa mente conscientizado. 

 Quer dizer, nossa mente é tão infinita 

quanto infinito é o Cosmos.

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
Janine Milward