quarta-feira, 11 de maio de 2016

Lua Crescente conversando com os Gêmeos Castor e Pollux

Olá!

É sempre bem interessante, a meu ver,
irmos acompanhando a Lua em seu crescimento
e em seu andamento
quando a noite cai
e a Lua vem caminhando, galgando os céus estrelados,
desde o horizonte oeste, quando de seu momento de Recém-Nova,
buscando pelo meio do céu, o zênite,
quando de seu momento de Crescente...,
até começar a chegar mais e mais cedo
- já podendo ser vista durante a tarde! -
e dirigindo-se para o horizonte leste
e encontrar seu majestoso momento de Cheia!

Nestes tempos de clima seco do outono,
por que não irmos acompanhando o andamento da Lua?

Hoje a noite, 11 de maio,
a Lua Crescente estará iluminando
as duas estrelas mais proeminentes da constelação Gemini, os Gêmeos
- estrelas que nomeiam os irmãos celestes,
Castor e Pollux.

Nesta Postagem,
estaremos trazendo a você 
comentários sobre os Gêmeos Castor e Pollux,
 as estrelas que nomeiam esses irmãos celestes,
as estrelas Alpha e Beta Geminorum!

É sempre interessante observarmos o fato de que 
Castor é considerada a estrela-alpha Geminorum, sim, 
porém é a estrela-beta Geminorum, Pollux, que é mais luminosa!

E também estaremos comentando sobre 

Leda e o Cisne: Mito, Arte, Psicanálise.

Esse é um Mito bem interessante, realmente,
pois que Leda, a mãe, trouxe à luz dois pares de gêmeos
- sendo que, aparentemente, 
Castor e Clitemnestra eram filhos do marido de Leda, o Rei Tíndaro,

enquanto Pollux e Helena eram filhos de Júpiter
(que transmutou-se num Cisne
 - para fugir dos olhos atentos de Juno, sua mulher -
e fazer amor e emprenhar Leda).


O tema de amor entre Leda e o Cisne
tem sido sempre motivação de inspiração pictórica
e para ser cantado em prosa e verso

bem como para a formulação de conceitos na psicanálise!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward



Stellarium

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Mario Jaci Monteiro - Cartas Celestes, As Constelações 
Apoio: CARJ/MEC/CAPES/PADCT-SPEC



 GEMINI, OS GÊMEOS



Posicionamento:
Ascensão Reta  5h57m / 8h6m    Declinação +10o.0 / +35o.4

Mito:
Esta constelação representa Castor e Pollux, os filhos gêmeos de Leda e Júpiter.


Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

A origem deste asterismo prende-se à coincidência 
de estar o sol nesta região do céu no período posterior às inundações do Nilo, 
precedendo a época da germinação e anunciando a fecundidade. 

 Inscrições existentes no túmulo de Ramsés VI, do século XIIII AC, 

mostram dois brotos de plantas no lugar dos Gêmeos: 
e à semelhança desta representação, no Atlas Celeste de Bayer,
 Pollux é encontrado armado de uma foice.

Na antiguidade, a constelação dos Gêmeos foi freqüentemente representada 
pela figura de duas estrelas sobre um navio,
 pois Castor e Pollux são considerados 
divindades protetoras dos marinheiros e viajantes.


Fronteiras:
A constelação Gemini situa-se entre 
Câncer, Lyinx, Auriga, Taurus, Orion, Monóceros e Canes Minor

- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986


Programa Stellarium




CASTOR E POLLUX


http://zerolexa.deviantart.com/art/Castor-and-Pollux-311628680
Antoine Coysevox [French Baroque Era Sculptor, 1640-1720)


OS GÊMEOS CASTOR E POLLUX 
SENDO REPRESENTADOS PELAS DUAS ESTRELAS MAIS IMPORTANTES
 DA CONSTELAÇÃO DOS GÊMEOS:


É sempre interessante observarmos o fato de que 
Castor é considerada a estrela-alpha Geminorum, sim, 
porém é a estrela-beta Geminorum, Pollux, que é mais luminosa!


Castor.  Alpha Geminorum.  Estrela Dupla
Ascensão Reta 07h 33,3m - Declinação + 31o 56’
Magnitude visual 1,99 e 2,9 - Distância 45 anos-luz
Distância entre estrelas 2”,47

Uma estrela binária,  branco brilhante e branco pálido, situada na cabeça do Gêmeo ao norte.  Representa Castor, o mortal entre os dois Gêmeos, famoso por suas habilidades em domar e tratar cavalos.  Leda, esposa de Tindarus, rei de Esparta, é a mãe de Castor e Pollux.



Pollux - Beta Geminorum
Ascensão Reta 07h44,1m - Declinação +28o.05
Magnitude visual 1,21 - Distância 35 anos-luz

Uma estrela alaranjada situada na cabeça do Gêmeo ao Sul.  Representa Pollux, filho de Júpiter e Leda, e é o imortal entre os gêmeos,  famoso por sua habilidade no boxe.  Muitas vezes chamado de Hercules e simbolicamente nomeado como um Juiz sem Coração.


- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986




http://www.iau.org/static/public/constellations/gif/GEM.gif


GeminiGêmeos ou Gémeos, é uma constelação do zodíaco. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Geminorum. As constelações vizinhas, de acordo com as fronteiras modernas, são LynxAurigaTaurusOrionMonocerosCanis Minor e Cancer. O planeta-anão Plutão foi descoberto próximo a Wasat, δ Gem, em 1930, porClyde Tombaugh.
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História e mitologia

O ícone da constelação é ♊ e tem origem no ideograma acadiano correspondente ao mês Kas, quando o Sol entrava em Gemini. Também pode ter vindo do algarismo romano correspondente a dois. A constelação de Gemini representa Castor (α) e Pólux (β), irmãos de Helena de Troia, na mitologia grega.
Certa feita, Zeus havia se apaixonado por Leda, esposa do rei de EspartaTíndaro. Para se aproximar dela, Zeus se transformou em um belo cisne. Dessa paixão foram gerados os gêmeos Castor e Pollux.1 Os dois tiveram os melhores tutores da época. Castor se transformou num excepcional cavalheiro; o seu irmão Pollux em um verdadeiro guerreiro. Porém, certa vez os irmãos desafiaram dois jovens para um duelo pela mão de duas jovens que já estavam prometidas. Nessa batalha Castor foi morto. Desesperado pela perda do irmão, Pollux tentou se matar para encontrar o irmão, mas era imortal e não conseguia. O drama foi então imortalizado nos céus, onde os gêmeos aparecem abraçados.
No entanto, existe uma corrente mística que dá à constelação um simbolismo mais rico: os dois rapazes seriam, na verdade, Apolo, brilho e luz, e Hércules, força e coragem. É assim que, em muitos tratados, um dos gêmeos aparece segurando arco, flecha e lira, enquanto o outro aparece com uma clava.
Os egípcios faziam ali a representação do deus Hórus, sendo um o Hórus velho e o outro o Hórus novo.
Existem outros mitos concernentes aos gêmeos, e um deles teria dado origem ao mito do gado de Gerião, que constitui um dos Doze Trabalhos de Hércules.
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em




http://www.ianridpath.com/atlases/urania/urania18.jpg


Stellarium

Alpha Geminorum, conhecida como Castor, é a segunda estrela mais brilhante da constelação de Gemini e está a 52 anos-luz da Terra.
Na verdade Castor é um sistema estelar composto de duas estrelas principais, Castor A e Castor B separadas de 6 segundos de arco e com um período orbital de 470 anos,10 e uma terceira estrela mais fraca, denominada Castor C.
Castor surge ao olho nu como uma estrela de magnitude aparente 1,6. No entanto, a observação com pequenos telescópios revela duas estrelas: Castor A, de magnitude 1,9, e Castor B, de magnitude 2,9. Mais difícil de observar é Castor C. Esta terceira estrela do sistema tem magnitude 9 e é uma anã vermelha. O mais curioso é que cada uma destas três estrelas é um sistema binário de estrelas. Estes binários não podem ser observados diretamente e nem mesmo com os mais potentes telescópios, dada a proximidade entre as estrelas que os constituem. A descoberta e estudo de binários como estes é apenas possível a partir de estudosespectroscópicos. A estrela Castor é, portanto, um sistema de 6 estrelas ligadas entre si pela acção da gravidade.
A componente C possui a designação de estrela variável YY Geminorum.11

Cultura e etimologia

O nome Castor refere-se ao irmão mortal dos Dióscuros, filho de Leda e Tíndaro. Junto com seu irmão gêmeo, Pólux, dão o nome à constelação de Gemini.
A estrela também leva o nome árabe Al-Ras al-Taum al-Muqadim, que literalmente significa "A Cabeça do Primeiro Gêmeo". Os chineses reconheceram esta estrela como Yin, que é, de acordo com o taoismo, um dos dois princípios fundamentais nos quais todas as coisas dependem.
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Stellarium

Pólux ou Pollux (Beta Geminorum, β Gem, β Geminorum) é a estrela mais brilhante da constelação de Gemini e a 17ª mais brilhante de todo o céu,10 com umamagnitude aparente de 1,14.2 Junto com Castor, é um dos gêmeos representados no contorno da constelação. Com base em sua paralaxe, está a aproximadamente 33,78 anos-luz (10,36 parsecs) da Terra.1 Em 2006, foi confirmada a existência de planeta extrassolar orbitando-a.6 Pólux é a estrela mais brilhante com um planeta conhecido.10
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Propriedades

Pólux é maior que o Sol, com cerca de duas vezes sua massa e quase nove vezes seu raio.5 6 No passado uma estrela de classe A da sequência principal,5 Pólux já consumiu todo o hidrogênio de seu núcleo e evoluiu tornando-se uma estrela gigante com uma classificação estelar de K0 III.3 Irradia 43 vezes mais luminosidade que o Sol7 de sua atmosfera externa a uma temperatura efetiva de 4 666 K,6 o que dá a ela o brilho alaranjado típico de estrelas de classe K.11...........................
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Nomenclatura

As estrelas Castor e Pollux refere-se especificamente aos personagens mitológicos gregos Castor e Pólux,10 os filhos de Leda.

Pólux era antigamente conhecida como Abrachaléus.14 15
No catálogo de estrelas no Calendarium of Al Achsasi Al Mouakket, esta estrela era designada Muekher al Dzira, o que foi traduzido em latim como Posterior Brachii, significando o fim na pata.16
Em chinês北河 (Běi Hé), significando Rio do Norte, refere-se a um asterismo consistindo de Pólux, ρ Geminorum e Castor.17 Pólux em si é conhecida como 北河三(Běi Hé sān, a Terceira Estrela do Rio do Norte.)18
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Leda e o Cisne: Mito, Arte, Psicanálise


Leda e o Cisne

Esse é um Mito bem interessante, realmente,
pois que Leda, a mãe, trouxe à luz dois pares de gêmeos
- sendo que, aparentemente, 

Castor e Clitemnestra eram filhos do marido de Leda, o Rei Tíndaro,

enquanto Pollux e Helena eram filhos de Júpiter
(que transmutou-se num Cisne
 - para fugir dos olhos atentos de Juno, sua mulher -
e fazer amor e emprenhar Leda).


O tema de amor entre Leda e o Cisne
tem sido sempre motivação de inspiração pictórica

e para ser cantado em prosa e verso

bem como para a formulação de conceitos na psicanálise!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward









Mitologia - José Saramago


Os deuses, noutros tempos, eram nossos
Porque entre nós amavam. Afrodite
Ao pastor se entregava sob os ramos
Que os ciúmes de Hefesto iludiam.

Da plumagem do cisne as mãos de Leda,
O seu peito mortal, o seu regaço,
A semente de Zeus, dóceis, colhiam.

Entre o céu e a terra, presidindo
Aos amores de humanos e divinos,
O sorriso de Apolo refulgia.

Quando castos os deuses se tornaram,
O grande Pã morreu, e órfãos dele,
Os homens não souberam e pecaram.
http://litura-terra.blogspot.com.br/2011/10/mitologia-jose-saramago.html




O MITO E SUAS REPRESENTAÇÕES VÁRIAS



“LEDA E O CISNE”, de Leonardo Da Vinci, em cópia do século 16 - Leda é a esposa de Tíndaro, rei de Esparta, seduzida por Zeus transfigurado em um cisne, do qual gerou dois ovos, um com os gêmeos Castor e Pólux e outro com as gêmeas Helena e Clitemnestra. Conservada pela Galleria Borghese, em Roma, esta é uma cópia realizada por um discípulo direto de Leonardo Da Vinci (1452-1519), provavelmente Cesare da Sesto. A obra original do gênio, feita sobre painéis de madeira entre 1510 e 1515, foi vista pela última vez em 1691, num castelo francês, em mau estado de conservação. Além da desaparecida pintura com Leda em pé, cercada pela libidinosa figura do cisne, é provável, segundo os desenhos originais conservados, que Da Vinci tenha pintado também a mulher ajoelhada, obra da qual restaram apenas cópias de alta qualidade. - 

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Leda
(Segundo o Dicionário de Mitologia Grega e romana)

Tíndaro, quando oferecia certo dia um sacrifício aos deuses do Olimpo,
esqueceu-se de Afrodite. A deusa do amor, ofendida, resolveu vingar-se
com as suas próprias armas, primeiro sobre a esposa de Tíndaro e
depois sobre a sua descendência.

E, assim, quando um dia Leda se banhava no Eurotas, viu aproximar-se
um cisne que fugia de uma águia. A águia era Afrodite e o cisne era
Zeus que a deusa enviara junto de Leda e que, sob este disfarce, não
suscitara nenhuma desconfiança. Leda acolheu o cisne nos seus braços e
ele cobriu-a de carícias.

No decurso da noite que se seguiu, a rainha deitou-se com seu marido e
fizeram amor. As crianças que nasceram desta dupla gravidez
manifestaram-se sob uma aparência singular. Leda chocou dois ovos que
continham, cada um deles, dois ocupantes de sexos diferentes: um,
Pólux e Helena (filhos de Zeus), o outro, Castor e Clitemnestra
(filhos de Tíndaro).

Certos autores propõem uma outra repartição no interior dos ovos,
avançando que Castor e Pólux estavam reunidos no mesmo ovo. Qualquer
que seja a solução, os gêmeos receberam o nome de Dioscuros, derivado
de duas palavras gregas que significam: os filhos de Zeus. Afrodite,
fiei ao seu ressentimento, transformou-os, quer a um, quer a outro, em
seres perfeitamente enlouquecidos pela chama do amor.

Quanto a Helena e Cliternnestra, estas irão ser, por sua vez, as
principais vítimas da vingativa deusa, arrastando não só a sua família
mas também os seus próximos e o conjunto do mundo grego, para os
dramas mais sangrentos.

A aventura de Leda com o cisne é uma das histórias mais frequentemente
citadas desde a Antiguidade. Ela deu origem a muitas representações
figuradas: Leonardo da Vinci (conhecido pelas cópias, pois o original
perdeu-se), Le Corrège (Berlim), Tintoreto (Florença), Veronese
(Dijon), Largiliière (Madrid), Boucher (Estocolmo); estátuas de
Falconet (Louvre) e de Mailloi (1900).




"Leda and the Swan 1505-1510" por Cesare da Sesto - Web Gallery of Art:   Image  Info about artwork. Licenciado sob Domínio público, via Wikimedia Commons - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Leda_and_the_Swan_1505-1510.jpg#/media/File:Leda_and_the_Swan_1505-1510.jpg




Leda e o Cisne é uma pintura de Leonardo da Vinci representando Leda – rainha de Esparta – e Zeus, transfigurado em cisne. O estilo de Leonardo é muito bem comportado, parece ser o primeiro nu de suas obras. Mas em sua época essa pintura foi tratada por seus contemporâneos como um tema muito erótico.
Aqui se pode observar toda a sua técnica sobre perspectiva aérea. Em primeiro plano as linhas dos contornos são mais vivos e à medida que a imagem vai se afastando, ela perde a nitidez, devido à atmosfera.
A obra original foi destruída, porém, uma cópia feita por um dos discípulos de Leonardo se encontra na Galleria Borghese em Roma.





http://www.europeana.eu/portal/record/02030/MatrizNet_Objectos_ObjectosConsultar_aspx_IdReg_250121.html

Considerações sobre a influência da religião na arte

POR Domingos de Souza Nogueira Neto*

O estudo das religiões antigas tem sido fonte de permanente inspiração no mundo das artes. A música, a poesia, a pintura, a escultura, toda forma de arte tem a marca do pensamento religioso de determinada época e lugar. As religiões panteístas, cujo fundamento é o de que deuses se confundem com elementos da natureza, foram as primeiras crenças humanas registradas e ainda eram comuns entre populações indígenas de diversos continentes até o advento da modernidade. O politeísmo, crença em diversos deuses e deusas, sucedeu o panteísmo, ainda que carregado pela marca do pensamento religioso anterior. Thor foi o deus do trovão para os nórdicos. Xangô é o orixá do fogo, dos raios e das tempestades para o nosso candomblé. Apolo – também conhecido com Febo (brilhante) na mitologia grega – é considerado o deus da juventude e da luz, identificado primordialmente como uma divindade solar. Amaterasu (天照), também conhecida como Amaterasu-Oho-No- -Kami (天照大神), cujo nome significa “grande deusa augusta que ilumina o céu”, é a deusa do sol, a divindade japonesa que vela sobre os homens e os enche de benefícios. Nasceu do olho esquerdo de Izanagi (伊邪那岐) e domina o panteão xintoísta. Na tradição hindu, Shiva é o destruidor, que aniquila para construir algo novo, motivo pelo qual muitos o chamam de “renovador” ou "transformador". As primeiras representações de Shiva surgiram no período neolítico (em torno de 4000 a.C.), na forma de Pashupati, o “senhor dos animais”.
Depois disso, com o advento do domínio do homem sobre a natureza, após as construções de uma hegemonia patriarcale de determinada ética filosófica que legitimasse as relações sociais estabelecidas e desse sentido à perplexidade da humanidade diante de impasses não resolvidos pela metafísica, foi imposta a crença em um só Deus, homem (e não se enganem com a ideia de que, para as religiões monoteístas, Deus seria etéreo e assexuado, porque a adoção da imagem masculina tem razões antropológicas e históricas bem-definidas). Assim, surgiram o cristianismo, o islamismo, a fé bahá'í, o espiritismo, o judaísmo e o zoroastrismo, por exemplo. Cada linha de pensamento religioso tem peculiaridades, riquíssimas, nas suas relações com as artes: os cânticos religiosos, os poemas em formatos próprios, as vestimentas, a arquitetura dos templos, a pintura, a escultura, a dramaturgia A mitologia grega foi a que mais – entre todas as construções do pensamento religioso – seduziu, intrigou e instigou o pensamento artístico. Provocou o surgimento de obras que se eternizaram e releituras de episódios que ainda produzem obras imortais em plena modernidade.
Existem razões para isso: os deuses e as deusas gregas, como nós, erram, pagam por seus erros, brigam, fazem intrigas, vivem paixões avassaladoras, ciúmes doentios, são sedutores e sensuais, vaidosos, grandiosos e egoístas, embriagam-se, fazem orgias, são frágeis e olímpicos. 
Zeus, senhor do monte Olimpo, onde moravam os deuses, é uma divindade de apetites sexuais enormes, sedutor implacável e que não distinguia mulheres, ninfas ou deusas quando queria dar vazão aos seus desejos 
Na mitologia grega, deuses, semideuses, heróis, ninfas, musas, centauros, titãs, faunos, monstros e nós, homens e mulheres, vivemos um romance, ardoroso, apaixonado, desregrado, em que tragédias e comédias se entremeiam naquele vai e vem tão apropriado para o universo artístico.
Zeus, senhor do monte Olimpo, onde moravam os deuses, é uma divindade de apetites sexuais enormes, sedutor implacável e que não distinguia mulheres, ninfas ou deusas quando queria dar vazão aos seus desejos. A passagem a que se refere o título deste texto remete à paixão de Zeus por Leda, rainha de Esparta e mulher recém-casada com Tíndaro. Certa vez, enquanto ela, seminua, repousava em um relvado nos arredores de Troia, foi vista pelo deus, que percorria o caminho. Zeus, temendo ser repelido ou apenas lançando mão de artifício de sedução, converteu-se em um cisne, magnífico, passando a tocá-la e acariciá-la com as plumas do pescoço, emitindo sinais de atração. Seduzida, Leda acolheu o cisne em seus braços, e eles fizeram amor. Meses depois, a princesa sentiu fortes dores e percebeu que, de seu ventre, haviam saído dois ovos: do primeiro, nasceram Castor e Helena; do segundo, Pólux e Clitemnestra. Porém, Hera, irmã e esposa de Zeus, com ciúmes, perseguiu e proibiu Leda de viver no reino. Assim, Zeus compensou Leda, convertendo-a em deusa e reservando-lhe um espaço no céu na forma de uma estrela da constelação de Cisne.
Essa circunstância, o engano de Leda, deu origem à expressão “ledo engano”, que se refere a tomar uma coisa pela outra. As imagens que representam a cena de amor entre Zeus e Leda têm hipnotizado artistas de todas as tendências e estão entre as mais belas obras de arte do mundo.

*Estudioso de psicanálise e crítico de arte e cultura





Salvador Dalí – Leda Atomica (1949)
O mito de Leda foi retratado por inúmeros artistas, entre eles Timóteo e Leonardo Da Vinci, mas a imagem marcante da Leda de Dalí, suspensa, apoiada em si mesma, se sobressai um pouco da tradição na arte clássica – ultrapassando o mito que Zeus teria se transformado em cisne para seduzir a esposa de Tíndaro. Dalí o transforma, pois o estado de levitação em que se encontra a mulher e o cisne no quadro, expressa força e sublimação.



Uma conversa sobre o amor

     Assim, Freud formaliza um novo Outro do amor, o que torna possível dizer que, a partir da psicanálise, um novo amor e um novo Outro são inventados. Entretanto, isso não quer dizer que a psicanálise tenha inaugurado um novo gozo. Miller propõe que tratemos de pensar no contrário desta afirmação, pois o gozo puro da fala é desnudado pela experiência analítica, que evidencia o encanto que o falar, o qual está para além da comunicação, desperta no sujeito. O analista é instrumento deste gozo, já que sua presença é necessária para que o analisante experiencie tal gozo. Além disso, a análise possibilita que o sujeito pense contra si mesmo, questionando e modificando suas hipóteses. Durante esse processo, o analisante pode se dar conta de alguns impasses, que, como Miller afirma, nos indica o real. É este sentido que permitiria que a psicanálise fosse encarada como, ao menos, uma nova enfermidade. 

     O amor de transferência é resposta à vertente da "perversão” do analista, que está no lugar de objeto a e promove uma clivagem subjetiva no sujeito. No amor, o objeto a se apresenta como dejeto, pois há um engano no amor que recobre o estatuto de desejo deste objeto e acaba por desempenhar uma "função de véu”. Esta função parece gerar efeitos naquilo que Miller, orientado por Freud, nos diz ser uma preocupação de todos: o ato da escolha de parceiros amorosos. 

     Freud se dedicou ao estudo da relação sexual na tentativa de desvendar seus impasses e dificuldades; é nesse sentido, que para Miller, Freud era lacaniano. O esforço de Freud para entender como se relacionam homens e mulheres, o levou a constatar que a escolha de objeto segue um modelo particular decorrente de um primeiro objeto, a mãe. O objeto escolhido se refere à mãe e outros objetos podem ser escolhidos segundo esta perspectiva; ou seja, os objetos são substituíveis. Isso rompe com a ideia de amor sublime, no qual o objeto de amor é terminantemente insubstituível. Os estudos de Freud sobre a vida amorosa – ou erótica – indicam que a noção de substituição está sempre implicada quando ele faz uso da palavra amor. 

     Para Freud, o deslocamento e a substituição da cena primária caracteriza a "condição de amor”, Liebesbedingnung, que corresponde a uma disposição que desencadeia de forma imediata o desejo sexual e promove a escolha por um objeto enquanto objeto de amor. O amor freudiano não tem nada de sublime, pois o objeto de amor é substituto de um objeto genuíno que está para sempre perdido – ou seja, interditado – e que marca o sujeito com a experiência imaginária do gozo inesquecível, conduzindo-o na busca pelos objetos que virão neste lugar. Freud parecia antecipar o que Lacan formalizou como metáfora paterna, já que o tema de substituição dos objetos corresponde ao efeito da função paterna enquanto metaforização do desejo da mãe e a sua consequente interdição. 

     Miller chama a nossa atenção para o fato de que a mãe interditada, que introduz o "não-todo” para o sujeito, corresponde a alguma coisa da própria natureza da pulsão que é avessa à satisfação plena e que gera como efeito a tendência universal à degradação da vida amorosa, tornando a impotência uma constante da cultura. Neste ponto, Miller destaca que existe uma homologia entre a barreira edípica do incesto – a mãe interditada – e a pulsão como barreira do gozo. 

     A clivagem entre duas dimensões da feminilidade introduzida por Freud, que corresponde aos valores de mãe e puta, antecipa a formulação lacaniana de que "A mulher não existe”, pois introduz a impossibilidade de formalizar um grupo único que caracterize as mulheres como um todo. Tal clivagem indica que existe uma mulher simbolizada no vínculo social, e outra não. Em termos de gozo, aquela que não é simbolizada no laço social escapa ao significante e representa o mais-de-gozar como não simbolizado e, por isso, exerce um poder de sedução que é reflexo da própria barreira que torna o gozo proibido. O enigma da feminilidade diz respeito ao secreto do proibido, que funciona, segundo Freud, como condição de amor. 

Mariana Galletti Ferretti Moritz 
Resenha publicada no boletim N° 4 das Jornadas 2011 da EBP – SP: O Polvo. 
FREUD, S. (1921). Psicologia das massas e análise do ego. Trad. sob a direção de Jaime Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1977. (Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v.XVIII).
Imagem: Leda e o cisne. Escultura de Bartolomeo Ammanati. Possivelmente cópia de pintura perdida de Michelangelo, feita ao estilo, ou mesmo a partir de desenhos preparatórios deste.
MILLER J.-A. "Uma conversa sobre o amor”. In: Opção Lacaniana online. Nova série. Ano I, julho de 2010, n. 2.www.opcaolacaniana.com.br
 http://www.ebpsp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=652:uma-conversa-sobre-o-amor&catid=26:resenhas&Itemid=57

O Lago dos Cisnes - Com Rudolf Nureyev e Margot Fonteyn. (COMPLETO)
  1. Piotr Ilitch Tchaikovsky
    Compositor
  2. Piotr Ilitch Tchaikovsky; foi um compositor romântico russo que compôs géneros como sinfonias, concertos, óperas, ballets, para música de câmara e obras para coro para liturgias da Igreja Ortodoxa Russa.Wikipédia
  3. Nascimento7 de maio de 1840, Votkinsk, Rússia
  4. Falecimento6 de novembro de 1893, São Petersburgo, Rússia
  5. NacionalidadeRusso

Minha Patinha Kiki não é um cisne..., mas é linda!







http://www.aai.ee/muuseum/Uranomeetria/Pictures/Web/Reissig_W_016.jpg



Os desenhos formados pelas estrelas 
- AS CONSTELAÇÕES - 
são como janelas que se abrem para a infinitude do universo 
e que possibilitam nossa mente a ir percebendo que existe mais, bem mais,
 entre o céu e a terra..., 
bem como percebendo que o caos, 
vagarosamente, 
vai se tornando Cosmos 
e este por nossa mente sendo conscientizado.

Quer dizer, 
nossa mente é tão infinita quanto infinito é o Cosmos.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward