sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Festa no Céu: Lua encontrando-se com Júpiter; Vênus beijando Regulus; Mercúrio testemunhando esses Encontros.... e ainda Saturno e Marte triangulando Antares!


Olá!

Caro Leitor,
não perca a Festa no Céu
começando bem ao cair da noite
e em lugar de horizonte oeste plano e baixo,
de preferência,
para você bem observar
(e de binóculos, para melhor visualização)
Vênus, a Bela da Tarde, 
beijando Regulus, o Pequeno Rei,
a estrela-alpha Leonis!

Mercúrio, um tantinho mais adiantado,
estará testemunhando essa Conjunção bela
ao mesmo tempo em que estará também atento
ao encontro entre Lua crescendo a cada noite
e o gigante gasoso, Júpiter
(sendo visitado por Juno!).

E, observando os céus estrelados mais ao zênite,
Caro Leitor,
você estará visualizando uma belíssima triangulação de luzes
realizada entre Saturno, o Senhor dos Aneis,
e Marte, o Planeta Vermelho,
em relação a Antares, estrela-alpha Scorpii!

Marte veio despedindo-se da Balança nestes últimos dias
e já vem adentrando a Cabeça (ou Garras)
do Escorpião dos céus estrelados, Scorpius,
enquanto Saturno vem ainda movimentando-se em marcha-a-ré
- movimentação sempre cumprimentando Antares, a bela gigante vermelha! -
e somente retomará seu movimento direto 
em 13 de agosto.

Nesta Postagem, Caro Leitor,
encontre informações sobre
AS QUATRO ESTRELAS REAIS
dos antigos persas
- Regulus, Antares, Fomalhaut e Aldebaran -
em honra a duas dessas estrelas
que vêm sendo conjugadas por planetas visíveis:
Vênus beijando Regulus
e Marte e Saturno triangulando Antares!

Há cerca de 5.000 anos,
Aldebaran, Regulus, Antares e Fomalhaut
ocupavam os tronos 
de Quatro Estrelas Reais,
de marcação de Equinócios e de Solstícios, 
na chamada Era de Touro.
Eram conhecidas como as Guardiãs das Estações do Ano.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward


Stellarium


Stellarium

Stellarium



Stellarium

Stellarium



Stellarium

Stellarium







Sobre as Quatro Estrelas-Reais dos antigos Persas 
e que se posicionam em quatro cantos dos céus estrelados:

 Há cerca de 5.000 anos, estas estrelas
ocupavam os tronos de marcação de Equinócios e de Solstícios, 
na chamada Era de Touro.
Eram conhecidas como as Guardiãs das Estações do Ano.



Vamos conhecer um tantinho sobre estas quatro reais estrelas?

Aldebaran.  Alpha Tauri. 
Ascensão Reta 04h34,8m - Declinação +16o 28’
Magnitude visual 1,06 - Distância 68 anos-luz
Uma estrela gigante alaranjada marcando o olho esquerdo e sul do Touro. 
Seu nome advém de Al Dabaran, Aquela que Segue. Aquela que vem antes da Estrela da Água, isto é, das Pleiades. Formava uma das quatro estrelas reais ou guardiãs dos céus entre os persas cerca de 3.000 anos a.C, quando, enquanto Guardiã do leste, marcava o Equinócio Vernal - as outras estrelas eram Regulus, Antares e Fomalhaut





Regulus, Alpha Leonis
Ascensão Reta 10h07,3m  -  Declinação +12o.4
Magnitude visual 1,34 - Distância 84 anos-luz
Regulus é o pé do Leão (também conhecida como o coração do Leão).
O Pequeno Rei.
É uma estrela voltada para o mito de um  rei da Pérsia, Feridum que  era próspero mas que perdeu tudo em função de ter se envolvido com questões de vingança.
Regulus  era uma estrela real e  guardiã do norte - juntamente com Fomalhaut, Aldebaran e Antares, consideradas todas estrelas reais do céu dos persas.  Em virtude de um engano de Ptolomeu, que a nomeou de Pequeno Rei, hoje conhecemos esta estrela como Regulus.  Por se situar extremamente próxima à linha da Eclíptica, podemos sempre apreciar a Lua e os Planetas visíveis passando bem grudados à Regulus.





Antares.  Alpha Scorpii. Estrela Dupla e Variável
Ascensão Reta 16h28,2m   - Declinação -26o 23’
Magnitude visual 1,22 - Distância 520 anos-luz
Magnitude visual 1,1 e 6,5  Distância entre estrelas 2”,90
Uma estrela binária, intensamente avermelhada e verde-esmeralda, situada no corpo do Escorpião.  De Anti-Ares, similar ou Rival de Ares, Marte. Foi uma das quatro estrelas reais da Pérsia, cerca de 3.000 anos a.c., e atuava como a Guardiã do Oeste pois marcava o Equinócio de Outono. Muitas vezes chamada de Coração do Escorpião, Cor Scorpio.





Fomalhaut.  Alpha Piscis Australis. 
Ascensão Reta 22h 56,5m - Declinação -29o 44’
Magnitude visual 1,29 - Distância 22 anos-luz
Uma estrela avermelhada na boca do Peixe ao Sul. De Fum al Hut, a Boca do Peixe.  Foi uma das quatro estrelas reais da Pérsia, por volta de  3.000 anos a.c, atuando como a Guardiã do Sul e marcando o solstício de inverno.






- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986




As Quatro Estrelas-Reais dos Persas 
ocupando os quatro cantos dos céus estrelados..... 
- nos dias de hoje:

Caro Leitor, observe nestas Ilustrações abaixo as mudanças que ocorreram em termos dos posicionamentos dos pontos dos Equinócios e dos Solstícios entre as estrelas mencionadas - as quatro estrelas-reais dos Persas - e a Linha da Eclíptica e do Equador Celeste nos dias de hoje.

Programa Stellarium trabalhado no Programa Corel



Vemos nesta Ilustração, a estrela-alpha Tauri, Aldebaran, trazendo a Primavera, a Guardiã do Leste, uma das quatro estrelas-reais dos Persas. 

 E vemos também a estrela-alpha Leonis, Regulus, trazendo o Verão, a Guardiã do Sul.




Programa Sellarium trabalhado no Programa Corel



Vemos nesta Ilustração, a estrela-alpha Scorpii, Antares, trazendo o Outono, a guardiã do Oeste.  

E vemos também a estrela-alpha Piscis Austrinus, Fomalhaut, trazendo o Inverno, a Guardiã do Norte.

Sabemos que a estrela Fomalhaut não fez parte das constelações da Linha da Eclíptica.  Porém, esta é a estrela mais proeminente durante o céu do inverno, a partir do ponto de vista do hemisfério norte.







Earth precessionDomínio público
Robert Simmon, NASA GSFC - Earth Observatory / NASA


AS ERAS

Movimentos: tudo sempre se move

Estarei repetindo aquilo que recebi em Fórum na Internet, parte da Aula 2 sobre Movimentos do Céu, by dario.rostirolla@londrina.pr.gov.br:

“Como é sabido, a Terra apresenta dois movimentos básicos (e outros): rotação (em torno do próprio eixo, com período de 1 dia) e translação (movimento orbital ao redor do sol, com período de 1 ano). Enquanto gira ao redor do Sol, a Terra percorre em sua órbita cerca de um grau por dia - logo, as estrelas se adiantam um pouco com relação ao Sol (como um carro que se aproxima de uma esquina e obtém melhor visibilidade), cerca de 4 minutos. É esta a causa da pequena diferença entre o dia solar e o dia sideral.

No decorrer de um ano a Terra percorre 360 graus ao redor do Sol, de modo que as estrelas que se encontravam ocultadas pelo Sol, dentro de algum tempo se tornarão visíveis em função do deslocamento da Terra sobre sua órbita. Ao longo do ano, diferentes partes do céu vão se tornando visíveis em determinado horário fixo (digamos, logo após o pôr do Sol), de modo que toda a esfera celeste vai sendo avistada ao longo do ano, setor por setor. A cada ano, esse movimento se repete de modo que as constelações visíveis numa determinada data serão visíveis na mesma data dos anos subseqüentes.”

A precessão dos Equinócios é o movimento que estaria aglutinando, digamos assim, ambos os movimentos anteriores: o de rotação e o de translação. 

Não podemos nos esquecer que a Terra gira em torno de seu eixo sim, porém com uma inclinação de 23 graus....  Ao mesmo tempo, a Terra perfaz um passeio de 360 graus em sua órbita em torno ao Sol.  Ao mesmo tempo, também o Sol vai realizando seu próprio andamento e o faz em direção a um ponto próximo  à constelação Hercules.  Tudo no universo se movimenta... por que deixaria nosso Sol de fazer o mesmo?

Ao longo do período de 26 mil anos, esse eixo da Terra em movimento de rotação e de translação e atrelado ainda ao movimento próprio do Sol, vai imantando os direcionamentos norte e sul e deslocando, apontando então para diferentes pontos dessa região da esfera celeste! Esse grande círculo imaginário que se forma é o Grande Ano das Eras! Uma maneira simples de entender esse movimento é soltarmos um pião e o deixarmos girar, girar, girar..... é bem assim.  A estrela que denominamos de Polar, vem atuando como imantação Norte desde há muito tempo e ainda estará fazendo isso por bom tempo adiante.  Porém, um dia no futuro, teremos que renomeá-la... pois não estará mais reinante na posição de Estrela Polar.



É realmente interessante que possamos perceber
 as questões relativas às mudanças de Eras
 em termos de onde caem os Pontos de Equinócios e de Solstícios:

A Era de Gêmeos trouxe o Ponto Vernal a acontecer dentro desta constelação ocupando o lugar de Primavera, Virgem ocupando o lugar do Solstício do Verão, Sagitário ocupando o lugar do Equinócio do Outono e Peixes ocupando o lugar do Solstício de Inverno.



Quadro sobre a Precessão dos Equinócios durante 4 Eras, mostrando o Caminho do Sol contra o pano de fundo das constelações do    Zodíaco.  As cores originais foram invertidas.
Inserido no Artigo “When the Zodiac Climbed into the Sky” por Alexander Gurshtein para a Revista Sky & Telescope edição de outubro de 1995, página 30,  publicada por Sky Publishing Corporation, Cambridge, MA, USA.



A Era de Touro trouxe o Ponto Vernal a acontecer dentro desta constelação ocupando o lugar de Equinócio da Primavera; Leão ocupando o lugar do Solstício do Verão; Sagitário ocupando o lugar do Equinócio do Outono e Peixes ocupando o lugar do Solstício de Inverno.

Permita-me lhe dizer, caro Amigo das Estrelas, que teria sido naquela Era que surgiu o conceito das Quatro Estrelas Reais, Guardiãs das Quatro Estações do Ano e da Vida:  em Touro, Aldebarã, o olho iluminado, guardiã do Leste; em Leão, Regulus, sua pata dianteira, guardiã do Sul; em Escorpião, Antares, a rival de Marte, Anti-Ars, gigante vermelha maravilhosa, guardiã do Oeste; e finalmente, Fomalhaut, em Pisces Austrinus, guardiã do Norte.

A Era de Áries trouxe o Ponto Vernal a acontecer dentro desta constelação ocupando o lugar de Equinócio da Primavera; Câncer ocupando o lugar de Solstício do Verão; Balança ocupando o lugar do Equinócio do Outono e Capricórnio ocupando o lugar do Solstício de Inverno.




AS ESTRELAS POLARES

Vega,a estrela Alpha Lyrae, atuou como a estrela polar (há mais de 12 milênios).  Vega estará novamente ocupando o lugar de estrela polar mais uns tantos milênios à frente (14.000 anos DC, ou seja mais 12.000 anos à frente) - sempre a estrela polar mais brilhante!






A Precessão acontece porque as forças gravitacionais do sol e da lua atuam por sobre a Terra (que não é esférica) enquanto esta gira, vagarosamente mudando a orientação do eixo da Terra.  Este eixo, inclinado num ângulo de 23o, traça um caminho em torno da eclíptica ao longo de 25.800 mil anos terrestres na realização de todo seu círculo. Isso significa que Polaris - a estrela que viemos considerando nossa estrela polar  celestial do norte -, vagarosamente irá transmitir sua posição à Vega, a brilhante estrela da constelação da Lira. 

Extraído da revista Astronomy,  edição de junho de 2002, página 73.  Parte do texto foi traduzido literalmente por Janine e também a ilustração sobre o caminho do pólo norte celestial foi invertida, para melhor visualização.


Polaris.  Alpha Ursae Minoris. 
Ascensão Reta 02h10,0 - Declinação +89o 10
Magnitude visual 2,12 (variável) - Distância 680 anos-luz
Uma estrela dupla, amarelada topázio e de pálido branco, situada na cauda da Ursa Menor, e atuando como o pólo celeste norte. 
De acordo com a precessão dos equinócios, o pólo movimenta-se num circulo entre as estrelas e perfaz cerca de 26 mil anos de completa revolução. 
Atualmente, a estrela Polar encontra-se a 01o 14’ de distancia do pólo
e continuará nessa aproximação até o ano 2095,
quando  alcançará sua menor distância de 26’30’’.

Vega.  Alpha Lyrae.  Estrela Dupla
Ascensão Reta 18h 36,2m - Declinação +38o 46’
Magnitude visual 0,14 - Distância 26 anos-luz
Magnitude visual 0,1 e 10,5  Distância entre estrelas 62”,84
Uma estrela cor de safira pálido, situada na parte inferior da Lira.  De Al Wai, Aquela que Cai, e conhecida na antiguidade como o Corvo que Cai, Vultur Cadens.   A Águia que cai, nome latino assim registrado nas Tabuas Alfonsinas, mas cuja origem provém do vocábulo árabe Waki.  Também conhecida como a Águia mergulhando no Ar.


Thuban - Alpha Draconis
Dragão, nome de origem árabe

Em 3.000 AC, esta estrela ocupava o lugar de estrela polar norte porém a precessão dos equinócios movimentou aquilo que chamamos de Estrela Polar, Polaris, para esta posição.

- 6a. Edição do Atlas Celeste
de autoria de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
Editora Vozes, Petrópolis, ano de 1986


Pequeno Glossário:

Apex  -  um ponto central para onde outro objeto orbita e se move em direção a.
Apex do Caminho do Sol  -  o ponto na esfera celeste em direção ao qual nosso Sol viaja numa velocidade de cerca de 20 quilômetros por segundo.  A posição correta do apex do Sol pode variar entre os cientistas porém é quase acordado que seja em Hércules ou Lyra, Ascensão Reta de 18 horas ou 270 graus e Declinação 34 Norte. (3)
Eclíptica (plano da)  -  Plano da órbita terrestre.  Podemos definir também como o grande círculo de interseção deste plano com a esfera celeste.  O plano da eclíptica é inclinado de 23o27’ em relação ao Equador.
Ponto vernal  -  ponto da esfera celeste, situado na interseção da eclíptica com o equador, na qual o Sol, em seu movimento aparente anual, passa do hemisfério sul para o norte.(....) O ponto vernal é habitualmente designado pela letra y; equinócio da primavera, equinócio vernal, primeiro ponto de Áries.  (1)
Equinócio  -  Ponto da esfera celeste, interseção da eclíptica com o Equador.  O equinócio da primavera corresponde à passagem do Sol do hemisfério austral ao hemisfério boreal.  O equinócio do outono é o caso inverso.  Tais termos se aplicam também aos momentos em que estes fenômenos ocorrem.  Podemos dizer, também, que o equinócio é a data do ano na qual o dia é igual à noite (20-21 de março  -  22-23 de setembro)   (2)
Precessão dos Equinócios  -  o movimento do equinócio consiste em uma retrogradação (ou precessão) sobre a eclíptica, da ordem de 50.256 por ano, ou seja, de uma volta completa do equilíbrio em 26.000 anos  (2)
Solstício  -  é o instante no qual o Sol está mais afastado do Equador (22 ou 23 de junho e 22 ou 23 de dezembro)  (2)  -  Nessas datas, acontecem os solstícios de inverno e de verão.

(1)  -  Atlas Celeste
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
6ª edição  -  Editora Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil – 1986
(2) -   Explicando o Cosmos
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Editora Tecnoprint S.A.,  Rio, Brasil, 1984
(3) Norton’s Star Atlas
Arthur P Norton and J. Gall Inglis
Sky Publishing Co.
Cambridge, MA, USA


Com um abraço estrelado,
Janine Milward