terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Via Lactea dando show ao cair da noite!


Olá!


Caro Leitor,
aproveite esse momento
em que a Lua vem minguando e murchando
a cada noite
e chegando mais e mais tarde
e apenas iluminando a madrugada sonolenta...,
para você deixar-se embevecer
pela visão incrível
do rasgo esfumaçado
que a Via Lactea
faz acontecer
nos céus estrelados
ao cair da noite
e bem no zênite!

Aproveite estes momentos realmente gloriosos
de céus escuros e transparentes
nesse verão de muita chuva
em muitos lugares de nosso imenso país, Brasil,
mas de muita seca
em vários outros lugares
(incluindo o lugar onde moro,
região da zona da mata das Minas Gerais, uai).

A Via Lactea apresenta-se

como um mundo iluminado
por estrelinhas mil
e nebulosas mil
e objetos celestes mil,
correndo desde o Centauro,
bem ao sul,
encontrando o Gigante Caçador
no miolo do céu estrelado
- mesmo que já desaparecendo...,
porém ainda timidamente
alcançando
Auriga, o Cocheiro, e Perseus, o Herói,
bem ao norte.

Este momento dos céus estrelados
parece-se com um teclado sendo tocado 
desde as notas mais graves até as notas mais sutis,
em melodia suave, 
num ondular suave desde o norte até o sul, 
como uma onda suavemente surfando os céus, 
através a Via Lactea!

Nesta Postagem, Caro Leitor,
encontre alguma informação
sobre as constelações que envolvem-se
na trilha esfumaçada
da Via Lactea,
ao cair das noites
que aguardam ansiosamente
os tempos de Carnaval no Brasil
- sendo que a Lua 
estará encontrando-se com o Sol
e ambos formando um belo eclipse parcial
aos nossos olhos fantasiados e emocionados
em plena manhã de domingo de folia!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

Stellarium


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NAVEGANDO ATRAVÉS
A VIA LACTEA,
CARO LEITOR



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Penso que nós,
felizardos moradores do hemisfério sul,
poderemos começar nosso passeio
através a trilha iluminada
realizada pela Via Lactea
desde o Centauro
acolhendo entre suas patas
o nosso maravilhoso Cruzeiro do Sul!


A entrada em cena do Centauro
é um espetáculo sempre emocionante
 (acolhendo todos seus fantásticos mistérios.... 
como o Agrande Atrator, por exemplo,
 e a imagem  emocionante de Omega Centauri).  

Não tem quem no hemisfério sul não conheça as estrelas Alpha e Beta Centauri, 
Rigel Kent e Hadar
 - algumas pessoas sabem que Rigel Kent é um sistema Triplo 
e que uma dessas estrelas é a Proxima Centauri
 e assim chamada por ser a estrela mais perto de nossa própria estrela, nosso Sol!..., 
muito próxima estrela, realmente, 4 e pouquinho anos-luz,
 logo ali, 
no quintal ao lado de nosso quintal, o Sistema Solar onde habitamos!...
.... e ainda nos brindando com um Exoplaneta muitíssimo interessante!



O Cruzeiro do Sul fica em plena Via Láctea, sendo a constelação mais conhecida dos habitantes do Hemisfério Sul. Ela é formada, em sua parte principal, por cinco estrelas, quatro delas representando uma cruz, e uma quinta fora do braço da cruz. Essas estrelas, pela ordem de brilho, são conhecidas, popularmente, como Magalhães, Mimosa, Rubídea, Pálida e Intrometida. Magalhães (a mais brilhante) e Rubídea (avermelhada) formam o braço maior da cruz; Mimosa e Pálida compõem o menor. 


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Argo Navis é
o Navio sempre coroado de estrelinhas esfumaçadas
pois que carrega consigo um pedacinho da Via Lactea!


Aliás, exatamente pelo fato de a Via Lactea

fazer parte tão importante no Navio,

é que viemos comentando,
 - ousadamento (eu confesso) -,
sobre algumas questões voltadas para o fato de que
o Navio consiste de Pôpa, Quilha e Vela
e sempre foi assim - mesmo antes de ser desmembrado
em três constelações, mais recentemente
(em 1756, pelo astrônomo Abbe La Caille,
quando morando e trabalhando na África do Sul
e observando os céus estrelados do hemisfério austral).



E a Proa, onde está a Proa, por que não existe Proa

em Argo Navis, o Navio Argus?


O Mito sobre Jasão e os 50 Argonautas,
sobre a construção do Argo Navis
e sobre sua Viagem
nos diz que

Quando Argo Navis passou através o Estreito de Bósforo e rochas desmoronaram,

o Navio foi virado e naufragou....;

e subiu aos céus

porém sem estrelas apresentando desde a Proa até o mastro.
... mas todo o resto é brilhante!

Assim R. H. Allen comenta
sobre os dizeres de Aratos acerca esta circunstância.

Aparentemente, as rochas desmoronaram exatamente sobre a Proa
- daí uma explicação mítica sobre seu desaparecimento....
quando o Navio foi levado aos céus, segundo o Mito.


E por que a Proa não pôde ser inserida?
Podemos perceber que existe a vizinhança

 composta pela imensa constelação do Centauro

e exatamente no lugar onde a Proa do Navio poderia ter sido inserida

 podemos ver uma das patas do Centauro
escudando nosso Cruzeiro do Sul!


Buscando compreender melhor sobre a questão da ausência de Proa
(já manifestada através o Mito) do Navio,
pude constatar que  Carinae Nebula acontece exatamente no lugar
onde a Proa poderia se situar!

Da mesma forma,
constatamos que as chamadas Pleiades do Sul ou Austrais
acontecem exatamente no lugar
onde a Quilha poderia ter seu término!

Ou seja, quando as Ilustrações do passado
mostrando um tanto de fumaça/poeira

 de pedras desmoronadas por sobre a Proa...,
não seria esta 'fumaça', esta poeira,
a visão aguçada sobre  a Grande Nebulosa Carina
e ratificada sobre as Pleiades do Sul?


Será?
No lugar onde deveria se situar a Proa do Navio Argo,

além da Grande Nebulosa Carina (NGC 3372),

estaremos encontrando as famosas Plêiades do Sul,

 IC 2602.

A bem da verdade,
mesmo que volvamos nossa olhar
- enquanto moradores do hemisfério sul -
para os céus estrados austrais,
não estaremos encontrando a Proa do Navio!


Quer dizer,

A Proa do Navio Argus existiu quando de sua construção mítica, sim,

mas nunca existiu em sua representação estelar.


Podemos também pensar na questão que a visão do hemisfério norte

para os céus estrelados do sul

acaba trazendo um tom de ampliação lenticular, digamos assim,
desse horizonte
 e trazendo a impressão de que o Navio
 estaria navegando rumo ao horizonte,
desaparecendo por entre a fumaça de estrelinhas
 que compõem a Via Lactea naquele lugar....








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Desviando um tantinho 
da Via Lactea,
não podemos deixar de observar
- se possível -
as maravilhosas Nuvens!


As Nuvens de Magalhães nos trazem imensa felicidade
por morarmos no hemisfério sul e podermos, então,
usufruir da maravilhosa observação a olho nu
dessas Nuvens que não são nuvens e sim galáxias
e que escondem um verdadeiro mundo de tesouros....  
Tesouros que vão sendo, vagarosamente,
descobertos e trazidos ao nosso conhecimento!

Não importa o que se pense sobre estas Nuvens
- que quase sempre nos enganam, parecendo nuvens mesmo! -,
porque o importante é que elas a nós se apresentam enfeitando os céus do sul...,
e fazem isso de maneira tão simples, quase humilde!


Quer dizer,
as nuvens que nomeamos de Nuvens e que sabemos serem Galáxias
parecem esconder (assim como as nuvens escondem)
um mundo de maravilhas.... , 
porém apenas se apresentando
 enquanto nuvens, simples nuvens, simples quase-enganos.








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Diga-me, Caro Leitor,
qual é a estrela que pode ser considerada
 como a rainha de todas as demais estrelas?

 Sirius!

Sírius está sempre atraindo nossa visão
para seu brilho majestoso, 
não é verdade?

Vamos encontrar Sírius atuando enquanto a estrela-alpha de Canis Major,
o Cão Maior,
e apontando, um tantinho mais ao sul,
para o único Objeto Messier acolhido por esta constelação:
M41.


Sempre em lugares de céus escuros e transparentes
e em noites de ausência de Lua,
podemos nos embevecer não somente pela visão da belíssima Sírius
como também pela delicadeza dessa constelação
e por nossa visão enviesada observando M41...;
e, olhando um tantinho adiante ao sul e ao sudoeste,
podemos identificar o paredão de estrelinhas tímidas
que formam a Pôpa do Navio!

Toda esta região é acolhida pela Via Lactea
e nos emociona imensamente!

Segundo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,

Sirius.  Alpha Canis Majoris.  Estrela Dupla

Ascensão Reta 06h 44,2m - Declinação -16o 42’

Magnitude visual - 1,58 e 7,6  -  Distância 8 anos-luz
Distância entre estrelas 11”,16

O Ardente, nome latino da estrela mais brilhante, segundo os antigos gregos. 
Uma estrela binária, branco brilhante e amarelo, situada na boca do Cão Maior.  

De Seirios, possivelmente do deus egípcio Osíris. 

Entre os egípcios também era considerada como Thoth e Sothis.  

Os chineses conheciam como Tseen Lang, o Lobo dos Céus, 
e diziam que quando estava muitíssimo brilhante é porque os ladrões iriam atacar.

Sirius B, a outra componente, foi a primeira estrela branca anã a ser descoberta.

Sirius, em função de sua proximidade, 
é conhecida como a estrela mais brilhante.  

A bem da verdade, muitíssimas outras estrelas são mais brilhantes do que Sirius 
porém situando-se extremamente mais distanciadas 
e portando parecendo bem mais pálidas do que esta estrela tão próxima a nós.








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Ao alcançar o miolo do céu estrelado,
a Via Lactea parece esconder-se
de nossos olhos...,
porém o Gigante Caçador Orion
faz-se presente de tal forma
que esse escondimento é perdoado...

Eu sou realmente encantada com os desenhos formados pelas estrelas

que compõem a constelação Orion:
podemos ver seu corpanzil, sua cabeça,
seu braço levantando a clava
e seu outro braço segurando o leão abatido.  
Podemos ver seu Cinturão famoso por suas três estrelas óbvias:
as chamadas Três Marias
e que também são conhecidas como
Mintaka, Alnilan e Alnitak.  
Podemos ver sua Espada!

E, com boa visão e sempre em lugares de céus escuros e transparentes,
podemos ver - ou entrever com visão enviesada -

os objetos celestes (esfumaçados) rondando a estrela Alnitak 
bem como apreciarmos imensamente e sempre a olho nú

 os objetos (esfumaçados) que perfazem a Espada de Orion.

É claro, confesso, que sempre podemos ter a boa ajuda
de um simpático par de binóculos
bem como de um simpático telescópio
para bem podermos observar com maior nitidez
todos estes objetos maravilhosos, em Orion!


E sempre podemos nos deleitar com as imagens soberbas

realizadas pelas lentes ópticas dos fotógrafos mais profissionais

e pelos super-telescópios!


A bem da verdade, penso que a constelação do Gigante Orion

sempre nos encanta de qualquer maneira que a contemplemos,

seja através nossa visão desarmada
 ou através nossa visão por detrás de lentes ópticas simples ou mesmo poderosas!







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Mesmo que não percebamos nitidamente,
a trilha esfumaçada
busca por alcançar seu lugar
no noroeste....

Em meu céu estrelado,
existe uma bela e chamativa estrela
que sempre atrai minha atenção
- como se fosse um farol bem iluminado e claro
piscando para mim a partir de um lugar bem ao norte, bem ao norte:
é Capella, estrela-alpha Aurigae!

Finalmente, 
estaremos diante
da  constelação do Herói Perseus e seu troféu,
a Cabeça da terrível Medusa
sendo representada (o olho) 
pela estrela-beta Persei, Algol!

A Medusa era uma górgona
com cabelos cujos fios eram cobras...
e transformava em pedra
qualquer ser que a olhasse em seus olhos.
Perseus, usando o reflexo de seu escudo,
decapitou o monstro.

O Herói Perseus

é bem conhecido de todos nós
por ser protagonista
- juntamente com Andromeda -
no Mito em que a donzela/princesa 
é acorrentada à uma pedra
diante de um mar revolto
guardado por um monstro-marinho, 
Cetus, a Baleia.

Andromeda é salva por Perseus

que, montado no cavalo alado Pegasus,
aponta a cabeça da Medusa para Cetus,
que transforma-se em pedra.

Aliás, a constelação de Perseus

segurando a cabeça da terrível Medusa
iluminada por seu olho faiscante
(a estrela-bela Persei, Algol),
encontra-se bem ao lado
da constelação de Andromeda
e ambos um tantinho ao norte
da constelação de Cetus, a Baleia.



Segundo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,
"Algol nos chama a atenção por ser uma estrela binária e eclipsando juntamente com sua companheira - do mesmo tamanho e que não se situa muito distante -, em um período de não mais do que três dias!  


Existe, no entanto, uma terceira estrela, muito menor, e que órbita esse sistema binário em 23 meses.  A companheira mais pálida e mais fria, regularmente acaba eclipsando a mais brilhante, mais quente companheira. 


A magnitude de Algol varia entre 2.1 e 3.4 num período de 2 dias, 20 horas, 48 minutos e 56 segundos!"



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Ah,
 a observação dos céus estrelados a olho  nú 
é algo realmente encantador, 
emocionante 
e somente aqueles que se dedicam a esse tipo de observação 
saindo de suas poltronas (the arm-chair astronomer)
 e das telas mágicas de seus computadores -,
 conseguem compreender 
o maravilhamento que as estrelas e suas constelações 
e alguns objetos celestes visíveis à vista desarmada 
nos proporcionam, 
gratuitamente 
e quase eternamente....



Nossa longa viagem noite adentro não terminou, porém -
pois sempre poderemos dar-lhe continuidade 
em algum outro momento
em que a escuridão da noite caia sobre nós 
e nos permita investigar seus mistérios...

O melhor de nossa observação dos céus estrelados,
é que sempre ele, o céu, estará lá 
- independentemente de chuva ou de sol, de nuvens ou de neblina...
pelo menos, ainda durante nossa simples e rápida existência,
o céu poderá vir a ser considerado 
como uma das poucas questões
 às quais podemos confiar em seu certo 
e (quase) eterno retorno...

Ao longo de nossa simples e rápida existência,
o céu pouco muda.  
Mudam apenas os posicionamentos 
da Lua e dos Planetas... , 
dos planetóides e planetas-anões...
- o Sol continua caminhando
 em seu Caminho da Eclíptica....
 (que muda, sim, porém
não tão rapidamente 
que possa vir a ser notada sua mudança 
em uma só vida simples e rápida nossa).  

Vêm cometas, asteróides, pedras e mais pedras...  
No entanto, as estrelas permanecem por muito
e muito e muito tempo 
do jeito que são.  

Um dia, porém, acontece de alguma coisa mudar
 - uma estrela que parecia ser aqui, parece que andou um tantinho....  
Uma galáxia que víamos somente com visão enviesada, 
vem se aproximando, aproximando, aproximando, 
urgindo por um abraço com a Galáxia onde vivemos (ainda)... 

 Tudo bem, nosso Sol também terá mudado, então, terá inchado,
 desinchado, murchado... 

 Possivelmente estaremos já bem longe, 
distanciados do ventre materno natal. 

 Será?

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
Janine Milward

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