terça-feira, 30 de maio de 2017

É a Terra Ímpar?


Olá!

Ao final do século passado
e ao começo desse novo século
que ora vivenciamos,
Caro Leitor,
a questão sobre Exoplanetas
ainda vivenciava seus primeiros passos.

Com o passar dos anos
e hoje em dia, 
entretanto,
as descobertas de novos Exoplanetas
pipocam
- alguns desses mundos nos surpreendendo imensamente
e outros, nem tanto.

A bem da verdade,
a questão hoje em dia
não recai no fato de que
 se iremos (ou não) encontrar Exoplanetas,
mas sim em onde e quando e como
encontraremos Exoplanetas
não apenas potencialmente habitáveis
como realmente, realmente, realmente
habitáveis...,
e, quem sabe,
habitados....
- qualquer que seja a forma de vida
que possa vir a acolher.

A pergunta que desde sempre
 viemos fazendo
 - É a Terra Ímpar? -
vem sendo comentada
neste Texto 
 (publicado no começo deste século)
de autoria do astrônomo real e astrofísico
Sir Martin Rees,
exraído de seu livro
Just  Six Numbers 
(Seis Números Somente)
- cujo texto sintetizado já foi aqui postado.

Sir Martin Rees
conclui seu pensamento
sobre
É a Terra Ímpar ?
nos dizendo:

"...... o que aconteceu antes de as galáxias terem se formado, quando tudo cabia dentro de uma massa tão simples - uma massa de gás quase sem estrutura mais quente e mais densa do que o centro do sol - e que pode ser descrita por apenas alguns números? Como 14 bilhões de anos de evolução cósmica aconteceram a partir de uma simples receita de nosso imensamente complexo cosmos? Como - aqui na Terra e possivelmente em outros mundos - os átomos se reuniram em criaturas que podiam ponderar sobre suas origens?

Talvez as respostas requeiram novos insights dentro da natureza do espaço e do tempo e da junção entre o cosmos e o mundo micro. Talvez os alienígenas em órbita em torno de sóis distantes possam saber as respostas. Porém para nós, estes mistérios apresentam um desafio - e possivelmente, uma procura sem fim."

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Bem, Caro Leitor,
se você quiser (re)ler
o Texto 
Seis Números Somente
acesse

"Para nossa surpresa, sabemos que apenas seis números são importantes para a receita de um universo - determinando como ele se expandirá; se planetas, estrelas e galáxias poderão ser formados; e se poderá haver uma química favorável para a evolução da vida. O resultado é tremendamente sensitivo a estes números. Se você imaginar realizar um universo através do ajuste de seis botões, então a sintonia deve ser precisa para que se crie um universo que possa conter qualquer forma de vida. Se os números não estiverem bem sintonizados, o universo não seria somente diferente, - seria estéril.

Essa compreensão oferece uma radical nova perspectiva sobre nosso lugar no universo e a natureza das leis físicas. Eu penso que esta sintonia fina nos leva a crer que nosso universo inteiro pode ser apenas um átomo num infinito e eterno multiverso."




Se você estiver interessado
em (re)ler sobre 
nossos vizinhos mais próximos
- o Sistema de três Estrelas 
denominado como Alpha Centauri
e acolhendo Alpha Centauri A e B
e ainda Proxima Centauri
com seu recém-descoberto Exoplaneta,
acesse


..... em agosto de 2016,
foi descoberto um Exoplaneta orbitando
Proxima Centauri e nomeado como Proxima B....
e o melhor de tudo é que
muito possivelmente este Exoplaneta
possa acolher um tanto de vida,
por se encontrar na zona habitável
- mesmo que alguns astrônomos discordem
que anãs vermelhas possam sustentar vida.


Com um abraço estrelado,
Janine Milward





Nasa





O artigo abaixo 
é uma re-leitura, síntese e tradução literal 
de Janine Milward de Azevedo 
sobre o artigo "Is Earth Unique?" 
de autoria de Martin Rees
adaptado de seu livro "Just Six Numbers".
 Sir Martin Rees é astrônomo real e astrofísico 
na Universidade de Cambridge, Inglaterra. 
Este artigo foi extraído da Revista Astronomy
, edição de março de 2001
 - páginas 54 a 57, Kalmbach Publishing Co., Wi, USA.


É a Terra Ímpar?

No século IXX, Darwin e os geólogos deduziram que a Terra e sua biosfera eram o resultado de pelo menos um bilhão de anos de evolução. Hoje em dia, nós olhamos nosso sistema solar através de uma ainda maior perspectiva. Nosso sol é apenas uma entre centenas de bilhões de estrelas em nossa Via Láctea, que por sua vez é apenas um galáxia entre bilhões de outras. A totalidade do tapete cósmico pode, acreditamos, ser traçado para trás no tempo até os instantes iniciais do big Bang. Porém, o quão singular é a Terra nesse vasto cosmos?

A Procura Planetária

Os astrônomos suspeitam desde há muito tempo que outras estrelas são orbitadas por planetas, porém as evidências mais conclusivas nos foram privadas até alguns anos atrás. Mesmo agora, os únicos planetas a serem detectados são aqueles imensos - do tamanho de Júpiter. Porém existem todas as possibilidades de se acreditar de que aqueles são também os maiores membros de outros sistemas solares e que os sistemas planetários são tão comuns em nossa galáxia que planetas como a Terra devem ser contados em milhões.

Os Estados Unidos possuem um programa espacial mais ambicioso e maior do que a Europa - um legado da Guerra Fria. Enquanto a estação espacial internacional tripulada, imensamente cara da Nasa, não é nem pratica nem inspiradora, as melhores notícias são de que o Chefe Executivo da Nasa, Dan Goldin, também está focando numa expedição menos cara e não tripulada: o programa As Origens, destinado a estudar a gênesis das estrelas e planetas, da vida e da totalidade do universo.

Todos somos familiarizados com o layout do nosso sistema solar - os tamanhos e as orbitas dos nove maiores planetas. Para os observadores casuais, as estrelas são remotos pontos de luz. De vinte a trinta anos à frente, o céu noturno parecerá muito mais rico e interessante. Novas descobertas astronômicas revelarão sistemas planetários ainda não descobertos orbitando centenas de outras estrelas. Nós hoje sabemos os tamanhos e as orbitas das estrelas vizinhas bem como seus planetas (inclusive com alguns detalhes topográficos). Os mapas do céu serão muito mais complicados.

Gêmeos da Terra

Estaremos especialmente interessados em possíveis gêmeos da Terra - planetas do mesmo tamanho do que o nosso, orbitando outras estrelas como nosso sol, e com temperaturas que fazem com que a água nem congele nem ferva. Grandes telescópios no espaço revelarão planetas como a Terra que podem orbitar nossa vizinhança estelar.

Deverão esses planetas conter vida? A vida na Terra ocupa uma imensa variedade de nichos. Nós ainda não sabemos como ou onde ela teve seu começo. Será que foi no pequeno lago quente de Darwin, abaixo do subsolo, ou até em nuvens espaciais de poeira molecular? Ecossistemas existentes no fundo do mar nos contam que nem mesmo a luz do sol é essencial.

A emergência da vida pode ser um acontecimento rotineiro no cosmos; por outro lado, pode ser altamente improvável - não sabemos. Esta é uma questão para os biólogos. Porém a biologia é um assunto ainda mais difícil do que a astronomia. As estrelas e as galáxias podem ser vastas e remotas, porém são muito menos complicadas do que os organismos vivos, que possuem tijolo sobre tijolo de estruturas intricadas.

Nós apenas sabemos sobre nossa própria biosfera; portanto, não podemos deixar de admitir a possibilidade que a Terra tenha resultado de uma cadeia de acontecimentos tão imensamente improváveis que aconteceram apenas uma vez em nossa galáxia. Se a vida tivesse acontecido duas vezes dentro de nosso sistema solar, não teria sido uma apenas fortuita sorte... Poderíamos então inferir confidentemente que a vida existe em planetas vizinhos a outras estrelas e que a galáxia inteira explodem em vida. É por isso que é tão crucial que detectemos vida - mesmo que em forma simples, apenas em seus vestígios - em algum lugar em nosso sistema solar, se na superfície árida de Marte ou sob o gele das luas congeladas de Júpiter, Calisto e Europa.

Procurando por Inteligência

Somente nos poucos anos atrás que pudemos nos assegurar de que existem outros mundos orbitando outras estrelas. Porém ainda estamos longe de sabermos se alguns desses mundos podem conter alguma coisa viva. Menos ainda sabemos a forma como a vida simples pode evoluir em alguma coisa que possamos reconhecer como inteligente.

Escaneamentos sistemáticos por sinais de inteligência para além de nossos sistema solar são apenas apostas bem apostadas, apesar de todas as possibilidades contra seu sucesso em função da importância filosófica de qualquer detecção. Um sinal manifestadamente artificial - mesmo que seja tão enfadante quanto uma lista de números primos ou os algarismo do pi - traria consigo uma mensagem rápida de que a inteligência (apesar de não necessariamente a consciência ) não é unicamente pertencente à Terra e que pode ter sido desenvolvida em outro lugar; e que os conceitos da lógica e da física não são peculiares dos cérebros humanos.

As opiniões podem, certamente, estar bastante estratificadas contra a vida inteligente e de que não exista ninguém mais em nosso universo. Enquanto alguns podem achar isso deprimente, o fato de se sentir sozinho em um vasto e inanimado cosmos, eu pessoalmente reajo de maneira bem oposta. Se a procura pelos sinais extraterrestres são fadadas a não serem bem-sucedidas, provando que a Terra é um corpo único de vida em nossa galáxia, nós poderemos ver isso numa perspectiva cósmica menos humilde do que se o universo já estivesse fervilhando de formas de vida avançada.

Uma coisa que aprendemos na astronomia é que a expansão do tempo futuro - mesmo não sendo infinita - é muito maior do que os 14 bilhões de anos que já se transcorreram desde a gênesis que colocou nosso universo em expansão. Nosso próprio sol já queimou menos que a metade de seu combustível e continuará a brilhar por mais tempo do que foi preciso para nossa evolução. Mesmo que a vida seja agora ímpar na Terra, ainda existe tempo para ela acontecer através da galáxia - e para além.

Gênesis cósmica compartilhada

Mesmo que eles sejam diferentes e também seus mundos do nosso, os alienígenas deverão ser feitos das mesmas espécies de átomos e governados pelas mesmas forças que nós; eles estariam olhando para as mesmas estrelas e galáxias. Se algum dia os contatarmos, talvez a única cultura comum entre nós seria advinda pelo mesmo interesse em como nosso habitat cósmico aconteceu a partir de sua gênesis inicial.

Podemos na verdade, olhar para trás no passado e ver evidencias dessa evolução. Imagens de longa exposição tomadas com o telescópio espacial Hubble mostram que o céu é densamente coberto com por difusos fachos de luz, bilhões de vezes mais fracos do que qualquer estrela detectável a olho nú. Estas são na verdade galáxias inteiras, dezenas de centenas de anos luz de distância que parecem pequenas e difusas porque estão tão longe que sua luz de lá saiu cerca de 10 bilhões de anos atrás. Nos as vemos da forma que eram no passado remoto: jovem estrelas sem planetas - e presumivelmente sem vida.

Porém, o que aconteceu antes de as galáxias terem se formado, quando tudo cabia dentro de uma massa tão simples - uma massa de gás quase sem estrutura mais quente e mais densa do que o centro do sol - e que pode ser descrita por apenas alguns números? Como 14 bilhões de anos de evolução cósmica aconteceram a partir de uma simples receita de nosso imensamente complexo cosmos? Como - aqui na Terra e possivelmente em outros mundos - os átomos se reuniram em criaturas que podiam ponderar sobre suas origens?

Talvez as respostas requeiram novos insights dentro da natureza do espaço e do tempo e da junção entre o cosmos e o mundo micro. Talvez os alienígenas em órbita em torno de sóis distantes possam saber as respostas. Porém para nós, estes mistérios apresentam um desafio - e possivelmente, uma procura sem fim.

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O artigo acima é uma re-leitura, síntese e tradução literal de Janine Milward de Azevedo de Azevedo sobre o artigo "Is Earth Unique?" de autoria de Martin Rees, adaptado de seu livro "Just Six Numbers". Sir Martin Rees é astrônomo real e astrofísico na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Este artigo foi extraído da Revista Astronomy, edição de março de 2001 - páginas 54 a 57, Kalmbach Publishing Co., Wi, USA

Com um abraço estrelado,
Janine Milward