quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Tempo de Viagem da Luz das Estrelas


Olá!

Caro Leitor,
houve um tempo,
quando meus estudos em Astronomia
aconteciam através alfarrábios 
em papel impresso
(bons tempos!),
em que eu me propus
a ir trazendo uma tradução (simples)
de alguns textos
que me atraíam imensamente a atenção
e compartilhá-los com alguns amigos
também amantes dos céus estrelados.

O texto abaixo é,
a meu ver,
interessantíssimo 
pois que trata de um tema que venho pensando
há muito: O Tempo.

E este Tempo manifesta-se
através o presente fusionado imediatamente ao passado.
Quer dizer,
ao simplesmente nos deixarmos tocar
pela luz do tépido sol do outono/inverno,
estamos fusionando nosso aqui-e-agora
a um passado de cerca de oito minutos atrás.
Simples assim.

Em termos das estrelas mais longínquas,
céus,
esse passado 
fusionado ao nosso presente
avança e avança muitíssimo,
em escalas astronômicas!

Doe-se um pedacinho do seu tempo de hoje,
Caro Leitor,
para ler este texto
que o levará a pensar
mais profundamente
sobre a vida.

O autor, Kevin Shine,
começa seu texto
de maneira a nos cativar imensamente:

"É estranho imaginarmos que quando olhamos para o céu noturno estamos, na verdade, olhando para o passado longínquo; cada estrela que aparece não é como a vemos agora e sim como ela era cerca de centenas ou mesmo milhares de anos atrás. Em alguns casos olhamos para estrelas que enviarem suas luzes quando o homem ainda vivia nas cavernas. Cada estrela é uma pedaço de nossa história."

Com um abraço estrelado
e desejando a você uma boa leitura,
Janine Milward



Nenhum texto alternativo automático disponível.
O Astrônomo Alan Fitzsimmons tirou uma foto dele mesmo com o centro da galáxia ao fundo nas instalações do Observatório de La Silla, no Deserto do Atacama no Chile.
Credit: ESO/A. Fitzsimmons

https://www.eso.org/public/images/potw1320a/





O artigo abaixo é baseado numa re-leitura, 
tradução e síntese de Janine Milward de Azevedo 
sobre o texto "Starlight Time Travel", 
autoria de Kevin Shine
publicado pela Revista Astronomy Now, 
edição de Outubro de 1996

páginas 50 e 51, Tonbridge, Kent, England.




O Tempo de Viagem da Luz das Estrelas

"É estranho imaginarmos que quando olhamos para o céu noturno estamos, na verdade, olhando para o passado longínquo; cada estrela que aparece não é como a vemos agora e sim como ela era cerca de centenas ou mesmo milhares de anos atrás. Em alguns casos olhamos para estrelas que enviarem suas luzes quando o homem ainda vivia nas cavernas. Cada estrela é uma pedaço de nossa história.

Distâncias Estelares

A razão pela qual a luz dessas estrelas leva tanto tempo para nos alcançar é devido à sua distância; até mesmo a distancia entre a Terra e a estrela mais próxima é imensa. se imaginarmos que o espaço entre a Terra e o Sol fosse reduzido a uma polegada, Júpiter estaria para além de quatro polegadas de distancia. Netuno estaria cerca de 29 polegadas de distancia e a próxima estrela, Próxima Centauri, estaria para além de quatro milhas de distancia.

Assim, devido à vastidão quase incompreensível de distancias entre nós e as estrelas, seria totalmente impraticável usarmos milhas ou quilômetros - até mesmo entre a Terra e o Sol cuja distancia é de 92.500.000 milhas. Dessa forma, os astrônomos usam o ano-luz para trabalhar as grandes dimensões do universo. Como a luz viaja 186.282 milhas por segundo, após um ano essa luz viajou bastante - 5.660.000.000.000 milhas.... Assim, distancia é medida em ano-luz.

Degraus de Tentativa

É tempo, então, de iniciarmos nossa jornada de volta no tempo, porém começaremos numa pequena viagem, por enquanto. Se houver uma outra pessoa na sala com você, sentada cerca de dez pés de distancia, então você a está vendo "agora" como se ela "fosse" uma centena de milionésimos de segundos atrás. Isto significa que esta pessoa parecerá um pouquinho mais jovem do que realmente é... porém essa pequena distancia não é passível de ser considerada...

Devemos, então, iniciar nosso real primeiro degrau de tentativa e olhar em direção ao Sol, nossa estrela mais próxima. Mesmo que o tempo de intervalo seja ainda mínimo, a luz demora oito e meio minutos para chegar até nós; tempo suficiente para fazermos uma chávena de chá e voltarmos para nossa poltrona antes do que o raio do sol que de lá saiu quando você começou a ler este artigo, atingisse a Terra.
A luz refletida que parte de Júpiter demora um pouco mais, cerca de três-quartos de hora; com Saturno, cerca de uma hora e vinte minutos; e com Plutão porque é bastante distante do Sol, sua luz refletida demora impressionantes cinco horas e quarenta minutos para nos alcançar na Terra.

Degraus adentrando o Passado

A próxima estrela mais perto de nosso sistema solar é Próxima Centauri, para além de quatro anos-luz de distância. Porém ainda quatro anos é relativamente um minúsculo degrau no passado em relação ao resto de nossa jornada.

Sírius, a estrela do Cão Maior, é a próxima estrela no céu e também o próximo notável degrau que nos leva ao passado. Sua luz deixou esta estrela em 1984 quando as Olimpíadas de Los Angeles eram a notícia do momento. Outra jóia do céu é a brilhante estrela Vega, a bela da Lira, cuja luz saiu quando a Inglaterra vencia a Copa do mundo de 1966. Quando o homem começou suas primeiras aventuras no espaço com a Sputnik em 1958, a luz do Arcturus que hoje vemos deixou esta estrela.

Retornando na História

A partir de agora, começaremos a acelerar fortemente rumo ao passado e alcançar o último ponto de parada no século vinte: 1912, ano em que o Titanic afundou e Scott alcançou o polo sul e quando a luz de Mizar começou sua aventura que ultrapassou as duas guerras mundiais. Mizar é facilmente encontrável, localizada no meio da alavanca do Carro, na Ursa Maior.

As Hyades são um agrupamento de estrelas que formam a cabeça do Touro podem ser vistas como eram há 140 anos atrás, um tempo revolucionário de expansão colonial e quando Darwin teorizava a evolução.
Olhemos agora para Polaris, a mais famosa estrela do céu, com sua posição sendo uma fração de deslocamento do polo norte celestial, na Ursa Menor, e surpreendentemente, apenas a estrela 49 no rank de brilho estelar. Sua luz que hoje nos atinge saiu de lá cerca de 380 anos atrás, no século dezessete, quando Galileu apontou seu telescópio em direção às estrelas.

As Plêiades ou Sete Irmãs são famosas consistindo de um cordão de jovens estrelas bem juntinhas, seis ou sete que podem ser divisadas. Elas formam o coração do Touro e são visíveis hoje como eram há 400 anos atrás, no tempo da Armada Espanhola.

Quando Colombo partiu em sua viagem para o Novo Mundo, a luz da estrela Betelgeuse também começava sua jornada interestelar que somente agora chega a seu final. Ainda um grande passo atrás acontece quando olhamos para a estrela Rigel, também em Órion como Betelgeuse, que dista 900 anos-luz de nós. Abaixo da Nebulosa do Orion, no cinturão de Orion, encontra-se uma estrela pequena, nada especial, porém quando a vemos estamos olhando a luz de quando Cristo nasceu na Terra e quando os romanos ocuparam grande parte da Europa.

quando olhamos para a Nebulosa do Caranguejo, galgamos outro grande degrau até 3.000 anos antes de cristo. Impérios e civilizações foram criados e derrubados, era tempo da agricultura chegar na Inglaterra and as línguas primeiras escritas estavam começando a serem desenvolvidas. A Nebulosa do Caranguejo, acima de Orion, é uma remanescente de uma explosão estelar ou supernova que foi observada pelos chineses em 1054. Não muito antes da luz deixar a Nebulosa do Caranguejo, acontecia a expansão da linguagem e a construção de Stonehenge, possivelmente um dos mais antigos monumentos astronômicos da Terra.

Na constelação de Hércules existe um dos mais brilhantes agrupamentos de estrelas do céu do norte, Messier 13. Com os olhos nús pode ser visto como um rasto de estrela e dista cerca de 20.000 anos-luz - um tempo em que a Terra estava em meio a uma enorme idade do gelo, com um quarto de seu território coberto.

O Passado Remoto

O vizinho mais próximo à nossa galáxia é a Grande Nuvem de Magalhães, distante 150.000 anos-luz - sua luz estava saindo de lá quando a Terra era dominada por imensos mamíferos como o tigre de dente de sabre e os mamutes.

A maior galáxia próxima à nos é a Galáxia de Andromeda. Ela contém várias centenas de milhares de milhões de estrelas e pode ser vista como um objeto esfumaçado e pequeno. É o objeto mais longínquo que o homem pode ver a olho nú distando mais de dois milhões de anos-luz.

Para ir ainda mais além no passado de nosso universo é preciso nos munir com grandes telescópios e radio telescópios que captam os objetos mais distantes do universo, os quasars. Os quasars são objetos intensamente luminosos e imensamente remotos. Messier 81 e Messier 82 são duas galáxias que se localizam a nordeste do Carro no céu, numa distancia de cerca de 8 milhões de anos luz. Quando os photons que vemos desses objetos hoje foram emitidos, o homem ainda estava em sua evolução a partir do macaco.

Viajando ainda mais distante através do Aglomerado de Virgem, o superaglomerado estimado em conter 3.000 galáxias, teremos viajado alguma coisa em torno de 55 a 65 milhões de anos-luz. Assim, essa luz saiu desse Aglomerado quando a Terra passava por uma de suas maiores mudanças, a era dos dinossauros que estava finalmente chegando a seu final depois de 100 milhões de anos de poder. Um impacto de asteroide pode bem ter sido o causados dessa queda.

Olhando ainda mais atrás 300 milhões de anos estamos no Aglomerado de Galáxias de Coma Berenices. Quando a luz deixou esse lugar nós não poderíamos sequer reconhecer nosso próprio planeta: a Terra estaria coberta pelo supercontinente de Pangea. Os peixes eram inúmeros nos mares quentes, com árvores e capim dominando a terra e por todos os lugares da Terra, a vida diversificava.

Os quasars são os objetos mais distantes que podemos encontrar no universo no momento, a maioria deles surgindo de uma região cerca de 12 bilhões de anos-luz de distancia. Quando a luz de um desses quasars chegou até nós, não somente a Terra e o Sol estavam se formando, cerca de cinco bilhões de anos atrás, mas também toda nossa Galáxia estava sendo criada, com suas milhões de estrelas aparecendo e outras morrendo nesse meio tempo. Estes quasars parecem ser relativamente pequenos e não atuam como estrelas normais de nenhuma forma, produzindo energia de maneira que ainda não é completamente entendida. Uma teoria do momento é que os quasars são centros de alta energia pertencentes a galáxias jovens e extremamente distantes.

Atingimos agora o final de nossa procura e viajamos no passado até onde poderíamos ir: quase atingimos o começo do universo e o Tempo ele mesmo, o Big Bang. Quando o Big Bang aconteceu é uma questão que continua sendo debatida, possivelmente tendo ocorrido entre 10 a 20 bilhões de anos atrás.

Muitos dos objetos mencionados são visíveis nas noites do ano, mas em qualquer noite transparente e escura nos proporcionará com a oportunidade de sairmos de casa e realizarmos nossa viagem nas estrelas através dos tempos."

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O artigo acima é baseado numa re-leitura, tradução e síntese de Janine Milward de Azevedo  sobre o texto "Starlight Time Travel", autoria de Kevin Shine, publicado pela Revista Astronomy Now, edição de Outubro de 1996, páginas 50 e 51, Tonbridge, Kent, England.

Com um abraço estrelado,

Janine Milward