quinta-feira, 25 de maio de 2017

Somos Poeira de Estrelas


Olá!

Caro Leitor,
penso que um tema comovente
- e ao mesmo tempo questionador -
é o fato de que Somos Poeira de Estrelas.

A meu ver,
esta questão nos traz o tom de real imortalidade,
quer dizer,
existe a transmutação do universo
acontecendo todo o tempo
 e todo o espaço
e carregamos conosco
um tantinho de toda esta transmutação!

Talvez possamos pensar
que somos bibliotecas pensantes
e imortalizadas 
e que podemos pensar
sobre o universo
porque o universo
não somente está diante 
e dentro de nós
- nos permeando como um todo -
como também
o universo existe através a nossa possibilidade
de sobre ele pensarmos.

Eu gosto de pensar
que nossa mente é tão infinita
quanto infinito é o cosmos.

Carl Sagan teria dito
"Nós somos uma maneira de o Cosmos conhecer a si mesmo"

Nesta Postagem, Caro Leitor,
encontre minha tradução (simples)
sobre o texto
"We are stardust" de Ken Croswell,
que nos explica 
e nos instiga a sabermos mais e mais
 sobre o fato de que
Somos Poeira de Estrelas
e conclui que
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As estrelas que trazem beleza ao céu noturno estão, portanto, trabalhando intensamente para a Galáxia, produzindo quase todo espectro de elementos. Desde o nascimento da Galáxia a partir do hidrogênio sem vida e do gás hélio, a Via Láctea criou estrela após estrela, viu-as viver e algumas delas morrer, e por bilhões de anos testemunhou a grande alquimia que estas estrelas perfazem na transformação dos elementos leves advindos do big bang em elementos pesados que nos proporcionam vida.

Ao menos em um caso, em um planeta coberto de água girando em torno de uma estrela amarela, tais elementos fizeram nascer a vida. Somos, portanto, feitos dos elementos forjados pelas estrelas da Via Láctea há bilhões de anos: o oxigênio que respiramos, o cálcio em nossos ossos, e o ferro que flui através de nossas veias, todos vieram daquelas estrelas que morreram há muito tempo e que expeliram seus restos Galáxia adentro....

Somos herdeiros das antigas estrelas. Somos poeira de estrela.


Boa Leitura!

Com um abraço estrelado,
Janine Milward



OCTOBER 16, 2006: This new NASA Hubble Space Telescope image of the Antennae galaxies is the sharpest yet of this merging pair of galaxies. During the course of the collision, billions of stars will be formed. The brightest and most compact of these star birth regions are called super star clusters. The new image allows astronomers to better distinguish between the stars and super star clusters created in the collision of two spiral galaxies.




 O artigo abaixo é baseado numa re-leitura, 
tradução e síntese de Janine Milward de Azevedo 
sobre o texto 
"We are stardust" de Ken Croswell
 - astrônomo em Berkeley, Califórnia 
e autor de "The Alchemy of Heavens", A Alquimia dos Céus, 
que explora a Galáxia e o universo além. 
Este artigo foi extraído da revista Astronomy Now, 
edição de fevereiro de 1997
páginas 25 e 26 - Tonbridge, Kent, England.



Somos Poeira de Estrelas


Entre todas as descobertas astronômicas do século vinte, a mais bela e poética também é uma das mais profundas: praticamente todos os elementos da Terra e em nossos corpos foram forjados pelas estrelas da Via Láctea. Portanto, cada ser humano deve sua vida à forjaria das estrelas da Galáxia.

Uma Idéia Radical

Há cerca de cinqüenta anos, não somente esta idéia era considerada radical como também absurda. Como poderiam as estrelas ter algo a ver com os elementos da Terra? Naquele tempo, muitos cientistas pensavam que cada elemento, desde o hidrogênio ao urânio, tinham surgido durante o nascimento cataclísmico do Universo, ao qual os astrônomos hoje denominam de big bang. Se isso fosse assim, então todas as estrelas deveriam possuir mais ou menos a mesma composição em suas superfícies, desde que todas teriam sido formadas da mesma mistura de elementos contidos a partir do big bang. Esse pensamento é devido ao fato de que normalmente a superfície de uma estrela reflete a composição do material do qual ela nasceu e não muda muito durante o tempo de sua existência.

Porém, em 1951, astrônomos assombraram seus colegas ao reportarem que duas estrelas pertencentes ao halo populacional de nossa Galáxia tinham menos cálcio e ferro do que o Sol. As estrelas dentro do halo da galáxia são antigas, e o fato de possuírem pouco metal significava que a Galáxia em seu inicio possuía apenas uma pequena quantidade de cálcio e de ferro. Desde aquela época antiga, o suprimento de elementos pesados aumentou enormemente, de forma que a Via Láctea, através de suas estrelas, deve ser o verdadeiro criador dos elementos pesados.

No entanto, essa descoberta quase deixou de ser publicada porque naquela época os astrônomos pensavam que todas as estrelas tinham a mesma composição química.

Elementos Reciclados

Para os astrônomos que apreciaram o trabalho sobre essas duas estrelas "diferentes", a questão estava clara: porque antigas estrelas possuíam menos elementos pesados do que as estrelas mais jovens, a Via Láctea se tornara-se cada vez mais enriquecida com os elementos pesados ao longo de sua vida. As estrelas da Galáxia estavam forjando elementos pesados como cálcio e ferro. E quando estas estrelas morriam, elas ejetavam os elementos pesados espaço afóra. Alguns desses elementos encontraram e enriqueceram as nuvens interestelares de gás e poeira que deram nascimento às novas estrelas e planetas, os quais herdaram os elementos para si mesmos.

A culminação desta idéia ocorreu in 1957 quando se provava esse conceito sem qualquer dúvida e explicava porque alguns elementos, como oxigênio, são comuns enquanto outros, como ouro, são raros. Como exemplos, tomemos o oxigênio e o ouro. Oxigênio é o terceiro elemento mais abundante no universo, depois de hidrogênio e hélio. E é comum, porque precisamente é produzido pelas reações nucleares que ocorrem durante a vida de muitas estrelas. Na verdade, quase no final da vida do nosso Sol, quando nossa estrela se tonar uma gigante vermelha, ele criará oxigênio a partir da fusão do carbono com o hélio.

Porém o ouro é oposto ao oxigênio. Ouro é raro: para cada átomo de ouro no cosmos, existem 130 milhões de átomos de oxigênio. Colocando isto em perspectiva, imaginemos que cada pessoa nos Estados Unidos representa ou oxigênio ou um átomo de ouro, e que seus números fossem refletir a quantidade desses dois elementos no cosmos: nesse caso praticamente cada americano seria oxigênio, somente dois seriam ouro....

Ouro é raro porque muitas estrelas não o produzem. Ao invés disso, o ouro surge somente quando uma estrela explode, o que causa neutrons chocarem-se com os elementos leves e formarem elementos pesados como o ouro e a platina. Porém tais explosões são raras, ocorrendo na Galáxia somente poucas vezes no século e também elas nem sempre produzem esse elemento precioso. Dessa forma, o ouro é raro.

Ferro e Oxigênio a partir das Supernovas

Da maneira como os astrônomos acreditam, o big bang teria criado apenas os elementos leves - inicialmente hidrogênio e hélio e um pouco de lítio - enquanto as estrelas produziram todo o resto. Hoje em dia, os astrônomos vêem ainda mais longe, apontando as formulas exatas através das quais os elementos diferentes surgem.

Por exemplo, em décadas recentes, astrônomos descobriram que o oxigênio é relativamente mais abundante em estrelas antigas mais do que outros elementos pesados, como o ferro. Estas estrelas antigas ainda possuem menos oxigênio do que nosso Sol, porém a quantidade não é assim tão mais baixa como se dizia antes, baseado na escassez de ferro nas estrelas.

Essa razão pode ser encontrada nos dois mais importantes tipos de supernova, uma que produz muito oxigênio, e outra que produz muita ferro. A maioria das supernovas acontece a partir de estrelas de grande massa e de curta vida como Spica em Virgem ou Antares em Escorpião. Durante suas vidas, estas estrelas criam muito oxigênio, ao qual elas ejetam quando explodem. Por causa de suas vidas curtas, estas estrelas começaram a explodir tão logo a galáxia estava ainda se formando, ejetando oxigênio na Via Láctea, e a estrelas que estavam sendo formadas naquele momento adquiriram este oxigênio. Como resultado, estas estrelas possuem uma relativa maior quantidade de oxigênio comparado ao outros elementos pesados, como ferro.

Apesar de algum ferro também surgir a partir destas maciças supernovas, a maioria, ou talvez a totalidade desde elemento venha a partir de diferentes tipos de supernovas. Estas supernovas ocorrem quando uma estrela anã branca recebe pouco material de sua estrela companheira e acaba explodindo. Esta explosão produz pouco oxigênio porém forja uma grande quantidade de ferro. Assim, uma única estrela anã branca em sua explosão pode doar à Galáxia metade da massa solar de ferro puro.

Entretanto, estas anãs brancas supernovas demoram a acontecer, porque leva tempo para que uma anã branca seja formada e para que sua companheira possa transferir material o suficiente para fazer a anã branca explodir. Consequentemente, poucas dessas supernovas explodiram enquanto a Via Láctea era jovem, dessa forma o ferro entrou na Galáxia bem mais vagarosamente do que o oxigênio.

A Fonte de Carbono e Nitrogênio

Dois outros importantes elementos, o carbono e o nitrogênio, possuem outra fonte, e, da mesma forma que o ferro, entraram na Galáxia vagarosamente. A maior parte do carbono e do nitrogênio surgiram em estrelas pouco maciças que se tornaram gigantes vermelhas e que não explodiram. Durante o estágio de gigante vermelha, o carbono e o nitrogênio podem enriquecer a atmosfera externa da estrela. Ao final de sua vida, a gigante vermelha expele essa atmosfera externa espaço adentro, formando uma bolha de gás em torno de si mesma, chamada de nebulosa planetária. A mais famosa dessas, como um anel de fumaça, é a Nebulosa do Anel, na Lyra. Essa é a maneira pela qual a maior parte do carbono e virtualmente também do nitrogênio que existem hoje em nossos corpos, foram expelidos através da Galáxia.

As estrelas que trazem beleza ao céu noturno estão, portanto, trabalhando intensamente para a Galáxia, produzindo quase todo espectro de elementos. Desde o nascimento da Galáxia a partir do hidrogênio sem vida e do gás hélio, a Via Láctea criou estrela após estrela, viu-as viver e algumas delas morrer, e por bilhões de anos testemunhou a grande alquimia que estas estrelas perfazem na transformação dos elementos leves advindos do big bang em elementos pesados que nos proporcionam vida.

Ao menos em um caso, em um planeta coberto de água girando em torno de uma estrela amarela, tais elementos fizeram nascer a vida. Somos, portanto, feitos dos elementos forjados pelas estrelas da Via Láctea há bilhões de anos: o oxigênio que respiramos, o cálcio em nossos ossos, e o ferro que flui através de nossas veias, todos vieram daquelas estrelas que morreram há muito tempo e que expeliram seus restos Galáxia adentro....

Somos herdeiros das antigas estrelas. Somos poeira de estrela.

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O artigo acima é baseado numa re-leitura, tradução e síntese de Janine Milward de Azevedo  sobre o texto "We are stardust" de Ken Croswell - astrônomo em Berkeley, Califórnia e autor de "The Alchemy of Heavens", A Alquimia do s Céus, que explora a Galáxia e o universo além. Este artigo foi extraído da revista Astronomy Now, edição de fevereiro de 1997, páginas 25 e 26 - Tonbridge, Kent, England.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward