quinta-feira, 8 de junho de 2017

Lua Cheia avizinhando-se de Saturno, ambos na direção do Serpentário, Ophiucus, Ofiúco, e sendo testemunhados por Antares, em Escorpião!


Olá!

Nossa Lua Cheia de finalzinho de outono
vem iluminando céus e terra,
a tudo e a todos,
não é verdade?

Se você buscar pela Lua quase quase Cheia
não terá qualquer problema de identificar
por qual constelação ela vai estar passando hoje a noite
(dia 08)
- porque, mesmo com tanta iluminação advinda de Selene,
eu penso que a belíssima estrela-alpha Scorpii, 
Antares,
estará brilhando como sempre
e confirmando sua presença.

Um tantinho mais abaixo e ao norte,
procure por uma luz que não pisca,
uma luz amarelada:
Saturno!

A bem da verdade,
o momento de plenitude da Lua
acontecerá amanhã
- e para nós, na região sudeste do Brasil,
um tantinho depois das dez horas da manhã.

Confira na Ilustração Stellarium abaixo,
Caro Leitor,
e veja que tanto a Lua Cheia quanto Saturno
estarão bem próximos
e visitando a constelação do Serpentário, Ophiucus, Ofiúco.

Ophiucus, o Serpentário, 
Aquele que Segura a Serpente,
é uma constelação bem interessante
porém composta de estrelas não muito proeminentes
- e, da mesma forma, assim acontece 
com a constelação da Serpente, 
ou seja, Serpens Cauda e Serpens Caput.

É bem interessante percebermos o fato de que
a imensa figura estelar do Serpentário segurando a Serpente
- é uma constelação tripla, digamos assim! 



Quando o Zodíaco foi originalmente nomeado, 
a Eclíptica não passava pelo Ofiúco, 
de forma que esta constelação não foi incluída. 

 Em função do movimento da precessão dos equinócios,  
Ofiúco recebe a passagem da linha da Eclíptica 
e o Sol passa um bom tempo aqui 
depois de ter adentrado a Cabeça do Escorpião
 e passado ao largo de sua estrela Alpha, Antares.

Nesta Postagem,
Caro Leitor,
encontre alguma informação
sobre a precessão dos equinócios.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

Stellarium




Veja na Ilustração de Heavens Above, 
para hoje a noite (dia 08),
 Caro Leitor, 
Lua e Saturno em Ophiucus:


Sky chart of the constellation
http://www.heavens-above.com/constellation.aspx





http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Gazetteer/Topics/astronomy/_Texts/secondary/ALLSTA/Ophiuchus*.html

Richard Hinckley Allen, Star Names, Their Lore and Meaning, Dover Publications, Inc, New York, USA 

Segundo Allen, em seu livro Star Names, Their Lore and Meaning – fantástico livro e já em domínio público 

– e traduzindo literalmente, de forma simples e sintética, 
por mim, Janine:

Ophiucus vel Serpentarius, o Serpentário

 – não Ophiucus Serpentarius, é Ofiuco em italiano, Schlangentrager em alemão e Serpentaire em francês.
...........................

…. (Porém) o Serpentário foi normalmente identificado com Asclepios ou Aesculapius, a quem o Rei James I descreveu como “um curador que mais tarde foi feito deus”, com cujas adoradas serpentes eram sempre associados como símbolos de prudência, renovação, sabedoria e o poder de descobrir ervas curadoras.  Educado por seu pai Apollo – ou pelo Centauro Quíron -, Aesculapius foi o primeiro em sua profissão e o cirurgião do navio Argo.  Quando a famosa viagem terminou, ele estava tão treinado em sua prática que ele pôde até trazer mortos à vida – entre esses, Hippolytus.
....................
Sucessivas operações e inúmeras e notáveis curas – e especialmente a tentativa de reviver Órion morto -, levaram Plutão (que temia pela continuidade de seu reino) induzir Júpiter a atingir Aesculapius com um raio e colocá-lo dentre as constelações.
Ophiucus também foi associado a Caecius, o Cego, assassinado por Hercules e celebrado por Dante no Inferno.  Na verdade, diz-se que o Herói foi atribuído a estas estrelas por Hyginus e nomeou-as com seu nome: uma confusão que pode ter vindo à tona em função das fronteiras entre essas duas constelações – por serem mal-definidas, primeiramente, ou pela similaridade de seus mitos originais em relação a Izhdubar e o dragão Tiamat.
.......................................

http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Gazetteer/Topics/astronomy/_Texts/secondary/ALLSTA/Ophiuchus*.html





La Hire, Philippe de, 1705, Planisphere Celeste Septentrional.




Algumas Informações Interessantes acerca esta Constelação:

A 13a. Constelação do Zodíaco


Quando o Zodíaco foi originalmente nomeado, 
a Eclíptica não passava pelo Ofiúco, 
de forma que esta constelação não foi incluída. 
 Hoje em dia, sim, em função da precessão,  
Ofiúco recebe a passagem da linha da Eclíptica 
e o Sol passa um bom tempo aqui depois de ter adentrado a Cabeça do Escorpião
 e passado ao largo de sua estrela Alpha, Antares.

Programa Stellarium trabalhado em Programa Corel

Programa Stellarium trabalhado em Programa Corel

http://www.heavens-above.com/skychart.aspx


Movimentos: tudo sempre se move

Estarei repetindo aquilo que recebi em Fórum na Internet, parte da Aula 2 sobre Movimentos do Céu, by dario.rostirolla@londrina.pr.gov.br:

“Como é sabido, a Terra apresenta dois movimentos básicos (e outros): rotação (em torno do próprio eixo, com período de 1 dia) e translação (movimento orbital ao redor do sol, com período de 1 ano). Enquanto gira ao redor do Sol, a Terra percorre em sua órbita cerca de um grau por dia - logo, as estrelas se adiantam um pouco com relação ao Sol (como um carro que se aproxima de uma esquina e obtém melhor visibilidade), cerca de 4 minutos. É esta a causa da pequena diferença entre o dia solar e o dia sideral.

No decorrer de um ano a Terra percorre 360 graus ao redor do Sol, de modo que as estrelas que se encontravam ocultadas pelo Sol, dentro de algum tempo se tornarão visíveis em função do deslocamento da Terra sobre sua órbita. Ao longo do ano, diferentes partes do céu vão se tornando visíveis em determinado horário fixo (digamos, logo após o pôr do Sol), de modo que toda a esfera celeste vai sendo avistada ao longo do ano, setor por setor. A cada ano, esse movimento se repete de modo que as constelações visíveis numa determinada data serão visíveis na mesma data dos anos subseqüentes.”

A precessão dos Equinócios é o movimento que estaria aglutinando, digamos assim, ambos os movimentos anteriores: o de rotação e o de translação. 

Não podemos nos esquecer que a Terra gira em torno de seu eixo sim, porém com uma inclinação de 23 graus....  Ao mesmo tempo, a Terra perfaz um passeio de 360 graus em sua órbita em torno ao Sol.  Ao mesmo tempo, também o Sol vai realizando seu próprio andamento e o faz em direção a um ponto próximo  à constelação Hercules.  Tudo no universo se movimenta... por que deixaria nosso Sol de fazer o mesmo?

Ao longo do período de 26 mil anos, esse eixo da Terra em movimento de rotação e de translação e atrelado ainda ao movimento próprio do Sol, vai imantando os direcionamentos norte e sul e deslocando, apontando então para diferentes pontos dessa região da esfera celeste! Esse grande círculo imaginário que se forma é o Grande Ano das Eras! Uma maneira simples de entender esse movimento é soltarmos um pião e o deixarmos girar, girar, girar..... é bem assim.  A estrela que denominamos de Polar, vem atuando como imantação Norte desde há muito tempo e ainda estará fazendo isso por bom tempo adiante.  Porém, um dia no futuro, teremos que renomeá-la... pois não estará mais reinante na posição de Estrela Polar.

É realmente interessante que possamos perceber as questões relativas às mudanças de Eras em termos de onde caem os Pontos de Equinócios e de Solstícios:

A Era de Gêmeos trouxe o Ponto Vernal a acontecer dentro desta constelação ocupando o lugar de Primavera, Virgem ocupando o lugar do Solstício do Verão, Sagitário ocupando o lugar do Equinócio do Outono e Peixes ocupando o lugar do Solstício de Inverno.







Quadro sobre a Precessão dos Equinócios durante 4 Eras, mostrando o Caminho do Sol contra o pano de fundo das constelações do    Zodíaco.  As cores originais foram invertidas.
Inserido no Artigo “When the Zodiac Climbed into the Sky” por Alexander Gurshtein para a Revista Sky & Telescope edição de outubro de 1995, página 30,  publicada por Sky Publishing Corporation, Cambridge, MA, USA.




A Era de Touro trouxe o Ponto Vernal a acontecer dentro desta constelação ocupando o lugar de Equinócio da Primavera; Leão ocupando o lugar do Solstício do Verão; Sagitário ocupando o lugar do Equinócio do Outono e Peixes ocupando o lugar do Solstício de Inverno.

Permita-me lhes dizer, caro Amigo das Estrelas, que foi naquela Era que surgiu o conceito das Quatro Estrelas Reais, Guardiãs das Quatro Estações do Ano e da Vida:  em Touro, Aldebarã, o olho iluminado, guardiã do Leste; em Leão, Regulus, sua pata dianteira, guardiã do Sul; em Escorpião, Antares, a rival de Marte, Anti-Ars, gigante vermelha maravilhosa, guardiã do Oeste; e finalmente, Fomalhaut, em Pisces Austrinus, guardiã do Norte.

A Era de Áries trouxe o Ponto Vernal a acontecer dentro desta constelação ocupando o lugar de Equinócio da Primavera; Câncer ocupando o lugar de Solstício do Verão; Balança ocupando o lugar do Equinócio do Outono e Capricórnio ocupando o lugar do Solstício de Inverno.


Vega,a estrela Alpha Lyrae, atuou como a estrela polar (há mais de 12 milênios atrás).  Vega estará novamente ocupando o lugar de estrela polar mais uns tantos milênios à frente (14.000 anos DC, ou seja mais 12.000 anos à frente) - sempre a estrela polar mais brilhante!





A Precessão acontece porque as forças gravitacionais do sol e da lua atuam por sobre a Terra (que não é esférica) enquanto esta gira, vagarosamente mudando a orientação do eixo da Terra.  Este eixo, inclinado num ângulo de 23o., traça um caminho em torno da eclíptica ao longo de 25.800 mil anos terrestres na realização de todo seu círculo. Isso significa que Polaris - a estrela que viemos considerando nossa estrela polar  celestial do norte -, vagarosamente irá transmitir sua posição à Vega, a brilhante estrela da constelação da Lira. 

Extraído da revista Astronomy,  edição de junho de 2002, página 73.  Parte do texto foi traduzido literalmente por Janine e também a ilustração sobre o caminho do pólo norte celestial foi invertida, para melhor visualização.

Pequeno Glossário:

Apex  -  um ponto central para onde outro objeto orbita e se move em direção a.
Apex do Caminho do Sol  -  o ponto na esfera celeste em direção ao qual nosso Sol viaja numa velocidade de cerca de 20 quilômetros por segundo.  A posição correta do apex do Sol pode variar entre os cientistas porém é quase acordado que seja em Hércules ou Lyra, Ascensão Reta de 18 horas ou 270 graus e Declinação 34 Norte. (3)
Eclíptica (plano da)  -  Plano da órbita terrestre.  Podemos definir também como o grande círculo de interseção deste plano com a esfera celeste.  O plano da eclíptica é inclinado de 23o27’ em relação ao Equador.
Ponto vernal  -  ponto da esfera celeste, situado na interseção da eclíptica com o equador, na qual o Sol, em seu movimento aparente anual, passa do hemisfério sul para o norte.(....) O ponto vernal é habitualmente designado pela letra y; equinócio da primavera, equinócio vernal, primeiro ponto de Áries.  (1)
Equinócio  -  Ponto da esfera celeste, interseção da eclíptica com o Equador.  O equinócio da primavera corresponde à passagem do Sol do hemisfério austral ao hemisfério boreal.  O equinócio do outono é o caso inverso.  Tais termos se aplicam também aos momentos em que estes fenômenos ocorrem.  Podemos dizer, também, que o equinócio é a data do ano na qual o dia é igual à noite (20-21 de março  -  22-23 de setembro)   (2)
Precessão dos Equinócios  -  o movimento do equinócio consiste em uma retrogradação (ou precessão) sobre a eclíptica, da ordem de 50.256 por ano, ou seja, de uma volta completa do equilíbrio em 26.000 anos  (2)
Solstício  -  é o instante no qual o Sol está mais afastado do Equador (22 ou 23 de junho e 22 ou 23 de dezembro)  (2)  -  Nessas datas, acontecem os solstícios de inverno e de verão.

(1)  -  Atlas Celeste
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
6ª edição  -  Editora Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil – 1986
(2) -   Explicando o Cosmos
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Editora Tecnoprint S.A.,  Rio, Brasil, 1984
(3) Norton’s Star Atlas
Arthur P Norton and J. Gall Inglis
Sky Publishing Co.
Cambridge, MA, USA


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Urania’s Mirror is a boxed set of 32 constellation cards
 © Ian Ridpath

Os desenhos formados pelas estrelas
 – As Constelações - 
são como janelas que se abrem para a infinitude do universo
 e que possibilitam nossa mente a ir percebendo que existe mais, 
bem mais, 
entre o céu e a terra ...; 
bem como percebendo que o caos,
 vagarosamente, 
vai se tornando Cosmos 
e sendo por nossa mente conscientizado. 

 Quer dizer, 
nossa mente é tão infinita quanto infinito é o Cosmos.

COM UM ABRAÇO ESTRELADO,
Janine Milward